Por mais que viajantes sejam pessoas com cabeças abertas, existe um assunto que faz com que muitos virem bichinhos bem preconceituosos: a preferência de alguém por uma mala ou uma mochila.

The Hamster Factor (CC BY-NC-ND 2.0)

É como se a escolha bagagenzística definisse se uma pessoa é mais ou menos hype do que qualquer outro visitante na mesma cidade, que vai exatamente aos mesmos lugares.

Até dá para entender de onde vem essa ideia.

As mochilas têm um charme irresistível. Depois de “chutar o balde” e “enfiar o pé na jaca”, aposto meus souvenires de viagem que “mochilar pelo mundo” é a expressão que mais transmite liberdade, independência, aventura, desapego, juventude e tudo mais que sobra na sua vida ali entre os 18 e os 24 anos. É cool na última potência.

Já as malas são… “malas”: supostamente difíceis de carregar, supostamente pesadas, supostamente uns troços que só os trouxas usam.

Bobagem. Malas e mochilas não diferenciam ninguém e ambas têm vantagens e desvantagens, dependendo do seu destino.

Mochilas são ótimas para quem vai para lugares rurais ou menos desenvolvidos, com ruas e estradas de terra, lama, grama, pedra ou coisa pior.

Por outro lado, podem ser um terror se você não tem costas e ombros suficientemente resistentes ou se ela for daquelas de tipo “saco”. Nessas últimas, Murphy não perdoa e sempre faz com que você precise pegar algo que colocou lá no fundão dela.

Jerolek (CC BY-NC-SA 2.0) - mrjorgen (CC BY-NC-ND 2.0)

Já as malas são fantasticamente perfeitas se você está embarcando para uma temporada apenas em destinos civilizados, com ruas asfaltadas e acessibilidade para cadeirantes (no caso, a sua companheira de rodinhas) ou se não tem força para carregar suas coisas no lombo. Mas podem ser o próprio demônio com alça em um lugar sem essa infraestrutura: por mais que a sua mala tenha rodas de trator, puxá-la por uma rua lamacenta vai ser sempre difícil.

(Aqui eu faço uma pequena ressalva: a neve pode transformar lugares civilizados em uma pocilga da pior espécie. Lembre-se disso.)

Eu uso uma mochila com abertura lateral, mas muitas vezes invejei quem estava elegantemente puxando suas coisas por uma rua asfaltada, enquanto eu estava carregando as minhas, suando feito um maratonista em fim de prova.

Por isso uma boa mala, com belas rodinhas e revestimento durinho já está nos meus planos há tempos.

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    24 Comentários
  1. Que bom que o OQefnf vai ficar…..acho ele tambem um maximo!

    Costumo viajar ora com mochila ora com mala. Sem duvida, viajar com mochila é muito pratico, ainda mais quando a viagem é corrida ou o destino é considerado como mais aventureiro.

  2. Cada um no seu quadrado. Eu uso mala quando a viagem é de mala e mochila quando a viagem é de mochila.
    Mas já notei um certo preconceito quando chego a alguns lugares com a mochila nas costas.

    • É verdade, Carmem! Às vezes a gente chega de mochila em hotelão e é mal visto. Bem lembrado!

  3. Cara, não conhecia seu blog, uma amiga me indicou este texto pois eu vivo falando a mesma coisa. Você capitou muito bem o espírito! Há 5 mil anos a roda é a opção preferencial para carregar peso, só mesmo o “cool factor” (e pra falar a verdade eu também acho legal esta cultura e espírito que a mochila representa) para fazer as pessoas abdicarem disso.

    Não tem nada mais sem sentido que fazer um “mochilão na Europa” de mochila, afinal 99,999% das ruas são perfeitas. Eu diria mais: mesmo em viagens em lugares “subdesenvolvidos”, com ruas de terra esburacadas, lama, neve, etc, arrastar algo com rodinhas (desde que não muito pequenas) é muito mais fácil. A mochila só ganha se você de fato for fazer uma trilha, mas em geral isso é uma viagem que retorna para alguma cidade, na qual daria para deixar a mala temporariamente.

    A melhor solução mesmo é combinar as duas coisas. Quando estava na Bolívia via algumas pessoas fazendo volta ao mundo de mochilão com mochilão e um carrinho, daqueles que criança usa pra carregar mochila indo pra escola. Na maior parte do tempo eles colocavam a mochila no carrinho e puxavam. Nas raras ocasiões em que precisavam (numa trila ou pra impressionar na entrada do albergue…) eles dobravam o carrinho e amarravam do lado de fora da mochila.

    ótimo post!
    abraço

  4. Comecei a viajar recentemente e sempre ouvia “mochilão” e o que me vinha à cabeça eram só dificuldades, não banho, não cama boa, não comida boa e… como essas pessoas são fortes!
    Além claro, do tanto que elas me encantavam.

    Mas quando comecei a viajar entendi o espírito maior do mochilão, e que nem sempre implica nessas “dificuldades” que mencionei.

    Eu não estava me sentindo completa, por ter feito só “mochila de rodinha”. (Eu nem tenho mochila)

    E pra completar, certa vez num hostel um belga que estava no meu quarto quando viu minha mala disse: “demasiado grande” em espanhol…

    Pô! a mochila dele era uma casa, como ele pode dizer isso da minha mala de rodinhas?! hahaha

    Mas ela não me deu trabalho. Só pra subir algumas calçadas.
    Vencido isso, eu a puxava pelas lindas ruas e ainda tirava fotos..
    Enquanto que, as duas argentinas miudinhas que me encontrei fazendo o mesmo trajeto da rodoviária para o hostel, vinham esbravejando por carregarem a mochila pesada pelos quarteirões ingrimes.

    Mochila já virou um conceito e acredito que já perdeu seu sentido literal.
    Agora, a bagagem é uma escolha que deve ser inteligente para que não vire uma “mala” no pejorativo.

    Adorei esse assunto.

    P.S. Bacana o Fica OQEFNF!!! 😉 Apoio!

  5. Eeeeei, esses dias vi uma “mochilona” com rodinhas!! Bela solução não é?!

  6. Bom texto, parabéns!

    O preconceito aos tipos de turistas é uma completa besteira.

    Mas mesmo nos destinos “civilizados” há calçadas e degraus como obstáculo para as rodinhas e o chão quase nunca é liso o suficiente para que a mala não fique trepidando…

    Como andar nos metros de Londres com mala de rodinhas, com todas aquelas escadarias? Por isso prefiro o mochilão em qualquer lugar.

  7. Nunca viajei de mochila (só mochila), mas to aqui me preparando pra primeira vez.
    Acho que principalmente pra quem anda de transporte público, a mochila é bem mais interessante. Subir escada de ônibus com mala de rodinhas é complicado demais!

    Quando voltar da viagem passo aqui pra contar as impressões 😉

  8. Show de bola, belo texto… então galera se me permitem fiz um vídeo falando um pouco sobre a mochila e como despacha-la. Sempre viajei usando malas de rodinha, mas agora, assim como a Lais Carvalho, vou optar pela mochila pois mês que vem será minha viagem. O vídeo da uma dica legal de segurança e vale a pena ver. Abraço

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