Se você leu o Por Que Pra Lá? Coreia do Norte, já sabe o que me leva a passar férias em um país tão cheio de perrengues.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

Agora chegou o momento de você saber mais detalhes da viagem e conhecer o roteiro interno dela. Ou o que raios eu vou fazer lá.

Essa questão é infinitamente mais fácil de responder do que a anterior. E a razão dessa facilidade é bem simples: é o governo norte-coreano quem decide onde os turistas estrangeiros podem ou não podem ir e, consequentemente, quais atrações podem ou não podem visitar. Assim, todos os roteiros são criados pela agência de turismo norte-coreana (ou precisam passar pelo crivo dela). Você chega lá sabendo exatamente o que vai ver.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

Um detalhe importante é que qualquer roteiro pode ser modificado a qualquer momento, se a agência de turismo ordenar. Pelo que li, essas mudanças repentinas podem acontecer até mesmo por um probleminha técnico banal no local a ser visitado. Como a ordem é que tudo esteja impecável aos olhos do visitante estrangeiro, qualquer lâmpada queimada pode arruinar a programação. Nesses casos, a atração é substituída por outra (e, acredite, são muitas opções).

Mas vamos ao que interessa: o que eu vou ver naquelas bandas?

PYONGYANG

A capital norte-coreana é o lugar onde os turistas costumam passar mais tempo. Segundo o Lonely Planet, não é exagero dizer que essa cidade (cujo nome significa “terra plana”) é diferente de qualquer outra capital do mundo.

A maior razão para essa afirmação é que Pyongyang foi totalmente destruída durante a Guerra da Coreia e, consequentemente, reconstruída do zero, seguindo todos os desejos de um governo comunista até o talo. Ainda segundo o Lonely Planet, “é a metrópole totalitarista definitiva, forjada em concreto, bronze e mármore”.

É nela que está a maioria das atrações do país.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

HOTEL YANGGAKDO

É estranho dizer isso, mas os hoteis em Pyongyang também são atrações.

O Yanggakdo, por exemplo, é o único onde os estrangeiros podem caminhar sozinhos ao ar livre, já que ele fica em uma ilha no meio do rio que corta a cidade, isolado da população. Nos outros, para ir além do lobby, só com a companhia de um guia.

O Yanggakdo também é interessante por ser o segundo maior prédio do país (são 47 andares), por um misterioso 5º andar que “não existe” e por um vídeo promocional de cair a bunda.

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Roamme (CC BY 2.0) – David Stanley (CC BY 2.0)

ARCO DO TRIUNFO

Inspirado no seu primo francês (e dizem que 3 metros mais alto e, portanto, o maior do mundo) o Arco do Triunfo norte-coreano foi construído no local onde o Grande Líder, Kim Il-sung, falou para o povo depois de liberar o país da ocupação japonesa, em 1945.

Aliás, o triunfo ao qual ele se refere é justamente esse, sobre os japoneses.

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ARIRANG E O ESTÁDIO MAY DAY

“O maior espetáculo coreografado do mundo” está no roteiro, lógico. E ele acontece no Estádio Rungrado, também conhecido como May Day Stadium, o (adivinhe?) maior estádio do mundo.

Para saber mais sobre o Arirang, leia esse post.

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David Stanley (CC BY 2.0)

FERIADO DO DIA DA INDEPENDÊNCIA

A Coreia do Norte é um país onde qualquer feriado é uma atração, já que a população costuma comemorar bastante essas datas. Eu estarei lá no Dia da Independência, quando a cidade inteira se arruma e sai para dançar nas praças gigantescas.

Se eu der muita sorte, pegarei uma daquelas paradas militares União Soviética-style. Mas se não der, tudo bem. Já vou ficar muito feliz com as danças.

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PALÁCIO MEMORIAL KUMSUSAN

Pelo que já li, esse palácio gigantesco que era a residência oficial do Grande Líder e agora é o seu mausoléu é uma das experiências mais incríveis no país. Durante a visita, os turistas são convidados a prestar reverência ao corpo do eterno presidente por 3 vezes (uma em cada lado do caixão de vidro, mas não atrás da sua cabeça). Em breve, o corpo do Querido Líder, Kim Jong-il (filho do Grande Líder), deve ser colocado lá também.

Ah, claro: o Kumsusan é o maior mausoléu do mundo dedicado a um líder comunista.

John Pavelka (CC BY 2.0)

Esta atração está no meu roteiro, mas na verdade ainda não é garantida. Desde a morte do Querido Líder, o palácio está fechado, sem data definida para reabrir. Se isso acontecer até eu chegar lá, OK. Se não acontecer, paciência.

CEMITÉRIO DOS MÁRTIRES REVOLUCIONÁRIOS

Uma mistura de cemitério e memorial para os combatentes norte-coreanos mortos na Guerra da Coreia. Também estão lá algumas pessoas famosas no país, como a primeira esposa do Grande Líder e também a mãe do Querido Líder.

John Pavelka (CC BY 2.0)

FOREIGN LANGUAGE BOOKSHOP

É onde os turistas satisfazem seus desejos capitalistas, já que é o paraíso para quem quer comprar livros, pôsteres, selos e outras quinquilharias revolucionárias.

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PRAÇA KIM IL-SUNG

Todas as paradas militares e celebrações acontecem nessa praça, a maior da cidade. É um dos lugares onde o povo se reúne para dançar nessas ocasiões. Fica na beira do rio Taedong, que corta Pyongyang, e dizem que comporta até 100 mil pessoas.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

Roamme (CC BY-SA 2.0)

PARQUE MORAMBONG

Fica em um morro chamado Moran, que é o lugar preferido pelos pyongyanos para relaxar, fazer piquenique e se divertir. Segundo o Lonely Planet, até os guias ficam mais descontraídos por lá e deixam os turistas mais livres, por isso é perfeito para entrar em contato com norte-coreanos e observar um pouco da vida normal deles. Também existe um parque de diversões na área.

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GOLDEN LANE BOWLING CENTRE

Oi? Boliche? Sim, é isso mesmo: no meio de tantas atrações comunistas, acontece uma parada para os turistas derrubarem pinos e gastarem algumas fichas em fliperamas dos anos 90. O lugar, dizem, é o preferido da população local.

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A CASA ONDE O GRANDE LÍDER NASCEU

Fica em uma espécie de parque natural em um subúrbio de Pyongyang. A tal da casa não aparenta ser muito interessante, mas o parque é bastante procurado pelos moradores da capital, já que tem trilhas e paisagens bonitas, além de um parque de diversões. Na foto abaixo, um mural mostrando o Grande Líder ainda criança.

John Pavelka (CC BY 2.0)

METRÔ DE PYONGYANG

Como todos os metrôs de cidades que viveram sob a influência soviética, as duas linhas existentes em Pyongyang foram construídas para também servirem como bunkers em caso de um ataque nuclear. Por esse motivo, elas, que também são suntuosas, estão entre as mais profundas do mundo.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

Roamme (CC BY-SA 2.0)

O interessante aqui é que todos os estrangeiros que chegam ao país são levados a um passeio pelo metrô, mas sempre e exclusivamente por duas únicas estações: da estação Puhung (“Reabilitação”) até a estação Yonggwang (“Glória”). Nenhum gringo sabe como são as outras.

GRANDE MONUMENTO MANSUDAE

Sim, você já viu esse monumento, mostrado em 9 entre 10 matérias sobre a Coreia do Norte.

Trata-se de uma estátua de bronze do Grande Líder, com aproximadamente 30 metros de altura. No início de 2012, ela ganhou a companhia de outra estátua igualmente grande, mas desta vez do Querido Líder. É parada obrigatória para todos os visitantes, que são convidados a depositar flores nos pés das estátuas e fazer reverência a elas. É considerado um lugar sagrado para os norte-coreanos, então é bom ter cuidado para não fazer nada que ofenda alguém.

Aos fotógrafos, a orientação é não fotografar as estátuas parcialmente.

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MUSEU DA VITORIOSA GUERRA DE LIBERTAÇÃO DA PÁTRIA

“Guerra de Libertação da Pátria” é o nome local para a Guerra da Coreia. Dizem que este museu, dedicado à ela, é o melhor do país. Ele tem mais de 80 salas onde muitas das batalhas são mostradas em dioramas, junto com  equipamentos, armas e até tanques. A visita ao museu inclui uma parada no monumento que lembra a vitória nessa mesma guerra.

Infelizmente, esse é um local turístico que está no meu roteiro inicial mas não vai ser visitado. Ele fechou para reformas há pouco e vai ficar assim até o fim do ano.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

David Stanley (CC BY 2.0)

USS PUEBLO

No meio de tantas atrações relacionadas a guerras, nada como visitar um navio norte-americano capturado em águas norte-coreanas em 1968. Além de um ponto turístico, o USS Pueblo tomado pelo exército é um orgulho do país.

Mark Fahey (CC BY 2.0)

MONTE MYOHYANG

A primeira saída de Pyongyang é para esse lugar que fica a 150 km da capital e tem um nome que significa “Misteriosa Montanha Perfumada”.

Mark Fahey (CC BY 2.0)

É outro destino bastante procurado pelos locais, porque é uma área verde enorme, com vistas bonitas, cachoeiras e trilhas para caminhadas, além do templo budista Pohyon e do museu que guarda a Exibição Internacional da Amizade (as duas atrações abaixo).

TEMPLO BUDISTA POHYON

Apesar do budismo ter uma história forte em toda a Península da Coreia, hoje a religião não é bem vista no país do norte (assim como nenhuma outra religião). Mesmo assim, esse templo construído no início do século 11 é considerado um dos tesouros nacionais.

Sacred Mountains CC BY-ND 2.0)

Sacred Mountains CC BY-ND 2.0)

EXIBIÇÃO INTERNACIONAL DA AMIZADE

Outro lugar que promete grandes emoções.

A Exibição Internacional da Amizade é um museu de salas gigantescas e absolutamente limpas, escavado em uma montanha, onde estão guardados todos os presentes que o Grande Líder ganhou de personalidades do mundo inteiro. São mais de 100 mil itens que vão de carruagens até uma bandeja com copos de madeira.

No final da visita, os turistas são convidados a fazer reverência ao Grande Líder novamente, mas desta vez diante de uma estátua de cera em tamanho natural.

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MUSEU DAS TRÊS REVOLUÇÕES

De novo nas palavras do Lonely Planet: “um lugar surreal e raramente visitado”. Ele guarda detalhes das 3 revoluções que o Grande Líder comandou no país: a ideológica, a tecnológica e a cultural. Tem também um planetário e uma exposição de veículos produzidos na Coreia do Norte. Dizem que é o Epcot Center de lá. É, dá para imaginar.

Mark Fahey (CC BY 2.0)

KAESONG

Outra escapada para fora da capital. Ou melhor: uma escapada de uma capital para outra. Isso porque Kaesong era a capital da dinastia Goryeo, que iniciou em 930 e deu origem ao nome “Coreia” em toda a península da Coreia.

Apesar de fazer parte da história, não existe quase nada de antigo para ser visto em Kaesong. Tudo foi destruído ao longo de tempo e ao longo das guerras. As atrações de lá são essas que vêm logo a seguir.

babeltravel (CC BY 2.0)

DMZ

Para quem não sabe, DMZ é a sigla inglesa para “Zona Desmilitarizada”. Na teoria, parece bonito, mas na prática esse é provavelmente o lugar mais militarizado do mundo nos tempos atuais. Segundo o Lonely Planet, a visita ao local “é como estar no meio do furacão. Dá para sentir a tensão no ar.”

É um passeio que também pode ser feito por quem viaja à Coreia do Sul. Mas, claro, é bem diferente de uma visita pelo lado norte.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

MUSEU KORYO

Um museu com relíquias budistas, um pátio bonito para dar uma caminhada e uma boa loja de souvenires. Aparentemente, o mais interessante nele é o próprio prédio, construído em 992, destruído em 1592 e reconstruído anos depois.

gr0uch0 (CC BY-NC-ND 2.0)

TUMBA DO REI KONGMIN

De acordo com o meu querido Lonely Planet, a cidade de Kaesong é o único lugar do país onde é possível ver autênticas tumbas reais coreanas. A do rei Kongmin (da dinastia Goryeo) e da sua esposa são consideradas as melhores e as mais bonitas. Ambas são do século 14.

John Pavelka (CC BY 2.0)

John Pavelka (CC BY 2.0)

BAR E MICROCERVEJARIA PARADISE

Na volta para Pyongyang (depois de Kaesong), está prevista um momento de relax com uma cervejinha norte-coreana. Deve ser interessante.

TREM DE VOLTA

É possível fazer o trajeto Pequim-Pyongyang-Pequim inteiramente de avião, mas eu escolhi voltar de trem para aproveitar a viagem, conviver com os locais em uma jornada nos trilhos e conhecer um pouco mais das paisagens do interior do país.

Não vai ser molezinha, porque a viagem demora eternas 24 horas. Mas tenho certeza de que vai ser interessante, ainda mais com a parada de 4 horas na fronteira para uma revista detalhada e completa de todos os passageiros, pela polícia norte-coreana. E olha que eu tenho pavor de policiais de fronteira.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

Enfim, essas são as atrações que estão previstas no National Day Short Tour, onde estarei. Mas existem muitas outras em Pyongyang e em todo o país, incluíndo cidades proibidas até há pouco tempo, praias e montanhas. Prometo que uma hora eu vou escrever sobre elas.

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Gabriel Quer Viajar foi para a Coreia do Norte com o apoio exclusivo da Koryo Tours.

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Gostou? Leia também os outros posts sobre a viagem à Coreia do Norte

ANTES DA VIAGEM (estudos e preparativos):

– Por Que Pra Lá – Coreia do Norte

– Visto norte-coreano: uma experiência surreal

– O que se faz na Coreia do Norte (segunda parte)

– Curiosidades norte-coreanas

DEPOIS DA VIAGEM:

– Coreia do Norte: o país mais estranho do mundo é um país deste mundo

– As (minhas) melhores imagens da Coreia do Norte (como fotografar no país)

– Arirang. A Coreia do Norte a cores

– Air Koryo, a Coreia do Norte que voa

– Dançando com norte-coreanos

– O que fiz na Coreia do Norte – 1º e 2º dias

– O que fiz na Coreia do Norte – 3º e 4º dias

– O que fiz na Coreia do Norte – 5º dia

– O que fiz na Coreia do Norte – último dia

– Tony Wheeler na Coreia do Norte

– Gabriel Quer Viajar na CBN

– A Coreia do Norte na prática

– É ético ir para a Coreia do Norte?

– Mulheres de Conforto

– Meu longa-metragem na Coreia do Norte

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    23 Comentários
  1. UAU!
    A Coreia do Norte precisa ser conhecida.

  2. Simplesmente perfeito !

  3. E quanto custou esse passeio por terras norte-coreanas?

    • Will, o custo mínimo é a passagem Brasil-China-Brasil (cujo valor vai depender de uma série de fatores e também da sua preferência por companhia aérea), mais a estadia em Pequim (cujo tempo e qualidade você vai determinar), mais o valor do tour norte-coreano que você escolher, da agência de viagem que você preferir. As opções e valores da Koryo Tours (a agência que me levou) está na página deles: http://www.koryogroup.com/ =) Abraço!

  4. Nunca imaginei que houvesse atrações tão interessantes lá. A única parte que para mim seria um pouco difícil de engolir é a questão de ficar fazendo reverência ao “Grande Líder”. Aff! O pior é que fica complicado de se negar a fazer a tal reverencia já que, como se diz, isto é visto como uma grande falta de respeito.

    • Claudia, te entendo, mas te digo que não é difícil, não. É apenas uma formalidade diante de uma estátua.

  5. Realmente. Olhando pelo ponto de vista da formalidade não seria tão difícil.

    Quero aproveitar e também parabenizá-lo pelos textos.
    Simplesmente, amo lê-los.

    Abraço!

  6. Engraçado Gabriel…vendo essas fotos senti uma impressão de ter estado na Coréia do Norte….é estranho, mas me chamou atenção os monumentos…o país bem cuidado. Por outro lado sabemos que economicamente eles sofrem muito. Tanto que empresas sul-coreanas estão lá instaladas. Não entendo como um povo que fala a mesma língua (Coréia do Norte e Sul) não tem uma unidade. É estranho, porém instigante. O mistério aguça ainda mais a vontade de conhecer o país!

  7. Se eu quando viajo não gosto de ir nos lugares feitos para turistas, que porcaria é um país inteiro onde eu só possa ir nos “lugares que turistas podem ver”.
    Cade a Coréia do Norte de verdade? Aquela onde as pessoas estão morrendo de fome e sendo enviadas para campo de concentração se tiverem o mínimo de pensamento próprio?

    Essa você não viu né? E nem pode ver. Ai parece que só tem praça bonita (e vazia) no país.

  8. Acho uma péssima idéia viajar para a Coreia neste clima de tensão atual. Imagina estourar uma gurra entre norte e sul ou entre US, quando vc estiver lá….

    • Marcio, se você não se sente seguro, melhor não ir mesmo. 😉 Abraço!

  9. 1 2
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