Conforme o prometido, inverti a ordem das coisas e coloquei o post prático da viagem pela Geórgia logo no início da série. Assim você pode se programar desde já, com dicas fresquinhas como a brisa de Svaneti.

Svaneti Ushguli torre montanha_1

Caso você tenha qualquer outra dúvida, pode escrever nos comentários. Se ela for pertinente e eu tiver a resposta, incluirei no post.

Vamos lá começar pelo básico: 1 – onde raios fica a Geórgia?

Resposta básica: no Cáucaso, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, fazendo fronteira com Rússia, Turquia, Armênia e Azerbaijão.

Resposta mais completa: no Cáucaso, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, mais precisamente na região conhecida como Transcaucásia (ou para facilitar: Cáucaso do Sul). Ela faz fronteira com Rússia, Turquia, Armênia e Azerbaijão. Ou, se você considerar também repúblicas russas e regiões separatistas, com Rússia, Turquia, Armênia, Azerbaijão, Abecázia, Ossétia do Sul, Daguestão, Chechênia, Inguchétia, Ossétia do Norte, Carachai-Circássia e Cabárdia-Balcária.

Veja os mapas abaixo, em ordem de aproximação.

Georgia no mundo

Geórgia mais perto

Mar Negro e Mar Cáspio

Geórgia

 

2 – Por que raios ir para a Géorgia?

Por estes motivos aqui e por outros você vai descobrir nos posts ao longo desta série. Faça uma busca por categoria para encontrar todos.

 

3 – Precisa de visto para ir para a Géorgia?

Eu não precisei em 2014, mas verifique a situação atualizada com a Embaixada da Geórgia em Brasília, já que essas coisas mudam sem aviso.

 

4 – Como se entra na Geórgia?

Eu entrei voando, mas sei que é possível entrar por terra, ar e mar.

Tbilisi aeroporto

Por terra, você pode cruzar por qualquer um dos países vizinhos que tenham estradas com postos de controle abertos (sempre verifique se eles estão abertos). Mas veja bem: eu falei “países”, não “regiões separatistas”. Se você entrar na Abecázia ou na Ossétia do Sul pelas fronteiras com a Rússia, não seja besta de seguir para a Geórgia, porque você vai ser preso por entrada ilegal no país.

De novo: procure informações atualizadas antes de viajar, porque essas coisas mudam sem muito aviso.

Por mar, sei que existem barcos que vão da Turquia e da Ucrânia para as cidades portuárias da Geórgia, via Mar Negro, mas talvez haja barcos de outros lugares próximos também. Aliás, acredito que seja fantástico ir de barco desde Istambul. Gostaria de ter feito isso no sentido oposto, mas não tive tempo.

Pelo ar, muitas empresas aéreas voam para Tbilisi e algumas para Kutaisi e Batumi. Eu fui com a Ukraine International Airlines (UIA), com voo saindo de Roma e escala em Kiev para Tbilisi, mas nas minhas pesquisas vi que poderia ter ido com Alitalia, KLM, Lufthansa, Turkish, Pegasus, Aeroflot e outras, além da maior companhia aérea do país, a Georgian Airways.

 

5 – Meu roteiro

Tive exatos 12 dias inteiros no país. Consegui passar por vários highlights georgianos, mas não foi o suficiente para tudo e gostaria de ter ficado mais tempo em alguns lugares.

Como sempre acontece em viagens independentes (e de carro alugado), algumas coisas mudaram do roteiro inicial para o final. Antes de embarcar, a ideia era fazer:

Dia 1 – Chegada em Tbilisi tarde da noite

Dia 2 – Tbilisi

Dia 3 – De Tbilisi para Mestia, de avião

Dia 4 – De Mestia para Ushguli, numa day trip com jipe e motorista contratados na cidade. Noite em Mestia

Dia 5 – De Mestia para Kutaisi de ônibus ou táxi (decidiria isso lá). O carro alugado seria pego em Kutaisi

Dia 6 – De Kutaisi para Akhaltsikhe

Dia 7 – De Akhaltsikhe sairia para visitar as cavernas de Vardzia e seguiria depois para Tbilisi, passando por Gori

Dia 8 – De Tbilisi para Stepantsminda (Kazbegi), pela Rodovia Militar Georgiana

Dia 9 – Volta de Stepantsminda (Kazbegi) para Tbilisi, passando por Mtskheta

Dia 10 – De Tbilisi para Sighnaghi

Dia 11 – De Sighnaghi para Tbilisi, passando pelo monastério de Davit Gareja

Dia 12 – Tbilisi

Dia 13 – Tbilisi

Dia 14 – Saída de Tbilisi pela manhã

Porém, tudo precisou ser modificado logo no dia 3, já que o voo de Tbilisi para Mestia não saiu por causa do mau tempo. A solução foi ligar para a locadora, adiantar o aluguel para aquele dia, mudar a cidade de retirada do carro para Tbilisi e seguir para Mestia dirigindo.

Outros imprevistos que mudaram os planos foram basicamente:

– Muitas estradas em montanhas, onde é natural ir mais devagar;

– Chuva forte num dos dias de estrada, o que atrasou a viagem;

– Várias estradas ruins que me obrigaram a reduzir muito a velocidade;

– Previsões de chuva em Tbilisi e em Stepantsminda (Kazbegi), o que me fez inverter a ordem para conseguir pegar sol nas duas cidades. Deu certo.

No fim da viagem, o roteiro ficou assim:

Dia 1 – Chegada em Tbilisi tarde da noite

Dia 2 – Tbilisi

Dia 3 – De Tbilisi para Kutaisi, de carro alugado

Dia 4 – De Kutaisi para Mestia, via Zugdidi

Dia 5 – De Mestia para Ushguli, numa day trip com jipe e motorista contratados na cidade. Noite em Mestia

Dia 6 – De Mestia para Kutaisi, via Zugdidi

Dia 7 – De Kutaisi para Akhaltsikhe, com uma passada em um monastério incrível que não está no Lonely Planet e sobre o qual eu falarei em breve

Dia 8 – De Akhaltsikhe para as cavernas de Vardzia, numa day trip. A ideia era visitar Varzdia e seguir para Tbilisi, mas não foi possível porque fiquei bastante tempo nas cavernas e porque a estrada era sinuosa. Noite em Akhaltsikhe

Dia 9 – De Akhaltsikhe para Tbilisi. A ideia era seguir um pouco mais, visitar o monastério de Davit Gareja e dormir em Tbilisi, mas um temporal na estrada, um trecho de rodovia péssimo, a falta de sinalização e um GPS confuso atrasaram tudo e Davit Gareja foi cortado da viagem. Noite em Tbilisi

Dia 10 – Tbilisi

Dia 11 – Tbilisi

Dia 12 – De Tbilisi para Stepantsminda (Kazbegi), pela Rodovia Militar Georgiana

Dia 13 – Volta de Stepanstsminda (Kazbegi) para Tbilisi. A ideia era passar em Mtskheta, mas a cidade foi cortada porque preferi ficar mais tempo em Stepantsminda. Noite em Tbilisi

Dia 14 – Saída de Tbilisi pela manhã

Se eu gostei do resultado final? Adorei. O fato de não conseguir visitar 3 lugares que eu queria (Davit Gareja, Mtskheta e Sighnaghi) foi compensado com outras atrações e calma para conhecer melhor os lugares visitados.

Mas, se eu pudesse, teria acrescentado pelo menos 10 dias à viagem.

 

6 – Quando fui

Entre 25 de outubro e 7 de novembro. Foi uma época boa, peguei bastante frio nas regiões mais altas (Mestia e Stepantsminda) e vi aquele cenário maravilhoso do outono. A propósito, recomendo muito o outono na Geórgia.

Gabriel Prehn Britto – CC BY-NC-SA 2.0

 

7 – Quais são as melhores épocas para ir à Geórgia?

Depende da sua tolerância ao frio e ao calor.

O Lonely Planet diz que os melhores meses são maio, junho, setembro e outubro. Julho e agosto são quentes demais nas áreas baixas (a temperatura em Tbilisi chega perto dos 40ºC) mas ótimos nas montanhas e nas praias. De novembro a abril, a friaca chega e alguns lugares das montanhas ficam isolados.

Ah, sim: de 20 de setembro a 20 de outubro é a época da colheita da uva, uma festa que eu perdi, mas dizem ser legal de ver.

 

8 – Como se viaja dentro do país?

Posso falar muito pouco sobre o transporte coletivo na Geórgia, já que aluguei um carro e o único voo interno que eu faria foi cancelado pelo tempo ruim. Mas vou tentar com o que descobri estudando o país e com o que percebi lá dentro.

– Transporte aéreo

Sei que existem voos da Georgian Airways entre Tbilisi, Batumi e Kutaisi, mas é possível voar em companhias aéreas menores – em aviões menores e até em helicópteros – entre Tbilisi e Mestia. Muitas dessas companhias operam apenas em determinadas épocas do ano e talvez haja voos delas para outras cidades, mas como não usei nem entrei em contato, você vai ter que descobrir sozinho, desculpe.

A companhia aérea que quase usei foi a Vanilla Sky, que faz Tbilisi-Mestia-Tbilisi num aviãozinho de 19 lugares. Aliás, na verdade, o avião sai de um pequeno aeroporto privado chamado Natakhtari, perto de Tbilisi, mas eles buscam os passageiros com uma van, na Praça Rustaveli, na capital. Entre em contato para saber informações atualizadas.

A passagem do voo que não saiu

A passagem do voo que não saiu

 

– Transporte rodoviário

Vi poucos ônibus intermunicipais nas estradas da Geórgia, mas eles existem, ainda que eu não tenha ideia de como você pode fazer para pegar um. O transporte coletivo mais comum são as marshrutkas – vans dessas normais, quase sempre brancas. Elas estão por toda parte e costumam cruzar as estradas nas mãos de motoristas que parecem não dar muito valor à vida. Bom, pelo menos têm passagens baratas, pelo que li no Lonely Planet.

Táxis são uma boa opção para day trips e para quem quiser mais privacidade e ir mais rapidamente de um ponto a outro. Talvez dê até para dizer para o motorista aliviar o pé.

Carro alugado é ótimo. Leia o item logo mais abaixo.

– Transporte ferroviário

Existe pelo menos entre Tbilisi e Zugdidi, a cidade de onde quase todo mundo vai para Mestia e de onde todo mundo vai para a Abecázia. Ele faz o trajeto durante a noite, com cabines de todos os tipos. Segundo o Lonely Planet, você chega em Zugdidi às 6h da manhã, a tempo de pegar uma marshrutka para o seu destino final.

 

9 – É fácil alugar carro lá?

Sim, facílimo. Aluguei na Hertz pela internet, inclusive através da central brasileira, que tinha preços melhores do que no site georgiano. Tentei alugar com empresas locais, mas elas demoraram ou nunca me responderam, o que me tirou a confiança e me fez escolher uma empresa internacional. Aliás, Avis, Europcar e todas as outras gringas estão por lá.

Para dirigir, você só precisa do passaporte, da PID (informe-se no Detran do seu estado) e dos documentos do carro, que a locadora obviamente vai entregar para você.

 

10 – Qual carro eu aluguei

Como eramos apenas dois, com pouca bagagem, pouco dinheiro e preferência por carros pequenos (mais ágeis nas ruas estreitas e econômicos nas estradas), escolhemos um Kia Picanto 1.2. Foi ótimo e me apaixonei pelo carrinho, mas recomendo muito que você alugue um 4X4, se for possível. Um jipinho teria me dado mais liberdade para me enfiar em estradinhas secundárias e teria sido melhor nas nem tão raras estradas ruins da Geórgia (veja abaixo).

O Picanto, carinhosamente apelidado de Rustaveli

O Picanto, carinhosamente apelidado de Rustaveli

 

11 – É bom dirigir lá?

Sim, é bom. Na média, a qualidade das estradas é regular, com algumas muito ruins (cheias de crateras perigosas) e outras muito boas. Mas a sinalização é decente e praticamente todas as placas têm indicações em georgiano e em inglês.

Trecho bem ruim a caminho de Stepantsminda

Trecho bem ruim a caminho de Stepantsminda

Mestia estrada placa

Os georgianos são meio loucos na direção e ultrapassam nas estradas sem dar bola para faixas contínuas, o que requer atenção redobrada nas curvas, porque sempre pode vir um debilóide ultrapassando no sentido contrário, sem enxergar você. Porém, com cuidado e direção defensiva, é perfeitamente possível e fácil dirigir por lá.

Para não ficarmos apenas nas minhas impressões, vamos aos números: em 2013, o trânsito no Brasil matou 42% mais do que o trânsito da Geórgia. (Fonte)

Não é para ter medo, certo?

Ah, sim: não se assuste se você enxergar um, dois, três, dez, quinze, quarenta carros com volante no lado direito andando pela Geórgia. É normal. Segundo me explicaram, são carros japoneses comprados pela internet e enviados para o país. Sai muito mais barato do que comprar carros de lá mesmo.

 

12 – É seguro viajar pela Geórgia?

Sim, totalmente. É claro que algo pode acontecer em qualquer lugar do mundo, mas os tempos de violência extrema e guerra civil na Geórgia estão no passado. Segundo o Lonely Planet, a corrupção policial é “virtualmente inexistente” e é possível passear pelas ruas escuras da Cidade Velha de Tbilisi à noite sem nenhum receio, carregando a sua câmera no ombro.

Sobre este assunto, um detalhe importante: muitos hotéis não têm cofre nos quartos, então vá preparado para carregar tudo ou arrume um jeito de esconder suas coisas de valor.

 

13 – Que língua se fala na Geórgia? O turista se vira bem com inglês?

A língua local é o georgiano, um treco que parece muitíssimo difícil de ser aprendido, apesar do alfabeto lindo. Como eu não sabia nada além das palavras básicas, usei sempre o inglês e me virei numa boa. Se você souber alguma coisa de russo, vai poder praticar, já que os anos de dominação deixaram a língua bem conhecida por lá.

Tbilisi cartaz alfabeto georgiano

 

14 – Como é a religião? Há restrições para as pessoas por causa dela?

Os georgianos são majoritariamente cristão ortodoxos, fazem o sinal da cruz freneticamente e é até fácil de ver senhoras usando roupas que cobrem o corpo inteiro e a cabeça. Mas não há nenhuma restrição religiosa para os cidadãos e você não precisa se vestir de forma diferente por causa dela. Claro: tenha respeito quando entrar nas belíssimas igrejas do país. Isso vale para qualquer lugar do mundo e espero que você já saiba.

Gabriel Prehn Britto – CC BY-NC-SA 2.0

 

15 – Cartões de crédito, de débito e pré-pagos funcionam na Geórgia?

Sim. Usei os meus Visa de crédito e pré-pago sem problema algum. O Lonely Planet diz que o MasterCard também funciona.

 

16 – Dá para fazer saques em caixas eletrônicos?

Sim, igual a qualquer outro país europeu.

 

17 – Qual é a moeda local e qual é a melhor moeda para levar para lá?

A moeda local é o lari, abreviado internacionalmente como GEL (de “georgian lari”). Na época da minha viagem, 1 USD valia 1,75 GEL.

Sobre qual moeda levar, tanto faz euro ou dólar. Eu levei a maior parte em dólares.

5 lari (ou 5 GEL)

5 lari (ou 5 GEL)

 

18 – É fácil trocar dinheiro?

Em Tbilisi é brincadeira de criança. Nas cidades mais turísticas também é fácil. No interiorzão pode ser mais complicado, é óbvio. Para estes lugares, o melhor é levar dinheiro trocado.

Ah, você não precisa de documentos para trocar nas casas de câmbio.

 

19 – Quanto se gasta na Geórgia?

A Geórgia não é um país caro, mas também não é baratinho. Os hotéis custam mais do que entregam, no geral, mas as refeições podem ser bem baratas se você não for em restaurantes badalados.

Eu passei 12 dias inteiros (13 noites) gastando quase exatos 3.000 USD para duas pessoas, incluindo hotéis, refeições, carro alugado, gasolina, entradas em atrações pagas, enfim, tudo. Passagens aéreas de/para a Geórgia obviamente não entram nesta conta.

Considerações:

– O aluguel do carro custou o equivalente a 775 USD. Ou seja: sem ele, o gasto nos 12 dias cai para 2.225 USD, o que dá uma média de 185 USD diários para duas pessoas, ou 92,5 USD para cada um.

– Com o carro, a média diária sobe para 125 USD para cada um, ou 250 USD diários para a dupla.

– Cada dólar foi trocado por 1,75 lari

>>> Hotéis

Eu costumo ficar em hotéis de preço médio. Não exijo luxos, mas quando estou com a patroa exigimos banheiro privativo. Topo encarar hotéis bem baratinhos se for para poder ficar em um mais caro em algum momento especial da viagem, exatamente como fiz na Geórgia.

Vamos aos números:

– Hotel mais barato: 40 USD (quarto de casal, com banheiro privativo e café da manhã incluído)

– Hotel mais caro: 174 USD (quarto de casal, com banheiro privativo, café da manhã e esta vista aqui embaixo, na minha janela)

Kazbegi

– Total gasto com 13 noites: 1.220 USD

– Média diária: 93 USD, sempre em hotéis minimamente decentes, em quartos de casal, com banheiro privativo e café da manhã.

>>> Alimentação

Minhas refeições seguem a mesma lógica dos hotéis: boa qualidade e preços baixos em vários momentos para poder chutar o balde em outros. Na Geórgia, as refeições acabaram saindo tão em conta que, nas últimas 4 noites, os restaurantes escolhidos foram excelentes – e nem foram exorbitantes.

Em números (incluindo gorjetas, cafés, garrafas de água, etc.):

Refeição mais barata: 4,5 USD (um almoço/lanche para duas pessoas, com uma Coca-Cola e um suco, em um café na beira da estrada, numa cidade chamada Zestaponi)

Refeição mais cara: 62 USD (jantar para duas pessoas, restaurante maravilhoso, uma salada de entrada, dois pratos principais excelentes, duas taças de vinho e uma garrafa de água, em Tbilisi)

Total gasto em 12 dias inteiros (os dias quebrados não tiveram refeições na Geórgia): 535 USD

Média diária: 22 USD por pessoa

>>> Carro

Fui premiado com dois pneus furados durante a viagem e, consequentemente, com dois pagamentos para borracheiros. No resto, os gastos foram apenas com gasolina para o Kia Picanto com motor 1.2, rodando exatos 1.716 km.

Total de gasolina: 124 USD

Média de gasolina por dia de aluguel, descontando 3 dias em que o carro ficou parado: 15,5 USD

Total com 2 borracheiros: 17 USD (6 USD pelos consertos, mais 11 USD de gorjeta para cada)

O responsável por um gasto extra

O responsável por um gasto extra

 

20 – Dá para comprar chip de celular lá?

Sim e é bem fácil. Você só precisa entrar em alguma loja das 3 principais operadoras do país (Magti, Geocell e Beeline) e escolher quantos créditos de telefone e internet quer.

Eu paguei o equivalente a 3 USD pelo chip da Magti e coloquei o equivalente a 6 USD de crédito para telefone e internet (500 MB). A quantidade de dados foi o suficiente para a viagem inteira e sobrou, mas os créditos para ligações tiveram que ser reforçados com mais 6 USD. O sinal foi bom em quase todos os lugares, inclusive no meio das montanhas.

Importante: é obrigatória a apresentação de passaporte para comprar chip. Não esqueça disso, porque não tem choro.

Anote: em Tbilisi, existem lojas grandes da Magti e da Beeline na Avenida Rustaveli. Elas ficam abertas nos domingos, até quase o fim da tarde. Acho que tem uma da Geocell lá também, mas estava fechada no domingão.

E, sim, alguém fala inglês nestas lojas. Na da Magti o porteiro falava perfeitamente bem.

Meu número georgiano, anotado pelo atendente da Magti

Meu número georgiano, anotado pelo atendente da Magti

 

21 – Tours que usei

Apenas dois, totalmente necessários para quem não tem um 4X4 ou tem mas não quer encarar estradas bem ruins que beiram penhascos.

O primeiro foi um day trip entre Mestia e Ushguli, na região de Svaneti. Custou o equvalente a 108 USD, para duas pessoas. É um tour do qual você dificilmente se livra, já que não há outro meio de ir até Ushguli que não seja por uma estrada bem ruim.

O 4X4 japonês, com volante do lado direito

O 4X4 japonês, com volante do lado direito

O segundo foi mais rápido, apenas para subir até a igreja/monastério no alto de Stepantsminda (Kazbegi). Aliás, nem tente subir aquilo sem um 4X4 bom ou sem experiência em off-road, principalmente se já tiver nevado pela área. As alternativas são ir a pé, de mountain bike, a cavalo ou de 4X4. A pequena viagem de jipe durou 40 minutos (cada trecho) e custou 28 dólares, para duas pessoas.

 

22 – Como é a comida na Geórgia?

Você sabe que comida depende de gosto pessoal, certo? Então você sabe que o que eu digo é o meu gosto e ele pode ser bem diferente do seu, certo?

Pois bem.

Eu não gostei dos pratos tradicionais georgianos. Fui paciente, tentei várias vezes, insisti para ver se havia algo que me agradava, mas desisti depois de alguns dias. Tudo era sem graça ou com muito tempero, muito alho, muita pimenta, muito gordo demais.

Fugindo dos pratos típicos, a coisa muda bastante e você pode comer muito bem em qualquer cidade. Todas as que visitei tinham restaurantes legais, modernos e criativos. Os que mais marcaram foram o Pur Pur, em Tbilisi, escolhido para os 3 últimos jantares na cidade, e a casa de chá/bar/restaurante Foe-Foe, em Kutaisi, que funciona na escadaria do hall de entrada de um antigo teatro ou cinema.

 

23 – Como são os hotéis?

Normais, como em qualquer lugar civilizado. As opções vão desde redes internacionais tipo Marriott e Radisson até albergues com dormitórios compartilhados.

Os hotéis que eu experimentei e recomendo foram estes abaixo. Os links deles levam para o Booking.com e eu peço encarecidamente: se você for fazer reserva em algum, use estes links, porque isso traz uma pequeníssima comissão para o blog, sem que você pague qualquer centavo a mais. Obrigado.

Em Tbilisi:

Shine on Rustaveli – Pontos forte: tem tudo que você precisa e é bem localizado. É perfeito para quem vai voar para Mestia, já que a van que leva para o aeroporto pega os passageiros na Praça Rustaveli, a poucas quadras dali. Pontos fracos: é simples demais para o preço que cobra, os quartos não são um primor de silêncio e o banheiro tinha um cheirinho não muito agradável.

Sharden – Pontos fortes: localização excelente na Cidade Velha, quartos bons, café da manhã bom e preço decente. Ponto fraco: as paredes não seguram muito bem os barulhos internos.

Em Kutaisi:

Rcheuli Palace – Pontos fortes: fica num prédio antigo lindo e muito bem restaurado, tem ambientes assustadoramente enormes (o pé-direito do meu quarto devia ter uns 4 metros) e preço bom. Pontos fracos: parece que faltou dinheiro para terminar todas as reformas e algumas coisas ainda estão meio capengas.

Hotel Rcheuli Palace

Hotel Rcheuli Palace

Kutaisi Globus – Pontos fortes: o melhor custo-benefício da Geórgia. Foram apenas 40 USD por um hotel bom, praticamente novo, com quarto grande e café da manhã reforçado. Ponto fraco: o dono diz que é logo ao lado da praça principal, mas não é bem assim. Dá para ir a pé, mas leva uns bons minutos.

Em Mestia:

Villa Mestia Hotel – Pontos fortes: ambiente familiar, com donos muito simpáticos e atenciosos. Café da manhã rústico e forte, preparado com todo carinho pela dona. Pontos fracos: a casa é antiga e tem piso de madeira, o que garante barulhos e rangidos a cada passo.

Em Akhaltsikhe:

Hotel Lomsia – Pontos fortes: padrão internacional, quartos ótimos, banheiro excelente, café da manhã bom. Ponto fraco: nenhum.

Em Stepantsminda (Kazbegi):

Hotel Rooms Kazbegi – Pontos fortes: o melhor hotel da viagem. Localização perfeitíssima, vista embasbacante, quartos ótimos, ambientes perfeitos, staff queridíssimo, preço baixo em relação a tudo que oferece. Foi tão bom, mas tão bom, que deve ser o primeiro hotel a ganhar um post exclusivo neste blog, porque eu considero que ele faz parte da experiência da Rodovia Militar Georgiana. Foi o fechamento perfeito para a viagem. Eu passaria uma semana nele, se tivesse tempo e dinheiro. Pontos fracos: nenhum, nada, zero.

 

24 – Um filme que eu recomendo

5 Dias de Guerra (5 Days of War), de Renny Harlin, com Rupert Friend, Andy Garcia, Heather Graham e Val Kilmer, entre outros menos famosos.

O assunto é a guerra que Geórgia e Rússia travaram em 2008, por causa da Ossétia do Sul. Os assuntos políticos abordados não são lá muito verdadeiros e ele é uma propaganda descarada do presidente da Geórgia na época – aliás, dizem que a produção foi bancada por pessoas ligadas a ele -, mas o filme dá uma ótima ideia do que foi o conflito e do sofrimento dos georgianos, por isso vale ser visto antes de embarcar.

 

25 – Vocabulário básico de georgiano

Olá/Bom dia/Boa tarde/Boa noite: ga-már-djô-bá

Obrigado: mád-lô-bá

Desculpe: u-gád-se-ra-vád

Com licença: má pa-ti-ét

Eu não falo georgiano: me ar-ví-tsi kar-tú-li

Tchau: náh-vâm-dís

 

26 – Outros blogs com informações sobre a Geórgia

Viaggiando 

Viaje com Pedro

Saí por Aí

2 Pés na Estrada

Paulinho, Volta Logo

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    20 Comentários
  1. Pra ajudar o Daniel, um blog de um casal que fez essa viagem com uma criança: http://www.tasteaway.pl/en/

    • Êêê! Valeu, Camila! =)

  2. Gabriel e Camila muito obrigado pela ajuda

  3. 1 2
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