“Moqueca é Capixaba. O resto é peixada.” -Ditado Popular

Resolvi postar um pouco mais de informação histórica cultural sobre Vitória (não vou mais dizer que é do Espírito Santo).

* Foi em Vitória, mais precisamente na escadaria de Maria Ortiz no centro da cidade que Maria Ortiz expulsou os Holandeses do Brasil. Dizem as más línguas que isso é mentira… O que interessa é que está nos livros de História.

* Capixaba era inicialmente como eram chamadas as pessoas que nasciam em Vitória apenas. Hoje todos que nascem no Espírito Santo são Capixabas.

* As panelas de barro são Patrimônio Imaterial Brasileiro. Um pouco mais de informação sobre elas:

“Tombadas em novembro de 2002 pelo Iphan –o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional– como patrimônio imaterial brasileiro, essas panelas de barro são mais do que um utensílio para o preparo da moqueca e da torta capixabas. Elas têm status de ingrediente: sem a panela, a receita fica diferente. “

E já que estamos falando de panela de barro, nada mais justo que colocar uma receida original da famosa Moqueca Capixaba. Receita esta dada pelas paneleiras de Goiabeiras, as Originais 😛

Receita original da Moqueca Capixaba

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• 2 kg de peixe fresco (badejo, papaterra, pargo, robalo);

• quatro a cinco maços de coentro;

• quatro maços de cebolinha verde;

• duas cebolas brancas (pequenas);

• tomate a gosto;

• dois limões;

• azeite doce;

• urucum;

• pimenta a gosto.

Modo de fazer:

Limpe bem o peixe, corte-o em postas e deixe-o em uma vasilha com sal e o suco de um limão. Conserve assim pelo menos por uma hora. Separe a cabeça do peixe para o pirão. Utilizando uma panela de barro grande, coloque: duas colheres de azeite (se preferir pode colocar mais ), cebolinha verde, cebola branca, coentro (tudo bem picadinho), tomate (que pode ser picado em rodelas) e urucum (que pode ser substituído por colorau). Em seguida, arrume as postas do peixe e repita a camada de temperos picados. Não adiciona água ou sal. Cozinhe em fogo brando e quando abrir fervura coloque gotas de limão. Não espere ferver, caso contrário o peixe endurece. Tampe. Espere uns 10 minutos e experimente o sal. Para o pirão, o processo é o mesmo. Depois de cozida a cabeça, acrescente água fervendo e deixe que a carne cozinhe até quase desmanchar. Retire os ossos, experimente o sal e acrescente a farinha, mexendo sempre para não encaroçar.

Como usar a panela de barro:

A verdadeira panela de barro capixaba tem longa durabilidade. Quando for usada pela primeira vez, deve receber um “batismo”. Use duas colheres com óleo de cozinha para untar toda a parte interna da panela. Leve-a ao fogo e deixe queimar todo o óleo. Em seguida, deixe a panela esfriar e lave-a. Está pronta para ser usada por muitos anos.

E falar em Moqueca Capixaba sempre me lembra a Torta Capixaba, também patrimônio cultural do Espírito Santo.

A receita original leva muitos frutos do mar como mexilhões e sururu. Contudo eu não gosto dessas coisas e prefiro as tortas capixabas “light” que levam só o bacalhau e, dependendo de quem faça, camarão.

Abaixo está uma receita que eu encontrei no site da Gazeta Online (principal jornal de Vitória):

Torta Capixaba

Cebola, alho, azeite doce, azeitona, limão, coentro, cebolinha verde, tomate a gosto
130g de palmito
200g de siri
200g de camarão
200g de ostra
200g de sururu
500g de bacalhau

Obs.: para cozinhar esses ingredientes, faz-se as moquecas de cada um e retira-se todo o caldo, deixando-os o mais seco possível.

Mistura cultural e gastronômica, assim pode se definir a torta capixaba. Ela é a junção do sabor do bacalhau português com o siri e o sururu dos mangues e o palmito rico nas matas brasileiras. Além dos frutos do mar, para fazer o famoso prato basta acrescentar 300g de tomate, 70g de cebola e coentro, 130g de palmito, 40ml de urucum, 70ml de azeite, além de alho, sal e azeitonas a gosto.

O toque do chef é não moer os ingredientes, mas coar e preservar o produto cozido. De acordo com Tom, após 10 minutos de fervura, deve-se colocar o material na panela de barro, cobrir com ovos batidos em neve, usar cebola e azeitonas para enfeitar o prato e colocar no forno por 10 a 15 minutos para gratinar a torta.

Entrem no site do Gazeta Online para ver mais detalhes sobre a Torta Capixaba e assistir o vídeo de como fazer a torta.

Ah, e como uma última característica Capixaba temos o verbo “pocar”. Esse verbo muito usado no Espítiro Santo é mais bem explicado com exemplos:

“A bola de soprar (ou bexiga como em São Paulo) pocou.”
“Vou pocar sua cara se você não me deixar em paz!”
“Vou pocar fora pois já está tarde para ir para casa.”
“Eu me poquei de rir quando ouvi aquela piada ontem.”

Em geral, esse verbo quando no infinitivo não tem o “r” pronunciado.

É isso ae.

P.S.: Capixaba é o único povo do Brasil que não tem sotaque! Ok, talvez a gente fale cantando (de leve) e coloque um “i” em algumas palavras como “treIs” e “PaIz”. Infelizmente eu não posso mais me considerar um exemplo de capixaba sem sotaque devido à minha convivência com mineiros e paulistas há 10 anos.

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    7 Comentários
  1. Meu, você já fala e até escreve meu. Só falta começar a falta porrrrrrrrta.

  2. Meu, você já fala e até escreve meu. Só falta começar a falta porrrrrrrrta.

  3. Fredddddddddamei esse post também…suas inforações são interessantes, sobre um estado da confederação que pouco se fala….Só seria melhor se eu tivesse acesso a uma dessas panelas…. rsrsrsrsrs… Já pensou o meu caldo mineiro feito nessa panela? Dá até água na boca…. rsrsrsrsrsrSaudadesSaudações ouropretanasSônia

  4. Fredddddddddamei esse post também…suas inforações são interessantes, sobre um estado da confederação que pouco se fala….Só seria melhor se eu tivesse acesso a uma dessas panelas…. rsrsrsrsrs… Já pensou o meu caldo mineiro feito nessa panela? Dá até água na boca…. rsrsrsrsrsrSaudadesSaudações ouropretanasSônia

  5. Estou conhecendo o blog de vocês agora e gostei de saber que são capixabas.
    Estou escrevendo um blog sobre turismo no ES. Quando tiverem um tempo, passem lá para dar dicas também. O endereço é: rotascapixabas.wordpress.com.
    Abs

    • Oi Tiago.

      Obrigado pela visita. Na verdade só eu sou Capixaba 🙂 Mas faz um tempão que não moro em Vitória.

      Posso dizer que conheço até pouco da terrinha pois enquanto morava lá eu não era muito de viajar.

      Eu me assustei quando fui pra Vitória de novo e vi Jardim Camburi lotado de prédios onde, na minha infância, eu só conhecia casas e terrenos vazios. E isso aconteceu em menos de 6 meses entre minha visita anterior e essa.

      O que posso dizer é que há ótimas praias escondidas pelo litoral e ao passear pelas estradas do litoral podemos encontrar várias entradinhas no meio do nada com algumas praias desertas 😀

      Fica tranquilo que assim que eu descobrir algo interessante passo lá pra postar 🙂

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