Fale Jordânia e todo mundo vai pensar em Petra. Peça para as pessoas fazerem uma forcinha e elas vão pensar em areia e deserto. É justo. A Jordânia é menor do que o estado de Santa Catarina e tem 85% da área coberta por eles, os desertos.

No meio desse areião não dá para esperar encontrar uma Amazônia, é óbvio. Mas existem algumas poucas paisagens com verde, árvores, bichos e tal.

E pelo menos uma delas é linda demais da conta.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

É a Reserva da Biosfera Dana, nada menos que o maior programa de preservação natural com desenvolvimento social do Oriente Médio.

Tudo começou lá no início dos anos 90, quando um grupo de pessoas saiu pela Jordânia, procurando e catalogando lugares escondidos que ainda mantinham culturas ancestrais do país. No meio da expedição, elas encontraram um vilarejo praticamente abandonado e perceberam que existia algo interessante nele.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Esse vilarejo estava no meio de um parque nacional criado pouco tempo antes, mas que ainda não recebia muita atenção do governo. Ambos, parque e vilarejo, dividiam o nome Dana, por causa de um dos vales que existem no parque.

O grupo resolveu mudar aquela situação e começou a trabalhar para revitalizar o lugar e levar seus antigos moradores de volta para lá.

No meio dos trabalhos, conseguiu a atenção de uma organização não-governamental e sem fins lucrativos, mas profundamente apoiada pelo estado jordaniano: a Royal Society for the Conservation of Nature (RSCN), fundada em 1966 e responsável oficial pela preservação da natureza no país, que percebeu que o parque ao redor do vilarejo era uma área fantástica para pesquisas biológicas e arqueológicas.

Assim foi criada a Reserva da Biosfera Dana. A primeira do tipo no país e exemplo no mundo inteiro.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Hoje, a Reserva da Biosfera Dana tem 320 km2, vai de uma altitude de 1500 metros acima do mar até 200 metros abaixo dele e dá para dizer que é uma réplica biológica em miniatura da Jordânia, porque é a única reserva que engloba os 4 tipos de zonas biogeográficas do país (a mediterrânea, a árabe-saariana e outras duas com nomes esquisitos que não consegui traduzir).

Desde o início das pesquisas, a RSCN já encontrou centenas de espécies de vegetais na reserva, três delas desconhecidas para a ciência até então e existentes apenas lá. Além disso, registrou uma penca de bichos em uma lista que vai de falcões a cobras, passando pelo símbolo da própria RSCN, o íbex, chamado pelos entendidos de capra nubiana. Para você ter uma ideia, isso significa “apenas” 1/3 das espécies de plantas e metade dos bichos e aves do país.

Tudo muito legal, mas dá para passar um tempo nessa reserva tão protegida?

Sim. E, segundo todos os guias que li, você vai querer ficar bem mais do que imaginou.

Quando a notícia da existência desse pequeno paraíso jordaniano se espalhou pelos viajantes mais antenados, a RSCN resolveu estimular o ecoturismo também, criando trilhas, formando guias entre as comunidades locais e organizando tudo para receber a turistada de forma ecologicamente responsável. Nesse pacote, ela incluiu a criação de três tipos de acomodações em lugares diferentes da reserva.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Uma delas, a mais simples, é um acampamento chamado Rummana, que fica em uma área alta, com uma vista panorâmica maravilhosa. É a única forma de acampar dentro da reserva e os visitantes não precisam levar suas próprias barracas (aliás, nem podem): toda a infraestrutura já está lá, limpa e bonita, incluindo as tendas de dormir, a área onde comer e os banheiros compartilhados.

Bernard Gagnon (CC BY-SA 3.0)

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Outra opção é ficar na própria Vila de Dana, a mesma que foi (e continua sendo) recuperada, onde as alternativas são pousadas independentes ou a pousada da RSCN, chamada apenas de Guesthouse, que me pareceu ser a melhor escolha.

A vila fica em uma área ainda mais bonita que a do acampamento Rummana, na beira de um penhasco, virada para um vale. Suas casas mantêm a arquitetura de antigamente (da era otomana), o clima é fantástico e o silêncio é maravilhoso. Perfeita.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Infelizmente não consegui visitar a terceira opção, mas pelo que li e vi em fotos, ela também me pareceu perfeita. Se não for, pelo menos é a mais cool, elegante, silenciosa, pacífica e eco-friendly, tanto que já ganhou um mundaréu de prêmios por aí.

O Feynan Ecolodge é um hotel isolado no meio da reserva. Tão isolado que não é possível chegar nele de carro: é preciso fazer 8 km em um 4X4 ou caminhar entre 5 ou 7 horas desde a vila de Dana.

A recompensa pelo esforço é ficar em um lugar lindo demais, onde apenas banheiros, cozinha e escritórios de trabalho são iluminados por energia elétrica – e, ainda assim, energia gerada por painéis solares. Todo o resto é iluminado por velas “e pelas estrelas do céu”, como a publicidade do lodge diz.

© Feynan Ecolodge. Photo by Brian Scannell

© Feynan Ecolodge. Photo by Bashar Alaeddi

Em todas as opções, a rotina diária é praticamente a mesma: dormir, comer e passear pela reserva em trekkings e pedaladas que podem durar de uma hora até um dia inteiro, por entre pedras, rios (alguns são atravessados com água pelo peito), vales, montanhas, desertos e vestígios de civilizações que vão desde a pré-história, passam pelos nabateus (aqueles de Petra) e chegam aos romanos.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Opa, eu falei “desertos”? Sim, é claro. As fotos do Feynan já mostram que ele fica no meio de um deserto. Em um país com tantos, nem Dana conseguiu fica sem o seu.

(Para informações atualizadas e completas sobre como chegar e sobre os locais onde se hospedar em cada uma dessas opções na Reserva Dana, acesse o site da Wild Jordan, o braço ecoturístico da RSCN. Ou, no caso do Feynan Ecolodge, acesse o próprio site do hotel.)

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Gabriel Quer Viajar foi para a Jordânia em uma press trip oferecida pela Jordan Tourism Board.

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Gostou da Jordânia? Leia o post A Jordânia na Prática, com dicas para ir para lá.

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    8 Comentários
  1. Caro Gabriel, adoro seu blog e já o li inteiro.
    Gostaria de saber como vc trata suas fotos? Eu gosto muito de dessaturação e luminosidades que você consegue.
    Segue o link do meu flickr cheia de fotos de viagens (vai nos albuns), vc vai gostar de vários dos meus destinos.
    Abraço, Eduardo
    http://www.flickr.com/photos/fotocity

  2. Bah! Como não amar a Jordânia? Obrigada por me/nos apresentar Dana. 🙂

  3. ah, que legal! passei por várias placas da Dana quando fui mas o tempo estava tão ruim que não deu nem pra cogitar fazer um desvio. Que lugar lindo! bom pra aumentar ainda mais minha vontade de voltar a esse país 😉

  4. Lugar muito lindo e especial,com toda a historia do mundo. Quero conhecer pessoalmente, junto com um guia muito especial também: o dono deste blog! Amei as fotos! E é muito bom o texto,uma verdadeira lição de historia. Parabéns!

  5. Deixei esse post para ler com calma depois e resolvi ler justo hoje! À tarde já tava falando que as fotos da Teté estão me deixando com vontade de conhecer a Jordânia e agora isso! Sei que Petra deve ser demais, mas esses outros cantinhos é que despertam ainda mais o meu desejo de conhecer o país.

  6. Gabriel,
    Adoro seus posts, suas fotos e seus relatos de lugares maravilhosos e inusitados.
    Que lugar impressionante!!

  7. As fotos do seu site estão lindas! Muito bom o conteúdo também. Abraço Vera

  8. Nota 10 pra foto da lagartixa azul avatar.

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