Não faz muito tempo, apresentei aqui as Ilhas Aleutas, uma região que esse blogueiro, na sua bendita ignorância, julgava ser o ponto mais interessante entre EUA e Rússia.

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Mas daí apareceu um lugar muito, muito, muito melhor: as Ilhas Diomedes.

Veja essa foto:

Imagem: NASA

Do lado esquerdo, a Rússia.

Do lado direito, os EUA.

No meio, as Diomedes, cada uma pertencendo a um dos países.

Dave Cohoe (CC BY 3.0)

Ridículos 4 quilômetros de mar do Estreito de Bering separam a Diomedes Maior (russa) da Diomedes Menor (Estados Unidos), uma distância que era conhecida como A Cortina de Gelo, durante a Guerra Fria.

Entre elas ainda passa a Linha Internacional da Data, o que significa que a ilha russa está sempre um dia adiante da ilha norte-americana e gerou um apelido bem espirituoso para ambas: Ilha do Amanhã e Ilha de Ontem.

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Atualmente, apenas a ilha americana é habitada. A população da irmã russa se dividiu entre os que foram para o continente e os que foram para o lado ianque, já que muitos dos habitantes antigos eram parentes e se visitavam com frequëncia, antes da divisão política.

Os habitantes da Diomedes Menor são esquimós e vivem na única parte da ilha que não é um penhasco caindo direto no mar.

Ali fica a vila de Diomede, que na língua original é chamada de Inalik, uma palavra cujo significado parece ser uma chacota: “a outra” (“the other one”) ou “a outra lá” (“the one over there”).

Foto: National Science Foundation

“A outra lá” tem apenas 115 viventes. Segundo os entendidos no assunto, ela existe há 3000 anos e servia como base para caçadores esquimós desde beeem antes de todos nós.

A vida nela não é fácil, mas o pessoal tem o básico: uma escola, um posto de saúde, geradores de energia, tanques que armazenam a água de uma fonte, internet, TV por satélite, telefone e uma lojinha que vende roupas, comida, armas, munição e combustível. O que não tiver lá, é encomendado no Walmart de Anchorage, no continente (o que soa totalmente bizarro).

Gostou? Mas você não viu nada. As Ilhas Diomedes tem algo que você nunca imaginou: no inverno, o mar que separa as duas congela e… dá para ir de uma a outra a pé.

Vou até repetir em caixa-alta:

NO INVERNO, DÁ PARA IR DA RÚSSIA PARA OS ESTADOS UNIDOS A PÉ.

E VICE-VERSA.

Não é um dos lugares mais incríveis do mundo?

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    30 Comentários
  1. Muito bom! Parabéns!

  2. Que maravilha! Nem sabia desses detalhes. Obrigada pela divulgação.

  3. Oi Gabriel, como os habitantes da ilha americana, fazem pra ir pro Alasca?? eh preciso visto americano para cruzar o lado russo para o americano??? e seria preciso visto entre a ilha americana e o Alasca???
    Um abraço.

    • Ray, os habitantes da ilha americana devem ir de barco para o Alasca e acredito que não precisem de visto, já que são parte dos EUA. Sobre o visto para passar de uma ilha a outra, não tenho nem ideia. =(

  4. Aposto que mesmo eles isolados no meio do nada tem uma internet muito melhor que qualquer um aqui no Bra$il …

  5. Show de bola!!!
    Esses assuntos fazem a cabeça viajar.
    O dia que eu ganhar na mega, com certeza vou ir prá lá.

  6. Muito legal ter um nome diferente e descobrir que existe uma ilha tão exótica que tem o seu nome, quero ir lá!

  7. oi Gabriel, muito bom, seu blog!

    aproveito para enviar dois links, de matérias recentes, sobre esse post que é o que eu mais amo.

    1) http://actualidad.rt.com/ultima_hora/180954-rusia-eeuu-elimina-visa-habitantes

    2)http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150901_estreito_bering_hb

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