“Geórgia?!… Hm… É nos Estados Unidos?

Se você se fez a pergunta acima quando leu o título deste post, não se preocupe. Eu venho escutando ela de quase todas as pessoas para quem revelo um dos destinos da minha próxima viagem. E acho bem normal, até. A Geórgia dos Estados Unidos é muito mais famosa do que a Geórgia da Europa. Ela tem Atlanta, tem a Coca-Cola, teve Olimpíada em 1996.

David Fielke (CC BY-NC-ND 2.0)

Só que a Geórgia da Europa não deve ser esquecida, muito menos por quem gosta de paisagens lindíssimas, histórias incríveis, ex-repúblicas soviéticas, povos hospitaleiros e lugares diferentes no nosso mundinho.

Irei para lá entre outubro e novembro, na mesma viagem em que visitarei a Jordânia. Aliás, essa combinação de países não faz o menor sentido, mas não vou me preocupar em explicar agora. Para o momento, vamos ao que interessa: por que eu resolvi ir para a Geórgia?

– Para também me apaixonar por Tbilisi, a capital do país.

Na verdade, eu só me interessei pela Geórgia depois de ler uma reportagem sobre Tbilisi em uma revista gringa que não lembro mais o nome. Nela, o autor se desmancha em elogios à cidade em vários aspectos – elogios que são repetidos em todas as referências que busco enquanto monto o roteiro. A vontade de conhecer Tbilisi já é tanta que eu poderia passar todos os meus dias de férias só lá. Mas a Geórgia tem muito mais.

aellin (CC BY-SA 2.0)

shioshvili (CC BY-SA 2.0)

…olli… (CC BY-NC-ND 2.0)

…olli… (CC BY-NC-ND 2.0)

…olli… (CC BY-NC-ND 2.0)

DDohler (CC BY 2.0)

bonstormer (CC BY 2.0)

Sarah Murray (CC BY-SA 2.0)

Lily Abagyan (CC BY-NC-ND 2.0)

Alix Kroeger (CC BY-SA 2.0)

Thomas Depenbusch (CC BY 2.0)

Yevgeniy Shpika (CC BY-NC-ND 2.0)

Thomas (CC BY-NC-ND 2.0)

Yevgeniy Shpika (CC BY-NC-ND 2.0)

 

– Para conhecer Tbilisi antes que ela mude para pior.

Nate Robert é um grande viajante, dono de uma visão e um estilo de viagem com o qual eu me identifico bastante. Depois de passar por Tbilisi, Nate escreveu este post onde mostra sua preocupação com o que ele classifica como “o nascimento de uma armadilha para turistas”, no centro histórico de Tbilisi. Se é verdade, não sei. Só sei que quero ir para lá logo, por segurança.

 

Para ver se é verdade que o país é “um dos mais lindos do mundo”, como o Lonely Planet o define. (OK, o Lonely Planet deve dizer isso para todos, mas a Geórgia é linda, sim. Veja as fotos deste post e tire suas próprias conclusões.)

– Para conhecer mais de um país em apenas um país. A Geórgia é um pouco maior do que a Paraíba, mas tem dois países não-reconhecidos dentro dela: Abecásia e Ossétia do Sul. Foram justamente as lutas pelas independências destes dois países-não-países que geraram as últimas guerras na região.

Ssolbergj e Richard Melo da Silva (CC BY-SA 3.0)

 

– Para carimbar o passaporte na Abecázia. Não tentarei conhecer a Ossétia do Sul porque não terei tempo para tantas coisas e porque dizem que é mais difícil entrar lá do que na Abecázia.

Bandeira da Abecázia – Achim1999 (domínio público) 

arcsi (CC BY-NC-SA 2.0)

arcsi (CC BY-NC-SA 2.0)

mikesub (CC BY-NC-ND 2.0)

mikesub (CC BY-NC-ND 2.0)

 

– Para dar uma olhada em como é um país que saiu de uma guerra com a Rússia há apenas 6 anos.

Yana Amelina (CC BY-SA 3.0)

 

– Para ver um pedacinho da famosa região do Cáucaso, tão falada nas últimas décadas.

O cáucaso. (Arte original: Bourrichon CC BY-SA 3.0)

 

– Para babar na cadeia de montanhas do Cáucaso, uma região lindíssima, como você pode ver nas fotos.

– Para passear calmamente por um país que vem conseguindo viver em paz no meio de uma região bem conturbada.

– Para viver alguns dias como vizinho de lugares que eu visitei virtualmente na série Planetóvski Rússia: Daguestão, Chechênia, InguchétiaOssétia do Norte, Cabárdia-Balcária e Carachai-Circássia.

Kbh3rd (CC BY-SA 3.0)

 

– Para conhecer a região onde dizem que surgiu o homem caucasiano.

– Para conhecer o povo que diz ter inventado o vinho. Sério: as evidências de produção de vinho na Geórgia têm 7000 anos e, segundo o Lonely Planet, das duas mil variedades de uva do mundo, 500 são georgianas.

Pablo Andrés Rivero (CC BY-NC-ND 2.0)

 

– Para comer khachapuri, um prato típico de lá, que tem versões diferentes em cada região do país. Basicamente, é uma massa com muito queijo. Dizem que cura a ressaca desse vinho todo aí de cima.

Robyn Lee (CC BY-NC-ND 2.0)

 

– Para visitar a região onde, segundo a mitologia grega, os argonautas capturaram o Velocínio de Ouro. (Saiba que história é essa aqui.)

Herbert James Draper – The Golden Fleece

 

– Para conhecer Kutaisi, antiga capital do antigo reino de Cólquida, que aparece na história mitológica dos argonautas.

Roberto Strauss (CC BY-SA 2.0)

Marco Fieber (CC BY-NC-ND 2.0)

 

– Para me perder em um lugar meio Europa, meio Ásia, já que a Geórgia é considerada europeia, mas em território asiático.

Em azul escuro: países europeus em terras asiáticas. Na seta vermelha, a Geórgia (Fonte)

 

– Para ver igrejas com a arquitetura medieval cristã do Cáucaso, geralmente construídas em lugares embasbacantes.

Marco Fieber (CC BY-NC-ND 2.0)

young shanahan (CC BY 2.0) 

Ilona Margalitadze (CC BY 2.0)

Alix Kroeger (CC BY-SA 2.0)

Jordan Sitkin (CC BY-NC-SA 2.0)

Jeff Hay (CC BY-NC 2.0)

Вадим Туркин (CC BY-NC-SA 2.0)

 

– Para visitar um dos primeiros reinos cristãos do mundo.

– Para não rezar em um país cristão-ortodoxo.

Yevgeniy Shpika (CC BY-NC-ND 2.0)

 

– Para conhecer Gori, a cidade onde nasceu o ditador mais sanguinário da história: Iosif Jughashvili, mais conhecido como Josef Stalin.

A máscara mortuária do sujeito, no Museu Stalin. Foto: Susan (CC BY-NC-SA 2.0)

 

– Porque os georgianos têm uma lenda interessante sobre a terra deles, que rivaliza com a nossa crença de que deus é brasileiro. Segundo ela, deus dividiu o mundo entre todos os povos e deixou os georgianos por último. Quando chegou neles, foi recebido com vinho, música e festa e ficou tão feliz com aquelas pessoas que resolveu dar a elas o pedaço da Terra que havia reservado para ele mesmo. Não é bonitinho?

– Para ficar num hostel em um país onde o primeiro lugar deste tipo abriu apenas em 2010.

– Para aprender um pouco de georgiano, uma língua que só é falada lá e que tem um alfabeto exclusivo (e lindo). Ou seja: uma língua falada e escrita por apenas 4 milhões de pessoas no mundo.

neiljs (CC BY 2.0)

 

– Para visitar Mtskheta, a antiga capital do país. Um lugar habitado há 4000 anos, onde estão algumas igrejas consideradas Patrimônio da Humanidade: Svetitskhoveli (século 11), Jvari (séculos 6-7) e o monastério de Samtavro (século 6).

Kris Duda (CC BY-SA 2.0)

Henning(i) (CC BY-NC-SA 2.0)

Vladimer Shioshvili (CC BY-SA 2.0)

 

– Para comprar lembranças em cloisonné, um estilo de arte que tem raízes na Geórgia. E para trazer algo para a Lojinha também (façam suas reservas, o Natal vem aí).

Tríptico de Khakhuli, um dos maiores exemplos de cloisonné. Está no Museu de Arte da Georgia, em Tbilisi

 

– Para achar lindo o Forte Ananuri, considerado uma das construções antigas mais incríveis da Geórgia. Tão lindo que virou capa do Lonely Planet Georgia, Armenia & Azerbaijan.

 

– Para dirigir pela Rodovia Militar Georgiana, que liga Tbilisi à Ossétia do Norte (Rússia), através das montanhas do Cáucaso, passando por um punhado de igrejas e lugares maravilhosos. A rodovia é uma das 3 que atravessam o Cáucaso, pela Geórgia, e é famosa desde muito, muito, muito tempo atrás. Veja o poster dos tempos da União Soviética (abaixo) e leia o post do Pedro sobre ela.

Ilona Margalitadze (CC BY 2.0)

Levan Gokadze (CC BY-SA 2.0)

Henning(i) (CC BY-NC-SA 2.0)

Yevgeniy Shpika (CC BY-NC-ND 2.0)

Levan Gokadze (CC BY-SA 2.0)

Levan Gokadze (CC BY-SA 2.0)

Poster de 1939, de A. Zhitomirsky

 

– Para passar ao lado da Ossétia do Sul, costeada pela Rodovia Militar Georgiana.

– Para dormir do ladinho da Rússia, mais precisamente a 15 km dela, em Stepantsminda, no fim da Rodovia Militar Georgiana, essa cidadezinha feia aqui embaixo.

Saskia Heijltjes (CC BY-SA 2.0)

Stepantsminda (veja aqui no Google Maps)

 

– Para conhecer as atrações ao redor do monastério David Gareja, que dizem ser as mais fantásticas do país.

Adam Brill (CC BY-NC-SA 2.0)

Susan (CC BY-NC-SA 2.0)

 

– Para encher a cara na região de Kakheti, a Serra Gaúcha georgiana.

Khuroshvili Ilya (CC BY-NC-ND 2.0)

Charles Roffey (CC BY-NC-SA 2.0)

Levan Gokadze (CC BY-SA 2.0)

Yevgeniy Shpika (CC BY-NC-ND 2.0)

 

– Para ver alguns bichos diferentes no parque nacional Borjomi-Kharagauli, o primeiro parque de proteção da região do Cáucaso. Segundo o que eu li, 20% dos mamíferos e 25% das plantas do parque só são encontradas lá.

Joe Coyle (CC BY-NC 2.0)

Polscience (domínio público)

 

– Para respirar fundo na região de Svaneti, no topo do Cáucaso, com suas vilas isoladas, Patrimônios da Humanidade.

Вадим Туркин (CC BY-NC-SA 2.0)

Вадим Туркин (CC BY-NC-SA 2.0)

pavel karafiát (CC BY-NC-ND 2.0)

Levan Gokadze (CC BY-SA 2.0)

pavel karafiát (CC BY-NC-ND 2.0)

Вадим Туркин (CC BY-NC-SA 2.0)

 

– Para caminhar por uma praia do Mar Negro, em, Batumi, uma cidade litorânea cheia de prédios bem interessantes (mas com muito poucas fotos deles em Creative Commons, então veja algumas aqui).

Tania Tataata (CC BY-NC-ND 2.0)

Kris Duda (CC BY-SA 2.0)

klaasjan (CC BY-NC-SA 2.0)

klaasjan (CC BY-NC-SA 2.0)

 

– Para exigir bastante das minhas panturrilhas caminhando pela cidade de Vardzia, totalmente esculpida numa montanha.

Lorenzoclick (CC BY-NC 2.0)

Lorenzoclick (CC BY-NC 2.0)

 

– Para me enfiar em Tusheti, uma área praticamente inacessível, no meio do Cáucaso (e onde foi feita a foto inicial deste post, lá em cima). Existem duas formas de se chegar nos pontos mais bonitos de Tusheti: de 4X4 ou de helicóptero. E durante 5 meses por ano, o helicóptero é a única alternativa.

Levan Gokadze (CC BY-SA 2.0)

Martin Lopatka (CC BY-SA 2.0)

Adam Brill (CC BY-NC-SA 2.0)

Ilona Margalitadze (CC BY 2.0)

Levan Gokadze (CC BY-SA 2.0)

David Fielke (CC BY-NC-ND 2.0)

David Fielke (CC BY-NC-ND 2.0)

koka chedia (CC BY-NC-SA 2.0)

 

– Para fazer fotos e colocar tudo em Creative Commons, porque achei que tem muito poucas da Geórgia. Merecia ter mais.

– Porque sei que ainda vou encontrar muito mais atrações ao longo das minhas pesquisas, já que estou apenas no começo.

– Porque a Geórgia vem fazendo um baita esforço para se tornar um país turístico, inclusive liberando a estadia de brasileiros por absurdos 360 dias, sem necessidade de visto. É o lugar perfeito para passar uma boa termporada sabática, hein? (Atualização em 01/01/2015: as regras mudaram. Confirme as informações com a Embaixada da Geórgia no Brasil.)

– Para querer me arrancar as tripas por ter apenas 9 dias por lá e, obviamente, não ter a menor chance de ver nem um terço de tudo que encontrei pesquisando para este post.

– Para ter que voltar.

Enfim, basicamente por isso. Espero que seja o suficiente para muita gente nunca mais confundir a Geórgia europeia com a americana.

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    27 Comentários
  1. Me convenceu de mais uma Gabriel 😉

  2. Uau

    Baita explicação e imagens que não deixam dúvida, vai para Georgia e nos conte depois.
    Os vinhos e o aguardente da Georgia são famosos, tome uma tacinha por mim.

    Boa viagem!
    @GusBelli

  3. Recentemente vi dois filmes da Georgia, as paisagens, a caligrafia ( que parece a do Camboja ) e o easy going do povo, colocaram o país na minha lista mas ainda com muitas interrogacões. Seu post está muito bom e esclarecedor. Obrigada.

  4. INSANE photos! Love it!!!

    • WOW! Megan! What an honor to have you here! =) Thank you! I wish those pictures were mine, but I will try to make some good ones there in Georgia, in October!

  5. Eu sou doida para visitar a Georgia desde que me mudei para a Turquia, há 1 ano eu reclamo que o tempo para viajar por aqui é curto. Mas esse ano eu consegui ir para a Jordania, será que até o final do ano eu consigo fazer uma dobradinha como a sua? Vou aguardar os posts.

  6. Olá,
    me empolguei muito coom seu post… vou para Turquia, Georgia e Armenia entre o final de dezembro e inicio de janeiro.

    Espero seu post contando como foi e se tem alguma ideia de roteiro. Tenho planejado apenas 5 dias para a Georgia, uma pena mas tentarei aproveitar ao maximo.

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