(Post publicado originalmente em 24/08/2009 no meu antigo site.)

“A hora de comprar é agora!”

Um das expressões mais clichês do varejo também deveria ser a máxima dos viajantes naqueles momentos em que passam em frente a alguma loja e se apaixonam perdidamente por um objeto.

guy_on_the_streets (CC BY-NC-ND 2.0)

Como a Lei de Murphy é extremamente respeitada pelo cosmos, isso geralmente acontece quando o pobre turista está em alguma das situações abaixo:

– Em um bairro distante do seu hotel (cansado e já sem braços para levar mais compras);

– No início da viagem (quando pensar em carregar algo pelo resto das férias desanima qualquer um);

– No fim da viagem (quando o cartão de crédito já está esturricado e o viajante está visualizando seu nome na Serasa);

– No fim da viagem (quando a mala já está esturricada e você não tem como levar mais absolutamente nada).

Em pessoas normais, as reações mais comuns nestes casos são:

– Deixar para voltar naquela loja mais tarde;

– Não comprar, pensando no incômodo de carregar aquilo e esperando encontrar algo ainda melhor pela frente;

– Concluir que já gastou demais e segurar os ímpetos consumistas.

Se você é assim, muito bem. Você é uma pessoa ponderada. Mas pode ter certeza: vai se arrepender depois.

Voltar na loja mais tarde é pura ilusão. Os compromissos turísticos não vão deixar isso acontecer e, se deixarem, você vai ter esquecido que amanhã é domingo ou feriado e a loja estará fechada. Esperar por algo melhor mais adiante pode até dar certo, mas o novo objeto de desejo não vai substituir aquele anterior e você vai voltar arrependido por não ter comprado ambos. Segurar os ímpetos consumistas pode ser bom num primeiro momento, mas aqueles dólares que você economizou vão parecer troco depois de alguns anos. Mala cheia? Carregar algo pela viagem inteira? Depois de pegar sua bagagem no aeroporto de chegada, você vai pensar “Pô, nem foi tão difícil, devia ter trazido aquilo”, mas será tarde demais.

Levei um bom punhado de viagens para perceber isso. Deixei de comprar coisas que me arrependo muito e que sei que nunca mais vou encontrar. Hoje aprendi a lição e fui além: vi que o sacrifício para trazer os souvenires acabam tornando eles ainda mais valorizados, sem falar que viram boas histórias mais tarde.

Claro que nada disso vale se você nem gostou tanto assim do objeto ou se o seu valor ultrapassa muito as suas posses. Mas se você se apaixonou perdidamente e, apesar do preço ir além do seu orçamento naquele instante, ele não for assim tão desastroso para as finanças, lembre-se da expressão lá em cima e aproveite. Ou você corre o risco de passar o resto da sua vida de viajante pensando em outra:

“Ah, se arrependimento matasse.”

 

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    6 Comentários
  1. Há dois anos estava em Amsterdam quando vi na feirinha da Waterloo Plein uma torneira Art Nouveau de alguma fonte europeia lindíssima pela bagatela de 50 euros. Comprei na hora. O problema é que a desgraçada pesa mais de 3kg e tive que carregar a viagem inteira. Pior, até hoje não sei o que fazer com ela.
    Tenho foto se quiseres.

  2. Isso não é um problema pra gente!A gente sempre comprava uma ou duas malas em cada destino que ia, mas, na última viagem, encomendamos um frete para deixar os produtos no conforto do nosso lar! E o melhor, o preço era fixo de 50 reais… #sucesso! Agora eu preciso é inventar uma arte pra fazer com tanta mala…

  3. É bem verdade!
    Se gostar do fundo do seu ser é melhor comprar logo, pois o arrenpendimento depois é pior.rs
    Abraço,

  4. Eu sou tão assim e arrependo-me sempre. Na minha primeira viagem com o meu companheiro, a Praga, encontrámos numa daquelas feiras de rua uma pirite linda linda, um cubo perfeito, grande, embutido em mais cubos quase invisíveis ao olhos. Ficámos fascinados, mais ele (é geólogo) e decidimos não comprar porque custava 8 euros. 8 euros!! Dá para acreditar? Em nossa defesa, éramos estudantes universitários, viajávamos com o dinheiro bem contadinho. Nunca mais nos esquecemos do raio da pirite e nunca mais encontrámos igual. Ainda hoje quando falamos da viagem, falamos do quão burro fomos nesse dia.

    • Au Revoir, por favor, na próxima vez que comentar, coloque o seu nome. É mais legal até para a gente conversar. Obrigado.

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