Por dona Sônia.

Após passar bons momentos observando a construção da Sé de Lisboa, tive o privilégio de visitar sua sacristia.

Sua construção dos meados do séc. XVII pode ser atribuída aos traços do arquiteto Marcos de Magalhães. Esse impressionante espaço, fechado aos turistas por motivos de segurança, guarda muitos exemplos de trabalhos em mármore e um maravilhoso arcaz, onde são guardadas as indumentárias sacerdotais há muito tempo.

Catedral da Sé de Lisboa Portugal Claustro

Pude observar algumas dessas peças, verdadeiras raridades, e meus olhos de historiadora ficaram realmente encantados. Muitas foram bordadas a fio de ouro, com rendilhado de ouro, tão ricas quanto as peças encontradas nas cidades mineiras. De todas elas, dois mantos me impressionaram mais: uma com renda feita a fios de ouro e outra que pertenceu a São Vicente de Saragoça, o padroeiro da cidade de Lisboa. Embora o santo mais popular seja Santo Antônio, batizado na Sé em finais do séc. XII, é São Vicente de Saragoça o padroeiro de Lisboa.

Catedral da Sé de Lisboa Portugal Claustro

Saindo da sacristia, tive acesso aos claustros, um espaço impressionante, e em seus jardins encontrei uma escavação arqueológica, iniciada em 1990, que expôs uma série de estruturas que os arqueólogos enquadraram como datadas entre os séc. VI a.C. e o séc. XIV. Os vestígios mais antigos são compatíveis com as cerâmicas fenícias importadas do Mediterrâneo.

Por outro lado, a ocupação romana do séc. I está demonstrada pela construção de uma calçada com esgoto, para onde convergiam as canalizações das lojas que ladeavam e animavam essa via de acesso. Há ainda vestígios da ocupação muçulmana, que incluem cerâmicas e restos de alimentos, principalmente ossos e escamas.

Catedral da Sé de Lisboa Portugal Claustro

Mais ao sul os estudiosos encontraram vestígios de uma construção do séc. XI, um nicho abobadado e muros rebocados, provavelmente relacionados com a mesquita arrasada para a construção da Sé.

A visita a essa catedral marcou meus dias na capital portuguesa. Tantas coisas por trás e por baixo daquelas camadas de pedra… Ao fim da visita pude perceber que o essencial nem sempre está visível aos olhos, ou, pelo menos, não para aqueles que não querem parar e observar.

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