Você pode não saber quem é Tony Wheeler, mas certamente conhece a empresa dele.

Na dúvida, vou fazer a apresentação: Tony é nada menos que um dos fundadores do Lonely Planet, junto com sua esposa Maureen.

Foto: D. Wisken

Lendo o guia LP para a Coreia do Norte, encontrei um relato bem breve da visita dele ao país em um ano que não ficou definido – mas certamente foi depois do surgimento do George W. Bush. Então, com a autorização da querida Lonely Planet, traduzi essa parte para que você também possa conhecer algumas impressões do Tony.

Tony faz a Coreia do Norte

Eu tenho um fascínio por cidades e países que parecem existir em um ângulo de 90 graus da realidade. Hoje, a Coreia do Norte é o melhor exemplo desse fenômeno. E quando George W. Bush (ele próprio um ser de um universo paralelo) disse que o país fazia parte de um “eixo do mal”, eu percebi que tinha que ir.

Infelizmente, é impossível fazer uma visita independente ao “reino eremita”. Você até pode ir por conta própria, mas ainda assim vai estar em um tour organizado (Nota do blogueiro: todos os tours, mesmo os particulares, são previamente aprovados pela agência norte-coreana de turismo, e a presença dos guias é obrigatória). Mas logo que eu vi o meu grupo, no encontro na estação ferroviária de Pequim, percebi que aquele não seria um tour normal.

1º dia – Nosso trem chegou na cidade chinesa de Dadong, na fronteira, no início da manhã. Existe uma estátua gigantesca de Mao na praça em frente à estação. Naquela tardinha (o trem é muito lento), chegamos em Pyongyang e logo fomos prestar homenagens à estátua do Grande Líder.

2º dia – Tirando o nosso pequeno grupo, o aeroporto internacional de Pyongyang estava deserto. Nós voamos até a ponta nordeste do país, onde pegamos um ônibus que nos levou pela linda costa e pelas montanhas verdes da região de Chilbo.

3º dia – Outro voo nos levou até a região do Monte Paekdu, onde o Lago Chon cruza a fronteira com a China. Dizem que foi lá que o Querido Líder nasceu.

4º dia – De volta a Pyongyang, fomos assistir ao Arirang no estádio May Day, o maior do mundo, com 150 mil lugares. No lado oposto de onde estávamos, 20 mil crianças seguravam cartazes que mudavam em sincronia perfeita, formando imagens. Enquanto isso, outras dezenas de milhares de crianças, mulheres, homens e soldados dançavam pelo estádio. Se as guerras fossem decididas pelos exércitos que dançam melhor, os norte-coreanos já teriam conquistado tudo.

5º dia – Um dia inteiro para cobrir tudo, desde o Museu da Vitoriosa Guerra de Libertação da Pátria até a Grande Casa Popular de Estudos, passando pelo navio espião USS Pueblo, antes de terminar a noite no bar-karaokê Palácio Egito, no subsolo do hotel. Para mim, o destaque do dia foi uma chance de passear desacompanhado por 45 minutos pelas maravilhas do Loja de Departamentos Nº 1.

6º dia – Um ônibus nos levou até a cidade de Wonsan. No hotel, o pessoal do restaurante colocou algumas divisórias entre nós e um grupo de chineses bêbados que estavam cantando alto. Nick (Nota do blogueiro: o guia do grupo de Tony Wheeler) pulou da cadeira, tirou as divisórias e gritou em chinês: “Não vamos ter divisões aqui!”. Todo mundo vibrou e começamos a cantar e beber também.

7º dia – Depois de visitar uma fazenda coletiva e um templo-parque, voltamos para Pyongyang. Tínhamos ficado tão impressionados com o Arirang que fomos assistir pela segunda vez.

8º dia – Pegamos uma estrada com 6 faixas (mas totalmente vazia) para o lugar equivocadamente chamado de Zona Desmilitarizada, que não tem nada de desmilitarizada. No caminho de volta para Pyongyang, fizemos uma parada breve demais na cidade de Kaesong e no lindo mausoléu do rei Kongmin.

9º dia – O aeroporto estava mais movimentado naquele dia, quando voamos para a China. Incrivelmente, um avião da Air Korea, vindo de Seul, estava taxiando na pista. As malas do norte e do sul se misturaram na esteira.

A “entrevista” acima está disponível em inglês no guia Lonely Planet Korea, onde a Coreia do Norte é apenas um capítulo, mas bastante completo e com informações excelentes. Ele pode ser comprado no próprio site do Lonely Planet em livro ou em PDF.

Agora pense comigo: se a Coreia do Norte impressionou esse jovem senhor de 66 anos que já deve ter conhecido o mundo inteiro duas vezes, imagine o que ela faz com as nossas cabecinhas de meros mortais.

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Gostou? Leia também os outros posts sobre a viagem à Coreia do Norte

ANTES DA VIAGEM (estudos e preparativos):

– Por Que Pra Lá – Coreia do Norte

– Visto norte-coreano: uma experiência surreal

– O que se faz na Coreia do Norte

– O que se faz na Coreia do Norte (segunda parte)

– Curiosidades norte-coreanas

DEPOIS DA VIAGEM:

– Coreia do Norte: o país mais estranho do mundo é um país deste mundo

– As (minhas) melhores imagens da Coreia do Norte (como fotografar no país)

– Arirang. A Coreia do Norte a cores

– Air Koryo, a Coreia do Norte que voa

– Dançando com norte-coreanos

– O que fiz na Coreia do Norte – 1º e 2º dias

– O que fiz na Coreia do Norte – 3º e 4º dias

– O que fiz na Coreia do Norte – 5º dia

– O que fiz na Coreia do Norte – último dia

– Gabriel Quer Viajar na CBN

– A Coreia do Norte na prática

– É ético ir para a Coreia do Norte?

– Mulheres de Conforto

– Meu longa-metragem na Coreia do Norte

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    3 Comentários
  1. Bah, Gabriel. Impressiona a cabecinha de 0,5% dos meros mortais. Os outros 99,5% de meros mortais, imagino que prefira viajar para conhecer todas as outlets americanas e comprar camisa Tommy por “trinta real”.

  2. Concordo com o Alessandro.

    Acho que o que torna uma viagem como essa fantástica é o fato de se poder viajar não só no espaço, mas também no tempo. Conhecer nações que pararam no tempo (Cuba, Coreia do Norte), mexe com a cabeça de qualquer um.

  3. Já fui pra Paris, Roma, NYC, Veneza, Zurique, e por aí vai. Tenho 15 anos. Vou pra Londres em julho. O que tenho mais vontade de falar pro responsável de todas essas caras viagens é : Pai, por que não a Coreia do Norte? Nepal? Uzbequistão? Um dia falei que queria ir pra Dublin e ele me perguntou o que eu ia fazer lá. Desisti depois dessa. Esperando ansiosamente o dia que eu, e apenas eu irei decidir meus destinos.

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