Não sou fã do futebol, mas às vezes o esporte me atrai e o dia 10 de fevereiro teve um desses momentos.

Às 16h do domingo de Carnaval no Brasil, começou a final da Copa Africana de Nações, o maior torneio de seleções do continente do outro lado do Atlântico.

nyhao (CC BY-NC-SA 2.0)

O jogo era entre a Nigéria e a seleção de um país que pouca gente havia ouvido falar antes da definição dos finalistas: Burkina Fasso (que um monte de jornais escreve com apenas um S, mas o Manual de Redação do Estadão manda escrever com dois, e eu escolhi seguir o Estadão).

Burkina Fasso era a zebra da competição. A lógica mandava ela perder para Gana nas semifinais, mas ela sobreviveu e virou post nesse blog.

No fim das contas, não foi a campeã (perdeu de 1 a 0 para os nigerianos), mas pelo menos pode dizer que ganhou um Por Que Pra Lá? antes do país da seleção adversária.

Burkina Fasso fica longe do mar, no Oeste da África, entre Gana, Benim, Mali, Níger, Togo e Costa do Marfim.

Seu nome significa “país dos homens honestos” e foi criado em 1984, quando já tinha deixado de ser uma colônia da França mas ainda se chamava Haute Volta, ou Alto Volta, por estar na parte Norte do rio Volta.

m’sieur rico (CC BY-NC-ND 2.0)

m’sieur rico (CC BY-NC-ND 2.0)

É um dos lugares mais pobres do mundo, com PIB per capita de míseros 600 dólares anuais, 15 milhões de habitantes, expectativa de vida de 55 anos para homens e 56 para mulheres e não chega perto do livro 1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer.

m’sieur rico (CC BY-NC-ND 2.0)

Em um país assim, o que existe de atração turística? Por que passar férias em Burkina Fasso?

1) Para conhecer a lindíssima vila de Tiébélé, com suas casas desenhadas.

Rita Willaert (CC BY-NC 2.0)

Rita Willaert (CC BY-NC 2.0)

Guillaume Colin & Pauline Penot (CC BY-NC-ND 2.0)

Guillaume Colin & Pauline Penot (CC BY-NC-ND 2.0)

Enzo Priore (CC BY-NC-ND 2.0)

Rita Willaert (CC BY-NC 2.0)

Rita Willaert (CC BY-NC 2.0)

 2) Para conhecer o mercado de Gorom-Gorom, que acontece todos os dias, mas dizem que é nas quintas-feiras que vira uma festa de tribos e cores.

c.hug (CC BY-SA 2.0)

3) Para conhecer a capital com o nome mais legal do mundo: Uagadugu (“Ouagadougou”). Numa boa, isso já vale a viagem. Segundo o Wikipedia, o nome vem “Wogodogo”, que significa “cidade onde as pessoas têm honra e respeito”.

Guillaume Colin & Pauline Penot (CC BY-NC-ND 2.0)

Jeff Attaway (CC BY 2.0)

Jeff Attaway (CC BY 2.0)

Philippe Streicher (CC BY-NC-SA 2.0)

Rita Willaert (CC BY-NC 2.0)

Philippe Streicher (CC BY-NC-SA 2.0)

 

Veja onde se hospedar em Uagadugu • 

 

4) Para observar uma cerimônia cheia de significados culturais para eles, a Moro-Naba (Nabayius Gou), que acontece todas as sextas-feiras, às 7h em ponto, no Palácio Moro-Naba, em Uagadugu. Oficialmente, não é uma cerimônia para turistas, então as fotos são proibidas.

5) Para participar do maior festival regular de cinema da África, que tem festa de abertura em um estádio lotado: o Fespaco, Festival Panafricano de Filme e Televisão de Uagadugu. A edição de 2013 acontece de 23 de fevereiro a 2 de março. Ainda dá tempo.

u p p e r l a b + (CC BY-NC-ND 2.0)

6) Para conhecer o Museu Manega, o mais visitado do país, a 50 km de Uagadugu, com mais de 500 máscaras de rituais sagrados locais.

7) Para conhecer a Mesquita de Bobo-Dioulasso, um lindo exemplo de arquitetura da região do Sahel.

qiv (CC BY-SA 2.0)

8) Para visitar Bobo-Dioulasso, considerada a cidade mais agradável do país, com direito a cena musical interessante.

Diogène1 (CC BY-NC-SA 2.0)

Guillaume Colin & Pauline Penot (CC BY-NC-ND 2.0)

Hugo! (CC BY-NC-SA 2.0)

9) Para sentar em cima de um “crocodilo sagrado” na cidade de Sabou. Sim, é isso mesmo. Não entendi o motivo, mas os habitantes de Sabou consideram sagrados os crocodilos de um lago local, porque eles são mansos (dizem que) e permitem que as pessoas sentem neles.

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10) Para conhecer as cascatas de Karfiguela e, no caminho até elas, passar por uma floresta de mangueiras, onde dizem que o cheiro da fruta toma conta do ar, enquanto o barulho das cascatas faz a trilha sonora.

bjackrian (CC BY-NC-SA 2.0)

11) Para conhecer o parque de esculturas de Laongo, que todo ano ganha esculturas novas criadas lá mesmo, por artistas do mundo inteiro.

Sam Moraud (CC BY-NC-SA 2.0)

12) Para ver os picos de Sidou.

guewen (CC BY-NC-SA 2.0)

guewen (CC BY-NC-SA 2.0)

13) Para conhecer o Parque Nacional W, uma área de preservação ao redor de uma parte do rio Níger, considerada patrimônio da humanidade. O parque é dividido entre Burkina Fasso, Níger e Benim e leva esse nome por causa do seu formato.

14) Para aproveitar que o país vizinho é o Mali e dar um pulo lá, se as coisas estiverem mais calmas.

15) Para conhecer a região do Sahel, a linha divisória natural entre a África saariana e a subsaariana.

16) Para voar de Air Burkina.

http://www.air-burkina.com

17) Para conhecer o Parque Nacional Deux Balés, famoso pela quantidade de elefantes.

bjackrian (CC BY-NC-SA 2.0)

bjackrian (CC BY-NC-SA 2.0)

18) Porque, segundo um amigão e mestre que entende de um monte de coisas mais do que eu, grande parte dos escravos trazidos para o Brasil entre 1600 e 1750 foram negros da região do rio Volta. Então, se você vai para a Itália ou para a Alemanha para conhecer a terra dos seus antepassados, deveria dar uma passadinha em Burkina Fasso também.

19) Porque um lugar cujo nome significa “país dos homens honestos” e cuja nome da capital significa “cidade onde as pessoas têm honra e respeito” merece ser visitado.

20) Para conhecer o atual vice-campeão da África no futebol.

m’sieur rico (CC BY-NC-ND 2.0)

Veja onde se hospedar em várias cidade de Burquina Fasso

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    14 Comentários
  1. Já virei fã do site…=D

  2. Quanta sensibilidade! Sou África Lover! estive no Benin e no Togo…
    fiz trabalho voluntario no Benin e pretendo voltar à região! adorei o post!

  3. 1 2
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