A vida é uma só, a grana é curta e a lista de desejos é longa, então é bem difícil que eu viaje duas vezes para algum lugar muito distante. Prova disso é que esta categoria de destinos tinha apenas dois países com mais de um carimbo nos meus passaportes, até setembro de 2014.

No mês seguinte pintou o terceiro: a Jordânia.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Minha primeira vez em solo jordaniano foi em março de 2013, quando visitei o país a convite da Jordan Tourism Board, a agência de turismo oficial de lá – leia relatos aqui, aqui, aqui e aqui.

Foi tão bom e surpreendente que meus pais, depois de escutarem as histórias que contei, decidiram que também queriam ir para a Jordânia.

E decidiram que essa viagem seria em 2014.

E que eu teria que ir junto.

Wadi Rum Pai Mae Por do Sol

Pai e mãe deste blogueiro curtindo um pôr do sol no deserto de Wadi Rum

Além do privilégio de poder guiar pai e mãe por terras tão estranhas a eles (recomendo isso a todos os filhos), naquele momento eu ganhei outra oportunidade de ouro: depois de conhecer a Jordânia sem precisar mexer uma palha – porque tudo havia sido organizado pelos jordanianos – eu poderia montar uma viagem para lá sozinho, enfrentando todos os perrengues que os turistas autônomos conhecem e adoram.

Mas o que mudou entre uma e outra viagem?

Na preparação, quase nada. Fazer meu próprio roteiro me mostrou que a Jordânia é mesmo um país muitíssimo pronto para o turismo. Não tive praticamente nenhuma dificuldade para encontrar o que precisava na internet.

Na viagem em si, muitas diferenças, mas quase nada negativo. Entre um tour e outro, o roteiro e os hotéis mudaram e a liberdade de decidir o que fazer foi obviamente maior no segundo, junto com as encrencas: fui roubado por um taxista de Amã (me possua, Uber) e me perdi por algumas estradas não tão bem sinalizadas.

Com essas duas experiências jordanianas na bagagem, montei este guia prático para quem quiser passear pelo terreninho do rei Abdullah II e da rainha Rania. Um terreninho, aliás, que vale ressaltar mais uma vez: tem povo queridão, uma boa infraestrutura, é cheio de atrações lindíssimas e infinitilhões de vezes mais seguro do que quase todo mundo imagina.

Palavras da minha mãe (que não tem muito de aventureira) no nosso último dia por lá:

“As pessoas deixam de vir para cá por esse medo bobo do Oriente Médio e não sabem o que estão perdendo.”

Beduíno louco de medo das coisas que aparecem nos jornais

Beduíno louco de medo das coisas que aparecem nos jornais

 

1 – Por que ir para a Jordânia?

Por um mundo de motivos. Um mundo muito maior do que Petra.

 

2 – Precisa de visto para ir para a Jordânia?

[Atenção, todo este post conta exclusivamente a minha experiência em 2014, mas reforço isso neste tópico: a situação dos vistos pode não ser a mesma de hoje e você precisa confirmar com as representações da Jordânia no Brasil]

Em 2014, sim. E foi nesse assunto que eu tive a maior incomodação com a preparação para a viagem.

O problema não foi a difiiculdade de se fazer o visto. Isso foi tranquilíssimo, direto lá no lindo e modernoso aeroporto Queen Alia (AMM). Foi só desembarcar, caminhar até os guichês indicados, esperar um pouco na fila, pagar a taxa de 40 dinares (a moeda local) e receber meu passaporte carimbado.

O problema foi a falta de informações oficiais sobre esse visto retirado na chegada no país.

Visto Jordânia

O site do Jordan Tourism Board até trata bem do assunto, em bueníssimo português, mas enfia uma enorme interrogação na cachola do turista ao dizer que não garante a atualização das informações que estão lá – algo que eu considero imperdoável para o site oficial de turismo de um país.

O Consulado da Jordânia em São Paulo, indicado pelo site acima como o lugar para acabar com as minhas dúvidas, tampouco iluminou o meu caminho, mesmo recebendo dois pedidos para isso. O pessoal foi supereducado, mas só me mandou as instruções para fazer o visto com eles mesmos, que custa 100% mais do que o feito no aeroporto de Amã.

Não vou me alongar aqui porque isso seria inútil. Como eu vivo dizendo, essas burocracias podem mudar a qualquer momento e é fundamental que você confirme a situação atualizada na Embaixada da Jordânia em Brasília, no Consulado da Jordânia em São Paulo ou em qualquer outra representação do país no Brasil (verifique se existe alguma no site do Itamaraty).

Talvez os canais estejam mais completos e confiáveis quando você for.

 

3 – Como se entra na Jordânia?

Eu entrei voando nas duas viagens, mas é também é possível entrar por terra e mar (verifique as informações atualizadas sobre como entrar por estes dois meios com as representações diplomáticas da Jordânia no Brasil).

Pelo ar, existem muitos voos diretos de companhias aéreas ligando Amã a capitais europeias, africanas e asiáticas. Alitalia, British, Lufthansa, Turkish, Emirates, Egypt Air e Saudia são apenas alguns exemplos, sem falar na própria companhia aérea jordaniana, a Royal Jordanian, que voa para uma penca de lugares bacanas e foi a minha escolha para ir em 2014, de/para Roma, sem escalas. Já a viagem de 2013 foi feita com a Air France, de/para Paris, também sem paradas.

Foto de Kevin Jaako (CC BY-NC 2.0). Eu costumo guardar a câmera em voos

Foto de Kevin Jaako (CC BY-NC 2.0). Eu costumo guardar a câmera em voos

Minha experiência com a Royal Jordanian? Foi boa. Os aviões eram bem cuidados, as poltronas eram confotáveis, o espaço era normal, o entretenimento foi legal (com vídeos individuais), a comida era de verdade e os horários foram respeitados. Voaria de novo com ela, sem a menor dúvida.

 

4 – Meus roteiros

Aqui eu coloco os dois roteiros finais das duas viagens, com comentários logo abaixo. Assim você tem duas sugestões e fica mais fácil para montar o seu próprio.

 

ROTEIRO DE 2013 – Criado e organizado pela Jordan Tourism Board. Ou seja: mostrando o que o órgão considera o que a Jordânia tem de melhor.

Dia 1 – Embarque no Brasil para Paris.

Dia 2 – Conexão em Paris e chegada em Amã à noite, apenas com tempo para jantar no hotel e dormir

Dia 3 – Amã

Dia 4 – Day trip desde Amã para Ajloun e Jerash. Noite em Amã

Dia 5 – De Amã para Wadi Musa (Petra), visitando Mádaba e Monte Nebo no caminho. Noite em Wadi Musa (Petra), assistindo ao Petra By Night

Dia 6 – Petra

Dia 7 – De Wadi Musa (Petra) para Aqaba. Depois, day trip desde Aqaba para o deserto de Wadi Rum

Dia 8 – Aqaba

Dia 9 – De Aqaba para Amã, visitando a Reserva Dana no caminho. Noite em Amã

Dia 10 – Saíde de Amã para visitar os castelos do deserto. Depois, direto para o Mar Morto. Noite no Mar Morto

Dia 11 – Mar Morto, com visita ao Rio Jordão e ao lugar onde dizem que Jesus foi batizado

Dia 12 – Na madrugada, ida para o aeroporto, desde o Mar Morto. Embarque para Paris e conexão longuíssima na cidade.

Dia 13 – Chegada no Brasil

 

ROTEIRO DE 2014 – Criado e organizado por mim.

Dia 1 – Embarque no Brasil para Roma

Dia 2 – Chegada em Roma

Dia 3 – Roma

Dia 4 – Roma

Dia 5 – Saída de Roma para Amã. Chegada em Amã no início da noite. Tempo apenas para jantar no hotel e dormir

Dia 6 – Amã

Dia 7 – Amã

Dia 8 – De Amã para Wadi Musa (Petra), visitando Mádaba e Monte Nebo no caminho. Noite em Wadi Musa (Petra), assistindo ao Petra By Night

Dia 9 – Petra

DIA 10 – Day trip desde Wadi Musa (Petra) até Karak, pela Rodovia do Rei, passando pela lindíssima Reserva Dana. Noite em Wadi Musa (Petra)

Dia 11 – De Amã para o deserto de Wadi Rum. Chegada no início da tarde, a tempo de fazer um tour antes do sol ir embora. Noite num acampamento no deserto

Dia 12 – De Wadi Rum para Aqaba. Almoço em Aqaba e viagem até o Mar Morto

Dia 13 – Mar Morto, com visita ao Rio Jordão e ao lugar onde dizem que Jesus foi batizado

Dia 14 – Mar Morto

Dia 15 – Do Mar Morto para o aeroporto. Chegada em Roma no início da tarde

Dia 16 – Roma

Dia 17 – Roma

Dia 18 – Saída de Roma para o Brasil (dos meus pais, porque eu segui para a Geórgia). Chegada no mesmo dia

 

Comentários:

– Foram 18 dias de viagem em 2014, contra apenas 13 em 2013. O principal motivo desse aumento foi a vontade/necessidade de quebrar os voos entre o Brasil e a Jordânia, passando 2 dias em Roma, na ida e na volta, para não cansar tanto. Recomendo isso para tours com pais que são, hm…, menos jovens. As adaptações aos fusos acabaram sendo tranquilas por isso, também.

– Cortei Jerash e Ajloun do roteiro de 2014 porque achamos que teríamos ruínas romanas demais na viagem, já que passaríamos um total de 4 dias inteiros em Roma. Porém, recomendo muito que você visite esses lugares. Eles valem muito. Jerash é extremamente incrível.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

– Troquei a noite em Aqaba (em 2013) por uma noite no deserto de Wadi Rum (em 2014), porque eu não gostei de ter ficado na cidade e porque queria que meus pais tivessem a experiência de uma noite no deserto. Acertei em cheio: eles ficaram faceiros.

Céu de Wadi Rum à noite

Céu de Wadi Rum à noite

Aqaba só entrou no roteiro porque eu queria fazer uma foto dos meus pais junto a uma placa indicativa da Árábia Saudita e para que eles pudessem avistar o Egito do outro lado do Mar Vermelho. Mas, para a minha surpresa, eles adoraram a cidade, dizendo que acharam tudo totalmente diferente do resto do país. Fica a dica.

Aqaba Placa Arabia saudita

– Assim como em 2013, a chegada em Wadi Musa (Petra) foi calculada para ser nas datas do evento Petra By Night, para que meus pais conhecessem o Tesouro à noite, antes de ver de dia. Exatamente como eu recomendo aqui.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-ND 3.0)

– Em 2013, tive apenas um dia no Mar Morto, que ainda foi dividido com a visita ao Rio Jordão. Em 2014, a coisa mudou: coloquei um dia exclusivamente dedicado a fazer nada no resort. Recomendo.

– Mádaba e Monte Nebo são perfeitos numa viagem entre Amã e Wadi Musa (Petra), tanto que em 2014 repeti o que foi feito em 2013.

– Cortei os castelos do deserto do tour de 2014, porque não gostei deles em 2013. Mas sei que posso estar sendo injusto. Acho que foi o cansaço e estava muito quente naquele dia, então pesquise melhor antes de cortar do seu roteiro também.

Castelos deserto Jordania

– Por outro lado, a vila e a Reserva Dana foram incluídas nos dois roteiros e todo mundo adorou (principalmente eu, que pude ir para lá duas vezes na vida). Recomendo fortemente. Como ouvi de um gringo que estava na mesa ao lado num pequeno restaurante local: é o melhor lugar da Jordânia.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

– Se você tiver tempo, cogite fazer Amã-Wadi Musa (Petra) pela Rodovia do Rei. As paisagens são lindas nessa estrada que passa por muitas montanhas. É claro que isso faz a viagem demorar mais, mas pode ser mais divertida.

– Perto de Wadi Musa (Petra), pela Rodovia do Rei, existe um castelo em ruínas mas interessantíssimo de ser visitado. Ele se chama Shobak e fica na vila de Musallath. Se puder, vá.

As ruínas do Shobak, no seu cenário desértico

As ruínas do Shobak, no seu cenário desértico

 

5 – Quando fui

Em 2013: entre 17 e 29 de março, uma época excelente, com clima agradável e nada de chuva.

Em 2014: entre 8 e 26 de outubro, também uma boa época. Pegamos menos frio do que eu imaginava e apenas uma noite de chuva, na chegada ao Mar Morto.

 

6 – Quais são as melhores épocas para ir à Jordânia?

Primavera e outono, como em muitos lugares do mundo. O inverno local pode trazer chuvas e neve. O verão, por ser verão, transforma o país em um posto avançado do inferno.

Neve em Amã. Foto: Ibrahim Owais (CC BY-SA 2.0)

Neve em Amã. Foto: Ibrahim Owais (CC BY-SA 2.0)

 

7 – Como se viaja dentro do país?

Posso falar muito pouco sobre o transporte coletivo na Jordânia, porque a primeira viagem foi toda feita com uma van particular, enquanto na segunda eu aluguei um carro pelo período inteiro.

Sei apenas que existem voos entre Amã e Aqaba. No resto, me desculpe, mas não poderei ajudar.

 

8 – É fácil alugar carro lá?

Sim, facílimo. Aluguei em uma locadora local, a Rent a Reliable Car (ótimo nome), e foi tudo muito tranquilo. A empresa foi atenciosa desde o primeiro contato via e-mail, entregou o carro no meu hotel em Amã, no horário combinado, e o retorno foi feito no estacionamento do aeroporto Queen Alia, onde havia um funcionário me esperando de manhã bem cedo.

Placa do nosso carro lá

Placa do nosso carro lá

O carro não era o mais limpo do mundo, nem 100% livre de amassadinhos na lataria, mas como eu estou me lixando para esse ponto e como a sujeira estava apenas do lado de fora (o interior estava limpo), não me importei nem um pouco. Até foi melhor, porque não me pediram carro lavado no retorno.

O único porém foi um hábito que eu fiquei sabendo ser bastante comum na Jordânia: a entrega do carro, para o cliente, com o tanque quase vazio. Além de obrigar você a parar logo num posto, isso também significa que provavelmente a empresa vai ganhar uns litros de graça, já que é difícil devolver o carro com o tanque igualmente vazio. Mas, enfim, é um probleminha de nada.

Para dirigir na Jordânia você só precisa do passaporte, da PID (informe-se no Detran do seu estado) e dos documentos do carro, que a locadora obviamente entrega para você.

 

9 – Qual carro eu aluguei

Ao contrário das minhas outras viagens – em que quase sempre somos apenas duas pessoas – desta vez estávamos em 4 e o carro precisava ser grande o bastante para aguentar 4 malas e mais o monte de badulaques comprados ao longo da jornada.

Depois de olhar alguns sedãs-banheirões, com porta-malas onde eu poderia dormir esticado, acabei escolhendo uma caminhonete Kia Sportage, achando que seria a garantia de muito espaço. Foi decepcionante. O porta-malas ficou esturricado, mesmo com o pessoal pegando leve nas malas e nas compras.

 

10 – É bom dirigir lá?

Sim, na média é bom. A qualidade das estradas é muito boa, mas a sinalização é fraca.

Exemplos?

Uma das principais e mais rápidas artérias do país, a Rodovia do Deserto, simplesmente não tem nenhuma pintura no chão durante longos e longos quilômetros, o que faz com que uma viagem noturna seja bem tensa por ela.

As placas indicativas não são muito bem distribuídas. Você encontra uma indicação num ponto, segue a recomendação dela e não encontra mais nenhuma outra por um baita tempo. Então anote essa dica de amigão: não saia da locadora sem um GPS. É óbvio que esses trocinhos nem sempre funcionam perfeitamente, mas é bom ter um para quando aquela maldita placa que diz “Sim, você está no caminho certo, campeão” não aparecer.

Ah, quando existem, as placas são em árabe e em inglês.

Mar Morto Placa Estrada

Estradas boas e placas boas, mas em pouca quantidade

Marcia Placa Camelo

Camelo na estrada?

Marcia Camelo

Sim, camelo na estrada

No quesito Segurança, a trânsito jordaniano não me pareceu ruim, apesar do número de mortes dele ser 1,8% mais alto do que o brasileiro. Praticamente não há radares fora das rodovias principais e os limites de velocidade não são diferentes dos daqui.

 

11 – É seguro viajar pela Jordânia?

Sim, totalmente. Você acha mesmo que eu levaria meus pais para um lugar perigoso?

O povo jordaniano é acostumado com os turistas e sabe da importância deles para a economia do país, que se orgulha de ser conhecido como “a Suíça do Oriente Médio”, pela estabilidade. O resultado é que eles fazem tudo para que você se sinta seguro e confortável.

Policial do deserto, em Petra

Policial do deserto, em Petra

As medidas de segurança do governo no turismo podem até assustar os mais sensíveis, mas é preciso lembrar que elas foram tomadas justamente para que os turistas se sintam (e estejam!) efetivamente protegidos. Algumas coisas que você vai ver por lá:

– Detectores de metais nas entradas de todos os hotéis grandes e médios;

– Seguranças por todos os lados nestes hotéis;

– Barricadas em frente a estes hotéis, impedindo a entrada de carros desconhecidos;

– Muitas barreiras policiais pelas estradas, mas sempre com oficiais educados, gentis e sorridentes nas abordagens. (Fui parado 3 vezes e apenas um pediu documentos. Os outros disseram “Welcome to Jordan” e mandaram o gringo aqui seguir adiante);

– Polícia especial para lugares turísticos em todas as atrações. Você reconhece eles pela inscrição “Tourist Police” no braço;

– Muitas câmeras de vigilância.

Jerash Camera

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-ND 3.0)

Tourism Police Jordania

Dito isso, não esqueça que as fronteiras normalmente são tensas no mundo inteiro e aja com bom senso nestes lugares. Se você dirigir pela Rodovia do Mar Morto (que beira Israel) evite parar o carro nas áreas de deserto sem necessidade e não fotografe ostensivamente, pelo menos até chegar à pontinha do Mar Morto. Segundo o guia que me acompanhou na viagem de 2013, toda a área é vigiada e qualquer parada vai ser verificada pela polícia. Isso não é um perigo para você, é lógico. É apenas para evitar incomodação e tensão.

No resto, relaxe. Repetindo as palavras da minha mãe no último dia: “As pessoas deixam de vir para cá por esse medo bobo do Oriente Médio e não sabem o que estão perdendo.”

E para não ter nenhum medo mesmo, siga as orientações que eu dei neste post, sobre como viajar com tantas notícias ruins (e muitas vezes exageradas) pipocando por aí.

 

12 – Que língua se fala na Jordânia? O turista se vira bem com inglês?

A língua oficial é o árabe, mas é perfeitamente possível sobreviver só com o inglês, já que uma parcela enorme da população é English speaker. Foram raros os momentos em que eu não consegui o que precisava por dificuldade de comunicação.

Se você preferir ficar companhado, existem guias que falam português no país. Entre em contato com a Jordan Tourism Board para informações.

 

13 – Como é a religião? Há restrições para as pessoas por causa dela?

A Jordânia é oficialmente muçulmana e a maioria da população segue a religião. Mas não se preocupe muito com isso. Mulheres não precisam usar véus, nem cobrir os braços. Da cintura para cima, use a roupa que você preferir.

Por outro lado, da cintura para baixo é recomendado – tanto para homens quanto para mulheres! – usar calças ou saias longas. Mas veja bem: isso não é uma imposição religiosa nem governamental. É apenas porque os jordanianos e jordanianas não costumam usar roupas curtas, então qualquer perna de fora atrai olhares.

Placa Jordania Dress Modestly

Já em Petra, no deserto de Wadi Rum e nos resorts do Mar Morto você pode colocar as pernocas ao sol sem problemas. É tanto gringo nesses lugares que ninguém estranha nada.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Moças em Petra

Aliás, nos resorts pode colocar seu biquíni sem medo.

 

14 – Cartões de crédito, de débito e pré-pagos funcionam na Jordânia?

Sim. Usei os meus Visa de crédito e pré-pago sem problema algum, tanto em 2013 quanto em 2014.

 

15 – Dá para fazer saques em caixas eletrônicos?

Sim.

 

16 – Qual é a moeda local e qual é a melhor moeda para levar para lá?

A moeda local é o dinar, abreviado internacionalmente como JOD (“Jordan dinar”). Na época da minha viagem de 2014, você precisava de 1 EUR para comprar 0,82 JOD.

Como? Um euro para comprar a merreca de 82 centavos de dinar? Sim, o dinar vale mais do que o euro e bem mais do que o dólar. E isso dá um nó na cabeça que você nem imagina.

Sobre a melhor moeda, tanto faz levar euro ou dólar. Eu levei a maior parte em euros.

 

17 – É fácil trocar dinheiro?

Sim, muito fácil. Você não precisa de documentos para trocar nas casas de câmbio e ninguém olha para a sua cara.

 

18 – Quanto se gasta na Jordânia?

Well… chegamos no ponto mais delicado do guia.

É triste dizer, mas a verdade é que eu não anotei nadinha dos meus gastos lá. Não sei o motivo exato, mas nem me dei conta de guardar essas informações. Sei que isso é decepcionante para você, mas a vida é assim. Siga em frente. Você consegue.

O que eu posso dizer é que a Jordânia não é barata. Longe disso. Ela está entre as categorias “país caro” e “país muito caro” e precisa ser visitada com cuidado ou você vai acabar seus dias jordanianos chorando em posição fetal, no chão do box de algum hotel altamente corrosivo para suas contas.

Para facilitar um pouco a sua vida, aqui estão quatro sites sobre custos em países, para que você possa ter uma ideia:

My Travel Cost

Numbeo

Price of Travel

Budget Your Trip

E aqui está o menu de um restaurante bom, onde fizemos nosso último jantar em Amã.

Para finalizar, aqui você pode fazer a conversão de dinares para reais, dólares ou euros, o que você preferir.

 

19 – Dá para comprar chip de celular lá?

Sim. Comprei em 2014 e foi tão tranquilo que nem rendeu post-tutorial.

Basta entrar numa loja de celulares e pedir um chip. Custa bem pouco e você pode usar apenas a cópia do seu passaporte como documento (pelo menos o sujeito que me atendeu aceitou).

Comprei o meu chip na loja Amira Link, em uma esquina da Rainbow Street, em Amã. Essa rua é famosa e você provavelmente vai passear por ela. Nesse passeio, certamente vai encontrar a Amira Link.

As duas principais operadoras jordanianas são a Zain e a Orange. Eu escolhi a Zain e meu telefone funcionou direitinho em todos os lugares.

Zain Jordânia Chip Celular

 

20 – Tours que usei

Em 2013, fiz um passeio de barco pelo Mar Vermelho, em Aqaba, com direito a peixe assado e snorkel nos famosos corais da região. Foi divertido e relaxante, mas preciso dizer que o snorkel não permite ver muita coisa da natureza submersa local. Se você fizer achando que vai ser uma maravilha, pode se decepcionar.

Barcos como o deste tour podem ser alugados facilmente no cais de Aqaba, mas não sei o preço.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Em 2014 e também em 2013, fiz um passeio pelo deserto de Wadi Rum na caçamba de uma 4X4. Recomendo muito e certamente o seu acampamento-hotel no parque vai ter algo para oferecer. É impossível fazer esse passeio sozinho sem ter uma 4X4, sem ter experiência em dirigir na areia e sem um excelente mapa.

 

21 – Como é a comida na Jordânia?

Maravilhosa.

É claro que existem muitos botecos com comidas péssimas (inclusive um deles é indicado pelo Lonely Planet), mas o país é recheado de bons restaurantes, com pratos locais e internacionais para todos os gostos. Para você ter uma ideia, meu pai é magricela e, digamos, “bem difícil de ser agradado” com comida, mas até engordou um pouquinho por lá.

Veja minhas recomendações abaixo.

Em Amã:

Restaurante Sufra. Não saia da cidade sem passar por ele, que eu considero disparado o melhor restaurante da Jordânia. Tive o imenso prazer de ir três vezes lá (uma em 2013, duas em 2014) e todas foram fantásticas. É capaz do Sufra ser o primeiro restaurante a ganhar post neste blog, de tão bom que é. E para que você não duvide da minha opinião, até o rei Abdullah II e a rainha Rania já passaram pelo local – e estão bem expostos no desktop do computador onde os garçons registram os pedidos. Fica na Rainbow Street, em um casarão lindo.

Entrada do Sufra

Entrada do Sufra

Restaurante Vinaigrette. Fui em 2014. Fica no topo do hotel Al Qasr, com uma baita vista para a capital. É mais garantido fazer reserva, mas dá para tentar sem. Ótimos pratos e preço decente para tudo que oferece.

Restaurante Shamãn. Um lugar que é uma mistura de restaurante e bar noturno, com pessoal se divertindo, música alta, narguilés fumegando e bebida rolando solta. Foi onde fiz essa foto das jordanianas aniquilando o estereótipo do Oriente Médio.

Em Mádaba:

– Se você sair de Amã por volta de 9h, visitar a principal atração de Mádaba e seguir para o Monte Nebo (a poucos quilômetros da cidade), vai terminar o tour a tempo de almoçar no Haret Jdoudna, dos mesmos donos do Sufra. Ele é bem fácil de ser achado, já que fica na mesma rua da igreja onde está o mosaico de Mádaba e é bem conhecido na cidade.

Em Wadi Musa (Petra):

Red Cave. Fica na parte baixa da cidade, junto das lojas no final da rua, antes da entrada para o parque de Petra, perto do hotel Mövenpick. Tem dono simpaticão e comida beduína ótima, por um preço bom.

Na vila de Dana:

Restaurante Fienans Way. Um lugar simplinho, com pratos deliciosos, onde você come à sombra das árvores, em um terraço com vista para a vila e para o vale. O pessoal que atende é queridíssmo. Fica junto ao Dana Moon Hotel, no meio da rua principal (não existem outras paralelas) e o telefone é 962 322 70581.

Pessoal aproveitando a delícia do restaurante Fienans Way

Pessoal aproveitando a delícia do restaurante Fienans

Em Aqaba:

– Outro lugar que visitei em 2013 e em 2014 foi o restaurante Romero, no Royal Yacht Club de Aqaba. É excelente, apesar de um pouco caro. Segundo o Lonely Planet, é recomendado fazer reserva, mas eu fui ao meio-dia e estava vazio. Talvez o pico seja à noite.

 

22 – Como são os hotéis?

Tem de todos os tipos.

Se você estiver com o caixa bem alto, pode escolher entre quase todas as redes internacionais 5 estrelas, principalmente em Amã, Wadi Musa (Petra), Aqaba e no Mar Morto.

Mas se você não estiver podendo tanto, também tem a opção de ficar em ótimos hotéis bem mais baratos do que os gringos carésimos, num leque de ofertas que começa nos mais baratões até muitos 3 estrelas ótimos.

O Booking está lotado de ofertas na Jordânia e aqui embaixo estão os meus comentários sobre todos que experimentei nas minhas duas viagens para o país (coloquei o ano da estadia entre parênteses).

Em Amã:

Landmark Amman (2013) – Um bom hotel caro, mas sem nada de especial além de um belo café da manhã. É uma boa escolha se o preço for menor do que outros 5 estrelas e você não quiser gastar tanto.

Le Royal (2013) – Se você gosta de dourado e ostentação, vai ter orgasmos neste hotel. O serviço é bom e os quartos são enormes, mas peça um com vista (que é linda) ou você corre o risco de ficar de frente para um vizinho.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Misk Hotel (2014) – Se em 2013 eu pude experimentar a vida de rico, em 2014 as coisas voltaram ao normal e o hotel escolhido foi este pequeno e agradável lugar. Tivemos um inconveniente logo na chegada, mas foi resolvido rapidamente. É relativamente bem localizado e tem uma casa de câmbio quase ao lado. Eu voltaria a me hospedar lá.

Em Wadi Musa (Petra):

Mövenpick Resort Petra (2013) – Imbatível na localização: fica ao lado da entrada do parque e ao lado das lojinhas e restaurantes da parte baixa da cidade. Serviço e quartos bons, como se espera de uma rede dessas.

Al Rashid Hotel (2014) – Para você ver como essas coisas mudam entre uma viagem a convite e uma viagem paga do próprio bolso. Se em 2013 eu fiquei na boca de Petra, num hotel 5 estrelas, em 2014 eu fui parar num hotelzinho simples na parte média-alta da cidade. Mas não reclamo, porque o Al Rashid foi bom mesmo quando deu problema, já que o pessoal correu para resolver tudo rapidinho. A localização é legal, perto de muitos mercadinhos e restaurantes, mas você vai ter que ir de carro para o parque de Petra, se não quiser descer e subir uns 2 km de montanha caminhando.

No deserto de Wadi Rum:

Captain’s Desert Camp (2013) – Na verdade eu não dormi nele, apenas jantei por lá. Pareceu bom, apesar de algumas críticas negativas no Booking. Na dúvida, escolhi outro em 2014.

Rahayeb Desert Camp (2014) – Achei muito bom, apesar do jantar não ter sido lá grande coisa. O staff é simpaticíssimo e as instalações, ótimas para um acampamento no meio do nada. Se você estiver acompanhado do seu cônjuge, recomendo fortemente que reserve uma barraca VIP, que não custa muita coisa (perto dos outros preços da Jordânia) e você vai ter o seu próprio banheiro, uma baita cama e um monte de espaço para se espalhar.

Wadi Rum Barraca VIP

A incrível barraca VIP

Wadi Rum Barraca VIP Banheiro

O banheiro da barraca VIP

Em Aqaba:

Hotel Radisson Blu Tala Bay (2013) – Se você curte resorts, certamente vai gostar deste. A praia é bonita e as instalações são ótimas, mas não é nada memorável. Ao menos não foi para mim.

No Mar Morto:

Não sou fã de resorts, mas não consigo imaginar hospedagem melhor do que esse tipo no Mar Morto. Pelo que pude ver nas duas viagens, qualquer outra opção de hotel na região fica longe da praia, que é justamente a maior atração local. Por isso nem pensei duas vezes quando estava montando o tour de 2014: tasquei logo um resortão no final, para podermos descansar depois de toda a aventura. Recomendo que você economize nos outros hotéis, se for necessário, mas encerre a sua viagem do mesmo jeito.

Kempinski Ishtar Dead Sea (2013) – Um dos melhores hotéis da minha pobre vida de viajante. Ao contrário da maioria dos resorts do Mar Morto – bregas e ostensivos, na minha opinião – o Kempinski é elegantérrimo e tem quartos excelentes. Tentei levar meus pais para lá em 2014, mas desisti quando vi os preços. Se você não se assustar com esse “detalhe”, recomendo muito que faça o que eu não consegui fazer.

Holiday Inn Resort Dead Sea (2014) – Não tive dúvidas quando vi uma promoção em que o preço dele era a metade do preço do Kempinski. No fim das contas foi uma estadia com satisfação média: a infraestrutura é boa e a equipe é atenciosa, mas tivemos problemas nos quartos e os detalhes não eram dignos do valor cobrado. Já fiquei em hotelecos zilhões de vezes mais baratos e bem mais cuidadosos.

23 – E loja, Gabriel? Tem muitas lojas?

Sim! Muitas! A Jordânia tem até Ikea, se você quiser trazer uns móveis suecos para a sua casa.

Mas se suas compras forem mais de coisas locais e originais, recomendo as quatro melhores lojas:

– Bawabet Al-Sharq – Fica na Rainbow Street, em Amã, mas não tem número no cartão, então pergunte quando estiver por perto;

Jordan River Foundation – Fica perto da Rainbow Street, na Fawzi al-Malouf Street, também em Amã;

– Made in Jordan – Fica em Wadi Musa (Petra), nas lojas e restaurantes da parte baixa da cidade, perto da entrada do parque de Petra. É no andar de cima de onde acontece o Petra Kitchen.

Keffiyeh caro detalhe 1

 

23 – Alguma dica extra?

Cuidado com os taxistas de Amã. Eles não vão ser violentos, não se trata disso, mas é grande a chance de quererem ganhar uns trocados em cima de você. Fique de olho no taxímetro, não caia em conversa fiada e, em caso de dúvidas, pergunte no seu hotel.

Se o motorista quiser acertar um preço antes da corrida, compare com o que você já pagou e decida se vale a pena ou não. E não esqueça: à noite, os preços são exatamente os mesmos daqueles praticados durante o dia. Não seja besta como eu fui.

 

24 – Blogs com dicas da Jordânia

Viaje na Viagem

Siamo Arrivati

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Já disse aqui em cima várias vezes, mas repito para lembrar: em 2013, o Gabriel Quer Viajar foi para a Jordânia em uma press trip oferecida pela Jordan Tourism Board.

Em 2014 foi de forma independente mesmo.

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    36 Comentários
  1. Sinceramente, o melhor site/blog com as melhores dicas e super objetivo Q li na internete. Gabriel to indo agora em março com 4 amigos, as agências no Brasil me cobraram 900 euros para os passeios e hotel por 8 dias para cada pessoa. Achei caro, com suas dicas resolvi Q vou locar um carro e seguir suas dicas! Valeu cara!

  2. Oi Gabriel,
    Adorei as suas dicas. Somos 3 pessoas e estamos querendo alugar um carro e repetir o seu roteiro em dezembro. Minha unica preocupação é devido ao clima. Tenho medo de pegar neve, chuva na estrada. O que voçê acha? Abraços, Fátima

    • Oi, Fatima! Que legal que vocês vão repetir o roteiro! =)
      Quanto ao que eu acho sobre o clima… Bem, não sei o que dizer, desculpe. Isso é uma questão imprevisível e muito pessoal: depende da incerteza do clima e depende de vocês gostarem ou não do frio. É certo que é uma época de temperaturas normalmente baixas, então se vocês não se importarem com isso, talvez devam apostar e ir. Mas se não gostam, talvez o melhor seja ir em outra época mesmo. =/
      Abraço e boa viagem!

  3. ola Gabe , adorei teu relato…well aproveitando preciso de ajuda!!!
    vou sozinha para jordania em fevereiro de 2017.
    nao quero ir a aqapa mas quero fazer um tour completo e pensei no final encerrar com mar morto e sair diretamente para o aeroporto.
    pode me ajudar a fazer um roteiro de amã , redondezas, dana,petra,wadirun no deserto…
    agora vendo o mapa talvez seja melhor fazer tudo e de wadirum subir direto para amã?
    abs vivian

    • Oi, Vivian! Que bom que você gostou do relato. Olha, eu sugiro que você faça o mesmo roteiro que eu fiz em 2014, apenas retirando a parada em Aqaba. É claro que você vai ter que ver se isso é possível de acordo com a forma que você for se locomover (lembrando: eu fiz tudo de carro). Se não for possível, talvez você precise fazer algumas adaptações. Boa viagem! =)

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