Retomamos a série de posts sobre as cidades históricas de Minas Gerais 🙂

Um beijo para a Mamiz que está nos brindando com tantas informações interessantes.

“Das muitas vezes que estive em Ouro Preto, uma tristeza me persegue. Ainda não consegui visitar a Capela Imperial de São José. E o que eu mais sentia era o fato de saber que a capela apresenta sérios problemas estruturais por falta de um processo sério de preservação que já deveria ter acontecido à muito tempo.

Primeiro plano as Torres da Igreja do Pilar, ao centro Capela de São José e ao fundo Torres da Igreja São Francisco de Paula.

No último feriado de Finados quando estive na cidade, a única coisa que sobrevivia na Capela Imperial era seu cemitério, tomado por famílias que vinham prestar homenagens aos entes queridos. Um momento ainda muito importante na vida dos cidadãos mineiros, principalmente nas cidades do interior.

Cemitério esse muito importante, pois, é nele que se encontram os restos mortais do escritor Bernardo Joaquim da Silva Guimarães. Não te lembras das aulas de literatura? Isso mesmo, autor de Escrava Isaura e de O Seminarista. Filho pródigo da cidade de Ouro Preto, onde nasceu e veio a falecer aos 58 anos. Hoje patrono da cadeira número 5 da Academia Brasileira de Letras.

Vista da Torre da Capela Imperial de São José a partir dos caminhos do Horto dos Contos.

Ainda segundo consta em alguns documentos, o altar mor, uma jóia do barroco mineiro, foi idealizado e realizado pelo irmão mais ilustre da Confraria de São José dos Bem Casados: o mestre Antonio Francisco Lisboa (o Aleijadinho).

A capela começou a ser construída em 1752 em substituição a de 1730. Concluída em 1811, mas em 1856 sofreu reformas, quando foram trazidas rochas do Itacolomi, utilizadas em seu frontespício e na sua torre.

Você tem duas formas bem interessantes para chegar até a Capela Imperial (título recebido em 1889). Ou você vem descendo a ladeira (e que ladeira!) desde a Igreja São Francisco de Paula e tem uma ótima visão da cidade assim como também da Capela em sua totalidade. Ou você opta por subir até a Capela à partir da Rua São José (e que subida!), daí você terá a visão da Capela “crescendo” frente aos seus olhos.

Não importa qual a maneira escolhida, não importa também se você, assim como eu, não puder entrar para conhecê-la. Vá e vá até o adro da Capela. Pare e observe. Olhe o cemitério. E, sem dúvida, você sentirá a força dessa construção que resiste bravamente ao passar do tempo e do esquecimento das autoridades preservacionistas.

Capela de São José ao fundo vista a partir da casa do Governador.

Capela Imperial de São Hosé
Rua Teixeira do Amaral, s/n – Ouro Preto

P.s. tentei confirmar a informação, que obtive através de alguns amigos, de que finalmente saiu do papel o projeto de restauro da Capela Imperial de São José, mas não consegui. No próximo feriado irei a Ouro Preto e tentarei confirmar a informação, logo trago novidades.

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    2 Comentários
  1. Natália,

    Seu texto sobre a Imperial Capela de São José está excelente! Infelizmente, durante décadas aquele patrimônio da cidade e do mundo, e que contém obra de Aleijadinho, foi esquecido pelas autoridades responsáveis pela preservação de monumentos. A boa notícia que tenho para você é que após reformas estruturais e restauração a Capela será reaberta em l9 de março desse ano. Por saberem que o o Imperador realizou importantes obras naquela capela, descendentes portugueses e espanhóis de Dom Pedro II virão para as comemorações de reabertura do templo. Fiquei injuriada ao saber que esta foi a última reforma realizada ali. Abraços.

  2. Natália, acrescento, ainda, que o nome Imperial Capela foi uma homenagem a Dom Pedro II.
    Atualmente, chama-se Imperial Igreja de São José dos Pardos ou Bem Casados e Santa Cecilia dos Músicos. Lamento lhe dizer que o belo forro da igreja foi, em alguma época, doado a um seminário de Mariana e que uma imagem de Sta. Cecília teve também, o mesmíssimo destino, foi doada!!!!!!Inacreditável!!!!!!

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