Este guia é baseado em duas viagens bem diferentes que fiz ao Irã.

A primeira delas (outubro-novembro/2013, duração: 29 dias), foi feita na companhia da minha mulher, com um carro alugado, parando em hotéis de nível médio e preços idem.

A segunda viagem (maio-junho/2015, duração: 18 dias), pode ser dividida nas duas partes descritas logo aqui embaixo da foto.

Rosas

Na primeira parte eu estava no Expresso Persa Rota da Seda, um tour classe A que rendeu poucas dicas práticas mas foi compensado por informações sobre hotéis de luxo.

Já na segunda parte, fiquei sozinho na cidade mais cara do país (Teerã) por 10 dias, hospedado num hotel de uma estrela e vivendo com orçamento apertado, extraindo todas as dicas que conseguia dos meus amigos iranianos.

Duas viagens, 3 estilos: classe média independente, tour classudo e mochileiro ferrado contando dólares. Precisei de um ano e meio para fazer isso, mas acho que valeu a pena, porque me parece que o guia ficou bem completinho.

Eu acho.

De qualquer maneira, faço uma ressalva antes de começar: eu realmente não consegui entender o motivo, mas o governo iraniano não concordou com a minha proposta genial para ele montar uma equipe especial com a nobre tarefa de me manter a par de todas as mudanças em informações de interesse dos meus leitores.

Então, infelizmente, algo do que está aqui pode ficar defasado com o tempo e é melhor você confirmar as informações em outras fontes, se estiver lendo isso muitos anos depois das minhas revisões.

É claro que tentarei manter tudo o mais atualizado possível, mas anote aí a data da revisão atual: JUNHO/2015.

Agora sigamos.

*****

Onde fica o Irã?

Na Ásia, mais especificamente no Oriente Médio, fazendo fronteira com Turquia, Iraque, Paquistão, Afeganistão, Turcomenistão, Azerbaijão e Armênia, com litorais no Golfo Pérsico e no Mar Cáspio.

 

Qual é o tamanho do Irã?

Muita gente já me perguntou: “O Irã é um país pequeno, né?”.

Não, não é.

O Irã é enorme e faço questão de salientar isso, porque é importante prever muito tempo de deslocamento na sua viagem por lá. As distâncias são longas, bem longas. Um ônibus entre Esfahan e Shiraz, por exemplo, leva 9 horas. É um dia inteiro na estrada. Esteja ciente disso.

Como comparação, imagine que o Irã é um pouco maior do que o nosso estado do Amazonas. Veja como ele fica dentro do Brasil, nesse comparativo do Map Fight.

 

Por que ir para o Irã?

Num resumo muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito resumido, você tem que ir para lá porque o Irã:

– Tem 2.500 anos de história (contando apenas desde o primeiro Império Persa);

– Já foi o maior império do mundo conhecido;

– É a nação de personalidades magníficas da humanidade;

Pasárgada | Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Túmulo de Ciro, o Grande, em Pasárgada

– Tem um número gigantesco de relíquias históricas e religiosas;

– É o único país xiita do mundo;

– É ótimo para perder preconceitos criados pelos jornais;

– Tem as mesquitas mais lindas que já vi nessa curta vida;

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Mesquita Sheikh Lotfollah, em Esfahan

– É mais seguro do que a sua casa (se você mora no Brasil, EUA, Uruguai ou Argentina, entre outros lugares);

– Tem construções que são obras de arte;

– Tem o povo que é considerado, por muitos viajantes experientes, como o mais hospitaleiro do mundo;

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

– É o país mais injustiçado do mundo, nas sábias palavras do meu amigo Henrique Bente, um sujeito que já viajou muitíssimo mais do que eu.

– Está se abrindo para o turismo e ainda tem aquele encanto e ingenuidade com os visitantes.

De qualquer maneira, um dia farei um “Por Que Pra Lá? – Irã” e colocarei o link neste espaço. Mas enquanto este dia não vem, leia todos os posts que escrevi sobre o país. Tem muitos motivos neles.

 

Precisa de visto para ir ao Irã?

Precisei de visto nas minhas duas viagens, mas recomendo que você contate a Embaixada do Irã em Brasiíla na época da sua viagem, para ter informações oficiais.

Neste post aqui, eu conto a minha experiência em 2013 e dou os links para todo o resto.

Sobre vacinas, nenhuma foi pedida nas minhas duas viagens, mas confirme sempre com a embaixada.

Visto Iraniano 2015

 

Como as pessoas chegam no Irã?

Por várias cidades, com opções por via aérea, terrestre e até marítima.

VIA AÉREA

O aeroporto de Teerã (Imam Khomeini International Airport – IKA ou IKIA) é o principal do país e tem voos de/para Turquia, Alemanha, França, Itália, Áustria, Holanda, Suíça, Suécia, Rússia, Dubai, Abu Dhabi, Catar, China, Líbano, Iraque, Malásia, Tailândia, Ucrânia, Índia, Barein, Omã, Azerbaijão, Armênia, entre muitos outros destinos.

As principais companhias que voam do Brasil para lá são Turkish, Qatar, Emirates, Etihad, Lufthansa e Alitalia – todas obviamente fazendo escala nos seus respectivos países.

Do Brasil

Outros aeroportos com boas ligações internacionais são os de Esfahan (IFN) e o de Shiraz (SYZ). Ambos têm voos diários para Istambul, por exemplo, o que pode fazer você economizar um dia de estrada se chegar ou sair deles.

Também existem voos internacionais de/para muitas outras cidades do Irã, como Mashad e Tabriz, principalmente para os países próximos. Verifique com sua companhia preferida ou com as principais companhias iranianas: Iran Air, Iran AsemanMahan Air e Kish Air.

(Existem outras empresas locais, mas só vou recomendar estas. Experimentei as duas primeiras em voos internos, enquanto as outras são recomendadas pelo Lonely Planet.)

Mapa cidades

Wikimedia – Domínio público

Para informação, minha primeira chegada ao país foi por Teerã, num ótimo voo da Turkish, saído de Istambul.

 

VIA TERRESTRE

O Irã tem ligação terrestre com todos os seus vizinhos, e você pode entrar e sair do país usando qualquer uma que esteja aberta para estrangeiros na época da sua viagem, seja por trem, ônibus, carro, moto, bicicleta ou a pé.

Confirme as possibilidades antes de ir, porque essas coisas mudam. Para isso, tente a Embaixada do Irã em Brasília ou algum dos hotéis onde você pretende se hospedar, ou ainda verifique nos seus fóruns favoritos (eu recomendo o Thorn Tree, do Lonely Planet).

Trem:

Na minha segunda visita ao país, entrei de trem pela fronteira entre as cidades de Kapikoy (Turquia) e Razi (Irã). Meu trem era particular, mas existem trens ligando o país a todos os seus vizinhos, ainda que, em alguns casos, eles só cheguem até a cidade mais próxima da fronteira, onde o viajante deve descer, atravessar por conta própria e pegar outro trem na primeira cidade dentro do Irã (e vice-versa).

Placa do trem onde eu estava. Em tempo: "özel" significa "especial"

Placa do trem onde eu estava. Em tempo: “özel” significa “especial”

O trem internacional mais famoso liga Ancara (Turquia) e Teerã, passando pela mesma fronteira que conheci. Ele se chama Trans-Asia Express e você pode ter muitas informações neste link do site Seat 61, atualizado em janeiro de 2015, ou neste site mantido por um austríaco casado com uma iraniana e que se esforça para manter as informações atualizadas.

A companhia estatal de trens também tem um site, mas ele não me pareceu atualizado. Use por sua conta e risco.

Ônibus:

Existe uma linha regular de ônibus entre a Turquia e o Irã, assim com devem existir linhas entre o país e ao menos alguns dos seus outros vizinhos. Não consegui informações confiáveis e atualizadas sobre isso, mas minha dica é: se você não encontrar nada nas capitais, vá até maior cidade perto da fronteira e experimente de lá. Ou, se você quiser sair de casa já com alguma ideia, procure um bom hotel na maior cidade próxima da fronteira e ligue pedindo informações.

Partiu Irã-Oropa? (Em tempo: isso não é um exemplo dos melhores ônibus iranianos)

Partiu Irã-Oropa? (Em tempo: isso não é um exemplo dos melhores ônibus iranianos)

Na pior das hipóteses, você vai ter que ir fazer como nos trens: ir até a cidade mais próxima da fronteira, descer, atravessar por conta própria e pegar outro ônibus na primeira cidade dentro do Irã (e vice-versa).

Veículo próprio:

Apesar de ter passado 23 dias dirigindo pelo Irã, não cruzei nenhuma fronteira, então não sei como são essas coisas no país. Só sei que é possível entrar e sair com o seu próprio veículo, mas minhas informações param por aí.

Dica: procure informações no site Horizons Unlimited ou nos fóruns de viagens.

 

VIA MARÍTIMA:

A empresa Valfajr faz viagens carregando passageiros entre as cidades iranianas de Bandar Abbas, Khorramshahr e Bandar Lengeh e os emirados árabes de Dubai e Sharjah, além de Kuwait e Iraque, sempre pelo Golfo Pérsico.

Valfajr

Até onde consegui pesquisar, não há forma de entrar no país pelo Mar Cáspio. O transporte ali é apenas de carga.

 

Meus roteiros pelo Irã

Em 2013, passei 29 dias no país (ou 27 dias inteiros, para ser exato). Foi um bom período, mas muito, muito, muito longe de ser o suficiente para conhecer tudo que o Irã tem para oferecer. Na verdade, foi longe de ser o suficiente até para conhecer todas as cidades que eu tinha no meu pré-roteiro.

O ideia inicial era fazer o seguinte:

Dia 1 – Chegada em Teerã

Dia 2 – Teerã

Dia 3 – Teerã

Dia 4 – Teerã

Dia 5 – Teerã

Dia 6 – De Teerã para Sanandaj ou, se possível, para Marivan, via Hamadan

Dia 7 – Day trip em Palangan, com noite em Marivan

Dia 8 – De Marivan para Paveh (passando por Howraman) ou, se possível, até Kermanshah

Dia 9 – De Paveh ou Kermanshah para Dorud ou Esfahan

Dia 10 – De Dorud para Esfahan, ou dia inteiro em Esfahan (se tivesse conseguido ir até lá direto no dia anterior)

Dia 11 – Esfahan

Dia 12 – Esfahan

Dia 13 – De Esfahan para Pasárgada e, depois, Persépolis

Dia 14 – De Persépolis para Shiraz

Dia 15 – Shiraz

Dia 16 – Shiraz

Dia 17 – De Shiraz para Bandar Abbas e, em seguida, Ilha Qeshm

Dia 18 – Ilha Qeshm

Dia 19 – Da Ilha Qeshm para Bandar Abbas, seguindo até Bam

Dia 20 – De Bam para Kerman

Dia 21 – Kerman

Dia 22 – De Kerman até o Caravanserai Zein-o-din

Dia 23 – Do Caravanserai Zein-o-din para Yazd

Dia 24 – Yazd

Dia 25 – Yazd

Dia 26 – De Yazd até Abyaneh

Dia 27 – De Abyaneh até Kashan

Dia 28 – De Kashan até Teerã

Dia 29 – Volta de Teerã para Istambul – fim da viagem

Porém, logo no primeiro dia de estrada (o 6º dia da viagem), percebi que o tempo de deslocamento entre as cidades seria muito maior do que o imaginado e que este roteiro era mais impossível que dormir em voos de classe econômica. Comecei a fazer mudanças:

– A noite em Marivan foi cortada, assim como as possíveis noites em Paveh, Kermanshah e Dorud. Me obriguei a fazer Sanandaj-Esfahan (690 km) num tiro só, um dia longo e inteiro na estrada. Foi cansativo, mas ótimo. Juro.

– Decidi fazer Shiraz-Bandar Abbas-Shiraz de avião, economizando dois dias de viagem. O carro ficaria no estacionamento do aeroporto, porque sairia mais barato do que devolver e pegar outro na volta.

– Passei a faca em Kerman, em Bam e no Caravanserai Zein-o-din.

– Cortei a noite em Abyaneh, algo de que me arrependo.

No final, o roteiro ficou assim:

Dia 1 – Chegada em Teerã

Dia 2 – Teerã

Dia 3 – Teerã

Dia 4 – Teerã

Dia 5 – Teerã

Dia 6 – De Teerã para Hamadan

Dia 7 – De Hamadan para Sanandaj

Dia 8 – Day trip em Howraman e Marivan. Noite em Sanandaj

Dia 9 – De Sanandaj para Esfahan

Dia 10 – Esfahan

Dia 11 – Esfahan

Dia 12 – Esfahan

Dia 13 – Esfahan

Dia 14 – De Esfahan para Pasárgada e, depois, para Persépolis

Dia 15 – De Persépolis para Shiraz

Dia 16 – Shiraz

Dia 17 – De Shiraz para Bandar Abbas, voando

Dia 18 – De Bandar Abbas para a Ilha Qeshm

Dia 19 – Ilha Qeshm

Dia 20 – Da Ilha Qeshm para Bandar Abbas e, depois, Shiraz, voando

Dia 21 – De Shiraz para Yazd

Dia 22 – Yazd

Dia 23 – Yazd

Dia 24 – Day trip para ver as cerimônias da Ashura em Zarch e em Taft. Noite em Yazd

Dia 25 – Day Trip para Karanaq, Chak-Chak e Meybod. Noite em Yazd

Dia 26 – De Yazd para Kashan, parando em Abyaneh no caminho

Dia 27 – Kashan

Dia 28 – De Kashan para Teerã

Dia 29 – Saída de Teerã para Istambul – fim da viagem

(O mapa acima mostra apenas as principais cidades, por onde passei de carro – sem incluir daytrips. Para saber o caminho até Howraman, veja o post específico.)

(O mapa abaixo mostra apenas o trecho que foi feito de avião, entre Shiraz e Bandar Abbas – ida e volta. O trecho Bandar Abbas-Qeshm-Bandar Abbas foi feito de barco.)

O que eu mudaria neste roteiro: apenas ficaria mais tempo em Abyaneh. A vila é lindíssima, não é coisa para apenas uma passada no meio do caminho.

De resto, não mudaria nada. Foi um roteiro feito no decorrer da viagem, não há o que ser mudado. Ele foi adaptado às necessidades do momento. Com exceção de Abyaneh, os dias em cada cidade estão adequados e eu repetiria se pudesse.

Isso foi em 2013. Em 2015, a coisa foi bem diferente.

Como você já leu ali em cima, na primeira parte da viagem eu estava no Expresso Persa Rota da Seda, um trem privado que faz Istambul-Teerã, passando pelo interior da Turquia e dando uma volta pelas cidades mais badaladas do Irã.

Início em Istambul, fim em Teerã

Nessa parte, o roteiro não foi montado por mim, mas incluiu as principais cidades turísticas do país. Ficou assim:

Dia 1 – Chegada em Tabriz, vindo da Turquia

Dia 2 – Tabriz e saída para Yazd (noite no trem)

Dia 3 – Yazd

Dia 4 – Yazd e saída para Shiraz (noite no trem)

Dia 5 – Pasárgada, Persépolis e Shiraz

Dia 6 – Shiraz e saída para Esfahan (noite no trem)

Dia 7 – Esfahan

Dia 8 – Esfahan e saída para Teerã

Dia 9 – Teerã

Para repetir este roteiro, você tem duas opções:

– Aguardar o próximo Expresso Persa Rota da Seda (sem esquecer que ele sai de Istambul e cruza a Turquia, totalizando 16 dias de viagem);

– Voar entre todas as cidades ou usar trens/ônibus noturnos para conseguir fazer tudo isso em tão pouco tempo. E ainda tenho dúvidas se vai ser possível.

Depois do tour, passei mais 10 dias em Teerã, de forma independente, curtindo a cidade, descansando e conhecendo lugares que não tive a oportunidade de ver na primeira vez. Em breve atualizarei meu post sobre a cidade, colocando essas informações.

 

Sugestões de roteiros

Roteiros são totalmente pessoais, então me mantive nos lugares que são os mais visitados, além de sugestões caso você tenha mais tempo. Isso não vai fechar a sua viagem (nem é esta a intenção), mas vai servir como um bom início.

O que não pode faltar no Irã:

Teerã

Esfahan

– Yazd

– Shiraz (de onde se faz uma day trip para Pasárgada e Persépolis)

Entre estas cidades, o transporte é fácil – ainda que possa ser demorado, já que algumas distâncias são longas.

Principais cidades do Irã

O que costuma ser acrescentado por quem tem mais tempo para viajar pelo país:

– Kashan

– Tabriz

– Mashad

– Kerman

Com exceção de Kashan, que fica no meio do caminho entre Teerã e as outras cidades básicas, as restantes vão exigir algum tipo de dedicação total se você for até elas por via terrestre, já que ficam bem fora de mão.

Cidades extra

Já se você fizer os trechos voando, tudo tende a ficar mais fácil. Leia o tópico específico, neste guia.

O que costuma ser acrescentado por quem tem mais tempo do que as pessoas que já têm mais tempo:

– Abyaneh (vilazinha linda na região de Kashan)

– Kandovan (próximo a Tabriz)

– Mahan, Rayen, Bam (perto de Kerman)

– Chak Chak, Karanaq e Meybod (nos arredores de Yazd)

– Masuleh (vila perto da região do Mar Cáspio)

– Hamadan (onde estão os túmulos de Ester e Mordecai)

Extras extras

Abyaneh, Kandovan, Mahan, Rayen, Chak Chak, Karanaq e Meybod podem ser feitas em day trips a partir das cidades maiores indicadas ao lado delas.

Bam também pode ser feita numa day trip a partir de Kerman, ainda que um pouco longa.

Já Masuleh e Hamadan ferram tudo. Para elas, você vai precisar de mais tempo.

 

Quando fui, quando ir

Em 2013, fui entre 22 de outubro e 19 de novembro. Foi ótimo. Outono de dias quentinhos e noites friazinhas. A coisa só ferveu em Bandar Abbas e na Ilha Qeshm, na região do Golfo Pérsico. Mas lá é inevitável. São lugares onde os termômetros vivem no topo.

Em 2015, estive no país entre 16 de maio e 3 de junho. O clima foi bem diferente, com muito mais calor do que na primeira vez, inclusive com horário de “siesta” nas cidades (tudo fechado entre 13h e 17h). Em Teerã, já no final, não dava vontade de sair na rua entre 10h e o anoitecer.

De forma geral, os guias impressos que consultei indicam as temporadas iranianas assim:

Alta temporada: de março a maio. Clima agradável, preços mais altos, atrações mais concorridas (ainda que a anos-luz das hordas presentes em atrações europeias). É preciso ter cuidado com o Nowruz, o ano-novo persa, que acontece na entrada da primavera. Tudo fecha neste período, com hotéis, trens e aviões apinhados de gente. É ano-novo, bebê!

Meio da primavera em Tabriz (onde o clima é mais ameno)

Meio da primavera em Tabriz (onde o clima é mais ameno)

Média temporada: de junho a outubro. Não recomendo viagens ao país entre junho e agosto. Como disse ali em cima, peguei só o início de junho e já desanimei horrores nos horários mais quentes do dia. Não consigo imaginar caminhar por lá em julho-agosto.

Já entre setembro e outubro dizem que a coisa fica mais amena. Como falei ali em cima, meus dez dias no fim de outubro foram ótimos.

Vire-se como puder no verão iraniano. Foto: Kamyar Adl (CC BY 2.0)

Vire-se como puder no verão iraniano. Foto: Kamyar Adl (CC BY 2.0)

Baixa temporada: de novembro a fevereiro. Temperaturas bem baixas, neve em muitos lugares, preços mais em conta e pouquíssimos turistas para dividir as atrações com você. Sinceramente? Depois de ter ido na alta temporada (maio), a baixa me pareceu uma ótima opção, tanto para quem quiser ver um dos melhores aspectos do Irã (as atrações vazias, só para você), quanto para quem quiser fazer fotos diferentes, possivelmente com neve.

15 Shiraz Mesquita 2

Em compensação, mesquita vazias e atrações vazias na baixa temporada

Algo que é importante saber sobre o clima no Irã: saindo fora do circuito básico (Teerã, Esfahan, Shiraz, Yazd) você provavelmente sempre vai pegar frio e calor na mesma viagem. Isso porque o país é grande e tem climas muito diferentes. Quando é ameno no sul, é uma friaca do cacete no norte. Quando é ameno no norte, é um calor demoníaco no sul.

FERIADOS

Citei o Nowruz, o ano-novo persa, mas ele é apenas um dos muitos feriados iranianos que podem melar ou melhorar a sua viagem. Na minha experiência de 2013, por exemplo, estava no país durante a Ashura, a cerimônia mais importante do calendário dos xiitas, e foi ótimo.

Cerimônia da Ashura, em Yazd – Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Cerimônia da Ashura, em Yazd

O grande problema dos feriados iranianos é que muitos deles mudam de data ao longo dos anos, porque são determinados pelo calendário lunar. Para saber direitinho quais vão cair na época da sua viagem, faça uma pesquisa. Este site parece ser um bom começo.

RAMADÃ

Fique ligado na época do Ramadã, o mês de jejum dos muçulmanos. Se por um lado ele deve ser interessantíssimo (eu acho), por outro ele pode complicar o seu dia a dia, com horários diferentes no comércio e a impossibilidade de fazer refeições em muitos lugares, já que é recomendado que você não coma na frente de quem estiver jejuando – ainda que um monte de iranianos apenas finja participar do jejum.

Para saber quando vai cair o Ramadã (que muda de data todos os anos e lá é chamado de “Ramazan”), cheque este site.

 

Como o pessoal viaja lá dentro?

Antes de mais nada é importante saber que o pessoal viaja muito lá dentro, por causa da dificuldade que os iranianos têm de conseguir vistos para outros países (o passaporte deles só dá livre acesso a poucas dezenas de nações, contra mais de uma centena do Brasil).

Digo isso para reforçar o que já foi dito em outros momentos deste guia: prepare-se com antecedência caso sua viagem inclua feriados ou tenha deslocamentos durante os finais de semana (que são quinta e sexta lá), principalmente durante a alta temporada do turismo no país.

VIAJANDO PELO AR

Existem muito mais voos internos no Irã do que você imagina e dá para voar entre praticamente todas as grandes cidades.

Da mesma forma, existe uma pá de companhias aéreas cobrindo todos esses trechos, mas só vou citar a Iran Air, a Iran Aseman (experimentei ambas em 2013), a Mahan Air e a Kish Air (essas duas últimas recomendadas pelo Lonely Planet).

Iran Air Office Esfahan

Para saber quais cidades têm aeroportos e como ir de uma para outra, pesquise no seu guia preferido, em fóruns, com o seu hotel ou com a ajuda de uma agência de viagens de lá. Mesmo que eu revirasse a internet inteira para colocar essa informação aqui, ela caducaria rapidinho.

Ah, sim: os preços das passagens costumam ser normais, sem grandes pechinchas nem rombos. Pelo trecho Shiraz-Bandar Abbas-Shiraz, por exemplo, paguei o equivalente a 70 USD, por pessoa, em 2013.

 

VIAJANDO POR TERRA

Você pode ir para qualquer cidade ou vilarejo do Irã usando trem, ônibus ou carro. Se não tiver um, certamente vai ter o outro, nem que seja um táxi exclusivo para você (e devidamente pago para isso, de acordo com as dificuldades de acesso de onde você quiser chegar).

De trem

Dá para viajar bastante de trem pelo Irã e a tendência é que isso melhore muito no futuro, já que o país constrói cerca de 500 km de linhas férreas a cada ano e está em vias de inaugurar um trem de alta velocidade.

Os modelos variam dos mais lentos e decrépitos aos mais modernos e rápidos, e o transporte é considerado mais veloz e seguro que o rodoviário. Dependendo do tipo de trem, é considerado muito confortável também.

Trem Pardis, o mais novo. Foto: Johannes Heger (CC) - iranrail.net

Trem Pardis, o mais novo. Foto: Johannes Heger (CC) – iranrail.net

A estatal RAI é quem cuida do mercado, com o seu braço RAJA fazendo o transporte de passageiros e concorrendo com empresas privadas.

Veja um mapa das cidades que você pode conhecer de trem. Dá para fazer o básico do país só nos trilhos.

Ferrovias iranianas. Arte: Johannes Heger - iranrail.net

Ferrovias iranianas. Arte: Johannes Heger (CC) – iranrail.net

Ah, não estranhe se o trem ficar parado um tempo extra em alguma estação. Pode ser uma “parada para a reza”, que acontece nos horários das orações e serve para que os passageiros mais religiosos possam cumprir suas obrigações com Alá sem correrem o risco do trem fazer uma curva e eles perderem a direção de Meca.

De ônibus

Se não der para chegar de trem a alguma cidade, pode ter certeza de que um ônibus vai levar você até o seu destino (mas veja bem: eu falei “cidade”, não falei “vilarejo perdido no fiofó das montanhas”).

Segundo o Lonely Planet, em 2012 havia mais de 20 companhias de ônibus operando no país e você não vai ter problema para encontrar uma linha indo para onde você quiser.

As mais concorridas – entre as maiores cidades – têm ônibus ótimos, modernos, confortáveis e com serviços. Dependendo do caso, dá até para pedir para o motorista deixar você em um lugar no meio do caminho, como um casal de amigos neo-zelandeses fez indo de Yazd para Shiraz (eles pediram para descer no trevo de acesso a Persépolis, no meio da noite).

Ele vai te levar, pode confiar.

Ele vai te levar, pode confiar.

Para trajetos entre cidades menores, a coisa muda um pouco e talvez você tenha que encarar um busão mais antigo ou simples mesmo. Mas tal qual a diva Gloria Gaynor: you will survive.

De carro (alugado ou táxi)

Dirigir é uma ótima opção no Irã, e eu contei a minha experiência neste post. Mas se você não quiser encarar as estradas persas com o seu próprio veículo, sempre pode tentar um táxi, seja ele exclusivo para você ou aberto a mais passageiros.

Para esta opção, o melhor é pedir sugestões de motoristas no seu hotel. Eles certamente têm um para indicar (se você quiser um táxi exclusivo) ou vão indicar o melhor lugar para você pegar um táxi coletivo.

Dica: peça para o pessoal do hotel escrever algumas direções básicas para você em farsi, caso seja necessário conversar com o motorista. Pela minha experiência, aposto que ele dificilmente falará inglês.

 

COMPRANDO PASSAGENS

É extremamente fácil comprar passagens no Irã, sejam elas de avião, de trem ou ônibus.

Dentro do país, você só precisa ir até uma agência de viagens (procure alguma nos mapas do seu guia, o Lonely Planet mostra várias) ou pedir o auxílio da recepção do seu hotel. Em ambos os casos, é simples como pedir kebab: você diz o seu destino, a pessoa mostra as opções, você escolhe e paga.

Agência onde comprei passagens, em Esfahan

Agência onde comprei passagens, em Esfahan

Não vale a pena perder tempo indo até o aeroporto ou à estação de trem/ônibus. Você não vai economizar horrores fazendo isso, vai ter que pagar o deslocamento e sabem lá os orixás se alguém vai conseguir falar inglês com você nesses lugares. Sem esquecer que os iranianos não usam o nosso calendário (veja o item sobre isso, mais abaixo neste guia) e é mais garantido tratar com alguém que conhece nossos dias, para não haver confusão.

Também é possível comprar tudo de fora do país, mas aqui você tem duas opções.

A primeira é usar os serviços de uma agência de viagens local (e eu recomendo a Iran Persia). Basicamente, elas são a única forma de você conseguir comprar algo com muita antecedência no Irã.

A segunda opção é pesquisar por aí e encontrar alguém como o austríaco que comanda este site sobre trens no país. Nunca testei, mas ele diz que pode comprar suas passagens por lá, inclusive pagando com cartão de crédito.

 

Alguma agência, guia ou motorista particular para indicar?

Sim. Veja abaixo.

AGÊNCIA

Iran Persia Tour. Ajudam você com tudo que for preciso, pessoalmente ou pela internet.

GUIAS

Mohsen Hajisaeid. É descrito no Lonely Planet como “um dos melhores guias do Irã” e “uma mina de cultura e conhecimento prático”. E é tudo isso mesmo, além de ser um gentleman e ter um ótimo senso de humor. Ele é o dono da Iran Persia Tour, indicada acima. E-mail: info@iranpersiatour.com. Fone: (+98) 9133 51 4460

Pegah Lafiti. Guia experiente, inteligente, moderna e especializada em guiar mulheres que preferem ter uma companhia no Irã. E-mail: traveltoyazd@gmail.com. Fone (+98) 935 935 7079

MOTORISTA

Abad Bolandghad. O seu Abad é um dos raros iranianos calmos no trânsito. Dirige um táxi grande, confortável e bem cuidado em Shiraz, com o qual pode levar você para vários lugares ao redor da cidade, principalmente Persépolis e Pasárgada. E-mail: abadbolandghad@yahoo.com. Fone: (+98) 9173 17 6203

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Seu Abad, o taxista mais querido do Irã

 

É fácil alugar carro no Irã?

Sim, é facílimo. Contei minha experiência aqui.

 

É fácil dirigir no Irã?

Sim e não, depende de você. Leia minha experiência e entenda.

Ciro, o Compacto. Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Meu Saipa Tiba, um legítimo iraniano

 

É seguro viajar pelo Irã?

Violência

Ao contrário do que pensam toda a sua família, seus amigos, seus vizinhos e o porteiro do seu prédio, o Irã é muito seguro neste ponto. Muitíssimo, aliás. Na verdade, se você mora no Brasil, é mais perigoso ir até a quitanda da esquina da sua casa do que caminhar por uma rua escura, à noite, em Teerã.

Ele está pronto para proteger você.

Não tem muito para ser feito, mas ele está pronto para proteger você.

Para que você não pense que eu digo isso baseado apenas na minha impressão míope, coloco aqui os dados do estudo de 2013 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes:

– No Irã, 3,9 pessoas – a cada 100 mil habitantes – morrem de morte matada.

– Nos Estados Unidos, são 4,7.

– No Brasil, são 25,2 pessoas.

Oi? Como?

Sim, você leu certo o número brasileiro: VINTE E CINCO VÍRGULA DOIS.

A violência no Brasil é 546% maior do que no Irã.

A gente deveria ter medo de ficar aqui, não de ir para lá.

A única ressalva do próprio governo iraniano é para viagens às regiões que fazem fronteira com o Paquistão e o Afeganistão, pela presença de traficantes de drogas. Outra região onde é preciso ter um pouco de cuidado é a fronteira com o Iraque, relativamente tensa (mas eu fui para lá e não tive problema algum).

No no go

Fora isso, simplesmente vá e aproveite essa sensação rara que é caminhar sem temores.

Roubos

Aqui não tenho dados para confirmar minha impressão (se você encontrar alguns, me avise, por favor), mas o Lonely Planet me apoia e diz que, até hoje, eles ouviram poucos relatos sobre assaltos e roubos a visitantes estrangeiros no Irã.

Como os turistas não conseguem usar cartão de crédito lá (salvo raras exceções, leia o tópico específico neste guia), é preciso carregar uma quantia bem grande de dinheiro para cima e para baixo, o que gera um compreensível medinho no viajante. Medinho que tem tudo para eliminado nos seus primeiros dias lá.

Eu carreguei muitos dólares comigo diariamente, nas duas viagens, e não tive nenhum problema ou receio. Tampouco fiquei preocupado com minha câmera e meu computador.

Porém, é óbvio que as regras básicas de precaução devem ser mantidas, porque batedores de carteira existem em qualquer lugar:

– Olhos bem abertos em aglomerações (metrô, bazar e tal);

– Não carregue a carteira no bolso de trás da calça;

– Mantenha sua mochila bem fechada;

– Não deixe objetos de valor afastados de você;

– Se o seu hotel tiver cofre (muitos têm), deixe o grosso da sua grana lá dentro;

– Não deixe objetos de valor – muito menos dinheiro – exposto no seu quarto, enquanto estiver fora do hotel.

Mas tudo isso é muito básico, né? Nem sei por que estou escrevendo aqui.

Terremotos

Sim, aqui nós temos um fator de risco no Irã.

Praticamente toda a fronteira Oeste-Sul do país está bem sentadinha em cima do encontro entre as placas tectônicas Euroasiática e Arábica. E todos sabemos o que volta e meia acontece nestes encontros.

Placas Arabica Euroasiatica

Porém, o nosso querido Chile viveu nada menos que 12 dos 40 maiores terremotos conhecidos na história – uma lista onde o Irã não aparece – e tem duas cidades (Santiago e Antofagasta) entre as 20 mais vulneráveis a terremotos no mundo – outra lista onde o Irã não aparece.

Se você deixar de ir para o Chile por medo de terremoto, eu perdoo você deixar de ir para o Irã pelo mesmo motivo.

Trânsito

Este talvez seja o maior perigo do Irã. Como eu disse no post sobre a minha experiência dirigindo lá, o país está no pódio dos trânsitos mais mortais do mundo.

Campanha de prevenção de acidentes no Irã. Inútil, ao que parece. Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Campanha de prevenção de acidentes no Irã. Inútil, ao que parece. Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)

Ou seja, tenha atenção redobrada na estrada, fique de olho no seu motorista (não vai adiantar muito, mas dá para tentar) e muito cuidado ao atravessar ruas e avenidas.

A dica básica é: tente atravessar com outras pessoas e no ritmo delas. Nunca, nunca, nunca atravesse correndo. Vá devagar, para que o motorista tenha tempo de ver você. Ele não vai parar, mas não vai bater em você (talvez só encoste o retrovisor na sua mochila, como já aconteceu comigo).

 

Que língua se fala no Irã? O turista se vira bem com inglês?

A língua oficial do Irã é o farsi, mas você pode encontrar outras línguas e dialetos em várias regiões – o que não tem nenhuma consequência prática, já que você não vai entender nada de nenhuma mesmo.

Esfahan flores placa

Sobre o inglês, sim, dá para se virar só com ele. Eu estou aqui, vivo, inteiro e corado escrevendo isso para você, certo? E eu basicamente só usei o inglês nas minhas duas viagens. Então você também vai se virar numa boa.

Dito isso, não é difícil se comunicar no Irã, não. Muitas pessoas entendem o be-a-bá de inglês e outras tantas falam perfeitamente.

É claro que às vezes você não vai encontrar alguém que fale qualquer língua além da local, mas essa situação é normal em muitas viagens. As mímicas estão aí para isso.

Neste caso, três fenômenos lindos e bastante comuns no Irã podem acontecer:

– Alguém que fala inglês passa por você e dá uma paradinha para ajudar, mesmo que esteja com pressa ou fale apenas um pouco;

– O seu interlocutor pega um telefone e liga para um amigo que fala inglês – e este passa a servir de tradutor da conversa.

– Iranianos que não falam porcaria nenhuma de inglês se aglomeram ao seu redor para ajudar. Você não entende nada, percebe que aquilo não vai levar a solução alguma, mas finge que entende, agradece sorrindo, sai caminhando e pergunta para outra pessoa.

De um jeito ou de outro, os iranianos vão fazer o possível para ajudar você.

Númerais e alfabeto

Os algarismos que os iranianos usam são os chamados indo-arábicos orientais. Já o alfabeto é o árabe, com algumas adaptações para expressar bem as palavras em farsi.

Sobre o alfabeto: desista, você não vai conseguir aprender numa viagem de férias para o Irã.

Mas os algarismos são facinhos. Dá para memorizar – e, aliás, é importante fazer isso.

Telefone iraniano

 

E a internet? Funciona?

Sim, funciona. Muitas vezes ela é lenta como uma negociação de acordo nuclear, mas sempre funciona o suficiente para você mandar notícias para a família.

friendly Internet Yazd 600

Os hotéis geralmente têm wi-fi, mesmo os mais vagabundos – ainda que frequentemente pagos.

Vale lembrar que uma penca de sites é bloqueada pela censura governamental e que, em 2015, Facebook e Twitter não são acessíveis desde lá. Para saber quais outros sites são proibidos (muitos portais de notícias brasileiros são) faça um teste neste verificador.

Já WhatsApp, Gmail, Skype, Outlook e Yahoo funcionam normalmente – pelo menos até alguém resolver bloquear, é claro.

Se quiser fugir destes bloqueios, instale um VPN no seu computador, celular, tablet ou whatever. Um VPN é uma espécie de “filtro” – digamos assim – que dá um drible na censura local. Saiba mais aqui.

Qual VPN usar no Irã?

Eu usei dois diferentes, um no computador, outro no celular.

No computador, usei o ExpressVPN, que foi indicado como um dos melhores para o Irã. Tive um problema com ele no início (o programa parou de funcionar e tive que baixar e instalar de novo, na internet-tartaruga de um hotel), mas depois tudo correu bem. No entanto, tentaria outro se voltasse ao país.

Importante: se você já tiver um VPN favorito, pesquise sobre o desempenho dele no Irã. O Henrique Martin, expert do ZTOP, havia me recomendado o TunnelBear (que deve ser ótimo na maior parte do mundo, porque o Henrique saca das coisas), mas fui atrás de infos específicas e vi que ele não era bom no Irã.

Você pode ver uma lista de VPNs indicados para o país aqui.

No celular, usei o Psiphon. Foi ótimo, funcionou sempre e é gratuito, mas roda apenas em Android. Se você tiver iPhone, pesquise na App Store e, depois, veja se funciona no Irã.

Aliás, os VPNs indicados no link acima têm versões mobile. Veja lá.

 

Dá para comprar chip de celular lá?

Oui. Aqui eu explico como fazer isso e conto a minha experiência.

MTN Irancell

 

110v ou 220v? Pino redondo ou chato?

Tomadas de 220V, no formato europeu.

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Quanto custa viajar pelo Irã?

Os preços no Irã subiram muito entre a minha viagem de 2013 e a de 2015.

Não entendo de economia para apontar aqui todos os motivos deste aumento, mas arrisco a indicar alguns:

– Inflação iraniana, que foi de 17% em 2014;

Diferença da valorização do dólar aqui e lá. No Irã, a moeda americana subiu apenas 18% no período, contra estúpidos 43% por aqui.

Screen shot 2015-06-20 at 11.17.47 AM

Resultado: o Irã deixou de ser baratésimo e se transformou em um país normal, com algumas coisas caras, outras baratas e a maioria num patamar razoável.

Coloquei abaixo os custos básicos: hotéis, alimentação e transporte dentro da cidade. A referência de 2015 é toda de Teerã, a cidade mais cara do país.

HOTÉIS

Considerações:

– Para que a diferença de preços entre as duas viagens não estragasse totalmente os cálculos deste guia, procurei os valores atuais dos hotéis onde fiquei em 2013 e fiz as substituições.

– O hotel mais barato de 2013 e o preço médio diário gasto com hospedagem naquele ano foram considerados apenas entre os lugares mais decentes. Ficamos um total de 3 noites em dois pulgueiros que não entraram neste cálculo.

– Curiosidade: se eu repetisse a viagem de 2013 em 2015, gastaria a bagatela de 1000 USD a mais em hotéis.

Os preços abaixo são por quarto, não por pessoa.

Em 2013 (viagem em casal)

– Hotel mais barato: 50 USD (Shiraz)

– Hotel mais caro: 145 USD (Teerã)

– Média diária: 105 USD, sempre em hotéis minimamente decentes, em quartos de casal, com banheiro privativo e café da manhã.

Em 2015 (sozinho em Teerã)

– Único hotel e média diária: 35 USD (hotel uma estrela, quarto individual, com banheiro privativo e café da manhã)

 

ALIMENTAÇÃO

Considerações:

– Não coloquei os preços de 2013 porque é impossível fazer as atualizações. Mas acredite: eles eram a metade dos atuais.

– Os preços abaixo são para uma pessoa, praticamente sempre em restaurantes simples e lanchonetes. Comi apenas duas vezes em lugares onde seria possível a alguém levar uma namorada nova.

– Lembre-se: Teerã é a cidade mais cara do país, então os preços tendem a melhorar no interior.

Em 2015 (sozinho em Teerã)

Refeição mais barata: 2,50 (num lugar qualquer)

Refeição mais cara: 9 USD (num restaurante moderno, no parque Ab-o-Atash, numa região relativamente nobre de Teerã)

Média por refeição: 4,5 USD

 

TRANSPORTE NA CIDADE

Consideração:

– Incluí os gastos com metrô e ônibus, mas eles são ridículos. Os valores giram ao redor de míseros 0,15 USD para cada viagem. Já os táxis podem ser bem salgados, dependendo da honestidade do motorista e do tamanho da corrida.

– Apesar de ter metrô, Teerã é, de longe, a cidade onde você vai usar mais táxis. Nas cidades do interior, você caminha entre quase todas as atrações.

Em 2015 (sozinho em Teerã)

Média diária em Teerã: 10,5 USD

 

Qual é a moeda no Irã?

É o rial. Escrevi um post sobre ele aqui.

Rial iraniano

 

Que moeda é melhor levar para o Irã?

Dólar americano ou euro, sempre em notas de boa aparência.

Não encane com dinheiro trocado, porque você vai ter que fazer câmbio e as casas aceitam qualquer valor. Na verdade, dizem que é até melhor levar notas altas: não aconteceu comigo, mas o valor pago por notas baixas é menor.

Se você optar pelo dólar, leve apenas notas emitidas a partir de 1996 (aquelas em que os sujeitos retratados aparecem com cabeções).

Nota Dólar 1996

Dólar série 1996

“Mas eles aceitam dólar americano? Eles não odeiam os Estados Unidos?”

Amiga, amigo, volte para o início do jogo e estude mais antes de ir para o Irã.

Ah, você precisa levar notas bonitas, mas prepare-se para receber notas de rial em estado deplorável, rasgadas, sujas, riscadas. É assim mesmo.

 

Dá para usar cartão de crédito internacional no Irã?

Não.

Repito: não.

E repito mais uma vez, em maiúsculas: NÃO.

Ene, a, ó, til.

Não.

Você precisa levar, em dinheiro vivo, tudo que pretende gastar lá – e um pouco mais, para casos de emergência. Isso inclui dinheiro para hotéis, aluguel de carro, passagens internas, etc., etc., etc.

Cartões de crédito internacionais não funcionam no Irã e você vai se dar miseravelmente mal se levar pouco dinheiro achando que vai poder pagar tudo no cartão.

Repito: leve tudo em dinheiro vivo, cash, uma nota em cima da outra.

Rara exceção

“Ah, mas uma amiga comprou um tapete persa e pagou com cartão!”

Agora que eu já repeti “não” várias vezes, acho que posso citar a exceção: sim, é verdade, sua amiga comprou um tapete persa e pagou no cartão. Isso pode acontecer, mas é apenas em algumas lojas deste tipo.

(Não me pergunte como funciona, mas essas lojas conseguem passar o seu cartão como se você estivesse nos Emirados Árabes – e cobram uma taxa por isso, que gira em torno de 6%.)

Porém, preste atenção no tio Gabe: essas lojas não são a regra. Não vá achando que você vai poder comprar o seu tapete ou sua miniatura persa com cartão em qualquer birosca. É perfeitamente possível que você se apaixone por um tapete de um lugar que não trabalha desta forma. Daí, se você não tiver levado cash suficiente, vai ficar sem o seu mimo local.

Dicas:

– A ótima loja de tapetes Silk Road, em Esfahan, aceita Visa, Mastercard e até o famigerado American Express.

– A loja de miniaturas do senhor Hossein Falahi (também em Esfahan) é outra que aceita Mastercard e Visa.

Já falei que é para levar em dinheiro tudo que você pretende gastar?

 

Mas dá para fazer saque ou usar cartão de débito?

Não. É o mesmo problema dos cartões de crédito.

Pelo amor da vaca, entenda: leve todo o dinheiro que você acredita precisar lá. E mais um pouco.

 

Onde se troca dólar/euro por rial iraniano?

Em bancos ou em casas de câmbio, mas prefira as últimas.

Nelas, as pessoas nem olham para a sua cara, muito menos pedem documentos. Apenas pegam o seu dinheiro e o transformam em um bolo enorme de rials.

Foto: Jurriaan Persyn (CC BY-NC 2.0)

Pouco mais de 300 USD. Foto: Jurriaan Persyn (CC BY-NC 2.0)

Já nos bancos, você vai precisar de passaporte e ainda vai perder um bom naco, porque eles fazem a troca pelo valor oficial – bem mais baixo do que o valor encontrado nas casas de câmbio.

A regra é a mesma para destrocar seus rials por dólares. Para fazer isso em aeroportos, o Lonely Planet diz que é preciso ter comprado rials em bancos e guardado os comprovantes. Mas o pessoal do hotel Espinas (um 5 estrelas metidão na capital) me disse que é besteira e que dá para trocar no aeroporto normalmente. Arrisque-se por conta própria.

Casas de câmbio podem ser encontradas com facilidade nas cidades mais turísticas (peça indicações no seu hotel). Se você for para cidades mais remotas ou fora do circuitão turístico, então o melhor é trocar bastante antes, numa cidade grande.

 

Como é a comida no Irã?

Deliciosa nas casas dos iranianos, nem tanto nos restaurantes. Falei disso neste post.

Kebab de frango. (Foto: oh contraire - CC BY-NC-SA 2.0)

Kebab de frango. (Foto: oh contraire – CC BY-NC-SA 2.0)

 

E a religião? O negócio é complicado?

Não vou entrar em detalhes da questão da religião no Irã, porque é algo complexo até não poder mais e também porque eu não sou especialista no assunto.

Mulá em Tabriz

O que você precisa saber é que a religião oficial do estado iraniano e também da maioria dos cidadãos do país é o islamismo xiita (expliquei aqui a diferença primária entre xiitas e sunitas).

Depois dela, vem o islamismo sunita, seguido lá longe por zoroastrismo, sufismo, baha’ismo, cristianismo e judaísmo – sim, existem judeus no Irã, leia aqui ou, para ver um relato (em inglês) de uma viajante judia que passeou por lá, leia aqui.

Como a religião afeta uma viagem pelo Irã?

Ao contrário de outros lugares do mundo, onde a religião só interfere na sua vida turística quando você visita um templo ou cruza com uma pessoa religiosa na rua, no Irã a religião afeta o seu dia a dia o tempo inteiro, desde o momento em que você vai fazer o visto e lê “Em nome de Deus” no cabeçalho do formulário, até o momento em que entra no avião de volta e ainda lê que o cardápio servido não contém carne de porco.

Requerimento de visto Irã

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A razão é simples e bem conhecida: as leis do país são baseadas na interpretação xiita do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, e a maioria da população segue a religião.

Para mulheres, isso significa se vestir de acordo com as regras (leia aqui), ser discreta com homens desconhecidos, andar na área feminina dos ônibus municipais (não é preciso fazer o mesmo no metrô, nos táxis, nem nos aviões e ônibus intermunicipais) e mais outras coisas que não lembro agora.

Placa Mesquita

Em Howraman, no Curdistão iraniano

Para os homens, significa não usar bermudas (a não ser em praias), não usar camisetas sem mangas, ser discreto com mulheres desconhecidas, andar só na parte masculina dos ônibus municipais e do metrô, além de outras coisas que não lembro agora.

Para ambos, entre outros aspectos, significa aguentar as férias sem álcool e sem um desgraçado de um presuntinho de porco. E para casais, também significa não se abraçar nem beijar em público (braços e mãos dadas estão liberados).

Love

Mas, ó, juro: tudo é mais fácil do que parece.

Falando em casais, é preciso comprovar casamento para ficar no mesmo quarto?

Dizem que antigamente isso era verdade, mas hoje ninguém mais dá bola se um par de gringos vai ficar no mesmo quarto. Porém, para todos os efeitos, sempre digam que são casados, mesmo sendo apenas namorados, pegadinhas, conhecidos do Tinder, etc.

(Atenção: aqui me refiro a casais heterossexuais. Para casais homossexuais, leia o tópico específico, um pouco mais abaixo. Não quis colocar tudo junto para que o assunto não ficasse perdido pelo meio do caminho.)

Como um turista deve lidar com a religião no Irã?

Da mesmíssima forma com que qualquer pessoa decente e civilizada lida com ela em qualquer lugar do mundo: com respeito e educação, principalmente em locais religiosos ou diante de fiéis.

Sério, a religião afeta a sua vida lá, é claro. Mas os iranianos são muito mais relaxados com isso do que a CNN quer fazer você acreditar. Não deixe que o preconceito incomode você. Apenas seja educado, discreto e respeitoso. Você vai se surpreender com o nível de abertura e descontração dos iranianos.

E se estiver em dúvida em algum momento, não tenha medo de perguntar para alguém. Certamente essa pessoa vai ajudar você com muito prazer.

E se perguntarem pela religião do viajante?

Sim, os iranianos perguntam a sua religião. Não é por maldade, mas por pura e simples curiosidade. Eles gostam de saber como é a vida de um estrangeiro e perguntam até o seu salário, mesmo tendo conhecido você minutos antes, caminhando pela rua.

Nestes casos, dou duas sugestões:

A) Se você for muçulmano, cristão ou judeu, apenas seja sincero. Seu interlocutor vai dizer “Oh, Muslim/Christian/Jewish…” com um ar de satisfeito e ir embora.

B) Se você for ateu, umbandista, budista, hinduísta, cientologista, satanista, rastafari, pastafarianista ou whatever, vamos ser práticos: você está de férias e cada hora sua no Irã está custando uma bela grana, você quer mesmo gastar uns bons minutos discutindo religião com um curioso desconhecido?

Se a sua resposta foi “sim”, vá em frente, seja sincero e aguente a chuva de perguntas que virá.

Se a sua resposta foi “não”, faça uma forcinha e minta de leve dizendo ser cristão. Seu interlocutor vai sorrir, dizer “Oh, Christian…” com um ar de satisfeito e ir embora.

Então judeus podem ir para o Irã?

Sim. Leia o post sobre isso aqui.

 

Como mulheres devem se vestir no Irã?

Leia o post sobre este assunto aqui.

Em Esfahan, já à vontade

 

Mulheres podem ir sozinhas para o Irã?

Sim, leia o post sobre este assunto aqui.

 

E homossexuais? Podem ir?

Vou colocar exatamente as palavras do Lonely Planet Iran, 6ª edição, página 333:

“Não existe razão para que viajantes gays e lésbicas deixem de visitar o Irã. Não há perguntas sobre sexualidade nos formulários de visto e nós não ouvimos nada sobre viajantes homossexuais sendo mal tratados, desde que evitando atos explícitos de afeto.”

“É prudente não dizer que vocês são um casal do mesmo sexo. A maioria dos hotéis não vai perguntar, porém é melhor ser discreto e não pedir uma cama de casal.”

 

E o álcool? É verdade que não tem?

Sim, infelizmente é verdade. E não, não existem exceções para estrangeiros ou em hotéis. O álcool é proibido para todos.

Isso não impede, porém, que você tente conseguir uma cervejinha com álcool ou um vinho num hotel. Vale perguntar. Vá que eles tenham escondido?

Cerveja sem álcool e com gosto de limão, é refrigerante de limão, não?

Cerveja sem álcool e com gosto de limão, é refrigerante de limão, não?

 

OK, não dá para beber, mas ao menos dá para ver pornografia e comer bacon

Hm… Até dá, se você tiver um VPN no seu computador (veja informações neste guia) e se conhecer um fornecedor ilegal de carne de porco. Mas, pela lei, não pode.

Contenha-se. Use a imaginação para essas duas necessidades básicas da humanidade.

 

Qual seguro-viagem contratar para ir ao Irã?

São muitos planos por aí e não sei se algum deles tem restrições ao Irã. Para ter certeza, converse com um corretor, entre em contato com a própria empresa de seguros ou fale com o seu agente de viagens.

Quando fui na primeira vez, contratei o World Nomads, mas não precisei usar, então não sei se é bom ou ruim.

Este post do Melhores Destinos tem opiniões de gente em viagens mundo inteiro.

Importante: nunca li nem fui informado sobre exigência de seguro-saúde para entrar no Irã nem de valor mínimo de cobertura deste seguro, então acredito que não haja nada disso. Nas minhas dias passagens pelo país, nunca me pediram nada, por exemplo.

 

Como são os hospitais no Irã

Como eu disse aqui em cima, não precisei usar seguro-saúde nas minhas idas para o país, então não testei hospitais pessoalmente. Porém, o Lonely Planet diz que o Irã tem  alguns dos melhores hospitais do Oriente Médio, com muitos médicos iranianos formados em universidades americanas e europeias.

 

É melhor levar mala ou mochila?

Como em qualquer lugar do mundo, depende do seu itinerário.

O Irã está longe, bem longe, muitíssimo longe de ser um país sem infraestrutura, então você não vai ter nenhuma dificuldade para carregar sua mala de rodinhas pelas ruas e calçadas de qualquer cidade.

Sim, tem bastante asfalto e calçamento lá. Até demais, às vezes

Sim, tem bastante asfalto e calçamento lá. Até demais, às vezes

Agora, se você tiver desertos, trekkings e aventuras por lugares remotos no seu roteiro, então é melhor levar mochila mesmo.

 

Qual o fuso horário no Irã?

O país tem uma peculiaridade no fuso, compartilhada com uma minoria de países: ao invés de horas cheias, o Irã oficialmente está 3h30 à frente de Greenwich.

O horário de verão começa no início da primavera (ao redor de 21 de março) e vai até 22 de setembro. Nestes meses, é preciso adicionar 4h30 a Greenwich para saber o horário iraniano.

Em média, são 6h30 de diferença de Brasília, mudando nos horários de verão daqui e de lá.

 

E essa história de 3 calendários?

Os iranianos usam 3 calendários: o persa (para compromissos do dia a dia), o muçulmano (para fins religiosos) e o gregoriano (o nosso, para quando tratam com gringos).

Normalmente os lugares que lidam com turistas têm pessoas que sabem as três datas ou têm conversores para elas, mas como passei por um pequeno perrengue por causa disso em 2013, recomendo que você leve junto um calendário com os três tipos, principalmente quando for comprar passagens ou se precisar reservar hotéis em cidades menores.

Aliás, recomendo que você leve uma versão impressa (só as datas da sua viagem, numa folha A4 normal, não mais do que isso), porque a probabilidade de você precisar usar o calendário é maior em cidades remotas – possivelmente com sinal de celular fraco.

Aqui é no iPad e on-line, mas recomendo que você leve impresso mesmo

Aqui é no iPad e on-line, mas recomendo que você leve impresso mesmo

Como foi esse meu perrengue? Tentando justamente reservar um hotel vagabundo em Shiraz, para uns dias adiante. Os funcionários do hotel eram superqueridos, mas não falavam um pingo de inglês e não entendiam as datas que eu falava. Então peguei meu calendário múltiplo e resolvi o problema.

 

Como são os hotéis?

Aqui o bicho pega no Irã.

O país vive sob embargo econômico há quase 40 anos, o que torna a vida bem mais difícil por lá, principalmente em algumas áreas. A área hoteleira está entre elas.

Salvo raras exceções, mesmo os hotéis 5 estrelas do Irã têm aquela cara de ricos decadentes, com decoração antiga, móveis não raramente com defeito, tudo implorando por uma renovação. E mesmo quando são novos, pecam pelo excesso e pelo exagero, criando um ambiente que não combina com o que as pessoas esperam de algo chamado de “o melhor hotel da cidade”.

Sem falar que todos os hotéis têm banheiros que alagam quando você toma banho (daí os onipresentes chinelões Rider à disposição – você vai entender quando chegar lá.)

Site do Espinas, um dos melhores, mas ainda assim não funciona direito

Site do Hotel Espinas, considerado o melhor de Teerã e um dos melhores do país. Ainda assim, não funciona direito

Os serviços também tendem a decepcionar quem está acostumado com pessoas servindo desesperadamente em hotéis. Os funcionários geralmente são atenciosos, mas o iraniano anda num ritmo diferente, mais calmo, mais lento. Ele não vai sair correndo para resolver o seu problema. Escolha uma poltrona confortável, sente-se e aguarde sem chiliques, por favor.

Em resumo, reduza as suas expectativas com a hotelaria iraniana. Reduziu? Então reduza mais. E mais um pouco. Se você for para lá esperando encontrar estruturas e serviços impecáveis – porque pagou caro, ora, bolas! – vai se decepcionar do mesmo jeito que já vi acontecendo com muitas pessoas. Infelizmente, nem todos conseguem entender essas diferenças.

No interior, é comum encontrar os hotéis denominados “traditional hotel”. Estes sempre estão instalados em prédios antigos reformados (há bastante tempo, em muitos casos), com um jardim interno onde existe uma fonte e onde funciona o restaurante. São ótimas opções para quem quiser fugir do estilo pasteurizados dos hotelões. Os “problemas” de infraestrutura e serviços, porém, são iguais ou potencializados, já que prédios antigos nem sempre são bons para virarem hoteis.

Para viajantes mulambentos apertadíssimos na grana, o Irã oferece um tipo de acomodação barata chamada mosaferkhaneh – que aqui no Brasil seria considerada uma pensão simplérrima. Existem exceções com quarto privativo, mas normalmente todas têm apenas dormitórios e banheiros compartilhados, sempre com privada estilo cócoras, cama dura e nada de amenidades – nem ao menos um papel higiênico. Fiquei num, em Shiraz, sem querer. O que é a vida sem experiências, né?

Ah, não adianta procurar redes internacionais de hotéis no Irã. Elas não estão lá.

Considerações sobre esta lista:

– Os hotéis listados abaixo foram experimentados ou visitados por mim nas minhas duas viagens. Coloquei um aviso naqueles que foram apenas visitados, para você saber que não dormi lá.

– Não coloquei preços, porque seria inútil. Entre em contato para saber valores atualizados.

– Entrar em contato, aliás, pode ser problemático. Mesmo hotéis 5 estrelas iranianos têm péssimos sites ou nem têm. Se não conseguir, tente falar com uma agência de turismo iraniana ou ligue pelo Skype.

– Não encontrei os sites de vários hotéis. Nestes casos, quando foi possível, coloquei o número de telefone e/ou o e-mail que aparece no cartão de visitas que peguei deles. Se o número/e-mail tiver mudado, procure outro jeito de entrar em contato. Não me escreva reclamando!

– Alguns sites estão apenas em farsi. Use o Google Tradutor para conseguir navegar minimamente.

– Nunca esqueça de pedir banheiro ocidental no seu quarto. Se não fizer isso, você corre o risco de ter que fazer cocô agachado – o que, aliás, dizem ser mais saudável, mas força as pernas não acostumadas com a posição.

TEERÃ

5 estrelas

Hotel Espinas – Pontos fortes: considerado o melhor de Teerã, tanto que vive recebendo presidentes, ex-presidentes e figurões do mundo. Bem localizado, perto de um parque lindo. Muito confortável. Pontos fracos: exagerado e com decoração de gosto bem duvidoso. Quartos normais, tipo executivo, sem nenhum estilo próprio (algo esperado do melhor hotel de uma capital). Não tem metrô por perto – terá quando a linha 3 for terminada, o que deve demorar.

4 estrelas

Raamtin Residence Hotel – Apenas visitei. Ponto forte: aparentemente bom, com quartos confortáveis e equipados. Fica numa região moderna, na avenida mais famosa de Teerã. Ponto fraco: o metrô mais próximo está a umas 10 quadras – ficará melhor quando a linha 3 for terminada, o que deve demorar. Tem site que toca musiquinha.

3 estrelas

Hotel Escan – Pontos fortes: bem localizado, perto de uma estação de metrô, de algumas atrações, de uma praça onde todo mundo troca dinheiro e de restaurantes. Pontos fracos: tem seus problemas (meu primeiro quarto era barulhento) e espero que a estrutura e o serviço tenham acompanhado o preço, que entrou num foguete do programa espacial iraniano e foi de 87 USD (2013) para 145 USD (2015), por um quarto de casal.

1 estrela

Hafez Hotel – Apenas visitei. Pontos fortes: decente e limpo, com funcionários atenciosos. Localização boa, perto do Museu de Jóias. Pontos fracos: é preciso dar uma caminhadinha para alcançar uma estação de metrô e também para subir escadas até o seu quarto.

Iran Central Hotel (também chamado de Hotel Markazi) – Apenas visitei. Pontos fortes: decente e limpo, com funcionários atenciosos. Localização boa. Pontos fracos: exige uma caminhadinha para alcançar uma estação de metrô e também para subir escadas até o seu quarto.

Hotel Gollestan (às vezes escrito com um L, às vezes com dois) – Foi o meu hoteleco em 2015. Pontos fortes: limpo e com equipe querida demais. Tem um restaurante pequeninho no subsolo, com comida deliciosa. Os quartos podem ser com ou sem banheiro privativo. A localização é ótima no quesito transporte: a exatos 147 passos meus da entrada da estação de metrô Hassan Abad. Pontos fracos: localização chata quando você está com fome, já que os restaurantes mais próximos ficam a alguns minutos de caminhada. Quartos da frente ficam voltados para uma avenida enorme e barulhenta. No verão, os quartos podem ficar quentes demais na manhã ou na tarde, dependendo da posição deles.

HAMADAN

4 estrelas

Baba Taher – Pontos fortes: é considerado o melhor da cidade, é decente e está bem localizado. Pontos fracos: nenhum, se você compreendeu o que eu escrevi sobre os hotéis iranianos, ali em cima. Telefones: +98 811 422 7180 – 422 6517  / +98 9181 11 4332 / e-mail: babataher_hotel@yahoo.com

SANANDAJ

4 estrelas

Shadi Hotel – Pontos fortes: boa estrutura, quartos grandes. Considerado o melhor da cidade. Pontos fracos: distância do centro da cidade. Você vai precisar de táxi, mas não vai ser muita coisa. Telefones: +98 871 662 5112 – 662 5113 – 662 5114 / e-mail: shadi_hotel@hotmail.com

ESFAHAN

5 estrelas

Kowsar International Hotel – Pontos fortes: quartos grandes, restaurante com vista maravilhosa (perfeito para o café da manhã) e localização excelente, de frente para o rio Zayandeh e à ponte Si-o-Seh, uma das mais lindas da cidade. Pontos fracos: é o exemplo perfeito de lugar que já foi rico (era um Sheraton, há décadas), mas não conseguiu se renovar – mesmo sendo um dos melhores da cidade. A localização é boa para relaxar, mas é um pouco distante da praça principal da cidade, ainda que a uma distância perfeitamente caminhável. Telefones: +98 311 624 0230 a 39

3 estrelas

Sheykh Bahaei Hotel – Pontos fortes: ótima localização, boa infra, preço decente. Pontos fracos: vi um quarto que não era bom, talvez existam outros assim.

PERSÉPOLIS

Provavelmente 1 estrela

Persepolis Tourist Hotel – Pontos fortes: fica na estrada de acesso a Persépolis, a míseros 2 km do portão de entrada do parque. Dá para ir a pé. É perfeito para quem quiser chegar lá cedo, antes de todos. Também é barato e tem um clima de campo maravilhoso, já que são cabanas rústicas (e antigas) num camping no meio de muitas árvores. Apesar de antigas, as cabanas são confortáveis. Pontos fracos: é meio complicado para fazer reserva. Quando liguei, o sujeito que atendeu não falava quase nada de inglês. Cheguei meio sem saber o que aconteceria, mas deu tudo muito certo. Se quiser tentar, o número é: +98 728 447 4001 – 447 4002

SHIRAZ

5 estrelas

Hotel Zandiyeh – Pontos fortes: uma raridade no Irã. Novo, quartos ótimos, decoração decente (ainda que com alguns exageros, na minha opinião) e toques de cuidado que fazem uma boa diferença. Localização ótima. Pontos fracos: a internet gratuita (disponível apenas no lobby) é lenta como uma obra de metrô no Brasil. Não sei como é a dos quartos (paga). Telefone: +98 713 223 4234 / e-mail: info@zandiyehhotel.com

Provavelmente 2 estrelas

Niayesh Boutique Hotel – Pontos fortes: é um “traditional hotel”, com estrutura OK e preço condizente com o que oferece. Pontos fracos: localização complicada, você vai se perder na primeira vez. Esqueça o “boutique” do nome. Ele está mais para um hotel de mochileiro com um pouco mais de dinheiro. Telefone: +98 711 223 3622 – 223 3623 – 223 3624 / e-mail: info@niayeshhotels.com

Mosaferkhaneh

Não sei o nome dele (o cartão está apenas em farsi), mas fica na rua Hejrat, praticamente em frente ao hotel Zandiyeh. O pessoal é superquerido, o lugar é limpo e a localização é ótima – ainda mais se você conseguir um quarto virado para os fundos. Mas só recomendo para quem estiver realmente sem grana, porque ele é o cúmulo da simplicidade. Me custou 11 dólares em 2013, por um quarto de casal com banheiro compartilhado. Deve estar custando um pouco mais hoje.

Pensão em Shiraz

BANDAR ABBAS

4 Estrelas

Atilar Hotel – Pontos fortes: localização (a 10 minutos a pé do porto, ótimo para quem estiver de passagem para a ilha Qeshm) e estrutura OK. Pontos fracos: caro para o que oferece, comparando a outros hotéis de preço parecido no Irã.

ILHA QESHM

2 estrelas

Darya Hotel – Apenas visitei. Ponto forte: localização boa, bem perto do porto de Qeshm Town. Pontos fracos: preço bem alto para o padrão. Telefone: +98 763 522 1632

OBS: o hotel onde fiquem na ilha provavelmente tinha apenas uma estrela e não o recomendaria para ninguém. Mesmo que quisesse recomendar, não conseguiria: não anotei o nome, muito menos a localização. Só sei que ficava em Qeshm Town.

YAZD

4 estrelas

Mehr Traditional Hotel – Pontos fortes: o fato de ser um “traditional hotel” deixa tudo mais legal, sempre. A localização é ótima e os quartos são OK. Pontos fracos: nenhum, se você compreendeu o que eu escrevi sobre os hotéis iranianos, ali em cima.

Malek-o-Tojar – Pontos fortes: também é um “traditional hotel”, fica num casarão lindo e tem alguns quartos especias preservados como eram nos tempos dos qajares (e com preços bem mais caros do que os normais). A localização é ótima e a equipe é queridíssima. Pontos fracos: nenhum, se você compreendeu o que eu escrevi sobre os hotéis iranianos, ali em cima.

Pátio interno do Malek-o-Tojjar

Pátio interno do Malek-o-Tojjar

ABYANEH

3 estrelas

Abyaneh Hotel – Apenas visitei. Pontos fortes: quartos bons e confortáveis, alguns com vista para o vale, por sobre a cidade. Localização boa, pela vista. Pontos fracos: nenhum, se você compreendeu o que eu escrevi sobre os hotéis iranianos, ali em cima. Telefones (alternativos ao que está no site): +98 362 436 2223 / +98 215 563 5662 / e-mail: info@hotelabyaneh.com

KASHAN

5 estrelas

Manouchehri House – Ponto forte: O melhor hotel do Irã, pelas minhas experiências. Prédio lindo, charmoso, quartos bem cuidados, preço bom (cada quarto tem um valor, mas eles começam num nível razoável). Pontos fracos: localização, mas nada que incomode horrores. É totalmente caminhável.

Pátio interno do Manouchehri House

Pátio interno do Manouchehri House

Saraye Ameriha – Não estava pronto quando eu passei pela cidade (em 2013), mas a restauração da casa onde ele fica fez um sucessinho na internet – veja o vídeo abaixo – e dizem que é maravilhoso. Não sei quanto custa.

TABRIZ

5 estrelas

El-Goli Hotel – Pontos fortes: boa infra e quartos grandes, muitos com ótima vista para o parque mais bonito da cidade (veja abaixo). Não deixe de dar um passeio por lá. A localização, no alto de um morro e no meio de uma espécie de continuação do tal parque, ajuda na paisagem. Ponto fraco: apesar de ficar num lugar bonito, o hotel está um pouco distante das atrações da cidade. E-mail: tabriz@pars-hotels.com

Foto: Babak Farrokhi (CC BY 2.0)

Foto: Babak Farrokhi (CC BY 2.0)

Vista hotel Tabriz 600

Vista do meu quarto no El-Goli Hotel

 

Onde pesquisar mais informações sobre o Irã?

Fórum:

Thorn Tree – Lonely Planet

Blogs:

Yomadic – em inglês

Um Brasileiro no Irã

Coordenada XY

Saí por Aí

Travel With Pedro

2 Pés na Estrada

A Turista Acidental

Livros:

– Todos os Homens do Xá – Stephen Kinzer

– Os Iranianos – Samy Adghirni

– De Istambul a Nóva Délhi: Uma Aventura pela Rota da Seda – Guilherme Canever

Alguma dica antes de acabar?

Sim, uma dica muito importante.

Não deixe que preconceitos criados pela mídia atrapalhem a sua viagem pelo Irã. Eu sei que é difícil, são quase 40 anos de notícias ruins, mas faça uma força e abra a sua cabeça, seu coração e sua alma quando estiver no país.

Não tenha medo de dizer “Salam!” (“Olá!”) quando passar pelas pessoas, por mais fechadas que elas pareçam, porque as respostas vão surpreender e inundar o seu dia de alegria e de segurança. Não tenha medo de conversar com elas, principalmente quando elas vierem até você. Peça para fazer fotos, faça fotos quando pedirem. Caminhe devagar, olhe para os lados, veja o dia a dia deles e delas. Puxe conversa nas lojas, nas ruas. Diga mais “sim”. Sorria e veja a quantidade de sorrisos que você vai receber de volta.

Com cabeça, coração e alma abertos, você logo, logo vai perceber que se apaixonou perdidamente pelo Irã.

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    35 Comentários
  1. parabéns, Gabriel, perfeito!!!

  2. Estive 3x perto desta terra mágica que me deixa encantado. Esse posto só me convenceu de que eu preciso ir pra lá.

  3. Que espetáculo! Estou aqui em Dubai hoje pertinho do Irã, louca para conhecer! mas vai ter que ser uma viagem exclusiva para o Irã! Ficou espetacular seu post! Obrigada por partilhar!

  4. Parabéns pelo site Gabriel. Eu e minha esposa estamos indo ao Irã em fevereiro do próximo ano, como parte de uma viagem maior. Já estive no Oriente Médio outras vezes e gosto muito da região e seu povo. Pelo que leio pela imprensa internacional, um “tsunami” de turistas deve invadir o Irã em 2016 a partir de melhoras no Visa on Arrival e isenção de vistos pra muitos países, como a Bolivia (vai entender rsrs).

  5. Olá Gabriel.
    Excelente post, como todo o seu site.
    Estou com passagens compradas para Irã em outubro. Vou eu e minha prima. Realmente, estamos encontrando dificuldades nos contatos com os hoteis, ou sem site, ou não respondem aos e-mails, até mesmo por fone, não há boas informações.

    Gostaria de saber se você foi já com todas as reservas ou fez quando lá chegou?
    grata

    • Oi, Marcia. Obrigado pelo elogio. =)
      Na primeira viagem, eu só tinha o primeiro hotel reservado, em Teerã. Como estávamos de carro e mudávamos os planos de acordo com as necessidades, fazíamos reservas na chegada nas cidades, ligando direto para os hotéis.
      Na segunda viagem eu estava com um grupo, então os hotéis já estavam reservados.
      Recomendo que você insista nas tentativas de contato ou peça o auxílio do guia que eu recomendo no post, se não quiser arriscar ir sem reservas.
      É assim mesmo. É o Irã. =)

  6. Ok, Gabriel Muito obrigada.
    Vou anotar a referência do guia

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