Sabe Cafundó? Onde Judas Perdeu as Botas? Onde o Vento Faz a Curva? Descobri onde todos eles ficam: em Tristão da Cunha.

O que é isso? É o lugar habitado mais isolado e de difícil acesso no planeta. Uma ilha perdida que brota do fundo do Oceano Atlântico, assim, de repente, no meio do nada.

Ela faz parte de um arquipélago que tem o mesmo nome, em conjunto com mais 3 ilhas: Nightingale, Gonçalo Álvarez (Gough Island, em inglês) e Inacessível. Todas fazem parte da Grã-Bretanha desde 1816, mas apenas a ilha Tristão da Cunha é habitada.

O título de lugar mais remoto do mundo é merecidíssimo. Tristão da Cunha está a 2800 km de distância da África do Sul e a 3300 da América do Sul.

Então você vai dizer: “Ah, mas a Ilha de Páscoa fica a 3500 km do continente! É mais longe ainda!”

E eu vou responder: “Sim, mas a Ilha de Páscoa pode ser visitada de avião, apenas 5 horas depois de decolar de Santiago. Tristão da Cunha só pode ser alcançada de uma única e enjoativa forma: de barco, 5 ou 6 dias depois de partir da Cidade do Cabo, na África do Sul.”

The Official CTBTO Photostream (CC BY 2.0)

Sentiu o drama?

Para piorar, quem quiser visitar Tristão da Cunha não pode só chegar em um porto sul-africano e entrar no primeiro navio com destino ao arquipélago. O buraco é bem mais embaixo.

Em primeiro lugar, ninguém desembarca na única cidade (Edimburgo dos Sete Mares) sem autorização do governo local, que pode ser conseguida seguindo os passos do site oficial da ilha. São idas e vindas de documentos, informações e pagamentos que podem fazer a espera durar um ano.

Depois, é preciso conseguir lugar nos barcos que fazem o trajeto de ida e volta até lá. As saídas são da Cidade do Cabo e a oferta, reduzidíssima: 10 por ano, com apenas 12 lugares livres para passageiros em 90% deles.

Por último, o viajante ainda precisa torcer para São Pedro estar de bom humor, porque nenhum navio zarpa com tempo ruim – nem na ida, nem na volta.

michael clarke stuff (CC BY-SA 2.0)

Tudo isso parece antipatia dos tristanenses, mas não é. Dizem que a hospitalidade local é imensa, tanto que as únicas acomodações para turistas são 6 guest houses do governo e casas das famílias. A intenção de todo esse cuidado é apenas manter a vida do jeito que ela é e fugir das multidões de forasteiros. O governo até estimula o turismo, dizendo “planeje com cuidado e você vai conseguir nos visitar!”.

The Official CTBTO Photostream (CC BY 2.0)

Mas o que fazer em um lugar tão isolado e distante? Bem, o site do governo é extremamente sincero:

“Não existem pacotes de turismo para viajantes independentes. Não existem hoteis. Não temos aeroporto. Não temos recreacionistas e monitores. Não temos danceterias, restaurantes, jet ski ou lugar seguro para nadar.”

Swamibu (CC BY-NC 2.0)

brunosan (CC BY 2.0)

michael clarke stuff (CC BY-SA 2.0)

Ou seja, não há quase nada para fazer além de observar a vida (humana e selvagem) e curtir a sensação de estar no ponto mais isolado do mundo. Um lugar onde vivem menos de 300 pessoas, todas fazendeiras, com apenas 8 sobrenomes (Glass, Green, Hagan, Lavarello, Repetto, Rogers, Swain e Patterson), descendentes dos 15 primeiros habitantes locais. Onde a TV só chegou em 2001 – até hoje com um mísero canal.

Perto de Tristão da Cunha, o famoso isolamento do Butão parece um convite ao turismo em massa.

Se gostou do que viu, assine o blog!


    11 Comentários
  1. Praticamente a ilha de Lost 😛

  2. Pior é que a paisagem até PARECE a da ilha de Lost, né?

  3. Faltou dizer que o nome da ilha vem do nome do navegador português que a descobriu em 1506 🙂

  4. Esquece…vi agora que vc colocou link para a página da Wikipédia 🙂

  5. Adorei!

  6. Legal!

  7. Fascinante o lugar. Quem precisa de atividades da cidade grande com toda essa riqueza natural e, de certa forma, espiritual (isolamento).

  8. Muito interessante, lembra um pouco a história de Pitcairn Islands… já ouviram falar?

  9. Será que há notícias de brasileiros que já visitaram a ilha?

  10. Hoje me acordei pensando em uma pedra numa rua de Tristão da Cunha. Numa determinada pedra numa rua de Tristão da Cunha. Solta. Sozinha. Quem repara nela? Só eu, que nunca fui lá. Só eu, deste lado do mundo, te mando agora esse pensamento… Minha pedra de Tristão da Cunha!

    Mario Quintana

    A poesia de Quintana fala de Calcutá, mas que poderia ser em homenagem a Tristão da Cunha.

Deixe seu Comentário