Tenho um carinho especial pelo Sudeste Asiático, onde estive em 2008 e passei um mês perfeito entre Camboja, Vietnã e Laos. Um carinho que vem da minha ótima experiência naqueles países, do fato daquela ter sido a minha primeira grande aventura em um destino “exótico” e, principalmente, porque foi aquela viagem que me fez escrever um blog.

Eu sofri para conseguir informações sobre os três países naquela época. Não sei se isso aconteceu por total incapacidade mental minha ou por falta de conteúdo disponível mesmo, mas aquilo me fez decidir que, na volta, eu iniciaria um espaço para compartilhar tudo que aprendesse durante a viagem.

Assim nasceu o meu antigo site, que virou meu antigo blog, que virou o Gabriel Quer Viajar. Uma história que eu posso contar outro dia, não agora.

Hoje fico muito feliz de ver um monte de informações sobre o Sudeste Asiático por aí. Muitos blogs (alguns deles entre os meus favoritos) vêm publicando dicas fantásticas sobre os três lugares acima e ninguém mais precisa furungar muito na internet para encontrar o que precisa.

Para contribuir um pouco com este movimento positivo, fiz uma revisão do que escrevi sobre Vietnã, Camboja e Laos no meu falecido site, retirando muitas dicas práticas que estavam defasadas e trazendo para cá o que ainda pode ajudar. E o mais importante: fiz uma lista de blogs e sites onde você pode encontrar informações tão quentes quanto o verão cambojano.

Espero que seja útil.

 

Quando fui

De 12 de março e 8 de abril – fim do inverno e início da primavera na região.

 

O meu roteiro

Num primeiro momento, pensei em começar a viagem por Hanói (no norte do Vietnã), seguir para o sul do país, passar para o Camboja e finalmente para o Laos, conforme o esquema abaixo.

No fim, acabei invertendo tudo e comecei a viagem pelo sul do Sudeste Asiático para terminar pelo norte, conforme esse outro esquema.

Fiz isso porque seria mais lógico sob o ponto de vista climático, uma vez que o sul é mais quente e a temperatura vai aumentando com o passar dos primeiros meses do ano. Com o novo roteiro, eu começaria pelo sul numa época em que ele ainda não estaria tão quente e chegaria no norte quando ele já não estaria mais tão frio (Hanói, Sa Pa e a baía de Halong podem ter temperaturas muito baixas no início de março). O clima ficaria melhor em todas as regiões, portanto.

Ficou assim:

12 MAR – Saída do Brasil

13 MAR – Chegada em Paris e conexão a Bangcoc (Tailândia)

14 MAR – Chegada em Bangcoc e noite de descanso na cidade

15 MAR – Voo de Bangcoc a Siem Reap (Camboja)

16 MAR – Siem Reap

17 MAR – Siem Reap

18 MAR – Siem Reap

19 MAR – Voo de Siem Reap (Camboja) a Ho Chi Minh City (antiga Saigon – Vietnã)

20 MAR – Ho Chi Minh City

21 MAR – Day trip no delta do Mekong, noite em Ho Chi Minh City

22 MAR – Voo de Ho Chi Minh City a Da Nang (onde fica o aeroporto) e táxi até Hoi An (Vietnã)

23 MAR – Hoi An

24 MAR – Hoi An

25 MAR – Viagem de carro de Hoi An a Hue (Vietnã)

26 MAR – Hue

27 MAR – Voo de Hue a Hanói (Vietnã)

28 MAR – Hanói e saída para Sa Pa (Vietnã), de trem, às 22h. Noite no trem

29 MAR – Sa Pa (chegada de manhã bem cedo)

30 MAR – Dia entre Sa Pa e Bac Ha (Vietnã). Embarque de volta para Hanói, de trem, às 20h30. Noite no trem

31 MAR – Chegada em Hanói às 4h30

01 ABR – De carro de Hanói a Halong Bay (Vietnã). Noite no barco

02 ABR – Volta, de carro, de Halong Bay a Hanói

03 ABR – Voo de Hanói (Vietnã) a Luang Prabang (Laos)

04 ABR – Luang Prabang

05 ABR – Voo de Luang Prabang (Laos) a Bangcoc (Tailândia)

06 ABR – Bangcoc

07 ABR –  Bangcoc

08 ABR – Bangcoc e voo de volta para Paris, São Paulo e Porto Alegre

A ideia de roteiro inicial não incluía a Tailândia, mas como todos os voos para as proximidades dos destinos tinham uma parada na capital do país, aproveitei e reservei três noites por lá.

 

Como me movimentei nos países

Por ter apenas 30 dias de férias, decidi não perder tempo com trens lentos e viagens rodoviárias e fiz a maioria dos deslocamentos por via aérea. A compra das passagens com antecedência foi algo bem complicado, na época, mas acredito que tudo já tenha melhorado. Recomendo que você pesquise isso nos blogs indicados abaixo.

Para os deslocamentos terrestres, eu contratei os serviços de uma agência especializada na região, a Diethelm Travel. Na época, li que o Vietnã não aceitava a habilitação internacional, então aluguei carros com motoristas. Mas depois de algum tempo me disseram que já era possível dirigir por lá – e até emprestei um mapa para um grupo de viajantes. Verifique como as coisas estão hoje.

 

Os tours que comprei

No total, eu fiz três tours com agência, todos particulares (sem grupos): day tour no delta do rio Mekong, fim de semana em Sa Pa e uma noite em Halong Bay.

O day tour pelo delta do rio Mekong foi interessante e valeu a pena, mas um dia pela região é mais do que suficiente para quem não tem um interesse especial pela área.

O fim de semana em Sa Pa foi legal, mas a cidade já me parecia meio falsa, vivendo em função do turismo.

A noite na baía de Halong, com expedição de caiaque pelas ilhas, grutas e lagoas foi um dos pontos altos da viagem. Valeu muito. Se soubesse que seria tão bom, teria comprado um tour mais longo.

Baía de Halong. Ah, se eu soubesse.

Dica: aparentemente era muito fácil comprar tours lá mesmo. Cada hotel tinha suas indicações e seus próprios tours, sem falar nas milhares de agenciazinhas de viagem que você encontrava em cada esquina de cada cidade. Vale a pena entrar em contato com o seu hotel e pedir informações antes de comprar um tour do Brasil. Não sei nada em relação à qualidade deles, mas o preço certamente é mais em conta.

Para os mais fanáticos pela Guerra do Vietnã, é possível fazer um tour de Hue até a antiga Zona Desmilitarizada (DMZ), visitando Khe San, palco da batalha mais sangrenta da guerra. É coisa de um dia, bate-volta.

 

Meus hotéis

É claro que os hotéis abaixo podem ter mudado para melhor ou para pior, então sugiro que você faça sua pesquisa para ver como eles estão hoje.

Não esqueça da regra básica para o Sudeste Asiático: se você não for no inverno, sempre escolha um hotel com ar-condicionado.

SIEM REAP: The Villa Siem Reap – Ótimo hotel. Simples, bonito, limpo, arrumado e com staff pra lá de simpático e atencioso. Ficaria lá de novo.

Quarto do The Villa Siem Reap

 

HO CHI MINH CITY: Phoenix 74 – Levando em consideração que eu estava na maior cidade do país, que o quarto era privativo e com banheiro, que tinha ar-condicionado, café da manhã e internet gratuita e que custava apenas 8 dólares por pessoa, ele foi ótimo. Parece que ele andou sendo reformado, pelas fotos recentes que vi (veja no link).

Fachada do Phoenix 74 Hotel

 

HOI ANLong Life Hotel (em vietnamita, Thanh Xuan Hotel) – Outro hotel ótimo e barato. O quarto tinha até banheira. O inconveniente foi o barulho nos quartos da frente. Tente reservar os quartos com “garden view”. Se preferir algo mais perto do centro da cidade, eles têm o Long Life Riverside Hotel.

Pelo precinho do Thanh Xuan Hotel, eu nem reclamei disso

 

HUECanh Tien Guest House – Simples, barato, limpo e honestíssimo. Oferecia day tours para Khe San.

HANOIGolden Sun Hotel – Não recomendo. Me colocaram num quarto ruim e não reservaram outro que eu solicitei para o dia em que chegaria de madrugada (eu havia reservado desde o dia anterior e avisado do horário de check-in). Para piorar, a gerente me chamou de mentiroso quando coloquei minha experiência no Trip Advisor – e meu relato misteriosamente desapareceu do site. Tive que ir atrás de outro lugar, às 6h da manhã, e encontrei o Trang An Hotel. Mais barato, mais silencioso e melhor. Esse eu recomendo, mas faça sua pesquisa para ver como ele anda hoje.

SA PA: Chau Long Hotel – Era para ser o hotel mais luxuoso da viagem, mas foi uma decepção. Era o típico hotel que um dia teve glamour mas que, na época, não passava de um estabelecimento decadente. Talvez tenha mudado para melhor. Ou para pior.

LUANG PRABANGSokxai 2 Hotel – Bonitinho, limpo, quarto grande, excelente. No aeroporto, o próprio dono estava esperando para fazer o meu transfer, por apenas 5 dólares. Não precisa dizer mais nada, né?

Quarto do Sokxai 2 Hotel

 

BANGCOC – Na ida, quando passei uma noite na cidade para descansar dos voos, fiquei no Queen’s Garden. Honesto, com bom preço e a característica principal que eu procurava naquela primeira noite: perto do aeroporto. Recomendo para ocasiões semelhantes.

Na volta, fui para o Lamphu House. Ficava na zona backpacker da cidade, era muito bom, limpo e barato.

Ao contrário do que muitos podem pensar, os hotéis nas cidades onde fiquei seguiam padrões ocidentais, as pessoas falavam inglês decentemente e normalmente eram atenciosas. A característica mais estranha era o chuveiro que, na maioria das vezes, ficava bem no meio do banheiro.

Uma dica: deixe de ser sovina e solicite o serviço de busca no aeroporto que quase todos os hotéis oferecem. É muito mais simples, fácil, confortável e nenhum deles custou mais do que 15 dólares. Leia minhas dicas sobre a melhor forma de se chegar num país diferentão.

 

O que comi

Não comi grilos, nem escorpiões, nem outro inseto qualquer. É certo que essas coisas são encontráveis no interior dos países, mas nas maiores cidades não eram tão comuns (pelo menos não nas regiões turísticas).

Os pratos por lá são bem mais amenos do que pensamos. Arroz e noodles (macarrão estilo Miojo) estão por toda parte, assim como a pimenta. Peixes e camarões também. Mas quem não quiser nada disso também vai encontrar facilmente pizzas, massas, pratos internacionais e tudo o que for necessário para deixar a viagem longe do plano gastronômico.

Entre todas as culinárias provadas, sem dúvida a que mais agradou foi a cambojana. As outras não desceram muito bem, apesar de serem mais famosas.

O restaurante que eu mais gostei em Siem Reap

 

E o dinheiro?

Eu tenho meus gastos anotados, mas não vou colocar nada aqui porque podem estar defasados. Sugiro que você cheque informações nos blogs indicados abaixo e também neste ranking do Price Travel.

Todas as grandes cidades têm ATMs. A maioria dos restaurantes e hotéis aceita Visa, Mastercard e alguns aceitam até mesmo American Express. Trocar dinheiro é fácil e sem problemas. Em Siem Reap nem era preciso trocar dólares por riels (a moeda local): os cardápios vinham em dólares e a moeda americana era aceita em qualquer lugar. Para ter uma idéia dos valores do dólar oficial em cada país, clique aqui. Para saber onde tem ATM, vá em no site da Visa ou pergunte para o gerente do seu banco.

 

Burocracias básicas

Foi tudo bem mais fácil do que eu imaginava, mas não sei como estão essas coisas hoje. Acredito que nada tenha piorado, mas cheque as informações com as embaixadas dos países. Você encontra os endereços delas no site do Ministério das Relações Exteriores.

Meu visto do Vietnã, o mais difícil de todos, mas nem foi difícil

 

Como foi o clima

Esqueça qualquer intenção de ser elegante no Sudeste Asiático, ao menos no período em que fui. Sabe aquela mancha de suor nas costas? Ela vai ser onipresente em você. E se você ainda carregar a câmera a tiracolo, vai ganhar outra mancha, atravessada no peito.

Sem brincadeira: o calor é horrível, é úmido, é sufocante. Alguns passos fora do quarto gelado do hotel já rendem um pouco de suor. A solução é seguir os conselhos médicos (água, chapéu, protetor, etc), acordar bem cedo para ver o que tem que ser visto, retornar para o hotel perto do meio-dia, descansar e voltar ao turismo depois das 4 da tarde.

E, claro, desapegue do visual. Tenha em mente que no fim do dia você vai tomar um bom banho e esqueça o resto. Afinal, você está no Sudeste Asiático. Friozinho é coisa da Europa.

Repito: nem pense em ficar em um quarto sem ar-condicionado. Passe fome para economizar, se for necessário, mas não abra mão de poder controlar o clima no seu refúgio.

 

Segurança

Uma das perguntas mais frequentes que escutei foi: você não teve medo?

Resposta: não, em nenhum momento. Foi incrível e triste constatar que países com renda per capita anual média absurdamente baixa (menos de 600 dólares, na época) tinham menos violência que o Brasil. Em Ho Chi Minh City, com seus 7 milhões de habitantes, as praças eram repletas de famílias e crianças se divertindo até tarde da noite.

Aliás, passei 26 dias no Sudeste Asiático carregando dólares e máquina fotográfica para cima e para baixo, sem a menor preocupação. Mas só na volta, depois de menos de um mês no Brasil, é que fui vítima de violência (o meu segundo seqüestro-relâmpago).

É bem isso mesmo.

 

Que língua falei

Não se preocupe (muito) com a língua nestes países. Nas regiões turísticas, a maioria das pessoas sabe o básico do inglês. Quem não sabe sempre tem um amigo por perto que domina o idioma.

Por causa do sotaque carregado (coisa que certamente você também tem), às vezes é necessário pedir que o seu interlocutor repita 3 ou 4 vezes até você entender o que ele está dizendo, mas uma hora você vai compreender. Para quem pensa em chegar lá falando francês – confiando na dominação francesa na região por muitos anos – aviso que só consegui praticar meus conhecimentos da língua com um senhor em Hoi An.

 

Sobre religião

Todos os países visitados nessa viagem eram predominantemente budistas. No Vietnã, outras religiões também são fortes, como o cristianismo e o cao daísmo, por exemplo, mas a maioria da população é budista. Haja com respeito e tudo vai dar certo.

 

O que eu li antes de viajar

Foram tantos livros e guias que é melhor falar deles em tópicos.

– Foram seis livros da Lonely Planet: os guias do Laos, do Camboja, do Vietnã e de Bangcoc e mais dois livrinhos bobos mas bonitinhos sobre Bangcoc e Ho Chi Minh City, da série Citiescape (já fora de catálogo). Esses dois últimos não serviram para nada prático, só para enfeitar a sala e mostrar para as visitas. Os outros foram bons, mas sem nada de extraordinário.

“Vietnam & Angkor Wat” – Série Eyewitness, editora DK (conhecido no Brasil como Guia Visual – Folha de S. Paulo). A grande – e talvez única – vantagem desse guia é a quantidade de fotos. De resto, é superficial e ainda reduz Angkor Wat a um passeio a ser feito por quem vai ao Vietnã. Os cambojanos não devem gostar nada disso.

“Viajes de Aventura – Sudeste de Asia” – editora Granica. Outro livro que teve pouca aplicação prática. Foi comprado por curiosidade em uma livraria pequena no Uruguai. Foi editado em 2000, então as informações eram para lá de velhas.

– Rough Guides. Desta editora foram comprados um livrinho de bolso chamado “25 Ultimate Experiences – Southeast Asia” e um mapa rodoviário dos três principais países da viagem. Não me pergunte porque comprei um mapa rodoviário. Acho que foi a emoção por ver a viagem saindo do papel, já que a única utilidade dele foi permitir mostrar o itinerário para os amigos. Quanto ao livrinho de bolso, foi legal apenas para ver que algumas das cidades que visitaria eram consideradas “ultimate experiences”.

No geral, todos os guias elogiavam demais algumas atrações que não tinham nada de especiais, o que me levou a começar a desconfiar de alguns pontos turísticos antes de ir até eles. Com exceção do guia comprado no Uruguai, todos eram em inglês. Não existia nada em português sobre estes países. Para finalizar, a maior parte deles foi comprada na Amazon, mas alguns foram na Cultura, porque em determinados casos o preço com frete não era tão diferente. Leia aqui as minhas dicas para comprar guias de lugares exóticos.

A foto é do João, mas os guias são meus

Fora do setor de guias, ainda li dois livros ótimos para quem gosta de estudar seus destinos de viagem:

“Angkor”, da série Grandes Civilizações do Passado, da Editora Folio.

“Despachos do Front”, de Michael Herr, jornalista americano que presenciou a Guerra do Vietnã e colaborou nos roteiros de Apocalypse Now e Nascido para Matar. Muito bom para ter uma levíssima noção do que foi aquilo.

 

Ao que assisti antes de ir

Filmes que recomendo, em ordem de preferência pessoal:

Os Gritos do Silêncio (sobre o Camboja)

– Indochina (sobre o Vietnã)

Platoon (sobre o Vietnã)

Apocalipse Now (sobre o Vietnã)

– Tomb Rider (cenas bonitas do Camboja)

 

 

Os textos abaixo estão no presente, mas lembre-se de que minha experiência é de 2008.

 

– Siem Reap (Camboja)

Siem Reap (pronuncia-se “simm-rip”) é cosmopolita e é provavelmente a cidade mais visitada do Camboja, já que quase todo turista que vai para o país quer ver Angkor Wat. Em qualquer lugar existe alguém que fala e entende o básico de inglês e o centro da cidade é repleto de bares, restaurantes moderninhos e lojas descoladas. Pudera: o turismo é o motor da economia local. Um motor tão potente que praticamente tudo pode ser pago em dólar. Você só precisa trocar dinheiro se quiser guardar algumas notas de lembrança.

Se Angkor Wat é um chamariz fantástico para turistas, o povo cambojano ajuda a fazer com que os viajantes queiram retornar. Todos são simpáticos, atenciosos e estão permanentemente com um sorriso no rosto.

Um dos lados ruins de Siem Reap é a poeira. Como muitas ruas são de terra batida, é inevitável chegar no fim do dia completamente sujo, ajudado pelo onipresente suor.

Outro inconveniente é o assédio dos motoristas de tuk-tuk (as motinhos com um carrinho atrás). Por onde você passa, escuta “Tuk-tuk, sir?”. E não adianta dizer “No!” bem alto e em bom inglês, o motorista ao lado também pergunta em seguida “Tuk-tuk, sir?”

Falando em tuk-tuks, não é preciso mais do que um par de tênis confortáveis para se locomover por Siem Reap. Quando você cansa, era só pegar um tuk-tuk.

Quanto tempo fiquei: 4 noites e 5 dias.

Quanto tempo recomendo: Eu teria ficado pelo menos mais um dia.

A noite é animada em Siem Reap

As ruas poeirentas de Siem Reap

Dar carona para monge deixa você mais perto do nirvana

Acho que era um casamento

 

Os templos ao redor de Siem Reap

Os templos de Angkor mais próximos ficam a alguns quilômetros do centro de Siem Reap. Existem várias alternativas para chegar lá, mas eu escolhi o tuk-tuk. Por apenas 12 dólares, Mr. Youthny (meu motorista), passou o dia inteiro para cima e para baixo comigo. É claro que os templos mais distantes eram cobrados à parte, mas nunca passou de 25 dólares, pagos para ir até Banteay Srei, a 1h de viagem da cidade.

Para saber informações atualizadas sobre os templos, verifique nos blogs abaixo e no site do parque.

O clássico nascer do sol em Angkor Wat

Monges, monges e monges

O clássico

Monges, monges, monges

Banteay Srei é longe, mas vale a viagem

Outro clássico

Meu templo favorito: Bayon. Fui duas vezes

Apsaras. Lindas

 

– Ho Chi Minh City (antiga Saigon – Vietnã)

Suja, poluída, caótica e barulhenta. Assim é Saigon, que na verdade se chama Ho Chi Minh City desde 1976.

Quem é apaixonado por histórias de conflitos tem que ir para lá, porque é o melhor lugar para se encontrar lembranças da Guerra do Vietnã (ou a Guerra Americana, como os vietnamitas a chamam). Já quem não tem interesse pelo assunto – ou não faz questão de dizer que já esteve na Cochinchina – talvez deva aproveitar os dias em outros lugares do país.

Para se locomover pela cidade, um mapa e disposição para caminhar são suficientes na maioria dos casos. Quando cansar, dá pra pegar táxis, mas fique esperto, porque os taxistas sempre tentam tirar um troco em cima do turista. Ah, prepare-se para passar o dia dizendo “No, thank you” para os insistentes motoristas de moto-táxis.

Quanto tempo fiquei: 3 noites e 4 dias, sendo um dia inteiro de tour no Delta do Mekong.

Quanto tempo recomendo: Para HCMC, um dia e uma noite é o suficiente para ver o que a cidade tem de melhor. Para o Delta do Mekong, um day tour é perfeito.

Caos, teu nome é Saigon

Ho Chi Minh City Museum, onde havia uma excelente loja de souvenires de guerra

No Delta do Mekong

 

– Hoi An (Vietnã)

Felizmente, Hoi An foi poupada de bombardeios da guerra e por isso manteve o seu centro antigo intacto. O clima é o de uma vila pequena e foi a cidade mais linda que visitei no Vietnã. É o lugar perfeito para descansar um pouco da zoeira do trânsito das metrópoles vietnamitas, pegar uma praia e se perder por ruazinhas sensacionais, com muitos cafés e restaurantes estilosos.

Foram três noites por lá, o que me pareceu mais do que suficiente para conhecer tudo – mas eu poderia ter passado mais tempo, só para relaxar.

Hoi An é conhecida mundialmente pela qualidade dos seus tecidos e por isso também é o lugar perfeito para encher a mala de roupas. A cidade é lotada de lojas que fazem qualquer modelo que você quiser. É só levar uma foto daquele vestido com o qual você sonha, tirar as medidas e voltar para buscar no dia seguinte. Para quem não levou nenhuma foto, as próprias lojas se encarregam de mostrar um catálogo com recortes de revistas europeias. Tudo, claro, por uma bagatela e de ótima qualidade. Talvez você tenha que fazer um ou outro ajuste quando voltar para casa, mesmo assim vale a pena. Para quem quiser aproveitar, recomendo a loja Yali (www.yalycouture.com).

Mulheres, cuidado com a emoção na hora de experimentar um ao dai, aquele vestido típico das vietnamitas. Eles são lindos nas mulheres locais, mas ficam parecendo fantasias quando experimentados na sua casa, no Brasil.

Como cheguei: De avião, pousando em Danang. De lá, a van do hotel me levou a Hoi An.

Quanto tempo fiquei: 3 noites e 3 dias e meio.

Quanto tempo recomendo: Para quem quer descansar e aproveitar uma praia, o tempo que fiquei é ótimo. Quem não quer saber de litoral vietnamita mas não dispensa a chance de fazer algumas roupas precisa ficar no mínimo duas noites.

Panorâmica de Hoi an

Jovens trabalhando para fazer roupas

China Beach, a própria

 

– Hue (Vietnã)

Hue é a antiga capital imperial do Vietnã e também um dos locais mais bombardeados da Guerra Americana.

É interessante passar um tempo por lá para conhecer o que restou dos palácios da dinastia Nguyen, visitar as tumbas dos antigos imperadores e, talvez para os mais fanáticos, fazer uma excursão até a DMZ, ou a zona desmilitarizada, para conhecer Khe Sahn, palco da batalha mais sangrenta da guerra.

Uma única tarde é mais do que suficiente para ver a cidade imperial. Já para ver as tumbas dos imperadores, reserve umas 5 horas e aproveite para ir até elas pelo rio Perfume, mais interessante do que simplesmente pegar um táxi.

Antes que eu me esqueça: para ir de Hoi An a Hue, busquei informações na internet e acabei alugando um carro com motorista para o trajeto, que é feito pela “passagem Hoi Van”. Reza a lenda que essa é uma das paisagens mais lindas do Vietnã. Realmente é muito bonita, mas não é nada que um brasileiro não tenha visto em qualquer praia nacional. Minha recomendação é: não perca seu tempo só por isso.

Quanto tempo fiquei: Duas noites.

Quanto tempo recomendo: Uma tarde, uma noite e um dia inteiro é o bastante para conhecer Hue, fazer um passeio pelo rio Perfume e conhecer as tumbas dos antigos imperadores. Se você quiser ir até a DMZ, reserve mais um dia.

A antiga cidade proibida dos vietnamitas

 

– Hanói (Vietnã)

É incrível como uma cidade tão suja, barulhenta e caótica quanto Hanói consegue ser tão charmosa.

Minha aposta vai toda para os prédios de arquitetura francesa e para os seus parques e lagos. Provavelmente é isso que torna Hanói uma cidade bem mais agradável que Ho Chi Minh City, porque o resto é igualzinho: os mesmos motoristas de moto-táxi apurrinhando, o mesmo trânsito enlouquecedor, a mesma barulheira, a mesma sujeirada nas ruas, a mesmíssima zoeira.

Vale passar uns dias por lá, caminhar pelas ruas do centro antigo descobrindo lojinhas estranhas e restaurantes ótimos, acordar às 5h para ver a movimentação de pessoas nos parques se exercitando, ver a opulência comunista ao redor da memória de Ho Chi Minh e conhecer o fantástico Museu de Etnologia.

Quanto tempo fiquei: Entre idas e vindas a Sa Pa e à baía de Halong, foram 3 noites e 3 dias e meio.

Quanto tempo recomendo: O tempo que passei foi excelente, mas um dia a mais também seria bem aproveitado.

Um classico de Hanói

Exercícios matinais

 

Mausoléu de Ho Chi Minh

Zoeira em Hanói também

Releve. Para eles, isso é apenas proteína

 

– Sa Pa (Vietnã)

A cidade mais famosa das montanhas vietnamitas foi um pouco decepcionante. Por tudo que eu li nos guias, esperava um lugar bucólico, mas não foi bem assim.

As montanhas ao redor da cidade são, sim, lindas. Os terraços e mais terraços de arrozais são uma visão incrível. Mas a cidade em si não é. Vale conhecê-la para visitar as tribos da região, como os H’mong negros, cujas mulheres só se vestem de preto, as Dzao vermelhas, que usam um lenço vermelho na cabeça, e as H’mong floridas, que se vestem com cores espalhafatosas. Mas não espere nenhuma tribo selvagem, porque todo mundo ali já sabe que turismo significa dinheiro, o que deixa tudo com uma cara de Disneylândia.

Até mesmo o mercado de Bac Ha, uma cidade minúscula e distante 3 horas de Sa Pa, virou uma grande atração turística – apesar de ainda manter características muito genuínas, como as rodas de negociação de búfalos e cavalos e até mesmo os restaurantes com carne de cachorro. Para visitar as tribos de Sa Pa, não é necessário ter um tour. É possível fazer tudo sem ajuda. Já para ir até Bac Ha foi necessário alugar um carro ou entrar em uma excursão.

Como cheguei: De trem noturno até Lao Cai, com cabines para todos os gostos e bolsos. De lá, várias vans fazem o trajeto de 30 minutos até Sa Pa. Para ir a Bac Ha, usei um carro alugado pelo meu guia.

Quanto tempo fiquei: Uma noite e dois dias inteiros.

Quanto tempo recomendo: Depende. Para conhecer Sa Pa e suas principais atrações, um dia inteiro é o bastante. Mas para ir a Bac Ha ou outras cidades vizinhas, é preciso no mínimo o tempo que eu passei.

Uma menina “flower hmong”

Duas Red Zao

Flower hmongs

Red zaos perseguindo uma turista. É bem assim

 

– Baía de Halong (Vietnã)

A baía de Halong foi o ponto alto da visita ao Vietnã e me arrepio até hoje.

Felizmente posso dizer que já vi cenários naturais fantásticos nas minhas viagens, mas entre vulcões ativos, noites estreladas em desertos e montanhas cobertas de neve, a baía de Halong fica entre as mais belas paisagens.

Todos os clichês para descrever cenas valem para ela: é de tirar o fôlego, é de não acreditar nos seus olhos, é de cair o queixo, etc. Para você ter uma idéia, a região de Phuket, na Tailândia, famosa por causa de um mesmo tipo de paisagem (as ilhas de calcário que parecem brotar do mar) tem “apenas” 300 ilhas, enquanto a baía de Halong tem 1969. E se contarmos as ilhas que fazem parte das outras baías próximas, são quase 3 mil.

Se soubesse que Halong era tão linda, teria ficado no mínimo duas noites no barco. E falando em barco, o tour contratado ajudou a fazer de Halong algo tão incrível. Tive uma sorte monumental e peguei o passeio sozinho, com a embarcação e a equipe só para mim e para a minha mulher. Foram 6 horas de passeio de caiaque entre praias, cavernas, lagoas, e túneis, vendo animais selvagens e cenas impossíveis de descrever.

Para saber como é, só indo lá para ver ao vivo.

Como cheguei: De carro. Três horas de viagem desde Hanói.

Quanto tempo fiquei: Uma tarde, uma noite e uma manhã.

Quanto tempo recomendo: No mínimo duas noites no barco, mas existem tours com mais tempo. Eu pensaria seriamente em fazê-los.

 

– Luang Prabang (Laos)

A pequena cidade de Luang Prabang, no Laos, foi o ponto alto de toda a viagem. Talvez tenha sido pela diferença marcante entre a calma laosiana e a correria caótica do Vietnã. Talvez tenha sido o policial da imigração no aeroporto de Luang Prabang, o primeiro funcionário simpático que vi nessa função em minha vida, que me ensinou a falar “bom dia” e “obrigado” na língua local enquanto eu aguardava o meu visto. Não sei. Só sei que Luang Prabang foi a cidade mais acolhedora, aconchegante, tocante, linda e com pessoas mais simpáticas que vi na Ásia (antes de ir para o Irã). Tanto que fiz um post só para ela (e recomendo que você o leia).

Gostaria de ter passado muito mais tempo por lá, até mesmo porque cheguei no início da celebração do ano-novo laosiano, que as pessoas comemoram jogando água umas nas outras, na rua. Algo muito divertido e refrescante no meio de um calor de 40 graus. Certamente voltarei um dia.

Quanto tempo fiquei: Duas noites e três dias.

Quanto tempo recomendo: A cidade é pequena e pode ser conhecida em um dia. Mas vale a pena ficar mais para conhecer tudo que a região oferece. Três noites é o bastante para sair de lá com vontade de ficar muito mais.

 

 

– Bangcoc (Tailândia)

Seria injusto escrever sobre Bangcoc. Meu período por lá foi completamente influenciado pelo fato de eu não aguentar mais calor, trânsito caótico e multidões. Era o fim da viagem e eu estava exausto daquilo. Talvez numa outra oportunidade a capital tailandesa seja melhor aproveitada.

 

Blogs com informações atualizadas

– Vou Contigo Lifestyle 

– Viaggiando

– Melhores Destinos

– Indócil e Indizível

– Turismo Backpacker

Eu Sou à Toa

Outros blogs estão prestes a publicar informações e vou atualizar esta lista sempre que der. Para descobrir ainda mais, acesse o grupo Blogs de Turismo (no Facebook) e pesquise pelos nomes dos países. Tem muito conteúdo lá.

Ah, claro: nunca deixe de conferir o Viaje na Viagem, que sempre tem algo a oferecer.

De resto, aproveite muito e tome um gole de cerveja ou de vinho pensando em mim, por favor. Eu morro de saudades da região.

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    32 Comentários
  1. Olá Gabriel, muito obrigada por partilhar a sua viagem, adorei os posts e fotos, estou a fazer o meu roteiro e deu-me uma grande ajuda. Fico muito grata e nem imagina como o seu blog ajuda. Eu e o meu marido estamos a pensar ir ao Vietname/Camboja/Laos entre Outubro e Dezembro deste ano por isso tenho lido alguns blogs para obter o máximo de informação possível. Tenho uma dúvida em relação a Halong Bay, a subida ao barco é fácil? Conheço imensas Grutas (Na Europa e Cuba) por isso será que valem a pena, e andar de caiaque será tranquilo para mim (tenho 63 anos e sem preparação física)? Um abraço

    • Oi, Anabela. Obrigado pelos elogios. =)
      É difícil dizer se você vai conseguir passear de caiaque, porque eu não conheço você pessoalmente. O que eu posso dizer é que o passeio me pareceu tranquilo. Só tivemos que fazer um pouco de força num único momento. O resto foi calmo.
      Sobre a subida ao barco, depende dele. O meu tinha um pequeno deque, como numa lancha. Tem que ver isso no barco que você escolher.
      Boa sorte, bom passeio e boa viagem para vocês!

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