Até agora foram 4 repúblicas russas exploradas remotamente por este blog – Tartaristão, Adiguésia, Altai e Bascortostão – e eu já estava começando a desconfiar que todas as outras também são habitadas por povos turcos. Então cheguei a um lugar totalmente diferente, com background que não tem nada a ver com os anteriores: a República da Buriácia.

Faça um teste comigo. Quando você lê “religião” e “Rússia”, pensa em cristianismo ortodoxo e em tudo que ele lembra, certo? Quando você lê “homem russo”, pensa em um brutamonte barbudo, meio grosso, loiro ou ruivo, certo?

Então, apresento a você um buriato:

Lógico que ele não é de etnia russa, mas é tão cidadão russo quanto o brutamonte barbudo, meio grosso, loiro ou ruivo, cristão ortodoxo que você imaginou lá em cima.

Os buriatos (que também são chamados de “buriates”, em português) são de origem mongol. Eles e os mongois eram praticamente o mesmo povo até o século 18, quando os russos tomaram conta do campinho buriato e anexaram toda a região.

Justamente por causa desta semelhança, hoje os buriatos têm muitas tradições idênticas às dos habitantes da Mongólia, país com quem têm a única fronteira internacional. Entre estas tradições, a mais forte é a budismo tibetano, que a Rússia até aceitou como uma das suas religiões oficiais, logo depois de anexar o povo.

De lá para cá, muita vodca rolou e a vida dos buriatos teve altos e baixos. Eles foram contra a revolução bolchevique, tomaram porrada até não poder mais, foram massacrados por Stálin, fugiram para a Mongólia, perderam territórios e voltaram. No meio do comunismo, a Buriácia se tornou um pólo industrial soviético com tantas fábricas – todas ligadas ao exército vermelho – que a região ficou proibida para estrangeiros até os anos 80.

A capital buriata é Ulan-Ude, que significa “Uda vermelho”, em referência ao rio que corta a cidade. Para quem quiser dar uma passadinha por lá, para ver a maior cabeça de Lênin de toda a Rússia, uma dica: ela é uma das tantas paradas da ferrovia Trans-Siberiana.

Mas quer saber? Não passe rapidamente pela Buriácia. Além de cidadezinhas bucólicas, mosteiros e habitantes russos-mongois, a república tem uma atração de categoria mundial a apenas uma centena de quilômetros de Ulan-Ude. É o lago Baikal, o mais profundo do mundo (chega a 1600 metros de profundidade), considerado Patrimônio da Humanidade, pela Unesco. Sessenta por cento da costa do Baikal pertence à Buriácia, e como o lago é totalmente circundado por montanhas, as paisagens são lindíssimas.

Ah, sim: convém ir para lá no verão. A temperatura chega a 20ºC negativos no inverno e o lago congela a ponto de suportar o peso de Ladas Niva. Haja paciência budista para aguentar isso.

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    5 Comentários
  1. Maior série a das repúblicas Russas, Gabriel. Obrigado.

    • Sabia que tu curtiria, Meneza! =) Valeu!

  2. O meu sonho é conhecer o Baikal! AInda vou pra lá!

  3. Ulan-Ude uma das cidades mais surpreendentes da Transiberiana. Tirando o cabeção do Lenin kkk
    Tivemos o prazer de ter um guia Buriata que nos levou num restaurante típico que foi um dos pontos altos gastrônomicos da viagem. Fomos tomar gelada num bar em Ulan-Ude que somente eu e meu irmão não possuíamos os olhos puxado, é incrível.
    E o Baikal é simplesmente foda, não tem outras palavras. Em breve no V&P.
    Estava passando aqui no Planetovski para tirar umas dúvidas, esta tua série é muito boa.
    Abraço.
    @GusBelli

    • Putz, ler isso de quem fez a Transiberiana é uma honra. =) Abraço!

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