Lembra de tudo que eu disse de positivo sobre os iranianos no meu primeiro post sobre o país? Sobre como eles são gentis, educados, atenciosos e queridos além do imaginável para um ser humano?

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Pois esqueça. Este post é sobre o trânsito no Irã. E cada adjetivo positivo dado a um pedestre iraniano deve ser substituído pelo seu extremo oposto negativo quando ele está atrás do volante de um carro ou em cima de uma moto.

O trânsito no Irã é o 3º mais perigoso do mundo. Segundo dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde em 2014, são 38 mortes a cada grupo de 100 mil habitantes por lá, contra vinte e duas aqui. As estradas, avenidas e ruas do país matam 73% mais pessoas do que no Brasil, portanto.

Campanha de prevenção de acidentes. Inútil, ao que parece. Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

A culpa, porém, parece não ser das estradas, nem das avenidas, nem das ruas. O Irã tem 80% das suas rodovias pavimentadas, e aquelas por onde passei nos meus 3029 quilômetros dirigidos em solo persa variavam entre razoáveis e excelentes. Salvo em lombadas e em lugares remotos, a sinalização é boa e quase sempre bilíngue, com orientações em farsi (a língua local) e em inglês. Pistas duplas, com mãos opostas bastante afastadadas umas das outras (o que praticamente elimina o risco de colisão frontal) parecem ser a regra, mesmo que a maioria das estradas seja pública e gratuita. Na única rodovia pedagiada que utilizei – com 4 pistas impecáveis para cada lado e limite de 120 km/h – precisei pagar um valor tão ínfimo que nem registrei. E ao lado dela, lá longe, eu podia enxergar a bela estrada gratuita que corria paralelamente e fazia o mesmo trajeto da paga, servindo como alternativa para quem não queria ou não podia desembolsar dinheiro algum.

A polícia também parece estar fora da lista de responsáveis pela matança. É preciso ficar sempre de olho no velocímetro. Radares fixos e móveis parecem se reproduzir como coelhos nas estradas maiores, enquanto blitzes estão sempre prontas para pegar os apressadinhos e os malucos que fazem ultrapassagens insanas.

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

A frota de veículos, sim, pode ser uma das razões. O país é o maior mercado da Porsche no Oriente Médio e a indústria automobilística Made in Iran é bem grande, responsável por 10% do PIB nacional, com marcas locais que exportam para vários lugares. Mas os carros importados e seguros são privilégio de uma pequena parcela de endinheirados, e a produção local precisa focar em carros baratos, capazes de ser comprados pela maioria da população, que tem pouquíssima grana em casa. O resultado é uma frota mais velha e acabada do que os aiatolás que comandam a nação, com veículos dos tempos em que as mulheres podiam andar de minissaias nas ruas.

Por tudo que eu vi, chuto que os responsáveis pelo armagedom no trânsito do Irã são mesmo os iranianos. Não vou colocar aqui os adjetivos que me vêm à cabeça quando lembro das cenas que presenciei e que só consigo contar ao vivo. Não quero me arriscar a ser vítima de algum patrulheiro da internet que caia no meu blog de forma desavisada, fique chocado com palavras tão feias e pesadas sobre um povo e crie mais um escândalo-relâmpago virtual. Mas posso dizer sem medo de exagerar ou de ser injusto: respeito, bom senso, amor à própria vida e à dos outros é algo que praticamente não existe sobre o asfalto persa.

Não entra paralelamente? Vai na diagonal mesmo. Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Não entendi o que aconteceu aqui. Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Os amigos com experiência em Irã e também o Lonely Planet haviam me alertado de tudo isso. O guia toca o horror em quase todas as suas palavras sobre o assunto, dizendo coisas como “o trânsito de Teerã é chocante até mesmo para quem tem experiência em dirigir na Ásia” – algo extremamente contundente para quem já esteve no Sudeste Asiático, por exemplo.

Não precisei mais do que 4 dias em Teerã para perceber que todos estavam certos. Nesse pouquíssimo intervalo de tempo, presenciei nada menos que dois acidentes com motos (nada grave, graças a Alá) e um quase acidente bem na minha porta, dentro de um táxi. Mesmo assim, não mudei de ideia quando chegou a hora de ir até a locadora pegar o carro que eu havia reservado pela internet, para fazer a primeira road trip da minha vida.

A decisão de viajar dessa forma foi tomada quando me dei conta de que teria que rebolar muito e contar com uma dose cavalar de sorte para fazer alguns trechos do meu roteiro.

Não, o problema não era o transporte público iraniano. Os principais centros turísticos do país são bem servidos de ônibus e trens. A questão era que eu havia colocado lugares que não são os highlights do Irã. Era neles que a coisa complicava.

Como muitos não tinham linhas regulares de ônibus, eu precisava arranjar modos alternativos de me deslocar, caso não quisesse mudar o roteiro. Táxis? Não deveriam ser levados em conta. Não dava para jogar tudo na sorte de sempre encontrar um taxista disposto a dirigir tanto em estradas. Voar seria uma opção apenas para alguns lugares, já que muitos deles não têm transporte aéreo com uma frequência boa. Contratar um guia com carro particular estava fora de questão, tanto financeira quanto ideologicamente, porque a proposta da viagem era se virar, passar perrengue. Não queria alguém para me livrar de roubadas.

Só me restava mesmo pensar na ideia aparentemente absurda de alugar um carro. E graças a um ser iluminado que havia passado pelo país poucos meses antes, vivido essa experiência e dividido ela com os leitores do Thorn Tree, o fórum de viajantes do Lonely Planet, eu me enchi de coragem e fui adiante.

Então, no início do meu 5º dia entre os persas, fui ao encontro do meu parceiro de estradas, um Tiba, fabricado pela marca iraniana Saipa, o carro mais barato à disposição na locadora. Um sedã compacto, com 4 portas, motor 1.5 e design dos anos 90, de interior espartano, mas com ar-condicionado, direção hidráulica e air bag duplo. Forte e confortável o suficiente para o que eu precisava.

O Saipa Tiba. Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Apesar de todo o terror dos números, do caos nas cidades, dos carros na contramão e de tudo que vi de absurdo nas rodovias iranianas, além das roubadas que enfrentei por completa virgindade em road trips, vivi dias inesquecíveis com o meu querido Tiba – que ganhou o apelido de Ciro, o maior dos reis persas, logo que saí da locadora. O que as estradas iranianas têm de assassinas, também têm de lindas, com paisagens que só vendo para entender e que incluem vales, rios, cadeias de montanhas altíssimas e nevadas e desertos lindíssimos.

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Estrada na região do Golfo Pérsico. Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

No fim das contas, com bastante cuidado, direção defensiva, paciência, bom humor e um belíssimo seguro total no carro alugado, uma viagem de carro pelo 3º país com o trânsito mais perigoso do mundo é uma experiência positivamente incrível.

E, de quebra, ainda dá cacife para o motorista enfrentar praticamente todos os outros trânsitos do mundo.

*****

Fontes: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10.

 

Alugar um carro no Irã é muito mais fácil do que sonha a nossa vã filosofia. Porém, como o mundo é desnaturado e muda as coisas sem avisar aos blogueiros, sugiro o de sempre: antes de se jogar para Teerã, confirme todas as informações abaixo com a locadora que você escolher.

Se a sua dúvida não estiver aqui, por favor, deixe ela na caixa de comentários. Responderei assim que puder, se eu tiver informações para isso.

 

Qual locadora utilizar?

Eu usei a Europcar e é a única que recomendo. Aliás, todas as informações abaixo se referem única e exclusivamente a minha experiência com ela. Tudo pode mudar (para melhor e para pior) se você escolher outra.

O site da Europcar tem momentos de complicação e outros de extrema burrice, mas dá para fazer tudo por ele. Em caso de dúvidas, escreva para o pessoal da empresa pelos meios indicados no próprio site. Eles respondem rapidinho.

Escritório da Europcar no centro de Teerã. Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Europcar no aeroporto Imam Khomeini. Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

 

Quais documentos preciso ter para poder dirigir no Irã?

A Permissão Internacional para Dirigir (PID) emitida no Brasil é válida no Irã. Informe-se  sobre como fazer a sua PID no Detran do seu estado.

 

Quanto custa alugar um carro no Irã?

Depende do veículo escolhido, dos seguros que você contratar, dos acessórios que você quiser, do período de locação (quanto mais tempo, menor a diária) e de algo ainda mais importante: da inflação. Os preços sobem constantemente no Irã, o que significa que o valor que eu paguei não vai ser igual ao que você pagará. O alívio é que o dólar sobe mais ou menos junto, o que pode diminuir as diferenças. Faça simulações no site da Europcar, para ter uma ideia.

De qualquer maneira, cito o meu caso. Para mim, o modelo mais barato, com GPS e seguro completíssimo, alugado por 23 dias, ficou com o preço de 21.707.600 rials iranianos (sim, “milhões”, acostume-se com isso, o Irã é assim), o equivalente a U$S 1.100 no câmbio da época.

Neste ponto eu faço uma recomendação importantíssima: leia com atenção a questão abaixo.

 

É melhor pagar em rials, em dólares ou em euros?

Antes, vou dar algumas explicações sobre o câmbio no Irã.

O país tem duas cotações para dólar e euro: a OFICIAL e a SECUNDÁRIA.

A OFICIAL é a cotação reconhecida pelo governo. Não entendo nada de economia, então não sei se ela é imposta ou mantida a duras penas pelo Banco Central iraniano. Só sei que é obrigatório que todos os negócios envolvendo moedas estrangeiras sejam anunciados com esta cotação. Isso inclui a reserva do seu carro.

A SECUNDÁRIA é a cotação livre e flutuante. Ela é praticada pelas casas de câmbio, as mesmas onde você vai trocar o seu rico dinheirinho, e tem um preço absurdamente melhor do que a OFICIAL. Ela não é ilegal, é apenas uma cotação livre, determinada pelo mercado aberto.

Agora, uma explicação sobre a Europcar.

A locadora garante que o preço que você vê no momento da reserva é o mesmo valor que você vai desembolsar se escolher pagar apenas quando retirar o seu carro, dali a poucos ou muitos dias. Só que o preço aparece em duas moedas: rial iraniano e dólar americano.

Lembra que eu disse que os negócios são obrigados a apresentar o valor cotado pelo dólar OFICIAL? Pois aqui é momento de você fazer valer essa diferença entre OFICIAL e SECUNDÁRIO.

Para dar um exemplo prático: no meu caso, o valor de US$ 1.100 apresentado no momento da reserva foi baseado numa cotação de 19.734 rials por dólar – a cotação OFICIAL. Só que a cotação SECUNDÁRIA era muito melhor: 30.000 rials por dólar.

Como eu resolvi pagar em rials, que comprei nas casas de câmbio de Teerã, gastei apenas 723 dólares para conseguir os tais 21.707.600 rials necessários. Uma economia de 376 lindas e verdíssimas notas ianques. Praticamente uma fortuna no Irã.

Então, respondendo à pergunta principal: pague em rials comprados numa casa de câmbio no Irã.

 

Posso pagar com cartão de crédito?

Não sei. A princípio, os embargos econômicos impedem o uso de cartão internacional no Irã, mas talvez a Europcar tenha alguma conta nos Emirados Árabes e receba o seu dinheiro por lá. A questão é: podendo economizar uma boa grana pagando em cash, conforme o recomendado acima, você vai mesmo pagar com cartão?

 

A quilometragem do carro alugado é livre?

A Europcar permite 250 km por dia, mas oferece a possibilidade de pagar um extra para o uso livre ou você pode pagar um valor ridículo por quilômetro excedido. Eu passei 23 dias com o carro e rodei 3029 km, uma média de 131 km/dia. Faça as contas e veja se vale a pena para você, mas não esqueça de que o carro costuma ficar na garagem do hotel nos dias que você passa nas cidades grandes.

 

Os hotéis têm garagem?

Todos os hotéis onde fiquei tinham ao menos um pátio para hóspedes. Mas confirme essa informação na hora de fazer a sua reserva.

 

O que acontece se eu for multado?

A locadora exige que você deixe com eles uma quantia extra, para o caso de você ser multado. Se nada acontecer, você recebe o dinheiro de volta após 75 dias – o tempo necessário para que as eventuais infrações sejam cobradas pela polícia.

No meu caso, tive que deixar 300 euros em cash.

 

Como é feita a devolução do dinheiro, se eu não tiver sido multado?

Depois de esperar 75 dias, entrei em contato com a Europcar perguntando como poderia ser feita essa devolução. Como eu não havia recebido multas e o dinheiro estava lá esperando por mim, eles me deram as seguintes alternativas:

1 – Apresentar alguém que pudesse pegar o dinheiro em cash no Irã (um amigo ou um conhecido que vivesse ou estivesse de passagem por lá);

2 – Fornecer os dados de uma conta bancária nos Emirados Árabes, para onde eles poderiam enviar o dinheiro em até 3 dias, sem nenhuma taxa;

3 – Fornecer os dados da minha própria conta bancária no Brasil, para onde eles enviariam o dinheiro com uma taxa de 30 euros.

4 – Fornecer uma conta Paypal, onde eles poderiam depositar o dinheiro com uma taxa de 25 euros. (Esta opção não foi oferecida logo no início, só depois que a ligadíssima Flavia Penido deu a dica. A princípio, não acreditei que fosse possível, mas eles garantiram que era.)

Obviamente eu não pude testar todas as alternativas e fiquei apenas com a número 2. Com a ajuda de um amigo fantástico que mora nos Emirados Árabes e da sua queridíssima e gentilíssima mãe que mora na minha cidade mas estava de férias por lá, consegui receber o dinheiro todo, sem nenhuma taxa, porque indiquei a conta dele para depósito.

Se você conseguir fazer a sua transferência de outra forma e quiser contar a experiência aqui, por favor, use a caixa de comentários. Agradeço imensamente.

 

Posso pegar o carro em Teerã e devolver em outra cidade?

Sim. A Europcar tem lojas no centro e nos dois aeroportos de Teerã e também em Shiraz e em Esfahan. Eu peguei meu carro no centro de Teerã e devolvi no aeroporto Imam Khomeini.

 

O carro é bom?

Meu querido Saipa Tiba tinha 76 mil quilômetros rodados quando veio para as minhas mãos. Ele estava em boas condições, com tudo funcionando perfeitamente, e aguentou firme os 3029 quilômetros que andamos juntos.

Porém, no fim da viagem, um amigo me disse que o Tiba não é um carro seguro em caso de acidentes, mesmo tendo air bag duplo. Não me acidentei para testar, mas deixo a informação para você decidir. Se você estiver inseguro, alugue um carro de outra categoria. Vai sair mais caro, mas é a vida.

 

Quanto o Tiba consome?

A gasolina iraniana é de péssima qualidade, o que se traduz em poluição absurda e consumo mais alto do que o normal. Não calculei os valores, mas deu para perceber que os 41 litros do tanque duravam menos do que um tanque igual no Brasil.

 

Como se abastece no Irã?

Eles têm um sistema complicado de entender, que limita a compra de combustível por veículo, mas isso não parece importar para um estrangeiro com um carro alugado. Eu simplesmente abordava o frentista, cumprimentava ele em farsi, dizia que não falava a língua e apresentava um papel onde o pessoal da locadora escreveu “Por favor, complete o tanque com gasolina”. Ele normalmente dava uma risadinha, perguntava de onde eu era, enchia o tanque, me cobrava e me dava tchau. Sem nenhum estresse.

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

 

Quanto custa a gasolina no Irã?

Lembre-se: os preços mudam.

Dito isso, segure-se na cadeira. Em outubro/novembro de 2013, o preço do litro de gasolina no Irã era o equivalente a risíveis R$ 0,54. Sim, cinquenta e quatro centavos por litro. Eu enchia o tanque com 22 reais.

Vamos combinar que se os preços mudarem até a sua viagem, não vai fazer muita diferença, né?

 

Há bastante postos nas estradas?

Nem sempre. A recomendação é abastecer toda vez que passar por um posto.

 

Os postos de gasolina têm infraestrutura de serviços, como banheiro e restaurantes?

Muitos têm, sim. É claro que nem sempre são limpinhos, mas estão lá. Em alguns lugares, existem verdadeiras áreas de descanso e conveniência, inclusive com hotel.

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

 

Onde posso comprar um mapa rodoviário do Irã, atualizado e em inglês?

Em Teerã, na livraria Gita Shenasi. É perto da estação de metrô Valiasr (linha 4), fácil de achar, os preços são minúsculos e os mapas são muito bons.

 

Dicas gerais

– Não confie totalmente no GPS fornecido pela locadora. O meu, por exemplo, era bastante desatualizado e não encontrava algumas estradas bem grandes. Use o aparelho sempre em conjunto com um bom mapa rodoviário.

– Procure usar sempre as estradas maiores, que são mais bem sinalizadas e com placas quase sempre em inglês.

– Não programe o GPS direto para o objetivo final do seu dia. Programe apenas para a cidade grande seguinte no caminho e, chegando nela, pare e reprograme para a próxima, até alcançar o seu destino final. Isso evita que o GPS mande você ir por caminhos bizarros.

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

– Na hora de visitar vilas pequenas cujo acesso seja feito por estradas secundárias ou terciárias, prefira contratar um táxi na cidade grande mais próxima. Essas estradas são muito mal sinalizadas e raramente têm placas em inglês.

– Procure decorar os números em farsi.

– Procure decorar como se escreve, em farsi, o nome da cidade para onde você está indo. Assim você consegue se guiar por placas locais também.

Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

– Não esqueça de pedir para o pessoal da locadora escrever “Por favor, complete o tanque com gasolina”, em um papel.

– Barreiras policiais e militares são comuns nas saídas das cidades. Diminua a velocidade ao se aproximar delas e passe calmamente. Não há motivo para medo, se você não for um espião britânico ou norte-americano e se estiver com os documentos em mãos.

– Seja minimamente ousado nos engarrafamentos nas cidades. Em determinados momentos, você precisa se impor para conseguir andar.

– Mantenha a calma e relaxe nas cidades. Fazendo isso, você vai até se divertir com a zoeira.

– Seja muito cuidadoso nas estradas. Muito mesmo. Carros e motos podem aparecer do nada, em qualquer lugar, em qualquer direção.

 *****

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    13 Comentários
  1. Ola Gabriel, muito bom a publicação, como sempre leio todos os post em especial os que falam do Iran, como forma de ter conhecimentos o bastante para tirar as varias duvidas que me procuram todos os dias.

  2. Realmente o trânsito é de matar (sem querer fazer trocadilhos)! Além de ser caótico, o que mais me chamou a atenção foi o fato de motos não respeitarem mão nenhuma, ao estilo das bicicletas no Brasil. Vi motos na contra-mão mais que na mão correta, e também nas calçadas, driblando pedestres.

    • Pedro, moto na contramão não é nada. O pior são os carros, nas estradas. É…

  3. Não sei como vc se virou hahaha. Já tinha ouvido falar de alguns trânsitos loucos, mas era mais por falta de sinalização (estilo Índia), ou por uma sinalização louca em si (Japão). Pelo visto o problema aí é falta de auto-escola x)

  4. Os posts aulas de história/geografia/cultura são ótimos, mas estes que relatam a experiência do viajante são imbatíveis.

    • Gullo, valeu meu querido! =)

  5. Olá, Gabriel

    Conheci seu site por uma dica do VNV. Adorei as viagens fora do usual, embora eu não seja uma turista muito aventureira. Senti falta no caso do Irã de comentários sobre mulheres viajando, lembrando que os países muçulmanos possuem restrições quanto ao vestuário e até acesso. Você viu mulheres dirigindo no Irã? Estava sozinhas ou acompanhadas?

    • Ederli, em breve haverá um post sobre as mulheres iranianas, escrito pela minha esposa, que estava lá comigo.

      Sobre as mulheres no trânsito, agradeço pela lembrança, porque eu realmente esqueci de falar disso e corrigirei em breve. Mas já adianto: mulheres podem dirigir no Irã, sim. As mulheres sofrem restrições lá, mas não tantas quanto na Arábia Saudita, por exemplo, onde elas não podem dirigir.

  6. Não sei explicar o porquê, mas adorei o nome que você deu ao carro…!

  7. Novamente um post nota 10. Ouvir relatos de viagem que não mostram o tradicional é fascinante.

  8. Olá Gabriel, sempre acompanho seu blog.

    Eu costumo fazer viagens longas de motocicleta, e já passei por alguns paises na america do sul, e alguns da Europa (onde moro agora).

    Meu plano a longo prazo era fazer uma travessia do Iran, entrando pela Turquia e com destino no Turcomenistao, e seu blog é uma excelente fonte de informacoes pra planejar esse tramo da viagem (entre todos os idiomas em que procurei, gosto mais do teu aproach às viagens, muito mais pessoal e sem pré-rotular os lugares nem idealizar os mesmos). Tenho um amigo persa e ele me disse que é possível viajar pelo Iran de moto sem problemas, mas gostaria de saber qual a sua opiniao sobre viajar por essas terras numa moto sozinho.

    • Oi, Tiago! Obrigado pelo elogio e pela audiiencia! Que honra um viajante assim me acompanhando! =)

      Olha, eu acho que deve ser uma baita experiência incrível viajar de moto pelo Irã. É claro que é preciso tomar cuidado nas cidades e nas estradas, mas nada de terrível, não. Acho possível e o Lonely Planet também diz que dá. Verifica uma história de que existe um limite de cilindradas permitidas no país. O LP diz que estrangeiros em trânsito podem passar dele, mas vão chamar a atenção, já que o povo não está acostumados com motos potentes dirigidas por pessoas comuns (só a polícia pode ter motos assim). =)

      Abraço e ótima viagem!

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