Finalmente, depois de um longo inverno de não-atualizações, a série Planetóvski Rússia sai da tumba e volta à ativa para sua penúltima parada antes do final. Um retorno bastante tenso, em um dos lugares mais casca-grossa do mundo: a República da Chechênia.

Esse lugar, vizinho das não menos mal faladas repúblicas do Daguestão, da Inguchétia e da Ossétia do Norte-Alânia, além da Geórgia e da própria Rússia, é provavelmente o mais conhecido do Norte do Cáucaso. E não é por motivos muito bons.

TUBS (CC BY-SA 3.0)

A lembrança mais atual que o mundo tem de lá é relacionada aos dois irmãos acusados de cometerem o atentado da Maratona de Boston, em abril deste ano. Apesar de terem nascido na República da Calmúquia e no Quirguistão, ambos têm origem chechena, o que fez o nome “Chechênia” ser repetido zilhões de vezes em toda a imprensa, sempre ligado ao crime.

Bem antes deles, o mesmo nome também foi repetido zilhões de vezes pela mesma imprensa, mas por razões muito mais trágicas: duas guerras terríveis com a Rússia, entre 1996 e o início dos anos 2000, ambas envolvendo o desejo checheno de independência, além de um atentado absurdo em 2004 e outros por todo o país, cometidos por rebeldes separatistas.

Mikhail Evstafiev (CC BY-SA 3.0)

Mikhail Evstafiev (CC BY-SA 3.0)

As guerras acabaram oficialmente, mas dizem que o clima por lá segue extremamente pesado, com combates esporádicos no interior, ameaças a qualquer um que pareça ser russo e atentados vez ou outra.

O presidente da república, totalmente ligado a Moscou, diz que isso é balela e que seu país é tão seguro quanto a Inglaterra, mas eu não sei se confio nele. Apesar de encontrar alguns vídeos interessantes na internet e do site oficial de turismo mostrar cenas bonitas, toda a região do Norte do Cáucaso aparece como não recomendada para turismo, em fóruns e sites por aí.

Segura ou não, a Chechênia tem aspectos bem interessantes.

Os chechenos, que hoje somam pouco menos de 1,3 milhão de pessoas na república, são parentes dos inguches (da vizinha Inguchétia) e, como eles, também são os últimos representantes de uma etnia chamada vainaque, que não tem origem totalmente conhecida.

Igualmente desconhecida é a origem do nome “Chechênia”, um dos maiores e mais infames trocadilhos da história mundial brasileira depois de “Peru”. O que se sabe apenas é que ele vem do nome da povoação onde antigamente viviam os habitantes da região, chamada de Chechen. Mas os próprios chechênios chamam a eles mesmos de “nokhchis”, uma palavra que tem raiz em “povo”.

Fora do campo histórico e do turismo extremo, a principal atração da Chechênia é a sua paisagem. Como seus vizinhos, ela tem montanhas lindas e pelo menos um lago (o Kezenoyam) com paisagens bastante impressionantes.

Ras.sham (CC BY-SA 3.0)

Ras.sham (CC BY-SA 3.0)

Умар Дагиров (CC BY 3.0)

Умар Дагиров (CC BY 3.0)

Ras.sham (CC BY-SA 3.0)

Ras.sham (CC BY-SA 3.0)

Justamente sobre essas paisagens, um ministro do turismo, ligado ao atual presidente e com discurso bem alinhado, já fez uma declaração que podemos dizer que é até engraçada:

“É como a Suíca, apenas sem as estradas.”

Aparentemente, sem a segurança também.

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    6 Comentários
  1. O excelente Não Conta Lá em Casa tem um episódio sobre a Chechênia que vale a pena ser visto para entender o estado atual das coisas por lá: http://multishow.globo.com/Nao-Conta-La-em-Casa/Videos/_1722917.shtml

    • Valeu pela dica, Ricardo!

  2. uma verdadeira aula de historia!muito interessante conhecer um lugar tão conhecido e ao mesmo tempo tão enigmático. parabéns,Gabi!

  3. Muito bonitas essas paisagens! Acho que lugares mal-falados assim tem um certo charme, porque nunca vão ter muita concorrência caso um dia eu consiga visitar, hehe

  4. Eeeee, que bom que voltou!!! Tava com saudades. Russia é um grande item da minha lista 🙂

  5. Chegando lá semana que vem. Bem, pelo menos assim espero! 🙂

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