O cenário é bonito, mas não chega aos pés de qualquer praia brasileira localizada ao norte do Rio Grande do Sul. O clima também não é dos mais agradáveis, com calor além da conta na maior parte do ano e (dizem) até uma friaca considerável durante dois meses.

Ainda assim, não seja louco de perder o Mar Morto em uma visita à Jordânia. Ele é um combo de atrações para quem curte geografia, ciências, história, religião, política e até para quem quer apenas se divertir horrores.

Aliás, principalmente para quem quer apenas se divertir horrores.

Veja essa lista de fatos curiosos sobre ele.

• Há milhares de anos, o Mar Morto fazia parte do Mar Vermelho, que se estendia terra adentro mas recuou por causa dos movimentos das placas tectônicas e deixou para trás dois volumes de água: o próprio Mar Morto e o Mar da Galileia, ao norte, em Israel.

Imagem: Jacques Descloitres, MODIS Rapid Response Team, NASA/GSFC – Domínio público

 

• As praias do Mar Morto são o ponto seco mais baixo da Terra. Na ida até lá, seus ouvidos entopem do mesmo jeito que acontece no pouso de um avião e qualquer recipiente flexível na sua mala é espremido – o que pode causar uma meleca dos infernos se houver algum líquido ou gel neles. A culpa é da pressão atmosférica maior a quase 430 metros abaixo da superfície, onde está o Mar Morto. Não existe lugar mais fundo para você ir no nosso planeta, sem precisar cavar um buraco.

HikrChick (CC BY-NC-SA 2.0)

 

• Com milhares de anos vividos em um lugar considerado a maternidade da civilização, o Mar Morto tem referências que já eram antigas para os avós das civilizações antigas. Bíblia? Moleza: ele viu tudo e fez parte da vida de vários personagens citados nela. Também fez parte da história de nabateus, egípcios e de um mundo de outros povos que habitam ou habitavam as redondezas. Até as estátuas consideradas as mais antigas do planeta (de 6000 a.C., expostas em Amã) têm elementos dele.

Foto: Autor desconhecido – Domínio público

 

• O Mar Morto já foi chamado de Mar de Piche e foi fundamental na indústria naval antiga e em rituais religiosos egípcios. Isso porque até os anos 1930 sua superfície era coberta de betume, uma substância usada para impermeabilizar os barcos de antigamente e também para mumificar corpos.

• O Mar Morto é dividido entre 3 países, em ordem decrescente de tamanho de litoral: Jordânia, Cisjordânia (Palestina) e Israel.

 

• A Jordânia já foi dona de um pedaço da margem oeste do Mar Morto, mas perdeu para Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

• Ele já foi chamado de Mar de Sal, Mar de Aravá (nome de uma região próxima), Mar do Leste, Mar de Lot (o personagem bíblico salvo da destruição de Sodoma e Gomorra), Mar de Zoara (nome de uma cidade antiga), entre outros. Mas, na verdade, o Mar Morto é um lago.

Charles Leonard Irby (1823) – Domínio público

 

• “Mar Fedido” (Stinking Sea) também foi um dos seus nomes. O motivo? O cheirinho de esgoto da lama que existe nele e que é vendida por aí como tratamento de beleza. Pode até ser um baita tratamento mesmo, não sou cientista para duvidar disso. Mas fede.

 

• O Mar Morto tem esse nome porque é impossível sobreviver dentro dele se você não for uma das poucas bactérias ou fungos que existem lá. Dizem que os peixes que eventualmente caem, trazidos pelo Rio Jordão, morrem logo que entram. Nem barata consegue aguentar.

 

• O nome atual foi dado pelo geógrafo, historiador e viajante grego Pausânias, que viveu entre 115 e 180 d.C. e percebeu que nada conseguia vingar naquele monte de água.

• Essa impossibilidade de qualquer bicho sobreviver no Mar Morto acontece pela quantidade absurda de sal dentro dele. Suas águas têm salinidade quase 10 vezes maior do que os oceanos.

Dan Mason (CC BY-NC-SA 2.0)

 

• O excesso de sal é resultado de uma equação científica bem simples. O Rio Jordão é rico em minerais e leva essa riqueza para dentro do Mar Morto. Só que o Mar Morto não tem uma saída para o que recebe e acaba acumulando tudo. Como ele também tem uma evaporação gigantesca por causa das temperaturas altas, sobra um monte de sal misturado em pouquíssima água. A proporção fica desproporcional e dá nisso aí.

• Outro resultado da equação acima também é a maior diversão de uma visita ao Mar Morto: por causa da quantidade enorme de sal (que aumenta a densidade da água, como você aprendeu no colégio) é impossível afundar naturalmente nele. No momento em que você se joga na água, boia sem fazer o menor esforço. Dá para ficar de costas, de lado, de bruços, ler um jornal, um livro ou até levar o seu iPad. A sensação é indescritível. Como o Lonely Planet diz, é uma das experiências mais extraordinárias que você pode ter na água.

 

• É divertido mas é preciso ter alguns cuidados. Não se deve nunca mergulhar o rosto na água, por exemplo, porque o sal arde como pimenta nos olhos. Também não é recomendado fazer a barba nem se depilar pouco antes, porque qualquer microcorte vai ser descoberto a cada gotinha que encostar na sua pele. E uma dica pessoal: cuidado com seus lábios. O ar da Jordânia é seco e racha toda a boca. Se você fizer que nem eu e esfregar mão nos lábios sem querer, vai sofrer bastante.

 

• A água do Mar Morto é considerada um remédio para vários tipos de doenças, o que faz um monte de gente ir para lá só para se tratar.

 

• Não se deve entrar no Mar Morto sem ter um chuveiro por perto (todos os hoteis ao redor têm). Além de salgada, a água também é muito oleosa e você sai como se tivesse mergulhado num pote de azeite. Ninguém quer se vestir nessa situação.

• Falando em roupas, é possível se divertir à vontade de biquíni, maiô, sunga ou bermuda no Mar Morto, mas apenas nos hotéis. Em praias públicas (que, aliás, são pagas), é bom ser discreto/discreta e cair na água com uma camiseta e uma bermuda mesmo. Não é uma obrigação – a Jordânia não é o Irã – mas é recomendável para respeitar os costumes locais.

ATUALIZAÇÃO: Segundo a leitora Natalia (veja nos comentários), dá para usar biquíni, maiô e tal nas praias públicas do Mar Morto. Que bom.

 

• Parece piada, mas o Mar Morto está morrendo de verdade e diminui de tamanho a cada ano. Isso acontece pelo uso descontrolado e exagerado da água do Rio Jordão, o maior (e praticamente o único) alimentador do Mar Morto. Hoje, o Rio Jordão tem um volume de água que não chega a 10% do que era em 1900, e o Mar perdeu 30% do tamanho nos últimos 60 anos. Os governos de Israel e Jordânia têm planos de levar água do Mar Vermelho até ele, mas o negócio não é fácil e ainda vai levar bastante tempo para acontecer – se acontecer.

Imagem: NASA Goddard Photo and Video’s photostream – Domínio público

 

Ou seja: se você curte geografia, ciências, história, religião, política ou quer apenas divertir horrores, é melhor correr para lá.

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Gabriel Quer Viajar foi para a Jordânia em uma press trip oferecida pela Jordan Tourism Board, em março de 2013. E vai voltar para lá em outubro de 2014, desta vez totalmente independente.

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Leia também o post A Jordânia na Prática, com dicas para ir para lá.

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    6 Comentários
  1. Que coisa ótima esse retorno… Quantos dias? Só Jordânia?

    • Na região, só Jordânia. Depois vem um outro país na Europa, que será divulgado no momento oportuno. =)

  2. nossa deve ser incrível memso conhecer o mar morto!

  3. Bom dia. Gostaria se possível de contato para informações mais detalhadas. Tenho planos de viajar em projeto semelhante. Abraço.

  4. Voltei daí tem uns 15 dias. Fui na praia “pública” e tinha bastante gente de maiô/biquíni. Fui de maiô e se não fossem as tattoos, tinha passado despercebida…

  5. Gabriel, parabéns pela forma de escrever. Direto ao assunto, várias informações, sem intimidades, e da mesma forma fácil. Vou me inspirar para começar a escrever mais no meu site. Um abraço, excelente 2015.

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