O post sobre as atrações da Coreia do Norte fez sucesso. Compreensivelmente, muita gente não tinha ideia do que havia para ser visto no país e acabou gostando da lista.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

Porém, aquilo é apenas o que eu vou ver em 5 dias dentro do país. Existem outras atrações tão ou mais interessantes do que aquelas, que podem ser vistas em outros tours ou até mesmo de surpresa, caso alguma atração prevista precise ser substituída às pressas.

Aqui estão elas.

EM PYONGYANG

A ESTÁTUA DE CHOLLIMA

Um grande exemplo da mistura das lendas coreanas com o comunismo. Chollima é uma espécie de Pégasus coreano, inspirado em uma lenda chinesa. Seu nome significa “cavalo de mil milhas” e sua história foi usada pelo Grande Líder para motivar a população a reconstruir o país depois da Guerra da Coreia, no que ficou conhecido como Movimento Chollima.

John Pavelka (CC BY 2.0)

Hoje, tudo que é veloz é logo relacionado a Chollima. Lembra da seleção norte-coreana de futebol, aquela que levou uma tunda de gols na Copa de 2010? Ela é conhecida por lá como Chollima, desde que ganhou da Itália na Copa de 66.

TORRE DA IDEOLOGIA JUCHE

Uma torre de 170 metros de altura, projetada pelo próprio Grande Líder e construída com 25.550 blocos de pedra – um para cada dia vivido por ele até os seus 70 anos de idade. É possível subir ao topo por um elevador e dizem que a vista é fantástica.

Roamme (CC BY-SA 2.0) | Joseph A Ferris III (CC BY 2.0)

Então você me pergunta: “O que é a Ideologia Juche?” E eu respondo: é um pensamento norte-coreano (na verdade é quase uma religião) criado pelo Grande Líder. Segundo ele (em um resumo bem resumido), cada pessoa é responsável pelo seu futuro e sua prosperidade, assim como é responsável pela revolução e pela construção do país.

PALÁCIO DAS CRIANÇAS DE MANGYONGDAE

Pyongyang tem alguns centros chamados de “palácio das crianças”, onde a molecada da cidade passa suas horas fora da escola. Tipo uns Cieps, sabe? Nesses lugares, os turistas são apresentados a shows de artes marciais, ginástica e música protagonizados pelas crianças.

Como não podia ser diferente, as cantorias são todas em homenagem ao Grande Líder.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

MONUMENTO À FUNDAÇÃO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

Uma cena clássica de Pyongyang. É um monumento ao partido que governa o país desde 1949. Na praça em frente a esse monumento também acontecem danças coletivas em datas especiais.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

ESTÚDIO DE CINEMA DE PYONGYANG

O cinema é uma paixão norte-coreana e é nesse estúdio (onde fica o mural abaixo) que a maioria deles é feito.

Os temas são quase sempre relacionados à história do país, mas também existem filmes românticos e dramas que invariavelmente falam de alguém que luta pelo desenvolvimento da nação.

O Querido Líder era um apaixonado por cinema e vivia visitando os estúdios onde estão cenários representando desde cidades históricas até prédios com estilo europeu.

Se você der sorte, pega até uma produção em andamento na sua visita.

John Pavelka (CC BY 2.0)

ZOOLÓGICO DE PYONGYANG

Maior ironia da história: a grande atração do Zoo de Pyongyang são os próprios norte-coreanos. Como o lugar é uma das principais opções de lazer da cidade, famílias inteiras passeiam por lá e você pode observar os hábitos e até tentar puxar um papo com alguém. Bichos? Sim, eles existem, mas não são muito diferentes do que você vê por aí.

HOTEL RYUGYONG

As obras do que deveria ser o hotel mais alto do mundo começaram em 1987 com previsão de término para 1989. Mas no meio disso as coisas complicaram, a União Soviética ruiu e o resultado foram 22 anos de atraso.

O Hotel Ryugyong, com seus 105 andares, só teve a fachada concluída em 2011. Antes disso, passou décadas sendo apenas um esqueleto gigantesco e chegou a ser eleito “o edifício mais feio do mundo”. Hoje segue em obras, com previsão de inauguração no final de 2012. Vamos ver se dá.

Joseph A Ferris III (CC BY 2.0)

PARQUE DE DIVERSÕES DE MANGYONGDAE

Você encararia uma montanha-russa na Coreia do Norte? No parque de Mongyongdae você tem a chance de fazer isso.

Roamme (CC BY-SA 2.0)

MATERNIDADE DE PYONGYANG

Nada é tão bizarro que não possa ficar ainda mais.

A Maternidade de Pyongyang é uma das atrações turísticas da cidade. Nela o viajante é apresentado aos equipamentos do lugar e faz uma visita à mamães-pacientes e bebês recém-nascidos.

É lá que todas as mães dão à luz pela primeira vez. Seguindo uma crença local, pais não podem ter contato com os filhos nos primeiros 5 dias depois do parto. As comunicações com as esposas-mães são por telefones que ficam no saguão do prédio.

David Stanley (CC BY 2.0)

ESTÁDIO YANGGAKDO

Se você não consegue esquecer da bola nem na Coreia do Norte, pode assistir a uma partida de futebol enquanto estiver em Pyongyang. Mas vai precisar de um pouco de sorte, porque os turistas são permitidos apenas em jogos internacionais.

GRANDE CASA POPULAR DE ESTUDOS

A maior biblioteca da Coreia do Norte também é o centro nacional de estudos da ideologia Juche e fica em um dos lados da Praça Kim Il-sung. Ali dentro estão guardados mais de 30 milhões de livros.

yeowatzup (CC BY 2.0)

FORA DE PYONGYANG

KUMGANGSAN

A região do Monte Kumgang, que fica a 315 km de Pyongyang, é uma das mais bonitas do país. A paisagem de lá faz tanto sucesso que transformou o lugar em uma área rara: Kumgangsan é hoje um enclave turístico da Coreia do Sul dentro da Coreia do Norte.

Tudo começou em 1998, quando o governo norte-coreano liberou a área (que fica bem na fronteira) para exploração de uma empresa de turismo sul-coreana. No início o acesso tinha que ser feito por cruzeiros, mas desde 2003 dá para chegar de carro.

Em 2008 aconteceu um “incidente” grave (uma sul-coreana foi morta por um soldado norte-coreano) e o governo fechou Kumgangsan. Mas um ano depois tudo voltou ao normal.

David Stanley (CC BY 2.0)

PAEKDUSAN

Essa é, provavelmente, a maior atração norte-coreana depois de Pyongyang.

Paekdusan é o Monte Paekdu, um lugar sagrado para todos os coreanos, tanto do sul quanto do norte. Segundo a lenda popular nos dois países, foi lá que o nasceu a etnia coreana, há 5 mil anos.

O Monte Paekdu fica na fronteira com a China, onde os turistas só chegam depois de um voo interno (charter) e mais 1h30 de ônibus.

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A empreitada não é facinha, mas a paisagem de um lago na cratera de um vulcão extinto, a 2744 m de altura (o ponto mais alto do país), junto com todo o misticismo dela, fazem valer o esforço.

Curiosidade: segundo o governo, foi no Monte Paekdu que nasceu o Querido Líder. E também segundo o governo, aconteceram fenômenos sobrenaturais na região depois da morte dele, em dezembro de 2011.

Mark Scott Johnson (CC BY 2.0)

WONSAN

É uma cidade portuária que fica no caminho de Kumgangsan. A maior atração é justamente o fato dela não ser turística, o que deixa tudo mais genuíno e real.

yeowatzup (CC BY 2.0)

NAMPO

Essa cidade a 50 km de Pyongyang é o porto e o centro industrial mais importante da Coreia do Norte. Também é considerada o berço do Movimento Chollima, desde quando os trabalhadores de uma fábrica local abraçaram a causa e produziram como nunca. Alguns tours para Kaesong incluem uma noite em Nampo.

Joseph A Ferris III (CC BY 2.0)

CHILBOSAN

Outra região turística ao redor de uma montanha. Neste caso, é o Monte Chilbo.

Segundo o Lonely Planet, também é uma dos lugares mais bonitos do país, com direito a “litoral com cara de mediterrâneo” pontilhado de vilas de pescadores.

Além da paisagem, a maior atração de Chilbo é se hospedar em casas de moradores. Esse é o único lugar do país onde isso é possível, ainda que não seja um homestay típico: os anfitriões ficam em uma área totalmente separada dos hóspedes. Apesar desse “detalhe”, continua sendo uma experiência única.

adaptorplug (CC BY-NC 2.0)

CHONGJIN

Chongjin já foi totalmente proibida para estrangeiros. Hoje a coisa mudou um pouco, mas apenas um pouco. A terceira maior cidade da Coreia do Norte costuma servir apenas de dormitório para quem vai ao Monte Chilbo, entre um voo e outro para Pyongyang. Segundo o Lonely Planet, lá as regras para fotografias são ainda mais rígidas e os guias são mais cuidadosos.

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RASON

A Coreia do Norte também tem a sua área de livre comércio. É Rason, que tem esse nome porque é formada por duas cidades: Rajin e Sonbong. “Ra-Son”, entendeu?

Esse lugar estranhíssimo fica na tríplice fronteira com a China e a Rússia e é a parte menos visitada do país. Também é o único lugar onde os turistas podem conhecer mercados, lojas, bancos e tudo aquilo que faz parte da vida dos habitantes.

(Se você gosta de ser o primeiro a viajar para certos lugares, Rason oferece uma chance única: desde fevereiro de 2012, a Koryo Tours faz o trajeto Rason-Chongjin de ônibus, levando turistas estrangeiros por uma estrada – linda, dizem – que até então nunca havia sido pisada por ocidentais. É para fazer e colocar no seu currículo.)

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Existem outras atrações em Pyongyang e em cada uma das cidades acima, mas são atrações que (segundo minhas fontes) são pouco apresentadas a turistas, por isso deixei de fora dessa lista. Mesmo sem elas, pode ter certeza de que você viu praticamente todos os pontos turísticos reais da Coreia do Norte.

Além deles, só mais alguns e a experiência de pisar em um país tão diferente da nossa realidade.

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Gabriel Quer Viajar foi para a Coreia do Norte com o apoio exclusivo da Koryo Tours.

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Gostou? Leia também os outros posts sobre a viagem à Coreia do Norte

ANTES DA VIAGEM (estudos e preparativos):

– Por Que Pra Lá – Coreia do Norte

– Visto norte-coreano: uma experiência surreal

– O que se faz na Coreia do Norte

– Curiosidades norte-coreanas

DEPOIS DA VIAGEM:

– Coreia do Norte: o país mais estranho do mundo é um país deste mundo

– As (minhas) melhores imagens da Coreia do Norte (como fotografar no país)

– Arirang. A Coreia do Norte a cores

– Air Koryo, a Coreia do Norte que voa

– Dançando com norte-coreanos

– O que fiz na Coreia do Norte – 1º e 2º dias

– O que fiz na Coreia do Norte – 3º e 4º dias

– O que fiz na Coreia do Norte – 5º dia

– O que fiz na Coreia do Norte – último dia

– Tony Wheeler na Coreia do Norte

– Gabriel Quer Viajar na CBN

– A Coreia do Norte na prática

– É ético ir para a Coreia do Norte?

– Mulheres de Conforto

– Meu longa-metragem na Coreia do Norte

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    8 Comentários
  1. Muito bom!Agora é esperar as fotos e notícias ao vivo e a cores….acho que vem muita oisa boa por aí!

  2. Também estou doido pra ler as públicações pós viagem.

    Vai logo!.. hehehe…

  3. ESpero que tudo esteja correndo bem. Te cuida !

  4. Gostei do seu blog e principalmente da leitura, parece ser imparcial e transparente. Vou acompanhar. Abraços de Brasília, Felipe.

  5. Interessante,. Todos sabemos que em qualquer país do mundo há sempre muitas atrações e aspectos positivos. Porém como se sentir bem em um país que tem dezenas de campos de concentração onde os presos ( na maioria políticos) morrem de fome e de doenças em consequências dos maus tratos e da tortura?
    Eu não sei se conseguiria esquecer desse genocídio( sim, pois considera-se que há mais de 200 mil presos na atualidade) enquanto estive lá desfrutando das belas paisagens

  6. Ontem quando li o depoimento de Kim Kwang-il, que escapou de um dos campos, a uma comissão da ONU quase chorei.. o que ele descreve é exatamente o que acontecia nos tempos do nazismo.
    Desculpe , Gabriel, se estou enchendo seu blog com essas postagens políticas, mas essa questão é difícil de ser ignorada. Mas espero que tudo corra bem na sua viagem e que as coisas melhorem por lá.

    • Elisamar, não se preocupe com os comentários, por favor! Eu é que tenho que agradecer por você vir aqui com seus pensamentos. Eu também tive questionamentos antes de ir e fui sabendo de tudo que acontece por lá. Li livros muito bons antes de embarcar e me assustei bastante. O que acontece por lá, longe dos olhos dos turistas, é surreal e terrível.
      Depois de ir para a Coreia do Norte, até escrevi este post, sobre o assunto: http://gabrielquerviajar.com.br/etica-viagem-turismo-coreia-do-norte/ Dê uma lida! =) Grande abraço e muito obrigado pela participação!

  7. Eu li os comentários do Elisamar e do Gabriel, autor, sobre as prisões e maus-tratos. Não podemos esquecer que isso tem em toda sociedade, como podemos bem notar no Brasil, que não se chama “campo de concetração”, mas chama-se “cadeia”. Nas nossas cadeias, se duvidarmos, o mau-trato é pior ainda. Agora a questão segunda que se coloca é: “ah, lá são presos políticos”. O que se coloca aqui também: será que a maioria dos criminosos, por aqui, não agem, de certa forma, politicamente?
    Seria bom darem uma lida no depoimento do Marcola. O PCC nasceu como um programa para humanizar nossas “cadeias”. Aqui temos 50.000 homicídios por ano, e mais de 550.000 presos em condições sub-humanas.
    Mesmo com esse lado ruim, é de admirar a força desses povos do “eixo-do-mal”. Querem mesmo determinar o próprio destino, não serem capachos, como nós, da Europa e do EUA principalmente.
    Agora a Coreia do Norte vai caminhar o caminho da China, com áreas de livre-comércio e tudo o mais. Parece que trapacearam o Império.

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