(Post publicado originalmente em algum dia de algum tempo atrás no antigo blog.)

É normal escutar pessoas dizendo que fogem de McDonald’s quando estão no exterior. Parece que comer nas lanchonetes americanas é uma vergonha, uma mancha no currículo de um verdadeiro viajante. Nem mesmo a piada de pedir um “royale with cheese” ou um “le Big Mac” na França parece ser permitida.

Kjirstin Bentson (CC BY-NC-SA 2.0)

Eu tenho outra percepção sobre o assunto. Para mim, o McDonald’s é a melhor primeira refeição que se pode fazer quando se chega em algum país – e vou explicar o motivo.

O momento da chegada é sempre confuso. A gente não sabe direito o valor das coisas, não tem ideia de quanto se paga por uma refeição decente, não está muito por dentro da culinária local e, mais importante, está morrendo de fome (eu, pelo menos, sempre chego faminto).

Até onde eu sei, os lanches do McDonald’s têm mais ou menos o mesmo nível de valor dentro da economia local no mundo todo. Eles nunca são extremamente caros nem ridiculamente baratos. E esse é o primeiro motivo para se escolher um restaurante da rede: matar a fome com a certeza de não estar sendo totalmente enganado pelo preço só por não ter noção dos valores dos restaurantes locais.

Com a barriga cheia, você tem algumas horas para se adaptar a moeda local antes de ter que escolher outro restaurante, onde vai chegar mais habituado aos preços.

Gabriel Prehn Britto | jpellgen (CC BY-NC-ND 2.0)

Além do motivo econômico, tem o motivo cultural. Ao contrário do que o pessoal mais radical pensa, o McDonald’s não é uma ameaça às cozinhas típicas e nem uma pasteurização dos pratos mundo afora. Em todos os lugares onde tive a oportunidade de visitar uma filial da loja do Ronald, encontrei pratos bem diferentes dos que temos no Brasil.

MikeBash (CC BY-NC-ND 2.0)

Claro que os Big Macs e os campeões de vendas estão sempre lá, mas ao lado deles estão opções criadas de acordo com a preferência local, sem falar nas bebidas e nas sobremesas. Por isso o Mac de Fes, no Marrocos, vende sanduíche feito com pão árabe. Por isso, os restaurantes da rede em Viena oferecem doces maravilhosos. Por isso, comi um belo pastel de nata num Mac em Lisboa.

E por aí vai. Por mais que soe como uma heresia para alguns, comer em um McDonald’s é também uma forma de conhecer algumas preferências da cozinha local.

Ian Muttoo (CC BY-SA 2.0) | Keith Woeltje (CC BY-NC-SA 2.0)

Obviamente, eu não como Mac em todas as refeições em viagens. Mas se eu enxergar aquele “M” amarelo, estiver com muita fome e ainda não tiver ido em outra loja deles no país, pode ter certeza de que vou lá ver o que tem de diferente para mim.

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    6 Comentários
  1. É verdade, Gabriel!!! Concordo demais com você!!! No Mc Donalds indiano o “Big Mac” é substituido pelo “Mc Maharasha” cheio de curry e apimentado. Na Tailâdia, a maioria das opções inclui frango frito (até achei que estava no KFC, rsrsrs).

  2. Olá Gabriel!
    Adorei seu post sobre o Mac!! Eu e meu marido nos identificamos 100% com seu conceito de “ir ao MAC”, antes de conhecer melhor a gastronomia local. Sempre acabamos numa loja do Ronald, seja pra comer um hamburguer halal em Marrakesh ou um vegetariano na Índia! Parabéns pelo blog, estamos adorando!

  3. Em Praga comi um Mc Country (típico, com carne de porco) e uma tortinha de maçã verde que ainda espero comer por aqui!!

  4. Interessante análise. Mas, confesso que prefiro arriscar-me em restaurantes locais, hehe.

  5. em buenos aires, chegamos de madruga, mortas de fome e nao encontramos o grande M amarelo da esperança, mas sim o Nac y Pop, que tem como slogan lanches ”de verdad” não com ”aquele queijo com gosto de plastico”, se referindo ao Mc. Foi muita sorte encontrar aquele lanchão saboroso e baratinho 4h em Palermo, mas nao é todo lugar assim.

  6. Internet e banheiro de graça. =]

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