Em um belo dia você resolve seguir as indicações desse humilde blog e decide que vai viajar para algum lugar além daqueles que as pessoas consideram normais. Ótimo. Pessoalmente, fico muito feliz com isso.

Jaako (CC BY-NC 2.0)

Mas então a dúvida aparece: onde você vai encontrar um guia para planejar a sua viagem para o tal lugar diferentão?

Foi pensando nisso que nasceu esse post com algumas dicas do que aprendi sobre o assunto até o momento. Espero que ajude.

DO YOU SPEAK INGLÊS?

chinnian (CC BY-SA 2.0)

A primeira lição é: esteja preparado para ter um guia em inglês. Sim, você dificilmente vai encontrar esse tipo de guia em português. As coisas até andam melhorando e talvez você encontre algo em espanhol. Mas o único certo mesmo é o english.

QUAL GUIA ESCOLHER?

Infelizmente, você não vai ter muitas alternativas na hora de escolher seu guia. Existem zilhões de editoras por aí, mas (até onde eu percebi nas minhas pesquisas) muito poucas cobrem países exóticos.

jonwick04 (CC BY-NC-ND 2.0)

A mais completa, sem sombra de dúvidas, é a Lonely Planet, com guias para qualquer canto obscuro do mundo. A Bradt também tem destinos bem legais, mas vale pesquisar bastante e arriscar editoras não especializadas em turismo. Às vezes elas lançam livros temáticos que podem ajudar muito.

LIVRARIAS ANALÓGICAS

Às vezes a vida digital nos faz esquecer do óbvio: as livrarias de verdade, com paredes, estantes e pessoas. Tente lembrar disso e visite as mais bem servidas da sua cidade.

mjlmadison (CC BY-NC 2.0)

Sendo sincero, dificilmente você vai encontrar algo. Mesmo as nossas maiores livrarias costumam ter apenas os guias de destinos mais populares, mas talvez você esteja em um dia de sorte e encontre o guia que procura. Se isso acontecer, fique esperto: é bastante normal que seja uma edição antiga. Não compre antes de confirmar essa informação (na dúvida, fale com um vendedor – uma das vantagens das livrarias de verdade, com paredes, estantes e pessoas.)

Caso você seja um sortudo e encontre uma edição atual do guia que procura, segure seus ímpetos e não compre ainda. Os preços de guias são supervalorizados no Brasil e provavelmente vai sair mais barato importar seu exemplar. Anote o valor e passe para o tópico “Livrarias Digitais Gringas” deste post.

(Não seja bobo de se preocupar com coisas como “preciso comprar logo ou alguém vai levar”. Se você teve sorte suficiente para encontrar esta raridade, não vai ter o azar de alguém comprar justamente o seu achado.)

thejester100 (CC BY 2.0)

LIVRARIAS DIGITAIS BRAZUCAS

Antes ou depois da peregrinação pelas livrarias da sua cidade, não esqueça de dar uma passadinha também nos sites delas.

Às vezes, o que você não encontra na loja mais próxima está no estoque virtual ou em alguma filial perdida pelo Brasil. Se o preço não for muito mais alto do que nas livrarias gringas (inclua nessa conta o frete), vale fazer o pedido na livraria brasileira mesmo, já que as encomendas nacionais costumam chegar na sua casa bem mais rápido do que as internacionais.

LIVRARIAS DIGITAIS GRINGAS

Tudo isso é muito bonito, mas o mais provável é que você tenha que encomendar seu guia em alguma livraria gringa. Como a importação de livros é livre de impostos, muitas vezes vale a pena, mesmo com o frete e a provável longa espera pela encomenda.

Guillermo Esteves (CC BY-NC-SA 2.0)

O destino básico da busca internacional é a Amazon, mas não se prenda a ela.

Faça sempre uma comparação com os sites das próprias editoras ou em outros lugares. A loja virtual da Lonely Planet, por exemplo, faz promoções muito boas e pode valer a pena. Já a inglesa The Book Depository entrega de graça no Brasil. O prazo de entrega costuma ser parecido, então não se preocupe com isso se você não estiver em uma urgência.

Também vale ficar de olho nas ofertas de compras casadas, oferecidas pelos sites. Se aquele livrinho de hmong básico for oferecido por uma pechincha junto com o seu guia do Vietnã, coloque no carrinho. Pode ser útil na viagem e, no mínimo, vai ser uma boa recordação.

Dica básica: se você tiver outros livros para encomendar ou amigos que também queiram importar livros, junte todos em um mesmo pedido. O preço do frete de um único exemplar costuma ser o mesmo de uma quantidade maior, então faça a grana render.

DOWNLOADS

Aqui a coisa é delicada.

Guia baixado pode ser lido de duas formas: impresso (provavelmente em folhas A4) ou em equipamentos eletrônicos.

Se você vai para o meio do mato, é uma burrice sem tamanho levar um guia que precisa de energia elétrica para ser lido, certo? Nesse caso, esqueça.

Mas se o seu destino é um lugar onde você vai ter acesso a uma tomada diariamente (ou quase), ou se você não se importa com um guia impresso em casa, essa alternativa pode ser uma boa.

needoptic (CC BY-ND 2.0)

O site da Lonely Planet oferece essa opção com desconto em relação à versão encadernada. Lá você também pode comprar apenas os capítulos que interessam a sua viagem – o que pode ser uma vantagem naquelas edições que cobrem mais de um país, quando você só vai para um deles.

(Foi o que eu fiz com o guia da Coreia do Norte, que é apenas um capítulo do guia da Coreia do Sul.)

APLICATIVOS

É o mesmo problema dos guias baixados em PDF. Se você vai ter acesso a energia elétrica e não se importa com o formato digital, escolha o seu preferido na sua loja de aplicativos preferida e seja feliz.

É mais ou menos isso. Agora é com você.

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    9 Comentários
  1. Sou apaixonada por guias de viagem e fã dos Lonely Planet. Na minha opinião, eles são os mais completos, os mapas das cidades/vilas são muito bons. Geralmente, compro mais de um guia sobre um destino, sendo um lonely planet. Compro os guias na site da Lonely Planet. Há uma promoção muito boa – compre 3 guias e pague dois. Com isso, o desconto de um livro quase cobre o preço do frete.

  2. Adorei Gabriel! Sonho com o dia que meus filhos vão estar maiores e eu possa viajar mais de 10 dias consecutivos e assim ir pra todos os cantos inóspitos deste mundo. Vou precisar de muitos guias 🙂

  3. Gabriel, um acréscimo: tb vou atrás de blogs de pessoas que moram no local (se elas têm fácil acesso à internet, claro). Em geral, estes blogs são ótimos guias de recantos interessantes, e em destinos com pouca informação, se tornam uma preciosidade maior ainda. Foi assim que organizamos boa parte de nossa viagem pra Wallis & Futuna ano passado, e as dicas que coletei por blogs de locais valeram muito a pena. Mais até que o minúsculo capítulo sobre o país no Lonely Planet.

    • Excelente, Lucia! Sabe que eu nunca fiz isso? Vou começar a fazer a partir da próxima viagem. Valeu! =)

  4. Parabéns pelo blog, conheci há pouco tempo e estou encantada. E este post veio mesmo a calhar!

  5. Adoro blogs mas não abro mão de guias impressos. Compro sempre os do Lonely Planet e os da DK. Tenho muitos, de lugares para onde já fui e para onde penso um dia em ir. Na minha opinião, blogs e guias impressos têm finalidades diferentes e, por isso, um não exclui o outro. Na verdade, são complementares. O guia impresso normalmente é mais sistematizado, dá uma visão melhor do todo do destino a ser visitado. Os blogs complementam isso, dando uma visão mais específica de uma dada atração, restaurante ou dando dicas práticas sobre quando ir, quanto custa etc.

  6. Eu ia falar a mesma coisa da Lucia: acho que os blogs de moradores locais ajudam muito, muito, muito. E, como eu amo mesmo um bom papel, uma coisa que eu faço é ir comprando guias desses lugares “não convencionais” quando estou no exterior e acabo achando os ditos cujos em livrarias e sebos. Assim vou montando uma “prateleirinha de sonhos” em casa 😉

  7. Adorei o blog Gabriel, sempre com ótimas dicas.

  8. Oi Gabriel,

    Vale lembrar que no couchsurfing.org existem grupos para diversas regiões e países, onde os locais (e estrangeiros) também fornecem dicas. Na estrada é possível pegar preciosas dicas com outros viajantes, que muitas vezes estão fazendo o caminho inverso.
    Os guias do LP decaíram muito na minha opinião, mas o forum deles é fantástico! Também gosto bastante dos mapas, que tem melhor detalhamento que os do Bradt.
    Parabéns pelo blog!

    Abs

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