Para ver o Tesouro – aquela fachada esculpida que é maior atração de Petra – você precisa percorrer uma longa trilha por entre um desfiladeiro, dentro de um parque arqueológico.

Durante a caminhada, as paredes do desfiladeiro ficam tão altas e tão próximas que impedem que você veja algo além de céu e pedra vermelha ao seu redor. Em alguns pontos, o ambiente chega até a ficar escuro.

Então, uns 30 minutos depois, você chega no Tesouro. Seu coração sai pela boca, seu queixo cai, você chora, se arrepia e passa horas olhando para aquela maravilha.

Mas o Tesouro também está no meio do desfiladeiro e você ainda não sabe o que mais existe por ali. Você segue adiante e, à medida em que caminha, percebe que Petra é uma área gigantesca, cheia (repleta, atrolhada!) de esculturas, fachadas, grutas e construções lindíssimas.

Petra é exatamente como a Jordânia. Ambos são um lugar que a maioria das pessoas conhece apenas pelo Tesouro, mas quando você começa a seguir a curiosidade e a passear por eles, descobre que existe mais.

Muito, muito mais.

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A história da região onde hoje fica o país, junto de Israel, Palestina, Síria, Iraque e Arábia Saudita, é longuíssima. É tanto tempo de civilização, com um número tão grande de povos chegando, dominando, impondo culturas e deixando heranças, que não dá para contar em um único post (e nem vou tentar).

O básico que você precisa saber é que estamos falando de milhares e milhares de anos, que muitas das cidades consideradas as mais antigas do mundo estão nos arredores e que grande parte das histórias que a Bíblia conta aconteceram lá dentro – tanto que o livro é considerado um ótimo guia de viagem do país.

Bem mais recente e possível de ser contada em um post (ainda que de forma bastante resumida) é a história do atual Reino Hachemita da Jordânia.

Ele nasceu oficialmente em 1946, quando os colonizadores ingleses se retiraram da região e presentearam o líder local com o título de rei, por sua lealdade durante a Segunda Guerra Mundial.

Esse líder era Abdullah, de uma dinastia com raízes muitíssimo distantes, os hachemitas, cujo nome vem de um homem chamado Hashim, ninguém menos que um bisavô de Maomé.

Abdullah (foto: Cecil Beaton) e Hashim

O atual hachemita no comando da Jordânia é o rei Abdullah II, bisneto do primeiro Abdullah e representante da 43ª geração descendente direta do mais famoso dos profetas islâmicos.

World Economic Forum (CC BY-NC-SA 2.0)

Apesar do seu reino estar em uma das regiões mais conturbadas do planeta e de ser vizinho de países bastante problemáticos, Abdullah II governa uma ilha de tranquilidade e estabilidade.

O maior responsável por essa paz é o rei Hussein, seu falecido pai, que assinou um acordo com Israel em 1994, fazendo com que a Jordânia se tornasse o segundo país árabe do mundo a manter relações comerciais com o estado judeu.

Abdullah II – que é jovem (tem 51 anos), já fez ponta em episódio de Star Trek e é casado com a rainha Rania, conhecida por aqui basicamente pela beleza e a elegância – herdou o trono e a visão moderna e pacifista que fez seu pai apertar as mãos dos israelenses.

Ele mantém ótimas relações com os Estados Unidos (se você acompanhou meu Instagram durante a viagem, deve lembrar que eu quase esbarrei no Obama em Petra) e já conseguiu atrair muitos investimentos para o país, mesmo não tendo uma gota de petróleo embaixo das suas terras.

Rainha Rania e rei Abdullah fazendo ponta em Star Trek (Foto Rania: World Economic Forum – CC BY-NC-SA 2.0)

 

O rei também é uma figura importante no turismo do país e trabalha duro para estimular o mercado, que representa 13% da economia jordaniana e faz com que o viajante seja muito respeitado lá dentro. Até já serviu de guia turístico para um programa do Discovery Channel.

Essa visão moderna que a família real tem existe também na população e faz os jordanianos misturarem religião, tradição e cultura com respeito e tolerância, fugindo totalmente do estereótipo do Oriente Médio.

Amã, capital do país, e outras cidades turísticas têm trocentas lojas espertinhas, pessoas falando inglês (45% da população é english-speaker), restaurantes, lanchonetes e bares cheios de ideias importadas da Europa e dos Estados Unidos, além de hotéis de grandes redes internacionais, todos convivendo maravilhosamente bem com mesquitas, chamados para orações, keffiyehs e mulheres com apenas os olhos à mostra.

Aliás, é na religião que está o maior exemplo da cabeça arejada dos jordanianos.

O país é oficialmente islâmico, só que as leis religiosas não se confundem com as do estado.

Você não precisa usar roupas diferentes do que usaria normalmente e as mulheres que você encontra com hijabs, xadores e niqabs usam essas variações mais comuns dos véus muçulmanos porque querem, porque decidiram respeitar sua fé, não por imposição do governo. Se não quisessem, poderiam estar com os cabelos soltos, fumando narguilé e bebendo cerveja.

A Jordânia é pequena, menor que o estado de Santa Catarina. Mesmo assim, consegue abrigar paz, história, religião, modernidade, educação e cultura forte, além de paisagens verdes, desertos, montanhas, o ponto mais baixo da Terra, castelos, relíquias bíblicas, ruínas incríveis e outras atrações fantásticas.

Vou falar de tudo isso nos próximos posts. Por enquanto, você vai continuar no desfiladeiro que só deixa você enxergar o Tesouro de Petra.

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Gabriel Quer Viajar foi para a Jordânia em uma press trip oferecida pela Jordan Tourism Board.

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Gostou da Jordânia? Leia o post A Jordânia na Prática, com dicas para ir para lá.

 

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    40 Comentários
  1. Sua pesquisa, seu texto, sua seleção caprichada de fotos me faz babar por todos os destinos. Você tem o dom de pegar o melhor de cada lugar e torná-lo extremamente interessante. Claro que a Jordânia é interessanmte, mas aposto que você conseguiria me convencer que qualquer lugar é um excelente destino de viagem. Quem dera se você também tivesse um blog com destinos mais comuns. Eu só ia pegar dicas de viagem com você.

    • Amanda, nem sei como agradecer por essas palavras. =) Vou no básico: muito obrigado!

  2. Oi queridao…..quero muito conhecer Israel e Jordania em Abril ou Maio……se souber de alguem que vai…..me dá um toc ok.
    abraços

  3. Gabe

    Passando aqui para agradecer este e os outros posts da Jordania. Eles me inspiraram para montar um roteiro de pouco mais de 2 semanas pela Jordania, Israel e Palestina (Cisjordania). Realmente a Jordania e’ um pais de muitos tesouros, otima comida e povo amavel.

    Abracao

    • Obrigado pelo retorno, Philipp! =)

  4. A hospitalidade eh admiravel. Do pouco que pude conhecer em 5 dias, me encantei com wadi rum. A paz do deserto, a beleza, o misterio e a historia fazem co. Que sej magico. O por do sol eh incrivel. Voce tem que passar pelo menos 3 dias 2 noites. Dormir ao ar livre admirando as estrelas e o ceu claro eh uma experiencia inesquecivel. Pensar que varios povos por ali passaram me fez viajar no tempo e imaginar as cenas. O cha do deserto foi o melhor que provei. Os beduinos sao muito amigaveis, hospitaleiros e prestativos. Ha diferentes acampamentos. Bedouin lifestyle camp tem um preco razoavel,limpo, comida saborosa.

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