CLIMA ESTRANHO

13 de outubro de 2013

Existe um sentimento estranho e geral no ar quente (insuportavelmente quente) que paira sobre o barco. É uma mistura de sensações boas e ruins.

Foto: Gabriel Prehn Britto

As sensações boas giram em torno do fato de que a viagem está acabando. Já entramos no estado do Amazonas e passamos por quase todos os portos, restando apenas um antes de Manaus. Mais importante que isso, faltam apenas uma noite, uma manhã e uma tarde aqui dentro, o que não é nada perto das 4 noites, 4 dias inteiros e um fim de tarde já passados por todos que embarcaram em Belém. Para mim, pessoalmente, falta apenas uma noite jantando misto quente, o que é um alívio e tanto.

No outro extremo estão as sensações ruins. E por mais contraditório que isso possa parecer, elas são causadas por uma outra sensação boa: a de que a viagem está ficando cada vez melhor.

Depois de todo esse tempo, muitas pessoas que entraram em Belém já formam um grande grupo de grandes amigos, com direito a piadas, gargalhadas, rodadas de cerveja pagas a toda hora e cada vez mais mesas unidas na área do bar.

Gringos reunidos

Gringos reunidos

Mesmo aqueles que entraram depois já se enturmaram. Geilson, que embarcou só em Santarém, até comentou: “Eu cheguei aqui ontem, sem conhecer ninguém. Agora já conheço todo mundo”.

O clima não pode ser melhor e até a música melhorou de qualidade (para o meu gosto, pelo menos).

Entre os estrangeiros, começaram a circular os caderninhos onde todos anotam seus e-mails para os outros, para que enviem as fotografias em grupo. Entre os brasileiros, a maioria humilde e sem essas facilidades da vida, começaram as fotos nos celulares velhos e simples, além da formação de grupos que seguem adiante nas suas viagens, como o pessoal que vai para Boa Vista, em Roraima, e já combinou de ir junto para a rodoviária de Manaus, para pegar o mesmo ônibus.

Foto: Gabriel Prehn Britto

No meio deste ambiente de companheirismo e da impressão de que chegamos no ponto alto da alegria aqui dentro, vem a lembrança de que a viagem está acabando e, com ela, as sensações ruins.

Em aproximadamente 16 horas chegaremos em Manaus e cada um vai para o seu lado. O clima não poderia ser melhor. E, dentro da normalidade, não poderia ser pior também.

Disclaimer

Leia também:

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• Belém-Manaus de barco regional – 2º dia

Belém-Manaus de barco regional – 3º dia

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• Belém-Manaus de barco regional – 6º dia

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    1 Comentário
  1. Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe Já dizia meu avô…

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