Não sei se vocês lembram, mas a Renata Amaral já contou aqui como foi sua viagem ao Peru e deixou um monte de dica legal. Ela gostou tanto da experiência, que resolveu voltar para contar suas estripulias pela Chapada Diamantina e Lençóis na Bahia. No relato abaixo você encontra um roteiro incrível para quem quer viajar mais pelo Brasil.

Valeu, Renata, adoramos 😀

Chapada Diamantina - poço do diabo

A viagem da Renata para a Chapada Diamantina, Lençóis, Bahia

Primeira parada: Salvador

Iniciei minha viagem partindo de Belo Horizonte no dia 10/02, quarta-feira de cinzas, em um voo direto para Salvador no fim do dia. Aproveitei para rever amigos mineiros e baianos e curtir uma praia em Vilas do Atlântico/Lauro de Freitas. Fiquei hospedada na casa de Raul e Rose e reencontrei o amigo Lana que estava morando em Barra Grande desde outubro do ano passado.

No dia 13/02, sábado, duas amigas paulistas, e irmãs, Dani e Paty, minhas companheiras de viagem para a Chapada Diamantina, chegaram a Lauro de Freitas. Curtimos uma praia sábado e domingo com os amigos baianos Manuela, Ana e Rafael.

#Partiu Lençóis

No dia 15/02, segunda-feira, às 7 horas, partirmos para nosso destino – Chapada Diamantina – cidade de Lençóis.

A empresa de ônibus Real Expresso é a responsável por este trajeto. Chegando à rodoviária, retiramos as passagens no guichê da empresa, pois havíamos feito a compra pela internet e por telefone antecipadamente.

Cada trecho custou aproximadamente R$75 com taxas inclusas e pagamos ainda R$1,50 cada uma referente a um cartão de embarque para passarmos pela roleta. A passagem de volta retiramos em Lençóis alguns minutos antes da partida.

Como chegar à Chapada Diamantina por Lençóis?

Chamo a atenção para o site da Real Expresso que é lento e instável, o que causou algumas dificuldades para conseguir comprar as passagens.  Primeiro, o cadastramento no site não era finalizado, depois, não reconhecia o login criado e a senha. Por isso, compramos uma passagem de cada vez, já que não havia a opção de comprar as três passagens simultaneamente. Enfim, após várias tentativas, Dani e Paty compraram as passagens pelo site e eu comprei a minha pelo telefone.

O ônibus possui ar condicionado (vale trazer uma blusa de frio) e a viagem foi tranquila. No total, foram aproximadamente 7 horas de viagem, incluindo algumas paradas para embarque e desembarque de passageiros e 30 minutos para almoço. De carro, a viagem dura em torno de 5 horas partindo de Salvador.

Horários do ônibus Salvador – Lençóis:

  • Partida > Chegada
  • 7:00 > 13:00
  • 13:00 > 19:00
  • 17:00 > 23:00
  • 23:00 > 5:00

Outras opções para chegar a Lençóis

A Azul realiza voos de BH para Lençóis. Também há voos regulares de Salvador para Lençóis às quintas-feiras e aos domingos.

O Parque Nacional da Chapada Diamantina

O Parque Nacional da Chapada Diamantina, no coração da Bahia, abriga 28 cidades e mais de 150 vilarejos numa área total de 70 mil quilômetros quadrados. Entre os seus aspectos mais atraentes estão as cidades que foram sedes de garimpos de diamantes que atraíram aventureiros de todo o mundo como a cidade de Lençóis e Mucugê.

Lençóis é uma linda cidade histórica com a maior infraestrutura da região, tendo um aeroporto a 20 km da sede, inúmeras opções de hospedagem, alimentação, agências de turismo, internet e todos os sinais de celular. Para conhecer as atrações, as agências de turismo organizam caminhadas pelas trilhas que cortam o parque e passeios fretados para os locais mais distantes. Também podem ser contratados guias credenciados que estão aptos a apresentar os atrativos dessa região.

Hospedagem na Chapada Diamantina

Ficamos hospedadas na Alcino Estalagem e Atelier e o mérito da escolha foi da Dani. A estalagem fica numa casa em estilo colonial e possui varandas com redes, acesso à internet, ateliê, biblioteca, estacionamento, jardim e um pomar de 3.000 m2.

Chapada Diamantina - estalagem do alcino 1

O tchan fica por conta do café da manhã que é servido numa mesa comprida onde todos compartilham a refeição e aprendem sobre as delícias locais. Todo dia o cardápio é único, mas, em geral, ele começa com frutas, passando pelos chás, café, sucos e iogurtes. Os pães vão do integral a um caseiro de abóbora e sementes de papoula, tapioca feita na hora, bolos quentinhos, geleias, mingau, manteiga de ervas, frios, omeletes e legumes quentinhos. Dedique pelo menos uma hora para degustar deste banquete!

Chapada Diamantina - estalagem do alcino 2

Sempre que éramos perguntadas onde estávamos hospedadas, escutávamos: “Ah, o café da manhã do Alcino…” Mas não é só o café da manhã que é maravilhoso. A casa, o bangalô que ficamos hospedadas e o tratamento carinhoso do Alcino fazem toda a diferença. Super recomendo!

No dia 19/02, ainda na Chapada Diamantina, foi meu aniversário e o Alcino me presenteou com um bolo de chocolate maravilhoso feito com água e champagne ao invés de leite. Obrigada pelo carinho, Alcino!

Chapada Diamantina - estalagem do alcino 3

Nosso Roteiro pela Chapada Diamantina

Rio Serrano

Chegamos segunda-feira, dia 15/02 por volta das 14 horas. Após nos instalarmos e trocarmos de roupa, Alcino nos sugeriu que fôssemos ao Rio Serrano, pois eram apenas 10 minutos caminhando a partir de onde estávamos hospedadas. Lá formam-se piscinas naturais que podem ser rasas como uma banheira de hidromassagem, ou fundas, com até 4 metros de profundidade. A água é escura e avermelhada, porém limpa.

Chapada - Rio Serrano

Neste mesmo dia, fomos à Agência Nas Alturas, indicada pelos amigos Ana e Rafael, e fechamos um passeio para o dia seguinte com o guia argentino Henrique. Os passeios, incluindo o guia, transporte, entrada em alguns locais e, em alguns casos, o almoço geralmente ficam em torno de R$180.

Poço do Diabo

Na terça-feira, dia 16/02 partimos para o Poço do Diabo que é formado por uma queda d’água de 20 metros de altura. Local perfeito para a prática de esportes de aventura como tirolesa e rappel. Caminhamos cerca de 20 minutos para chegar. Trilha super tranquila!

Gruta da Lapa Doce

De lá, seguimos para a Gruta da Lapa Doce, uma extensa rede de cavernas gigantes com formações inimagináveis de estalactites e estalagmites. A caverna tem 850 metros abertos à visitação, sua entrada tem 72 metros de altura e o salão maior tem 60 metros de largura.

No passeio, percorrem-se os 850 metros, saindo da caverna por outra entrada. Nosso guia Epaminondas, mais conhecido como Epa, nos acompanhou nesta empreitada, além do Henrique.

Chapada Diamantina- Gruta da Lapa Doce

Pratinha

Ao sairmos de lá, fomos almoçar (já incluso no passeio) e depois partimos para Pratinha, uma enorme piscina natural de águas cristalinas. Infelizmente, com as chuvas dos meses de novembro e dezembro de 2015, as águas estavam turvas, mas foi um banho delicioso e um momento de relaxamento após o almoço.

Chapada Diamantina - pratinha

Morro do Pai Inácio

Saindo de lá, fomos para o Morro do Pai Inácio, em Palmeiras, a 22 quilômetros do centro de Lençóis. A 1.120 metros de altitude e com 360 graus de paisagem de tirar o fôlego, o Morro do Pai Inácio é a mais bela vista panorâmica da Chapada Diamantina. Subimos 300 metros em 20 minutos e chegamos lá por volta das 17 horas para aguardamos o por do sol, que é maravilhoso!

Chapada Diamantina - mirante

Chapada Diamantina - mirante por do sol

Marimbus e a Lagoa do Roncador

Na quarta-feira, dia 17/02, Ricardo (Tim), outro guia da Agência Nas Alturas, nos levou para Marimbus e Lagoa do Roncador.

Marimbus localiza-se entre os municípios de Lençóis e Andaraí e é uma planície inundada pelos rios Santo Antônio, Utinga e outros que descem as serras do Parque Nacional da Chapada Diamantina. A comunidade do Remanso, a 45 minutos de Lençóis, é a porta de entrada para esse mini pantanal.

Chapada Diamantina- lagoa do roncador

Em pequenos barcos de madeira é efetuada a travessia de uma hora e quarenta minutos, até a foz do rio Roncador, onde deixamos a canoa e caminhamos até a cachoeira. De lá retornamos para o restaurante para almoçarmos uma comida caseira regional em um antigo casarão que foi sede de fazenda.

Chapada Diamantina - Marimbus

Cachoeira do Buracão

Na quinta-feira, dia 18/02 partimos para a Cachoeira do Buracão. Fizemos um bate e volta, mas não é o recomendado. O ideal é pernoitar em Ibicoara ou Mucugê. Como partimos de Lençóis, fizemos uma viagem de 220 km até o município de Ibicoara, percorridos em aproximadamente 3 horas.

Ao chegarmos em Ibicoara, Tim contatou um guia local, o Gercílio, para nos levar ao início da trilha e à cachoeira. Fomos de carro e Gercílio em sua moto em mais uma hora (25 km em estrada de terra) até o começo da trilha. A entrada custa R$6,00 por pessoa.

Chapada Diamantina - cachoeira do buracão 2

Tim ficou nos aguardando em um “estacionamento” na entrada. Iniciamos nossa caminhada paralela ao rio por 45 minutos e depois numa descida nos últimos 15 minutos para chegarmos ao pé da Cachoeira do Buracão.

Nesse ponto, há duas opções: colocar um colete salva-vidas e nadar (mais segura) ou atravessar uma pinguela em meio aos paredões, caminhando agarrado às pedras.

Optamos pelo colete e fomos nadando por entre cânions de 3 metros de largura e 90 metros de altura por onde corre um rio de águas escuras. Após poucos minutos, nos deparamos com a maravilhosa Cachoeira do Buracão. Você também pode nadar próximo à queda de 85 metros ou até entrar atrás da cortina de água, dependendo do volume de água. (Eu fiz!).

Chapada Diamantina - cachoeira do buracao

Cachoeira do Mosquito

Finalizamos nossa viagem, na sexta-feira, dia 19/02, com a Cachoeira do Mosquito, cujo nome se refere aos pequenos diamantes já encontrados na região. Ela é ótima para banho e chegar até ela demanda pouca caminhada.

Chapada Diamantina - cachoeira do mosquito

Ribeirão do Meio

Saindo de lá, fomos almoçar num restaurante próximo e depois partimos para Ribeirão do Meio, excelente local para banho e relaxamento, além de ser um local onde pode-se fazer da cachoeira um escorregador.

Chapada Diamantina - ribeirão do meio

Outra dicas sobre a Chapada Diamantina

Todo dia depois do sol se por, saíamos para algum restaurante em Lençóis, onde a noite é movimentada, mas termina cedo. Há muitos restaurantes charmosos e de comida deliciosa. Destaques para “Bodega”, “Maria Bonita” e “Bar do Barbosa”, curo dono chama-se Ramiro e foi indicação do Alcino. Esse bar fica em uma praça, onde, às quartas-feiras, há uma feira de produtos orgânicos e um palco improvisado para quem quiser cantar e tocar violão.

Nesta época do ano, após o carnaval, Lençóis é visitada por muitos estrangeiros, em especial, europeus.

Você pode escolher outras cidades ou vilarejos para ficar. Os amigos Manuela, Ana Luiza e Rafael nos recomendaram o Vale do Capão.  Fica para a próxima! Penso que vale a pena, ainda mais se não tiver muito tempo, ficar em apenas uma cidade e conhecer as belezas próximas.

Para os amantes da magrela, há muitas trilhas de bike e, para quem gosta de trekking, indico o Vale do Pati que é considerado o trekking mais bonito do Brasil e uma das mais belas trilhas do mundo.

Todos os locais que fomos aceitavam cartão de crédito, inclusive as agências de turismo. O sinal do celular e da internet também é ótimo e a única agência bancária do local é do Banco do Brasil.

Para os amantes de café, comprem o Café Gourmet Piatã. 250 gramas por R$8,00. Delicioso!

A Chapada Diamantina é um lugar incrível, e, sem dúvidas está nos nossos planos para uma viagem pelo Brasil. Muito obrigado, Renata, por esse belo relato! 😉

Texto e fotos da Renata.

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    4 Comentários
  1. Excelente post! A Chapada foi uma das viagens mais lindas que já fiz na minha vida! Fiquei duas semanas e, além dos passeios citados no post, fiz a trilha da Cachoeira da Fumaça (3 dias) e a do Vale do Paty (4 dias). Inesquecível!

  2. Oi Moisés, pretendo retornar e fazer o Vale do Paty e Capão.

  3. Bom dia!
    Quero aproveitar para parabenizar a Renata pelo relato a respeito da Chapada Diamantina, um dos meus paraísos preferido da minha Bahia, fico feliz quando tenho um grupo ou algum traslado pra lá.
    Quero deixar uma dica para quem quer aproveitar os roteiros na chapada, veja qual a melhor cidade pra fazer os passeios ou trilhas que deseja pois como Renata falou a região e grande e tem 27 cidades consideradas turísticas, há roteiros saindo de algumas cidade que é muito cansativo e as vezes não vale a pena, verdade que Lençóis é a cidade mais bem estruturada para receber visitantes, porem existem outras que tem boas pousadas e boa estrutura, tenho um site e no link de traslado há dicas de melhores cidades e roteiros na chapada.
    A respeito dos guias, sempre busco guias nativos, pois existem pessoas que não são de lá e ficam um tempo, acha que conhece a região e os roteiros e se aventuram como guia, não estou dizendo que é o caso desse argentino pois não o conheço e foi indicado pela agencia, acredito que tem conhecimento, mas os guias nativos muitos deles trabalham o combate a incêndio e resgate de pessoas que se perdem nas trilhas, alias não façam isso nunca saia pra uma trilha sozinho ou com amigos sem um profissional, trilhas confundem, exitem lugares de passagem de animais e as tromba d”água, na mata exitem particularidades que só quem conhece sabe. Quando estou lá com um grupo sempre busco um guia local, meus preferidos em Lençóis são Silvio, Tião, Zeu ou Ari pela experiencia.
    Outra maneira de chegar alem das dicas de Renata é buscar um traslado privativo direto aeroporto de Salvador ate Chapada, são cerca de 5h de viagem em uma paisagem belíssima que vai da mata atlântica no litoral baiano, sertão nordestino e mata ciliar ate chegar nesse lugar magico conhecido como Oasis da Bahia.

    Valeu Renata conhecer se encantar nos encantar!!!

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