Nem tudo são flores de camomila nas repúblicas russas.

Se alguns lugares são bastante receptivos aos turistas, outros são completamente fechados e até perigosíssimos. O Daguestão é um destes lugares. Talvez até o pior entre todos.

Se você procurar em fontes oficiais, só vai encontrar maravilhas sobre o turismo por lá. O site da Agência de Turismo do Daguestão, por exemplo, desenha uma república perfeita para os estrangeiros:

“Parte da população fala línguas estrangeiras, então os visitantes não vão ter problemas de comunicação.”

“É permitido fazer fotos em quase todos os lugares.”

“A assistência de saúde é garantida.”

Mas se você for atrás de informações não-oficiais, vai descobrir um Daguestão bem diferente.

Bolshakov (CC BY 2.0)

A primeira dica que tive sobre isso veio do pessoal do Não Conta Lá em Casa, um programa de viagens do Multishow. Vale muito ler a experiência recente deles na capital Makhachkala. É assustador.

Depois, pesquisando em sites e fóruns, li outras coisas cabeludas.

O site Come Back Alive, especializado em perigos para os turistas, é claro e direto: evite toda viagem para as regiões do Norte do Cáucaso.

No fórum Black Flag Cafe (do mesmo Come Back Alive), um participante diz que é “vital” falar russo no Daguestão. E depois manda: “o turismo no Daguestão é inexistente. Os únicos estrangeiros por lá são diplomatas e funcionários de ONGs.”

Enfim, já vimos que ir até lá não é apropriado, ao menos neste momento. Mas fazendo de conta que o Daguestão é um paraíso de paz e anglófonos, o que ele tem de interessante?

O nome já indica algo. Daguestão significa “terra das montanhas”. E dá para ver que elas são absurdamente fucking lindas.

Dizem até que as montanhas são o motivo para que a república tenha uma característica incrível: por causa do relevo acidentado, muitas comunidades vivem isoladas e de forma tribal, preservando suas características e fazendo com que o Daguestão seja a república mais heterogênea da Rússia.

Veja o mapa ao lado. Cada cor indica uma língua falada lá dentro. Eu contei 12, o que deve ser praticamente uma torre de Babel.

(Essa diferença toda é um dos motivos para as tensões gigantescas no país, que tem apenas 4,7% da população formada por russos, com os outros 95% divididos entre uma pá de gente, sendo que 90% do total é muçulmano sunita.)

Fora das montanhas, a principal atração daguestanesa é a cidade de Derbent.

Além de ser conhecida como “a cidade mais antiga da Rússia” e de ter um monte de histórias que envolvem conquistadores como Alexandre, o Grande, ela também tem um conjunto que é Patrimônio da Humanidade da Unesco: a cidadela, a cidade antiga e a fortaleza de Derbent.

Allie Verbovetskaya (CC BY-NC-ND 2.0)

No meio da minha pesquisa, também encontrei algumas poucas referências entupidas de elogios a uma cidade chamada Aeolus (também Eolus), mas futriquei na internet inteira e não consegui achar nada mais concreto, muito menos fotos.

Melhor assim. Não convém se apegar demais ao proibido Daguestão.

• Veja onde se hospedar em Derbent e na capital Makhachkala, com o Booking •

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    3 Comentários
  1. Amei o blog, keep it coming!

  2. Como tu fazes para viajar por esse mundo afora? Não tens medo? Gostaria de ir contigo.
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