[Atenção: este post conta exclusivamente a minha experiência em 2012, situação que pode não ser mais a mesma de hoje. Informe-se com a sua agência de viagens.]

Vistos são um pé no saco. Exigem papelada, comprovações de uma vida inteira e, em alguns casos, até viagens e entrevistas constrangedoras. É tanta apurrinhação que muita gente não se importa de pagar bem caro pelos serviços de despachantes e incorporar esse gasto aos outros da viagem.

hjl (CC BY 2.0)

Essa é uma maneira de encarar o problema. Mas eu prefiro fazer o contrário: pedir o visto por mim mesmo e incorporar toda essa incomodação às lendas da viagem.

Pense bem: se as roubadas acabam virando histórias para contar, por que não encarar a roubada burocrática para ter ainda mais lendas? Sem falar que a experiência com essas formalidades pode dar uma boa ideia de como é a rotina kafkiana de quem vive no destino.

Já passei por situações bizarras por causa desse pensamento, mas nada é comparado com a experiência surreal que tive com o visto norte-coreano.

Em um país onde todos os passos dos visitantes são controlados, onde não se pode sair do hotel sem a companhia de um guia e onde há restrições a fotografias, a muralha burocrática anti-estrangeiros só pode ser enorme, certo?

Errado.

A ideia que todo mundo tem de que é preciso pedir autorizações especiais ao governo e enviar milhares de papeis é uma das maiores lendas que já vi. Tudo que eu tive que fazer foi:

– Preencher um formulário online (que também é o formulário de inscrição da Koryo Tours) dizendo coisas básicas como nome, nacionalidade, minha profissão, onde trabalho e meu endereço no Brasil.

– Enviar uma foto minha e outra do meu passaporte (via internet).

– Pagar 50 euros (o que só precisa ser feito quando eu chegar em Pequim).

E pronto.

Quem se encarrega de pedir o visto é a própria agência de turismo, lá na China, e ele é entregue ao viajante um dia antes do embarque para Pyongyang.

Simples assim.

Fazer um visto de turismo norte-coreano é zilhões de vezes mais fácil do que fazer um visto turismo norte-americano.

Surreal, não?

*****

Gabriel Quer Viajar foi para a Coreia do Norte com o apoio exclusivo da Koryo Tours.

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Gostou? Leia também os outros posts sobre a viagem à Coreia do Norte

ANTES DA VIAGEM (estudos e preparativos):

Por Que Pra Lá – Coreia do Norte

– O que se faz na Coreia do Norte

– O que se faz na Coreia do Norte (segunda parte)

– Curiosidades norte-coreanas

DEPOIS DA VIAGEM:

– Coreia do Norte: o país mais estranho do mundo é um país deste mundo

– As (minhas) melhores imagens da Coreia do Norte (como fotografar no país)

– Arirang. A Coreia do Norte a cores

– Air Koryo, a Coreia do Norte que voa

– Dançando com norte-coreanos

– O que fiz na Coreia do Norte – 1º e 2º dias

– O que fiz na Coreia do Norte – 3º e 4º dias

– O que fiz na Coreia do Norte – 5º dia

– O que fiz na Coreia do Norte – último dia

– Tony Wheeler na Coreia do Norte

– Gabriel Quer Viajar na CBN

– A Coreia do Norte na prática

– É ético ir para a Coreia do Norte?

– Mulheres de Conforto

– Meu longa-metragem na Coreia do Norte

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    11 Comentários
  1. Surreal! Se não fosse você a contar, eu não acreditaria.

    Sei que terei “n” outras chances, mas já deixo aqui um voto de uma excelente viagem. Que seja tudo aquilo – e mais! – o que você está esperando!

  2. Eu e o meu marido tambem fazemos o maximo para pedir o visto por nossa conta, sem intermediação de despachante. Quando decidimos ir para a Jordania, enviamos nossos passaportes para o consulado . A senhora do consulado que nos atendeu por telefone foi super simpatica, confirmou a chegada dos passaportes e ainda enviou para a gente uns folders da Jordânia quando do envio dos passaportes. Tinhamos ate pensado em contratar em Belo Horizonte um despanchante, mais o preço cobrado por pessoa para tres (eu, meu marido e um amigo) sem direito a desconto nos fez desistir rapidinho.

  3. Quando planejei a minha, cogitei tirar pela embaixada norte-coreana em Brasília. Mas os caras da Koryo falaram que nem vale a pena. É mais caro e tem que ir até lá.

    Tu sabe que o visto é uma folha de papel, né? Eles pegam quando tu entra na DPRK e nem carimbam teu pasaporte nem nada, dizem.

    • Sei, sim! Vi fotos no Flickr. Algumas mostram um papelzinho individual, outras mostram só uma grande lista, como se todos os vistos de cada grupo fossem impressos em folhas A4. Aparentemente, não carimbam nada, mesmo. Não fica nenhum registro da passagem pelo país. Só nos resta fazer fotos do visto para guardar.

  4. mardruck, tem lógica: desse modo não ficam marcas de “entrar num país comunista” no seu passaporte e ninguém faz perguntas bizarras em outras imigrações mundo afora… mas que o carimbo é um troféu, é!

  5. Gabriel, vou ficar colada na sua viagem. Pq vai ser simplesmente demais. Tenho certeza q vc vai ter muito mais histórias fenomenais para contar. Quando vc embarca? Boa viagem! 🙂

  6. “Em um país onde todos os passos dos visitantes são controlados, onde não se pode sair do hotel sem a companhia de um guia e onde há restrições a fotografias, a muralha burocrática anti-estrangeiros só pode ser enorme, certo?”

    Acredito que exatamente por isto que não é “tão complicado”. Além disso não acredito que eles teriam muito problemas com gente querendo ficar por lá, uma coisa é ir a turismo outra é problemas de migração ilegal, mas também imagino que esta facilidade depende da nacionalidade, não?

    Como tantos outros vou ficar também colado vendo esta incrível experiência!

    Por acaso já viu o documentário The Red Chapel? Está na minha lista de documentários para ver, acho que vai ser neste fim de semana.
    http://www.theredchapel.com/

  7. Nem todas as coisas são tão ‘atrasadas’ por lá como a gnt pensa hein! Essa informação me surpreendeu!

    =)

  8. Interessantissimo isso!!! Eu imaginava que o surreal fosse ter que ate mostrar qual seu tipo sanguineo.. hahaha, muito boa essa informaçao.

  9. Nossa, não imagina que era tão simples. Muito bom, obrigado!

  10. O mundo cheio de lugares fantáticos para se ver, onde se respira liberdade e se vai para um país desse , que é um enorme campo de concentração, com os guias mentindo sobre o país!

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