Lá no início de 2014 eu apresentei para você a ilha de Annobón, em Guiné Equatorial, um lugar descoberto num 1º de janeiro e que, por isso, ganhou esse nome.

Agora, no Natal de 2014, fui atrás de mais informações sobre um lugar cujo nome eu já havia lido por aí, mas que nunca havia me despertado muito interesse: Ilha Christmas.

Adrian (CC BY-NC-ND 2.0)

Adrian (CC BY-NC-ND 2.0)

Minha pesquisa acabou me apresentando 4 ilhas batizadas da mesma forma ao redor do mundo (uma no Canadá, outra em Kiribati e duas na Austrália – sendo uma delas na Tasmânia) e eu amaria muito pesquisar todas e fazer um post geral. Porém, como toco este blog sozinho, batendo escanteio e cabeceando na área, precisei sacrificar três delas e escolhi destrinchar apenas uma das ilhas Christmas autralianas, essa aqui embaixo, no Oceano Índico, que na verdade fica mais perto da Indonésia do que da Austrália.

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Um ponto perdido no mar (arte original: TUBS – CC BY-SA 3.0)

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A bandeira de Christmas

O motivo da escolha foi bem simples: pelo que consegui verificar, ela foi a única das quatro ilhas descoberta por navegadores europeus em um dia de Natal – fato que deu origem ao seu nome e que justifica esse post metido a esperto.

O Natal da descoberta da ilha foi o do ano 1643, quando um capitão inglês passou por lá, mas a anexação do território aos bens da família real britânica só aconteceu dois séculos depois, quando exploradores encontraram uma montanha de minério nele.

De lá para cá, pouca coisa mudou na soberania e na economia dessa pequena ilhota de ridículos 135 km2 – área menor do que uma fazenda do Zezé de Camargo, em Goiás.

Ewan ar Born (CC BY-SA 3.0)

Ewan ar Born (CC BY-SA 3.0)

A Inglaterra foi quase inteiramente a dona de Christmas nestes anos todos, apenas com um breve período de domínio japonês (durante a Segunda Guerra), até ser transferida para a Austrália, em 1957.

A economia também se manteve quase exclusivamente baseada na exploração dos tais minérios, mas ganhou a ajuda do turismo nos tempos modernos e também a forcinha de uma atividade controversa: a operação de um presídio para imigrantes, um lugar que mudou completamente a imagem da ilha, dando a ela uma cara de Guantánamo australiana e, sarcasticamente, afugentando muitos turistas.

DIAC images (CC BY 2.0)

DIAC images (CC BY 2.0)

DIAC images (CC BY 2.0)

DIAC images (CC BY 2.0)

Rachel Cobcroft (CC BY-NC-SA 2.0)

Rachel Cobcroft (CC BY-NC-SA 2.0)

Hoje Christmas recebe míseros 1500 visitantes por ano, todos basicamente querendo tomar torrão nas praias, fazer trekking no seu parque nacional (que domina 63% da ilha) e observar a incrível natureza local.

Entre todas as atrações naturais que deram a Christmas o apelido de “Galápagos do Índico” estão os mergulhos com tubarões-baleia e os pesadelos com a maior população de caranguejos-de-coqueiro do planeta – esse pequeno monstro aqui embaixo, que chega a pesar 4 kg e a medir um metro do envergadura, dimensões que fazem com que ele seja também o maior caranguejo do mundo.

Hadi Zaher (CC BY-NC-ND 2.0)

Hadi Zaher (CC BY-NC-ND 2.0)

Hadi Zaher (CC BY-NC-ND 2.0)

Hadi Zaher (CC BY-NC-ND 2.0)

DIBP images (CC BY 2.0)

DIBP images (CC BY 2.0)

Hadi Zaher (CC BY-NC-ND 2.0)

Hadi Zaher (CC BY-NC-ND 2.0)

Hadi Zaher (CC BY-NC-ND 2.0)

Hadi Zaher (CC BY-NC-ND 2.0)

DIBP images (CC BY 2.0)

DIBP images (CC BY 2.0)

Rebecca Dominguez (CC BY-NC-SA 2.0)

Rebecca Dominguez (CC BY-NC-SA 2.0)

Rob Hughes (CC BY-NC-SA 2.0)

Rob Hughes (CC BY-NC-SA 2.0)

Rebecca Dominguez (CC BY-NC-SA 2.0)

Rebecca Dominguez (CC BY-NC-SA 2.0)

DIBP images (CC BY 2.0)

DIBP images (CC BY 2.0)

Rob Hughes (CC BY-NC-SA 2.0)

Rob Hughes (CC BY-NC-SA 2.0)

John Tann (CC BY 2.0)

John Tann (CC BY 2.0)

Mas nada – nada! – parece se comparar a algo que pode ser feito uma vez por ano em Christmas e que o naturalista britânico David Attenborough – um senhor de 88 anos e um megacurrículo de amante da natureza – disse que foi uma das 10 experiências mais incríveis da sua longa vida: ver, ao vivo, a migração dos caranguejos-vermelhos.

Quadro da série Grandes Migrações, do canal NatGeo

Quadro da série Grandes Migrações, do canal NatGeo

São mais de 120 milhões destes bichos correndo das florestas em direção ao mar, para reprodução e desova, exigindo uma trabalheira danada dos administradores e da população da ilha para que só um mínimo deles vire patê nas ruas e estradas. Um evento tão fantástico que entrou na série Grandes Migrações, da NatGeo.

Adrian (CC BY-NC-ND 2.0)

Adrian (CC BY-NC-ND 2.0)

Quadro da série Grandes Migrações, do canal NatGeo

Quadro da série Grandes Migrações, do canal NatGeo

Adrian (CC BY-NC-ND 2.0)

Adrian (CC BY-NC-ND 2.0)

Adrian (CC BY-NC-ND 2.0)

Adrian (CC BY-NC-ND 2.0)

Adrian (CC BY-NC-ND 2.0)

Adrian (CC BY-NC-ND 2.0)

Rebecca Dominguez (CC BY-NC-SA 2.0)

Rebecca Dominguez (CC BY-NC-SA 2.0)

Quadro da série Grandes Migrações, do canal NatGeo

Quadro da série Grandes Migrações, do canal NatGeo

Quadro da série Grandes Migrações, do canal NatGeo

Quadro da série Grandes Migrações, do canal NatGeo

A migração dos caranguejos-vermelhos dura um mês e pode acontecer entre setembro e janeiro, mas normalmente acontece entre novembro e dezembro, o que significa que dá para se programar para tentar ver essa maravilha no Natal de 2015.

Mas se você fizer essa tentativa, fique ligado porque o Natal em Christmas não deve ser muito forte, não.

Apesar de minúscula, a ilha é um baita caldo de culturas e quase todos os seus 2 mil habitantes são chineses e malaios, falantes de um número enorme de línguas diferentes e seguidores de religiões como o budismo, o taoísmo, o confucionismo, o islamismo, o bahaísmo e até o cristianismo.

Peter McKiernan (CC BY-NC-ND 2.0)

Peter McKiernan (CC BY-NC-ND 2.0)

Mesmo com tantas crenças e hábitos diferentes, o escritório de turismo de Christmas garante que todos vivem em pura harmonia e mostra o calendário local como prova, cheio de feriados religiosos de todos os tipos.

Um clima de união bem natalino, não?

E feliz Natal para você.

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Fontes: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16.

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    5 Comentários
  1. Feliz Natal!

  2. Que coisa linda a migração dos caranguejos! Quem é que vai ficar esperando Papai Noel enquanto algo assim pode estar acontecendo? 😉

  3. Eu sou completamente louca para ir a esta Christmas Island ver a migração dos caranguejos!!! Aprendi sobre isso numa aula na faculdade, e desde então fico imaginando a loucura que deve ser…

    Mas acho que é um problema com as “Christmas Islands”, porque todas têm algo bizarro acontecendo… estive nas de Kiribati, e… o que são aqueles Lençóis Maranhenses de água hiper-salgada, gisuis!!!

    Esse planeta é muito demais, mesmo!

    (Ah, e feliz 2015 atrasado pra vc!!) 🙂

    • Eba! Visita ilustre! =) Feliz 2015, Lucia!

  4. Adorei o vídeo! Muito bom saber que se preocupam com a migração. Até modificaram a estrada para isso!

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