“As águas é que são felizes, não têm que ter visto para entrar no país.”

É isso que diz “Estamos Adorando Tókio”, do Karnak.

Para as águas, as fronteiras são mesmo uma barbadinha. Já para nós, costumam ser um pé no saco. Mas não reclame, porque essa aporrinhação já foi bem pior.

Antigamente, o pobre viajante não podia sair do seu país sem um salvo-conduto concedido pelo seu soberano. Segundo o Wikipedia, um dos registros mais antigos da burocracia alfandegária está na Bíblia.

O Livro de Neemias, de 450 a.C., mostra o personagem pedindo cartas de apresentação para o rei persa Artaxerxes, com a intenção de chegar a salvo em Judá. Ganhou uma requisição de segurança destinada “aos governantes da província do outro lado do rio”.

O primeiro passaporte japonês (1866). Foto: World Imaging (CC BY-SA 3.0)

A coisa só começou a ficar menos casca-grossa, no século 19, na Revolução Industrial. A melhoria nos transportes estimulou a migração e o povo começou a se movimentar mais livremente. Naquela época, o passaporte não era exigido (que sonho, hein?) mas facilitava a entrada do viajante nos países.

Então veio a Primeira Guerra e tudo começou a degringolar. O passaporte passou a ser exigido por questões de segurança e, depois do conflito, a Liga das Nações realizou a Conferência Internacional sobre Passaportes, Formalidades de Alfândega e Bilhetes de Passagem e padronizou o documento, que só então ganhou foto (antes vinha com descrições físicas do viajante).

iwona_kellie (CC BY-NC-SA 2.0)

O nome “passaporte” não tem origem garantida, mas vem de muito tempo e do francês. Pode ser derivado de “passe port” (referente a “porto”) ou “passe porte” (dos portões nos muros das cidades medievais).

Hoje, muitos países sequer reconhecem passaportes de determinadas nações, porque não aceitam a existência delas. É o caso do passaporte israelense e dos passaportes britânicos emitidos em Gibraltar, por exemplo, que não são reconhecidos por muitos países árabes e pela Espanha, respectivamente.

Alfândega na Coreia do Norte. Sim, o fotógrafo deve ser meio louco. Foto: (stephan) (CC BY-NC-ND 2.0)

Quase tão felizes quanto as águas são os britânicos e os norte-americanos. Eles têm portas abertas em 147 países.

Nós, brasileiros/sacoleiros, estamos na 17ª posição, com entrada free em 128 países. Não dá para reclamar. Os norte-coreanos da foto acima só entram em 44 e ainda estão melhores que vários outros.

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    4 Comentários
  1. Pois é, o passaporte como conhecemos, uma coisa que a gente toma como tão “óbvia” é super nova. É que se a gente parar pra pensar o Estado também como conhecemos hoje é um ente muito novo. O mundo conviveu com impérios, cidades-estado, possessões e mais um monte de entes políticos misturados até bem pouco tempo. O conceito de Soberania é de 1648 e só a partir daí lentamente o mundo foi caminhando pra uma homogeneização em estado moderno e nação. Como diz meu professor, se pensarmos que a história do homem é uma hora num relógio, o Estado aparece há poucos minutos =)
    Ótimo post.
    Abs,

  2. Uau, adorei o post! Mega interessante!

  3. Boas quais paises tem portas fechadas pra o Brasil??

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