Hoje eles são pouco mais de 1000, espalhados em 161 países. Se você já deu uma voltinha pelo mundo – ou mesmo pelo Brasil – certamente viu um por aí, talvez entre os 779 que são considerados culturais, entre os 197 considerados naturais ou entre os 31 considerados mistos (que envolvem cultura e natureza).

Estes números, aliás, podem mudar em breve, porque 46 deles estão em perigo, ao mesmo tempo em que 1610 novos podem entrar no clube também.

Mapa UNESCO

Eles são os Patrimônios Mundiais da Humanidade da UNESCO, aquelas atrações onipresentes nos guias de viagem e praticamente obrigatórias para qualquer turista. Uma lista com histórias e curiosidades interessantíssimas que resolvi destrinchar para mim mesmo, mas que divido aqui no blog com você, porque eu sou um cara legal.

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O QUE SÃO E QUANDO SURGIRAM

“UNESCO” é a sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, uma entidade criada pela ONU em 1945 com o objetivo de construir uma “paz duradoura” baseada na “solidariedade moral e intelectual da humanidade” e não apenas através de acordos políticos e econômicos.

Naquela época ainda não existia uma lista oficial de lugares que o mundo inteiro deveria preservar e o assunto só virou uma preocupação planetária 14 anos depois, quando Egito e Sudão pediram socorro à UNESCO para salvar vários tesouros arqueológicos que seriam inundados por uma nova represa e precisavam ser transferidos para lugares seguros, exigindo uma megaoperação de engenharia digna de série na NatGeo.

Os templos de Abu Simbel sendo transferidos, em 1967 | Foto: Per-Olow Anderson (domínio público)

Os templos de Abu Simbel sendo transferidos, em 1967 | Foto: Per-Olow Anderson (domínio público)

O chapéu foi passado entre os países membros da entidade, que doaram quase a metade dos US$ 80 milhões usados nas obras. Foi quando o pessoal percebeu que a união de todos era possível e que eles deveriam fazer o mesmo para preservar muito mais, levando a UNESCO a iniciar os rascunhos de um documento geral de proteção de riquezas culturais mundiais.

Então, em 1965, os Estados Unidos apareceram com a ideia de que os países deveriam proteger também os patrimônios naturais do planeta e começou a se formar a lista de preservação que conhecemos hoje, que só foi registrada oficialmente no final de 1972, com a Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural, um documento com todas as regras sobre o assunto – e que você pode ler em português aqui.

Quatro anos depois, foi formado o primeiro Comitê do Patrimônio Mundial, encarregado de decidir o que deveria ser preservado e composto por representantes de países que haviam assinado a convenção.

Nasciam os Patrimônios Mundiais da Humanidade da UNESCO.

 

QUEM FORAM OS PRIMEIROS INSCRITOS

Foram 27 candidatos, mas apenas 13 passaram pelo crivo dos examinadores prévios e foram recomendados aos integrantes do comitê.

Destes, somente 12 entraram, porque o comitê achou que um deles não tinha documentos suficientes.

Documento original com os primeiros Patrimônios Mundiais

Documento original com os primeiros Patrimônios Mundiais

Assim, em 1978, foi inaugurada a lista de Patrimônios Mundiais da Humanidade da UNESCO, que tinha estes lugares aqui embaixo (em ordem alfabética pelo nome do país em inglês, exatamente como no documento original):

Parque Nacional Histórico L’Anse aux Meadows – Canadá

Parque Nacional Nahanni – Canadá

Ilhas Galápagos – Equador

Galápagos, o patrimônio #1, mas não o primeiro | Foto: blinking idiot (CC BY-ND 2.0)

Galápagos | Foto: blinking idiot (CC BY-ND 2.0)

Cidade de Quito – Equador

Parque Nacional Simien – Etiópia

Martino's doodles (CC BY-NC-SA 2.0)

Parque Nacional Simien | Foto: Martino’s doodles (CC BY-NC-SA 2.0)

Igrejas escavadas na rocha, em Lalibela – Etiópia

Catedral Aachen – Alemanha

Centro Histórico de Cracóvia – Polônia

Mina de sal de Wieliczka – Polônia

Ilha de Goree – Senegal

Kalyan Neelamraju (CC BY-NC-SA 2.0)

Ilha de Goree | Foto: Kalyan Neelamraju (CC BY-NC-SA 2.0)

Parque Nacional Mesa Verde – EUA

Parque Nacional Yellowstone – EUA

 

A LISTA COMPLETA

Desculpe, não vou colocar 1007 lugares aqui. Se você quiser ver a lista, clique no mapa abaixo leia direto no site da UNESCO.

Mapa UNESCO

 

QUEM FORMA O COMITÊ DO PATRIMÔNIO MUNDIAL

No início eram 15 países, mas hoje o comitê – que precisa “assegurar uma representação equitativa das diferentes regiões e culturas do mundo” – é formado por 21 nações entre as 191 assinantes da convenção.

Os integrantes são eleitos a cada Assembleia Geral dos Países-Membros da Convenção do Patrimônio Mundial e têm mandatos de 6 anos, mas muitos abrem mão desse período para aumentar a rotatividade e acabam ficando só 4 anos. Todos os membros eleitos nas últimas duas assembleias, por exemplo, concordaram com essa redução.

Hoje, os países que ocupam as cadeiras do comitê são Argélia, Colômbia, Croácia, Finlândia, Alemanha, Índia, Jamaica, Japão, Cazaquistão, Líbano, Malásia, Peru, Filipinas, Polônia, Portugal, Catar, Coreia do Sul, Senegal, Sérvia, Turquia e Vietnã.

 

O QUE FAZ O COMITÊ DO PATRIMÔNIO MUNDIAL

Tudo.

Ele decide quem entra e quem sai da lista, quem precisa de atenção especial (por estar em perigo), quem recebe dinheiro do fundo de assistência, quanto cada lugar deve receber e mais um monte de outras burocracias.

Os encontros desse pessoal acontecem uma vez por ano (salvo encontros extraordinários) e também têm a presença de vários representantes de organizações internacionais ligadas a preservação cultural e natural, além de convidados individuais e membros de instituições públicas, para que qualquer dúvida possa ser esclarecida na hora.

Em 2015, a reunião vai acontecer em Bonn, na Alemanha, entre 28 de junho e 8 de julho.

 

COMO ALGO VIRA PATRIMÔNIO MUNDIAL

O caminho é longo e envolve uma penca de documentos, mapas, avaliações e o escambau, então vou apenas explicar de forma bem básica.

O primeiro passo é o país-membro incluir seu candidato na Lista de Tentativa, uma espécie de inventário de lugares que cada nação acredita ter de importante para a humanidade.

Depois disso acontecem avaliações, orientações e tal, até que sejam definidos aqueles que podem seguir adiante na seleção.

Os que conseguem ir até o final são analisados na reunião anual do comitê, que faz uma votação – seguindo critérios pré-definidos – para decidir quais entram para o clube de Patrimônios Mundiais da Humanidade da UNESCO e quais não entram.

O candidatos que não são aceitos podem ser reapresentados em outras oportunidades, se os países quiserem e se eles passarem de novo por todas as seleções.

Ah, sim: é importante dizer que os lugares que pretendem virar Patrimônio da Humanidade da UNESCO precisam ser indicados pelo(s) país(es) onde eles estão. Sem o consentimento oficial do(s) estado(s), não tem indicação. A UNESCO não faz nada sozinha.

Hoje, existem 1610 lugares inscritos na Lista de Tentativa, representando 172 países.

A cidade de Herat, no Afeganistão, está na Lista de Tentativa | Foto: Peretz Partensky (CC BY-NC-SA 2.0)

A cidade de Herat, no Afeganistão, está na Lista de Tentativa | Foto: Peretz Partensky (CC BY-NC-SA 2.0)

 

QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS

São estes dez aqui embaixo, tanto para patrimônios culturais quando para naturais. Se o candidato passar em pelo menos um deles, já é aceito.

– Representar uma obra-prima do gênio criativo da humanidade.

– Mostrar um intercâmbio importante de valores humanos durante um determinado período de tempo ou dentro de uma área cultural do mundo, no desenvolvimento da arquitetura ou da tecnologia, das artes monumentais, do planejamento urbano ou do desenho de uma paisagem.

– Ter um registro único, ou ao menos excepcional, de uma tradição cultural ou de uma civilização que está viva ou que tenha desaparecido.

– Ser um exemplo marcante de um tipo de construção ou de um conjunto arquitetônico ou tecnológico, ou de uma paisagem que ilustre estágios significativos da história humana.

– Ser um exemplo marcante de um assentamento humano tradicional, de uso da terra ou do mar, que seja representativo de uma ou mais culturas, ou de interação humana com o meio ambiente, especialmente quando tenha ficado vulnerável ao um impacto de mudança irreversível.

– Estar direta ou tangivelmente associado a eventos ou tradições vivas, a ideias ou crenças, a trabalhos artísticos e literários de destacada importância universal.

– Ter fenômenos naturais excepcionais ou áreas de beleza natural e estética de excepcional importância.

– Ser um exemplo excepcional de estágios significativos da história da Terra, incluindo registros da vida, processos geológicos em curso no desenvolvimento das formas terrestres ou importantes elementos geomórficos ou fisiográficos.

– Ser um exemplo excepcional que represente processos ecológicos e biológicos da evolução e do desenvolvimento de ecossistemas terrestres, costeiros, marítimos ou aquáticos e comunidades de plantas ou animais, em curso.

– Ter os mais importantes e significativos habitats naturais para a conservação in situ (no local) da diversidade biológica, incluindo aqueles que contenham espécies de valor excepcional ameaçadas sob o ponto de vista da ciência ou da conservação.

 

O QUE SIGNIFICA SER PATRIMÔNIO MUNDIAL

O significado mais óbvio é ter o seu valor cultural e/ou natural reconhecido por 191 países, mas não é só isso.

Um título de Patrimônio Mundial atrai a atenção do mundo inteiro, o que tende a atrair também turistas e, consequentemente, dinheiro. Isso pode ser muito bom, se o turismo for controlado, mas também pode ser uma ameaça, já que a visitação desenfreada é um dos motivos que levam os mesmos Patrimônios Mundiais para a lista de patrimônios em risco (veja abaixo).

Poder usar isso significa muito | Foto: Andy Gimblett (CC BY-NC-ND 2.0)

Poder usar isso significa muito | Foto: Andy Gimblett (CC BY-NC-ND 2.0)

Outra consequência é o acesso ao Fundo do Patrimônio Mundial, uma baita poupança feita pelas contribuições obrigatórias e espontâneas dos países que fazem parte da convenção. Obviamente esse dinheiro não é liberado para qualquer um, nem é dado de graça. Ele é emprestado a juros amigões principalmente para a proteção de patrimônios em risco, mas também para a conservação de patrimônios que não correm perigo.

Para finalizar, ter um Patrimônio Mundial dentro dos seus limites não é só um mar de rosas para um país, com aumento no turismo e acesso a uma dinheirama amiga. Cada uma das nações se compromete a preservar o seu patrimônio e a educar a sua população para respeitar o lugar, entre outras obrigações.

Inscrições na lista não são direitos garantido eternamente. Se a coisa descambar, o patrimônio pode ser excluído, o que além de ser uma perda para a humanidade, é uma vergonha para o país dono dele.

 

PATRIMÔNIOS MUNDIAIS EM PERIGO

Esta é a parte triste do post. A lista de Patrimônios Mundiais em Perigo tem (atualmente) 46 lugares que correm vários tipos de riscos, desde perder as suas características originais até desaparecer completamente do mapa.

As causas destas ameaças também são variadas: guerras, desastres naturais, urbanização descontrolada, poluição e muito mais, incluindo aí o turismo desenfreado.

É, pois é.

Segundo a UNESCO, a inscrição de algum patrimônio na lista é vista de forma diferente pelos países. Alguns pedem para que isso aconteça, numa tentativa de conseguir fundos para a recuperação e proteção deles. Outros não querem ver seus nomes lá, porque acham humilhante.

Veja quais são os patrimônios com a corda no pescoço (em ordem alfabética pelo nome do país):

Afeganistão

Vale Bamiyan

Vale de Bamiyan, onde ficavam os Budas destruídos pelo Talibã | Foto: Hadi Zaher (CC BY-NC-ND 2.0)

Vale de Bamiyan, onde ficavam os Budas destruídos pelo Talibã | Foto: Hadi Zaher (CC BY-NC-ND 2.0)

– Minarete de Jam

Belize

Reserva da barreira de arrecifes

Bolívia

Cidade de Potosí

Chile

Fábricas de nitrato de Humberstone e Santa Laura

Colômbia

Parque Nacional Los Katíos

Costa do Marfim

Parque Nacional Comoé

Reserva Natural do Monte Nimba (dividida com Guiné)

Egito

Ruínas de Abu Mena

Estados Unidos

Parque Nacional Everglades

Etiópia

Parque Nacional Simien

Geórgia

Catedral Bagrati e Monastério Gelati

Eu desisti de visitar Bagrati depois que li sobre as "reformas" que fizeram nela | Foto: Roberto Strauss (CC BY-SA 2.0)

Eu desisti de visitar Bagrati depois que li sobre as “reformas” que fizeram nela | Foto: Roberto Strauss (CC BY-SA 2.0)

Monumentos históricos de Mtskheta

Guiné

Reserva Natural do Monte Nimba (dividida com Costa do Marfim)

Honduras

Reserva da Biosfera Río Plátano

Iêmen

Cidade histórica de Zabid

Zabid | Ahron de Leeuw (CC BY 2.0)

Zabid | Ahron de Leeuw (CC BY 2.0)

Ilhas Salomão

Atol East Rennell

Indonésia

Patrimônio da Floresta Tropical de Sumatra

Iraque

Ashur (Qal’at Sherqat)

– Cidade arqueológica de Samarra

Samarra | Gus Wallen (CC BY-NC-SA 2.0)

Samarra | Gus Wallen (CC BY-NC-SA 2.0)

Israel

Cidade Velha de Jerusalém e seus muros

Madagascar

Florestas Úmidas de Atsinanana

Mali

Timbuctu

Túmulo de Askia

Túmulo de Askia | Foto: UN Mission in Mali (CC BY-NC-SA 2.0)

Túmulo de Askia | Foto: UN Mission in Mali (CC BY-NC-SA 2.0)

Níger

Rservas Naturais de Air e Ténéré

Palestina

Igreja da Natividade e a rota de peregrinação, em Belém

Paisagem cultural de Battir

Battir | Andrea Moroni (CC BY-NC-ND 2.0)

Battir | Foto: Andrea Moroni (CC BY-NC-ND 2.0)

Panamá

Fortificações de Portobelo-San Lorenzo

Peru

Zona arqueológica de Chan Chan

Reino Unido

Cidade Mercantil Marítima de Liverpool

República Centro-Africana

Parque Nacional Manovo-Gounda St Floris

República Democrática do Congo

Parque Nacional Garamba

Parque Nacional Kahuzi-Biega

Reserva Selvagem Okapi

Parque Nacional Salonga

Parque Nacional Virunga

weesam2010 (CC BY-NC-SA 2.0)

Gorila da Rep. Dem. do Congo | Foto: weesam2010 (CC BY-NC-SA 2.0)

Senegal

Parque Nacional Niokolo-Koba

Sérvia

Monumentos medievais de Kosovo

Síria

Cidade antiga de Aleppo

Cidade antiga de Bosra

Cidade antiga de Damasco

druidabruxux (CC BY-NC-SA 2.0)

Damasco | Foto: druidabruxux (CC BY-NC-SA 2.0)

Vilas antigas do norte da Síria

Crac des Chevaliers e Qal’at Salah El-Din

Palmyra

Tanzânia

Reserva de Caça Selous

Uganda

Tumbas dos reis buganda em Kasubi

Foto: Gunnar Ries (CC BY-SA 2.0)

Foto: Gunnar Ries (CC BY-SA 2.0)

Venezuela

Cidade de Coro e seu porto

Para todos os casos, a liberação de verba para a proteção do patrimônio é preferencial para os países nas seguintes situações:

– País menos desenvolvido ou de baixa renda, de acordo com padrões da ONU;

– País de renda média-baixa, de acordo com definições do Banco Mundial;

– Pequenos países insulares em desenvolvimento;

– País-membro da convenção em situação de pós-conflito.

 

O SÍMBOLO

World Heritage LogoJá que este logotipo está em todos os lugares protegidos pela convenção, fui atrás de mais informações sobre ele e encontrei coisas interessantes.

Ele foi criado pelo artista belga Michel Olyff e aprovado já na segunda reunião do comitê, a mesma em que foram selecionados os primeiros patrimônios. De acordo com o autor, o quadrado central representa uma forma criada pelo homem, enquanto o círculo representa a natureza e o próprio planeta, além de dar ideia de proteção.

Para ele (e para o comitê que aprovou o desenho) isso mostra a interdependência entre patrimônios naturais e culturais, “em uma forma simples de ser aplicada em mapas e identificar lugares”.

A mi me gusta.

 

CURIOSIDADES

– Demorou mas não falhou

Sabe aquele único candidato negado na primeira lista, em 1978? Ele era o Parque Nacional Ichkeul, que fica na Tunísia e acabou virando Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO em 1980.

Foto: Dhfaouzi (CC BY-SA 3.0)

Foto: Dhfaouzi (CC BY-SA 3.0)

 

– Crowdfunding

O dinheiro do Fundo do Patrimônio Mundial vem principalmente das contribuições dos países participantes, mas também vem de doações feitas por pessoas e empresas – e quem doa ganha um mapa-múndi (88 X 58 cm) com indicação de todos os patrimônios.

Mapa Unesco Patrimônios

Você pode doar aqui ou simplesmente comprar o mapa por 2,50 EUR, na página da UNESCO.

Também dá para baixar o mapa em PDF, gratuitamente, mas tenha dó, né?

 

– Agradecimento egípcio

Lembra daquele primeiro esforço mundial para salvar as relíquias egípcias que seriam inundadas por uma represa? O Egito ficou tão agradecido pelo apoio que doou 4 templos antigos para países que participaram da ação de forma mais intensa. Assim, o Templo de Debod foi para a Espanha, o de Taffa (ou Taffeh) foi para a Holanda, o de Dendur foi para os EUA e o de Ellesyia foi para a Itália.

Debod, em Madri | Foto: Adam Jason Moore (CC BY-NC 2.0)

Debod, em Madri | Foto: Adam Jason Moore (CC BY-NC 2.0)

 

– Patrimônio número 1?

Se você reparar no endereço eletrônico de cada patrimônio no site da UNESCO, vai perceber que todos têm um número próprio, que começa em 1 e segue até o infinito.

Você vê o número 1 ali em cima?

Você vê o número 1 ali em cima?

Desavisado e precoces podem concluir que eles indicam a ordem de entrada dos patrimônios na lista, o que daria às Ilhas Galápagos a honra de terem sido o 1º Patrimônio da Humanidade da UNESCO, mas não parece ser isso.

Alguns dos 12 primeiros lugares tombados têm números bem mais altos do que 12, indicando que não existe uma ordem linear de aceitação no clube (o Parque Nacional Nahanni, por exemplo, tem número 24). Além disso, os números são os mesmos que aparecem na lista de candidatos e são definidos como “número de identificação”, o que me leva a crer que são apenas a ordem de candidatura, não de tombamento.

"Números de identificação" na lista de candidatos

“Números de identificação” na lista de candidatos

Se alguém tiver uma informação confiável sobre isso e quiser compartilhar nos comentários, agradeço.

 

– Tombou

“Tombar” é uma palavra portuguesa que significa “inventariar” e foi dela que nasceu o nosso “tombamento”.

Os arquivos históricos de Portugal ficam guardados na Torre do Tombo, um prédio moderno, em Lisboa, que tem o mesmo nome de uma antiga torre (destruída pelo terremoto de 1755) onde os mesmos arquivos eram guardados.

 

– Os 10 primeiros e o Brasil

O primeiro país a assinar a Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural foi os EUA, em 1973.

Em seguida assinaram Egito, Iraque, Bulgária, Sudão, Argélia, Austrália, República Democrática do Congo, Nigéria e Níger, todos nesta ordem e em 1974.

O Brasil só assinou em 1977, depois de 32 países.

 

– Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

Apesar de ONU, UNESCO e Convenção do Patrimônio Mundial estarem ligados, os países que fazem parte de um não precisam necessariamente fazer parte de outro.

Exemplos:

A Palestina não é membro da ONU, mas é membro da UNESCO e assinou a convenção;

Liechtenstein é membro da ONU, mas não é da UNESCO, nem assinou a convenção;

Sudão do Sul é membro da ONU e da UNESCO, mas não assinou a convenção.

 

– Guerra por patrimônio

Uma nomeação também pode terminar em guerra, como aconteceu em 2008, quando o templo Preah Vihear, no Camboja, entrou para a lista.

Preah Vihear | Austin King (CC BY-NC-SA 2.0)

Preah Vihear | Austin King (CC BY-NC-SA 2.0)

Apesar do seu território ser internacionalmente reconhecido como cambojano, o templo fica na fronteira com a Tailândia, país que vivia reclamando que a área era sua. Assim que a UNESCO divulgou que o templo havia sido aceito como Patrimônio Mundial da Humanidade, os tailandeses atacaram e o clima ficou pesado na região, com batalhas locais que causaram mortes e danificaram o templo.

Em 2013, a Corte Internacional de Justiça determinou que o templo era cambojano, sim, mas não consegui descobrir como a história ficou depois disso.

 

– Ex-patrimônios

Se um título de Patrimônio Mundial da Humanidade não é necessariamente eterno, é bem dificil perder essa honraria: até hoje, míseros dois lugares foram excluídos da lista.

O primeirão, em 2007, foi o Santuário do Órix da Arábia, uma reserva natural em Omã. O próprio governo local pediu a exclusão dele, porque queria reduzir o tamanho do santuário em 90%, depois de encontrar petróleo na região.

O segundo foi – veja só – na desenvolvidíssima Alemanha, em 2009. O Vale do Rio Elba, em Dresden, levou um pé na bunda depois que o governo local construiu uma ponte que, segundo a UNESCO, dividiu e descaracterizou o lugar.

(E a UNESCO é rancorosa, porque deixa o nome do ex-patrimônio lá, com esse riscão em cima.)

Vale do Rio Elba

 

– O campeão dos patrimônios

O país com o maior número de Patrimônios Mundiais da Humanidade da UNESCO é a Itália, com 50 inscritos, três a mais do que a China, a segunda colocada.

O Brasil tem apenas 19.

 

– Os lanternas

Trinta países que assinaram a convenção não têm nenhum Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO.

 

Os maiores na natureza

O país campeão em área absoluta protegida é os Estados Unidos, com 465.000 km2

O patrimônio campeão no quesito tamanho é a Área Protegida das Ilhas Phoenix, em Kiribati, com 408.000 km2. Só que a maior parte dela fica embaixo d’água.

Dr. Randi Rotjan (CC BY-SA 3.0)

Foto: Dr. Randi Rotjan (CC BY-SA 3.0)

 

– Não é barato, não

Em 2010, os chineses ficaram fulos quando descobriram que seus governantes haviam gasto (ou investido, depende do seu ponto de vista) US$ 67 milhões para que a paisagem de Danxia virasse Patrimônio Mundial.

Rick Lo (CC BY-NC-SA 2.0)

Danxia, China | Foto: Rick Lo (CC BY-NC-SA 2.0)

 

– Viciadinho

Segundo a página World Heritage Site – que é praticamente uma fanpage dos Patrimônios Mundiais, com informações de todos eles (acho), fóruns de debates e mais um mundo de coisas – o sujeito que mais visitou patrimônios no mundo é o turco Atila Ege, com nada menos que 748 lugares no caderninho.

 

– Quantos você visitou?

No mesmo World Heritage Site, existe uma “calculadora” de patrimônios visitados aberta a qualquer pessoa. Você só precisa ir lá com tempo de sobra e ter paciência para indicar todos patrimônios que visitou. No final ele soma tudo para você.

Se você tiver essa disposição, volte aqui para colocar o seu número nos comentários.

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    28 Comentários
  1. Amei a matéria, parabéns pelo ótimo trabalho.
    Achei as informações bastante completas e esclarecedoras.

    Muito obrigada.

  2. Ual, que matéria incrível.
    Adorei as informações e estou super satisfeita com as dicas!

    Parabéns pelo excelente trabalho!

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