Quando pensamos em roteiros e países para se conhecer pedalando, a Holanda é, sem dúvidas, um dos primeiros nomes que nos vem à mente, mas você sabia que a Alemanha tem algumas das melhores rotas para se viajar de bike? Pois é, caro leitor, esse país, queridinho do Sundaycooks, tem mais de 200 rotas diferentes que vão desde alpes a vinhedos, de cervejarias a castelos, sempre passando por belíssimas paisagens.

Por exemplo, quando estávamos no Castelo de Nymphenburg em Munique, encontramos dois senhores belgas com suas bikes e eles nos contaram que estavam fazendo uma viagem pelo país 100% pedalando 😀

Guia de Nuremberg - Vista do alto 2

Como é viajar de bicicleta pela Alemanha?

Para trazer amis informações para vocês sobre como é viajar de bicicleta pela Alemanha, entrevistamos uma galerinha que tem duas paixões em comum: o mundo das viagens e a magrela 😛

Nossa primeira entrevistada é a Renata Falzoni, fotógrafa, videorrepórter, bike repórter e cicloativista, uma referência aqui no Brasil para assuntos relacionados ao mundo das bicicletas. Entrevistamos também o José Ramalho, autor de diversos livros, viajante convicto, documentarista e co-apresentador das quatro temporadas do programa 50×1 da Record, e o Paulinho do Sampa Bikers, um projeto super bacana que reúne a galera que adora pedalar em passeios por São Paulo e fazer cicloviagens pelo mundo todo.

Além de serem referências no assunto, eles já viajaram de bicicleta pela Alemanha e puderam nos contar como foi a experiência de pedalar pelo país. O que será que eles acharam? 😀

Guia de Heidelberg na Alemanha - Bye bye...

Sunday: Você concorda que a Alemanha é um país incrível para quem gosta de fazer roteiros de bicicleta?

Renata: A Alemanha é um país incrível e sua população tem uma forte formação de cidadania. Logo aos oito anos de idade, as crianças aprendem a pedalar nas escolas, com isso, todos se respeitam muito nas ruas e calçadas. O país tem 70 mil km de ciclovias, o que permite o ciclista circular por todas as regiões com segurança, tranquilidade e principalmente alegria no seu deslocamento. É de longe o melhor país para se viajar de bicicleta que eu conheço!

Ramalho: A Alemanha é o melhor país para se viajar de bike, supera Holanda e França que ficam respectivamente em segundo e terceiro lugar no meu ranking de países amigos do pedal.

Paulinho: Concordo totalmente e completo:

É o melhor país do planeta para cicloviagens, pois existem rotas para todos os níveis de ciclistas – seja na trilha ou na ciclovia. Tudo sinalizado e com muita segurança e respeito. Sem contar a beleza da natureza e das cidades, a boa comida, as cervejas e também o excelente atendimento e simpatia do povo alemão.

Há sete anos organizo viagens por lá e em todos os anos os brasileiros se surpreendem com a simpatia do povo. Alegre, festeiro, educado… bem diferente do que falam por aqui, que são um povo frio e duro. Adoro pedalar na Alemanha, é o meu país preferido para andar de bicicleta e olha que já viajei muito por aí 😉

Cenas de Munique - Bicicletas em MuniqueCentro histórico de Munique - Freirinha e sua bicicleta

Sunday: Qual é sua rota favorita dentro do país?

Renata: Todas as rotas na Alemanha são pensadas para serem ao mesmo tempo agradáveis, sossegadas e lindas. Mas eu adoro a Via Claudia Augusta que sai da cidade de Donauwörth, segue para o sul em direção a Augusburg, a antiga capital do Império Romano germânico, cruza os alpes e chega em Veneza na Itália. Veja aqui o mapa.

A cidade de Füssen na Baviera é linda assim como todo o seu redor. Pedalar ao redor do lago é maravilhoso.

Castelos da Alemanha - Vista aérea do Castelo Hohen Schwangau

Ramalho: A Rota Romântica, sem dúvida. O trecho entre Füssen e Donauwörth é muito lindo e fácil de pedalar. Você não fica mais de 20 km longe de uma cidade e o relevo ajuda muito.

Paulinho: Humm… essa pergunta é muito difícil, mas eu diria a Rota dos Castelos, que vai de Heildeberg até Rothenburg.

Dicas para dirigir na Alemanha - Rodovia pequena

Sunday: Quais cuidados devemos ter ao viajar de bicicleta pela Alemanha?

Renata: O principal cuidado ao viajar de bike na Alemanha é – como sempre por lá – estar sempre dentro das regras. Os alemães não toleram, o que é muito bom, quebras de regras. Leis e regras valem para todos, por isso é imprescindível sempre pedalar nas ciclovias e onde estiver sinalizado, pois existe muito pouco compartilhamento de motoristas com ciclistas e quase todas as rotas de ciclistas são segregadas.

Outra recomendação importante é estar com a bicicleta de acordo, em perfeitas condições de uso. Lanternas na frente e atrás são obrigatórias. Pedalar no escuro sem farol dá multa e o ciclista pode ter a certeza de que encontrará um guarda para multar. É incrível, você não vê guardas, mas na hora que fizer algum delito, será flagrado.

Outra regra: não se pode beber e pedalar!

10 mitos sobre a Alemanha - jardim em Stuttgart

Ramalho: O maior cuidado é acabar se empolgando e não querer voltar mais. Lá o respeito à bike é total. Na verdade, para nós brasileiros, o desafio é seguir as orientações de trânsito, que muitos ignoram. Na Alemanha é possível ir para todos os lugares de bike, mas as ruas de pedestres precisam ser tratadas como tal, devendo-se empurrar as bicicletas, ao invés de pedalar. E se não o fizer, poderá levar umas broncas ou até ser multado se der azar.

Paulinho: O principal cuidado é respeitar. Como aqui no Brasil a maioria das pessoas não está acostumada a pedalar em ciclovias, quando chega lá fica deslumbrado. É muito comum os ciclistas brasileiros pararem de uma vez na ciclovia para fotografar, encantado com alguma paisagem, o problema é que isso pode causar acidentes com outros ciclistas quem vêm atrás.

Sunday: Uma dúvida recorrente nas caixas de comentários do blog é sobre os trens? Como funciona o transporte das bikes pelos trens da Alemanha?

Renata: Na Alemanha e em praticamente toda a Europa, você pode colocar a bike dentro de trens locais, aqueles que não são expressos, cujos vagões especiais são bem visíveis e sempre bem sinalizados. Apesar de ser uma viagem mais lenta nesses trens, é tudo bem fácil.

Clima na Alemanha - Primavera em Munique

Ramalho: A maioria das rotas de trem alemãs permite levar as bikes em vagões específicos, identificados pelo símbolo de uma bicicleta nas portas. Contudo, não é toda linha que permite isso e, em alguns casos, é preciso pagar uma taxa extra para transportá-las. Na minha opinião, a melhor maneira de saber quando e onde você poderá levar sua bike é se informar diretamente nas estações.

Paulinho: Na maioria das linhas existe um vagão para bicicletas, bastando apenas se informar nas estações.

Sunday: Você poderia deixar algumas dicas e informações sobre o planejamento desse tipo de viagem pela Alemanha?

Renata: Planejamento antes de qualquer viagem é bom, no entanto na Alemanha você pode se dar ao luxo de pedalar sem muito planejamento, em especial no começo e no final das temporadas, pois existe muita estrutura ao longo das cicloestradas. Você pode, por exemplo, se hospedar em alguns bons albergues para ciclistas estilo bed and breakfast, muito comuns ao longo das rotas.

Saber ler mapa também é muito bom e é preciso estar bastante atento à sinalização, pois as setas são visíveis, mas pequenas, e, às vezes, um arbusto ou uma árvore tampa a visibilidade, portanto é preciso estar bem esperto na hora de navegar. Existem também guias, geralmente em alemão, das rotas de cicloviagens do país e ter um guia desses sempre visível no guidão na frente da bicicleta é uma boa ideia.

Quando não se tem tudo planejado, eu também recomendo viajar em grupos enxutos, de 2 a 3 pessoas no máximo, para facilitar a dinâmica da viagem, permitindo que se encontre local para dormir e comer mais facilmente, além de nunca se estar só!

Castelo de Nymphenburg - Fotógrafo ;)

Ramalho: Se você for levar sua bike, escolha bem a companhia aérea, pois algumas não cobram nada pelo transporte e outras cobram de 70 a 100 dólares por cada trecho.  Sua maior preocupação é saber trocar uma câmera de pneu e levar as ferramentas básicas para esse tipo de conserto.

Se você for reservar hotel previamente, verifique se ele tem lugar para bikes, pois alguns podem não oferecer esse espaço nem permitir que você leve a magrela para o quarto.

Paulinho: A primeira para quem não quer viajar sozinho e quer algo organizado é visitar o site do Sampa Bikers e participar de alguma ciclo viagem que organizamos por lá. Se quiser ir sozinho, também é possível pesquisar nos sites das cidades por informações sobre as rotas existentes.

Passeio em Frankfurt - Treino de remo

Conclusão

Eu sempre digo que motivos para se apaixonar pela Alemanha não faltam. Agora você tem mais essa opção de roteiro: viajar pelos quatro cantos do país em cima de uma bicicleta 😉

Você também pode encontrar muita informação interessante sobre todas as rotas de bicicletas na Alemanha no site oficial do Turismo Alemão.

Até eu fiquei empolgado com essa possibilidade.

E aí, Fred? Topa viajar pela Rota Romântica de bike? 😛

Clique aqui para conferir todas as nossas dicas e roteiros da Alemanha \o/

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    18 Comentários
  1. Ainda não pedalei na Alemanha… mas Copenhagen é sensacional! Vc vai para todo lugar de bike e tem uma baita estrutura para estacionar e controlar o tráfego. =)

    • Oi Fábio. Que bom saber que Copenhagen é legal também 🙂 A Europa é bem mais bike friendly que aqui, né?

  2. Meu plano é justamente fazer a Rota Romântica de bicicleta! Seria esse ano, mas uma promoção de passagem para a Bulgária acabou mudando meu caminho. rsrs Mas do ano que vem não passa! 🙂

    • Camila, se de carro já é uma rota linda, imagina de bicicleta! Nós só precisamos deixar de ser sedentários pra tentar 😛

  3. Vocês foram perfeitos nas informações e gostei do bom humor também. Parabéns a todos.
    Irei pedalar na Alemanha com minha esposa em agosto/2014 e agradeço pelas informações postadas.

  4. O que eu posso dizer é o seguinte. Viajar de bicicleta pela Europa é muito legal e fácil, eu, um já sexagenario, fiz uma viagem de Tamins na Suiça , nascente do rio Reno, até Roterdan na Holanda, acompanhando o rio, passando pela Áustria, França,Alemanha, Holanda, sem saber falar inlgles ou alemão, mal sabendo um pouco de hespanhol. Com isso posso dizer se você quiser, com um pouco de organização, e muita vontade, você consegue. O meu passeio foi de 1320 km em dez dias e meio.

    • Que roteiro incrível, Moacir!

      Verdadeira fonte de inspiração 😀 Obrigada por compartilhar sua experiência conosco.

    • Gostaria de poder entrar em contato com o Moacir Moraes Wagner que pedalou pela europa partindo de Tamis, na Suíça. Pretendo fazer o mesmo.
      Grato e parabéns pelo site.

    • Oi Dimas, infelizmente não posso passar os contatos que ele deixou aqui no blog. Já tentou procurar por ele no google ou no facebook? Quem sabe?

  5. Oi Natalie e Fred! Antes de tudo obrigado por compartilharem estas informações, pois em muito nos tranquilizam um preparo para uma viagem. Eu já faço turismo de bike no Brasil desde 2002. Em novembro do ano passado fui só a Europa e me encorajei a fazê-lo fora também, no caso Portugal. Agora pretendo o mesmo em novembro deste ano em Berlim. Só que pretendo ir a Potsdam num bate e volta e depois Dresden também. Espero que os trens ou ônibus para Dresden permitam que eu leve uma bike dobrável. Farei apenas turismo “interno” de bike, com deslocamentos apenas dentro das cidades, já que de uma para outra pretendo, como descrito, usar daqueles transportes. O detalhe é que irei comprar a bike dobrável em Berlim. Abs

    • Oi Jeferson.

      Uma bike dobrável pode ficar pequena e ser considerada uma “mala”, então não acho que haja problema de entrar com uma dobrada nos trens, trams, metrôs ou ônibus 🙂 Agora, se ela estiver “aberta”, daí acho melhor vc perguntar na hora de entrar, pois eles têm vagões especiais para elas.

  6. Olá Fred
    Pretendemos viajar pela Alemanha com nykes e trem. Nós pretendemos comprar duas, usadas mas novas, e depois trazer para o Brasil. Vc acha boa idéia ou devemos alugar? Vamos escolher a rota dos castelos, e será que podemos ir do hotel (B&B)aos castelos que ficam sempre no alto de bykes?

    • Oi TOninho. A Alemanha é um dos melhores países mais bike friendly que existe. Nós fizemos a rota romântica de carro e todas as cidades tinhas estradas específicas para as bikes e sempre encontrávamos o pessoal chegando nos lugares com elas. Talvez a subida seja íngreme para os castelos, mas nada impede que você vá até lá.

  7. Pedalar na Alemanha é muito gostoso, fácil e emocionante. Não há qualquer mistério. A começar pela viagem, houve aqui um equívoco ao dizerem que tem empresas que cobra taxa para o embarque da bike. Nada disso, pois se a passagem aérea for comprada no Brasil, a sua magrela vai e vem de graça, como uma bagagem comum, dentro da sua franquia de duas malas de 32 kg cada. Uma pequena correção do que informou a Renata: lá não há 70.000km de ciclovias, e sim de rotas ciclística, que são formadas de ciclovias, a maioria no perímetro urbano – onde só trafegam bicicletas; as estradas para bicicletas (asfaltadas ou de terra) – essas são mais largas que as ciclovias, e nelas você vê de tudo: caminhantes, corredores, pessoas passeando com cachorros, patinadores, esqueitistas, cadeiras de rodas motorizadas, idosos com andadores e até veículos que lá podem trafegar com baixa velocidade para acessar algum sítio ou mesmo residência que ficam nas margens dessas rotas; e, por fim, rotas compartilhadas com veículos em rodovias secundárias – nessas rotas, que você pode acessar ao ver o símbolo da bicicleta e a palavra “mágica” FREI, não costuma ter acostamento e nem precisa, pois os veículos passam devagar e bem longe do ciclista, reduzindo ao mínimo o risco de atropelamento. Todos esses tipos de vias são roteáveis, de forma que com o GPS não há perigo de se perder; aliás, recomendo o uso do GPS, pois com tantas rotas é muito difícil a orientação apenas com mapas e pela sinalização. Desde de 2014 tenho ido anualmente na Alemanha. Já pedalei do extremo oeste até Berlim e desta cidade para a região da Baviera (destacando-se Munique, Regensburg e Passau. Cicloviajei também para o extremo norte, passando por Puttegarden, em direção à Copenhague. Gosto tanto de pedalar naquele país, que tenho uma bicicleta guardada lá, na casa da minha filha que mora em Hamburgo. Recomendo a todos que pedalem naquele paraíso das bikes.

    • Obrigado pelas dicas, Wagner 🙂

      A questão das malas, podem ocorrer cobranças sim, pois ela se encaixa na categoria de bagagem especial e de medidas grandes, mesmo que abaixo de 32kg. Algumas empresas podem liberar por alguma regra interna, mas elas podem cobrar sim 🙁 A mesma coisa com relação às bicicletas em trens e metrôs. Em alguns lugares não cobram, em outros você precisa de um ticket extra.

      Então é melhor estar preparado para pagar e ter a surpresa de não precisar, que pensar que não precisa e chegar lá e precisar 😉

  8. Olá Fred,
    Eu e minha esposa pretendemos viajar de bike a partir de Berlim até Santiago de Compostela. Já ví pelo Google Maps que gira em torno de 3.000 km, saindo de Berlim, passando pela rota romântica, Suíça, França e finalmente Espanha. Será que eu consigo pela internet as rotas de cicloturismo para esse percurso? Acredito que na Alemanha e Espanha não haja problema, mas não tenho visto nada sobre as rotas da Suiça e França. Vc pode nos ajudar?

    • Oi Clovis, infelizmente eu não conheço sites que tenham essa informação, mas tenho certeza de que há muitos forums por aí que têm 😉 E o google maps também dá rota de bicicleta que pode ajudar.

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