Mais um post da nossa correspondente especial dona Sônia contando um pouco da história de Portugal para todos nós.
O domingo amanhecera frio mas ensolarado com um azul maravilhoso, um convite para uma boa caminhada. Resolvi me dirigir para a outra margem do Mondego e visitar o Mosteiro de Santa Clara – a Velha.
A Rainha D. Isabel de Aragão empenhou-se na refundação do Mosteiro e, por sua ordem, coube ao arquiteto Estevão Domingues a conclusão da Igreja e a construção dos claustros, abastecidos com a água que provinha da Quinta das Lágrimas.
O templo foi edificado com uma aparência românica e características góticas. A rainha também mandou construir um hospital para os pobres com cemitério, capela e um paço, onde mais tarde viveriam D. Pedro e D. Inês de Castro e que também seria o local da execução de D. Inês de Castro em 1355.
No ano seguinte à sagração da igreja, aconteceu uma cheia no rio Mondego que demonstrou que a convivência das freiras com algumas questões naturais seria problema. Numa tentativa de solução, as freiras viram-se forçadas a construir um andar superior ao longo do templo e a desocupar todo o andar inferior.
Frente às enchentes sucessivas, a comunidade se viu obrigada a construir uma igreja nova – Mosteiro de Santa Clara – a Nova. O velho mosteiro foi abandonado em 1677.
Ele foi classificado como Monumento Nacional em 1910. O abandono do espaço e a imersão dos sedimentos criaram a imagem de ruínas.
Entre 1995 e 2000 o Mosteiro de Santa Clara passou por uma ambiciosa campanha arqueológica que exigiu o constante bombear das águas e revelou a parte inferior da construção e os claustros.
Ficou ainda incluída uma importante reserva arqueológica, ou seja, o segundo claustro, as dependências anexas, o refeitório e os dormitórios eram memórias que ainda seriam desvendadas.
O processo arqueológico permitiu recuperar um enorme e diversificado espólio, que se transformou em uma bela exposição denominada: Freiras e Donas de Santa Clara: arqueologia da clausura.
Os objetos reunidos permitem ao visitante perceber que as ilustres recolhidas entre os muros do mosteiro se cercavam de peças requintadas, como raras faianças, rosários, anéis e brincos, mesmo pertencendo a uma comunidade em que se deveria pautar na humildade.
A visita representa uma oportunidade de não somente observar uma belíssima construção em estilo gótico como também um importante trabalho de recuperação do passado.
Se da mesma forma que eu, você quiser aproveitar a gratuidade do domingo e o restaurante do Mosteiro, vá em frente. Experimentei um Sande de atum, muito bom. Uma bela união de sabor e preço
Mosteiro de Santa Clara – a Velha
Rua das Parreiras, 3040-266 Coimbra
Terça a domingo: verão – 10h às 19h e no inverno – 10h às 17h
Gratuito aos domingos e feriados: até às 14h







2 Comentários
Ai, tô adorando essa série de publicações que tem feito de minha cidade. A parte ruim é a nostalgia. Saudades de lá!!! Bjs
Oi Ana!
Que bom que você está gostando dessa série de posts. Estamos caprichando
Volte sempre para matar a saudades.