Nossa correspondente traz nesse post uma ótima dica para quem pretende conhecer o Porto e ainda é apaixonado por fotografia. Lembramos da nossa amiga Denise
Cheguei à cidade do Porto ao entardecer e minha primeira impressão foi marcada pelos ares escuros da cidade (muito desse aspecto se deve ao tipo de rocha – granito – utilizada na maior parte dos monumentos). Resolvi então caminhar um pouco pelo centro histórico da cidade.
Aproveitei para visitar a Torre dos Clérigos, considerada a torre mais alta de Portugal, com 6 andares e 225 degraus. Medindo 76 metros de altura, a torre teve sua construção (1754 – 1763) sob as ordens do arquiteto italiano Nicolau Nasoni.
A visão da cidade é de impressionar, assim como o vento de Janeiro. Fazia um frio “cortante”, mas a visão da cidade vale o esforço da subida, pois fui recompensada com uma das mais belas vistas do Porto e do Douro.
Após a visita, me afastei um pouco da Torre para fotografá-la, quando me deparai com o Centro Português de Fotografia (CPF), que existe desde 1997, criado para assegurar uma política nacional para a fotografia.
Ele tem atualmente como missão salvaguardar, valorizar e promover o patrimônio fotográfico português. Tem também a seu cargo a gestão e continuidade da Coleção Nacional de Fotografia.
O edifício onde se encontra instalado o CPF, também conhecido como “Cadeia da Relação”, começou a ser construído em 1767, no mesmo lugar onde no início do séc. XVII foram erguidas as primeiras instalações para a Relação e Casa do Porto.
O grande imóvel, cuja construção durou quase trinta anos e detentor de uma curiosa planta trapezoidal, foi repartido de forma quase equitativa entre Tribunal e Cadeia.
Tive a oportunidade de visitar uma exposição maravilhosa resultante do Prêmio Nacional de Fotojornalismo, cujos organizadores esperam servir de incentivo para que fotojornalistas se empenhem neste gênero que nos últimos anos têm perdido espaço na mídia.
O CPF também mantém uma importante exposição permanente de máquinas fotográficas de todos os períodos da história da fotografia.
Mas as surpresas não paravam por aí, ao caminhar pelo último piso, visitei os espaços onde ficavam os quartos de Malta, concebidos como prisões individuais para “pessoas de condição”. Foi em uma dessas celas que ficou preso o escritor português Camilo Castelo Branco, autor de Amor de Perdição e Amor de Salvação.
Para os amantes da fotografia a visita ao CPF é altamente recomendada.
Torre dos Clérigos – Monumento Nacional
Rua São Felipe Nery – Centro – Porto
Ingresso: 2 euros
Metrô São Bento
Detalhe: Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco nasceu em Lisboa em 1825, num prédio da Rua da Rosa e suicidou-se em Junho de 1890 na Vila Nova de Famalicão. Por volta de 1856 conhece Ana Plácido, a “mulher de sua vida”, uma relação nada tranquila uma vez que Ana é casada. Instaurado o processo por adultério, ela é presa na Cadeia da Relação do Porto e Camilo, depois de vaguear pelo Minho e Trás-os-Montes, ali se entrega. Absolvidos, vão viver para Lisboa. Desse período resultará o livro Memórias do Cárcere.
3 Comentários
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A série de vcs sobre Portugal está fantástica! Muito obrigada pelas dicas
adorei a homenagem. o Porto tem muita coisa interessante sobre fotografia e ótimos cursos. fiz um pertinho do CPF, e passava sempre por essa área.
que saudade.
que lindo!
beijos!
Muito legal esta serie de posts feitos por uma correspondente tao especial…