O passeio pelo Planetovski Rússia continua no Norte do Cáucaso. E se você leu o último capítulo deve se lembrar da dica do site Come Back Alive, especializado em destinos perigosos: toda viagem por essa região russa deve ser evitada.

Porém, como esta é uma pseudo-viagem e este blogueiro está sentado no sofá da sua casa bebendo café sem nenhum perigo, sigo em frente sem medo e entro na Inguchétia.

Estou falando da menor das repúblicas russas, com ridículos 0,02% do território total do imenso país. Tão pequena que praticamente não aparece no mapa geral.

O que tem de pequena, a Inguchétia tem de invocada. Nas primeiras tentativas do russas de anexar este cantinho das montanhas do Cáucaso (no século XIX) um general invasor escreveu para o seu czar dizendo que “seria um erro grave anexar uma nação tão militarista” e, mais tarde, disse que os inguches eram “os mais corajosos” entre todos os vizinhos.

Infelizmente, toda esta coragem e militarismo não adiantaram, porque eles acabaram anexados e expulsos, depois retornaram durante o período soviético e foram expulsos mais uma vez.

A volta definitiva só aconteceu depois da morte de Stálin, mas não foi fácil. Como os vizinhos ossétios haviam tomado conta do campinho durante a ausência dos inguches, o retorno gerou tensões e guerras entre ambos, que depois geraram outras guerras, envolveram outras repúblicas e a coisa complicou tanto que eu me perdi. Só sei que o climão dura até hoje e segue criando problemas sociais enormes.

Atualmente, por exemplo, a república é uma das mais pobres da Rússia e ainda abriga milhares de refugiados chechenos, na proporção de um para cada inguche.

Violenta ou não, a Inguchétia tem seus atrativos.

O primeiro, claro, é a beleza natural das montanhas do Cáucaso, uma paisagem que se repete em muitos dos seus vizinhos (e que deve aparecer nesta série por mais algumas vezes).

Outro atrativo é o próprio povo inguche. Eles são de uma etnia chama vainaque (vainakh), nada menos que o último braço vivo dos nakhs, um grupo étnico que até hoje não tem origem totalmente conhecida. Além dos inguches, apenas os chechenos e uma parte dos georgianos também são vainaques.

É justamente destas raízes que surge o que considero a maior atração da pobre Inguchétia: as torres vainaques.

Aos olhos de um leigo como eu (e talvez você) elas não são um primor de arquitetura. Parecem apenas mais algumas torres na sua vida de viajante.

Mas se você curte “coisas que não existem em nenhuma outra parte do mundo”, elas são um prato cheio: as torres vainaques só existem na região onde vivem ou viveram os povos da etnia e têm vários significados e histórias envolvendo suas construções (tinham que ser terminadas em um ano, ou trariam azar ao clã, por exemplo).

A mais antiga foi construída no século I d.C., mas o boom imobiliário aconteceu entre os séculos 12 e 13.

Pelo que entendi, a grande diferença das torres vainaques é que tinham a base quadrada e o topo em pirâmide, ao contrário das torres construídas por outros povos da região, que tinham base redonda.

Não achou assim tão interessante? Pois nem pense em desdenhar na frente de um inguche. As torres vainaque são o maior motivo de orgulho local e estão até no brasão de armas da república.

Lembre-se daquele general russo: melhor não arranjar briga com um povo tão militarista.

Veja onde ficar em Magas, a capital da Inguchétia, com o Booking.

Você também poderá gostar

Se gostou do que viu, assine o blog!


Deixe seu Comentário