O Haiti é o país mais pobre das Américas. É um lugar onde 80% da população vive com menos de 2 dólares por dia e a expectativa de vida é baixíssima. Nos jornais, Haiti vem sempre ligado a “violência” e “miséria”.

Zoriah (CC BY-NC 2.0)

Será que existe algo de bom nesse lugar?

Sim, existe.

O Haiti (palavra que significa “terra montanhosa”) tem praias lindas, um parque considerado patrimônio da humanidade, muita história e potencial para rivalizar turisticamente com vizinhos fortíssimos do setor, como Cancún, Aruba e Bahamas.

breezy421 (CC BY-NC 2.0)

Talvez ainda não seja a hora de ir para lá. Mas um dia o país deve se estabilizar, então é melhor você já anotar: por que ir para o Haiti?

1) Para conhecer a Cidadela Laferrière (conhecida como La Citadelle), o maior forte do ocidente. Ela foi construída pelos primeiros escravos livres, para proteger o país de um eventual ataque francês logo após a independência. Como La Citadelle fica no alto de uma montanha, a vista é maravilhosa. Em dias claros é possível enxergar Cuba.

Alan B. Photography (CC BY-NC-SA 2.0)

Nick Hobgood (CC BY-NC 2.0)

2) Para conhecer o Palácio de Sans-Souci, também construído por escravos, na mesma época e a 5 km da Citadelle. Antes de um terremoto que o destruiu em 1842, o Sans-Souci era conhecido como “Palácio de Versailles do Caribe”.

United Nations Photo (CC BY-NC-ND 2.0)

3) Para conhecer o Parque Histórico Nacional, onde estão a Citadelle, o Palácio Sans-Souci e ainda os prédios de Ramiers. Justamente por abrigar estas três atrações (elas foram as primeiras construídas por ex-escravos e, por isso, são consideradas um monumento à liberdade), o Parque foi declarado Patrimônio Histórico da Humanidade, pela Unesco, em 1982.

4) Para visitar o segundo estado das Américas a conquistar a sua independência, em 28 de novembro de 1803 (os EUA foram os primeiros: viraram donos dos seus próprios narizes em 1776).

January Suchodolski – Domínio público

5) Para visitar o único país americano independente onde só se fala francês.

le Korrigan (CC BY-SA 2.0)

6) Para aprender um pouco de crioulo. Mas não pense que vai dar para escutar Cesária Évora depois, porque o crioulo haitiano é bem diferente do crioulo cabo-verdeano.

7) Para comprar um legítimo boneco de vodu (ainda que eles sejam mais folclóricos do que realmente utilizados nos rituais religiosos).

8) Para ver uma legítima sessão de vodu.

Billtacular (CC BY-NC-ND 2.0)

9) Se você não for um medroso como eu, para conhecer Cemitério da Cidade, em Porto Príncipe, famoso por suas histórias de fantasmas, zumbis e outras lendas ligadas ao vodu.

 

Veja onde se hospedar em Porto Príncipe • 

 

10) Para conhecer Jacmel, uma cidadezinha calma ao sul do país, com praias lindíssimas, carnaval animado e o melhor artesanato do Haiti.

T R L (CC BY-NC-ND 2.0)

breezy421 (CC BY-NC 2.0)

Nacho Fradejas – FotografiAndo (CC BY-NC-ND 2.0)

 

Veja onde ficar em Jacmel

 

11) Para nadar em Bassin Bleu, a 12 km de Jacmel. São piscinas naturais profundas interligadas por cachoeiras e, diz a lenda, habitadas por ninfas que nunca foram vistas porque fogem quando escutam os passos das pessoas.

mrzed69 (Flickr) – All Rights Reserved

12) Para os amantes da natureza conhecerem o Étang Saumâtre, o maior lago do país e o melhor lugar para conhecer a fauna e a flora haitiana.

GetJesusToday (CC BY-NC-ND 2.0)

NewsHour (CC BY-NC 2.0)

13) Para tentar visitar a surreal Labadie, praticamente um enclave turístico particular da Royal Caribbean, cercado e policiado, ao norte do país.

Nick Hobgood (CC BY-NC 2.0)

14) Para estar no único país onde uma revolução de escravos obteve sucesso, na história colonial.

15) Para conhecer a primeira “república negra” do mundo. Curiosidade: em 1804, logo depois da independência, o líder da revolução pegou uma bandeira francesa e rasgou fora a faixa branca, dizendo que estava “expulsando os brancos do país”. O vermelho e o azul foram unidos, criando a bandeira haitiana.

16) Para conhecer a Île-a-Vache, uma linda ilha no sul do país. Um lugar cheio de praias paradisíacas, perfeito para mergulhar e para conhecer outras ilhas próximas, como Caye-a-l’Eau, Ilet-a-Bouee ou Saut-Mathurine.

abjo20 (CC BY-NC-ND 2.0)

17) Para comprar um originalíssimo rum Barbancourt, na cidade de Damiens, perto de Porto Príncipe, e ainda fazer um tour na fábrica.

danboarder (CC BY 2.0)

18) Para visitar o Marché de Fer, em Porto Príncipe, considerado um mercado extraordinário, pelo Lonely Planet.

19) Para passar um tempo em Cap-Haïtien, explorando as praias da região, como Cormier Plage, e conhecendo a arquitetura colonial francesa local, que dizem ser igual à de Nova Orleans, nos EUA.

Nick Hobgood (CC BY-NC 2.0)

Alex E. Proimos (CC BY 2.0)

20) Para andar nos coloridíssimos tap-taps (e não deixe de ver as fotos desse fotógrafo aqui.)

United Nations Development Programme (CC BY-NC-ND 2.0)

Alain-Christian (CC BY-NC-SA 2.0)

21) E para fechar a conta, porque dizem que os haitianos são simpaticíssimos e porque povos de lugares assim (sofridos e pobres) costumam ser os melhores para se conversar.

breezy421 (CC BY-NC 2.0)

Veja onde se hospedar em várias cidades do Haiti

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    5 Comentários
  1. Foda mesmo. Nunca tinha pensado no Haiti como destino turístico, mas vc me convenceu.

  2. Para beber o Barbancourt, já valeria a pena.
    Estive duas vezes na Rep. Dominicana e gostaria também de visitar o lado Francês da Isla Espanhola.

    Abraço!! E que venham os post da Korea

    @GusBElli

  3. Então! Eu sou a moça que ganhou as quatro diárias em um resort de punta canas no seminário viajosfera, lembra?

    Aí que na hora que o riq proferiu o meu número, pensei: “Car$%*@! O que alguém que gosta tanto de ficar em hostel vai fazer enfurnada num resort confortável e cheio de casais em lua-de-mel?”. A resposta tá aí no teu post, Gabriel. Brigada.

  4. Olá Gabriel,

    Conheci seu blog atraves de uma matéria que li no globo.com sobre a sua experiencia de viajar para a Coreia do Norte na companhia area considerada a pior do mundo(que atraves dos seus posts descobri que não é tão ruim assim). Como sou uma fanatica por viagens e culturas, entrei aqui no seu site e fiquei fascinada com o quanto há conteudo de países que não são a preferencia para a maioria dos brasileiros. Queria te fazer um pedido de escrever sobre a Guatemala, país “sede” do imperio Maia durante milhares de anos e que ficou conhecido agora com o papo do fim do mundo. Meu “namorido” é guatemalteco e quando voce começa a pesquisar e saber sobre o país, sua cultura e povo, realmente você fica fascinado é um destino de viagem a ser pensado.
    Agradeça a atenção 🙂

  5. Quando estive a primeira vez em Porto Principe em 1996, havia um Club Med perto da praia de Moulin-sur-mer e muito bem frequentado, com a deterioracao politica da ilha eles foram embora. Passava os fins de semana bebendo barbancourt e dancando Compa.

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