O dia amanheceu ensolarado, resolvi caminhar em direção à Basílica da Estrela, mas você pode chegar próximo de metrô, desçendo na estação Rato e seguindo pela Av. de Álvares Cabral. Passei pela Praça da Estrela, criada em 1842 e que é considerada um dos mais belos jardins públicos da capital portuguesa.

E se você olhar à sua esquerda poderá observar os muros do Cemitério dos Ingleses, onde se encontra sepultado o escritor e dramaturgo inglês Henry Fielding, autor d’A História de Tom Jones – o enjeitado. Segundo consta, o cemitério é resultado de um acordo de 1654, entre o rei D. João IV e o inglês Oliver Cromwell, devido à necessidade de um cemitério protestante em Lisboa.

basilica da estrela

Cheguei, finalmente, à Real Basílica da Estrela, importante monumento do séc. XVIII, possivelmente a primeira igreja europeia dedicada ao Santíssimo Coração de Jesus. Realizada por construtores da escola de Mafra, sob as ordens da rainha D. Maria I. Sua construção durou 10 anos (1779 – 1789). No átrio podemos observar os dois nichos onde estão colocadas as imagens da Virgem Maria e de São José.

basilica da estrela

Ao caminhar pela espaçosa nave central, podemos ver a grande cúpula toda em mármore cinza, rosa e ocre e através dos seus janelões de onde uma luz natural invade a Basílica praticamente o dia todo.

basilica da estrela

A maioria das pinturas foram feitas, em Roma, pelo italiano Pompeu Batoni. Mas, a última pintura ao lado esquerdo de quem adentra a Basílica, representando o Sagrado Coração de Maria e os Arcanjos, foi feita pelas infantas (filha de rei ou rainha, que não é herdeira da coroa) portuguesas.

No transepto (galeria transversal, também chamada de braços, que numa igreja forma a cruz com a nave), ao lado direito, qual não foi a minha grande surpresa quando me deparei com o túmulo da benfeitora da Basílica. Em nenhum momento eu esperava visitar, ou chegar próximo ao túmulo da rainha que assinou a sentença de enforcamento do Tiradentes e a ordem de degredo dos conjurados mineiros.

BASÍLICA DA ESTRELA

D. Maria I, princesa do Brasil até ser aclamada Rainha de Portugal, desejosa de ter um filho varão que lhe herdasse o trono fez uma promessa de erger a basílica caso seu sonho fosse realizado. O infante nasceu, mas, infelizmente, não sobreviveu até o término da construção da igreja.

O seu espírito religioso e sua devoção ao Sagrado Coração, a levaram a construir um convento para as freiras Carmelitas Descalças que dele tomaram posse em 1790.

Mas as surpresas que a Basílica nos reservava não terminam por aí. Atrás do túmulo da Rainha, abre-se uma sala, que guarda uma verdadeira joia do barroco português. O presépio da Basílica da Estrela, mandado construir pela rainha e executado por um dos mais importantes artistas portugueses: Joaquim Machado de Castro, construído em 1781 e doado às Carmelitas que habitavam o convento ao lado da basílica.

BASÍLICA DA ESTRELA

Na tradição portuguesa dos presépios, a preocupação primeira é com as narrativas bíblicas e depois com cenas do cotidiano.  Sua construção durou cerca de três anos e tem por base madeira e cortiça virgem do Alentejo e possui, atualmente, cerca de 480 figuras em terracota. É o único presépio conhecido onde aparece a passagem da Bíblia que demonstra a Matança dos Inocentes.

A senhora que me recebeu junto ao presépio, falou da possibilidade de visitar o terraço da Basílica de onde é possível ter uma visão do horizonte de Lisboa. Recuperei meu fôlego apenas para perdê-lo novamente. A visão de Lisboa é espetacular e com o céu azul a vista ficou ainda mais bonita.

lisboa

Sem dúvida, uma visita mais do que recomendada e que ficará na memória.

Basílica da Estrela
Aberta das 8h00 às 20h00 (exceto durante os horários de culto)
Ingresso: grátis
Presépio: contribuição de 1 euro
Visitação das 10h00 às 11h45 e das 15h30 às 17h00 (exceto aos domingos, dias santos, segundas-feiras, e durante os cultos)
Terraço: ingresso 5 euros

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    1 Comentário
  1. Excelente post parabéns.
    Recomendo uma visita ao Algarve para este tipo de turismo. Existem lá mtas ruínas romanas, vilas, castelos mouriscos e pedacinhos de história muito bem conservada.

    Cumprimentos

    [nota do editor: esse comentário foi editado por se tratar de spam disfarçado. Que coisa feia, Ana!]

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