Um dia desses, recebi um email do nosso leitor Thiago Pacífico comentando que tinha feito um roteiro incrível pela Serra da Capivara e que gostaria de compartilhar suas experiências aqui no blog 😀 Nós sempre ficamos muito felizes quando isso acontece, pois sabemos o quanto esses relatos pode ajudar outros viajantes. Sem contar que adoramos essas trocas de experiências.

Aliás, se você quiser ver sua viagem publicada aqui no Sundaycooks é só deixar um comentário em algum dos posts que nós entramos em contato 🙂

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A Serra da Capivara no Piauí

Destaque na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a Serra da Capivara enfrenta grandes dificuldades 🙁 O parque nacional abriga a maior concentração de arte rupestre ao ar livre do mundo e corre o risco de ser fechado por falta de investimento do governo federal e da iniciativa privada. Recentemente, os guias locais se reuniram e insistiram para que as portas desse grande tesouro nacional não fossem fechadas e a melhor maneira de ajudarmos é divulgando e visitando a região.

E aqui já faço logo uma mea culpa. Infelizmente ainda não conseguimos viajar pelo Brasil e produzir um conteúdo bacana à altura dos nossos destinos e a Serra da Capivara é, sem dúvidas, um desses lugares imperdíveis que ainda não conhecemos ao vivo. Pra nossa sorte, o Thiago montou um roteiro super detalhado e rico em informações para você que quer conhecer essa joia brasileira e Patrimônio Mundial da UNESCO 😀

Obrigada, Thiago!

O roteiro do Thiago pela Serra da Capivara

Texto e fotos | Thiago Pacífico

Olá,

Eu me chamo Thiago e compartilho com vocês o relato de uma viagem que fiz durante o carnaval de 2016. Infelizmente esse é um destino pouco procurado, em verdade até desconhecido pelos brasileiros, apesar de bastante conhecido por estrangeiros. Independentemente de tudo isso, ela é um verdadeiro achado para amantes de natureza e, especialmente, da arqueologia. E assim é a Serra da Capivara, no sertão do Piauí: um lugar lindo, de uma riqueza natural e arqueológica incomparáveis, principalmente de pinturas rupestres. Imperdível a visita.

Confesso que, desde criança, quando a professora falava de pinturas rupestres, sempre quis ver uma e, finalmente, vi centenas delas quando fui à Serra da Capivara 😀

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Fiquei deslumbrado com tudo aquilo e até hoje me pego imaginando como teriam vivido os homens e mulheres pré-históricos aqui no Brasil quando sequer existiam as civilizações europeias que estudamos na escola. Isso mesmo: já adianto que existem sítios arqueológicos muito antigos.

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O que me motivou a fazer esse relato foi o fato de o local ser realmente fantástico e também por ele não ser devidamente divulgado, o que é uma pena, dado o seu potencial turístico. Então vale o esforço de tentar mostrar essas riquezas aos outros viajantes.

Além do mais, diante da situação econômica do país e do histórico descaso dos governos com as políticas públicas de proteção ao meio ambiente e ao patrimônio histórico-cultural brasileiro, o Parque Serra da Capivara se vê na ameaça da ausência de recursos e de fechar completamente para o público, o que não aconteceu ainda diante do ativismo de Niède Guidon, arqueóloga responsável pela criação e manutenção do parque.

Aqui cabe um parêntese: a história de Niède Guidon é fenomenal; ela lutou contra todas as adversidades possíveis para tornar o parque no que ele é hoje, estruturado e organizado para visitação e estudos arqueológicos.

Então vamos lá nos deliciar com essa viagem maravilhosa e planejar uma visita caprichada?

O que é a Serra da Capivara?

A Serra da Capivara, hoje Parque Nacional, foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, constituindo-se de um verdadeiro museu a céu aberto, abrigando mais de mil sítios arqueológicos (cerca de 200 deles estão abertos à visitação) com inúmeras pinturas rupestres sobre cenas de animais, de rituais religiosos, sexo, caça, luta, dança e grafismos puros (figuras abstratas e geométricas) divididas em tradições e estilos adotados pelos diversos grupamentos humanos que lá viveram entre 14 a 4 mil anos atrás.

Sítios arqueológicos são quaisquer locais que contêm vestígios de ocupações humanas passadas, sendo a maioria deles compostas de pinturas que geralmente ficam preservadas durante o tempo e em que é possível a contemplação pelo visitante leigo. Porém, também são sítios locais onde se encontraram objetos deixados por esses grupos humanos, como pedras polidas, cerâmica, urnas funerárias, ossos, fogueiras, etc.

Todos esses objetos ou registros gráficos são a base única de comprovação da existência e da compreensão da cultura dos povos que viveram na América do Sul em tempo muito remotos, o que torna a visita ao Parque Nacional Serra da Capivara um momento único de contato direto com tais informações. Determinados paredões com pinturas rupestres são tão complexos e tão ricos que, por mais tempo que você os fique contemplando, sua mente fica imersa num cenário totalmente diferente. É um verdadeiro deslumbre.

E não para por aí. Cada “galeria de arte” está em volta de paredões, desfiladeiros, cânions, baixões, mirantes, etc. Não raro, você está diante de um painel de pinturas e, nas suas costas, um desfiladeiro enorme, com a vegetação da caatinga, que é outra beleza à parte.

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Como chegar até a Serra da Capivara?

De carro

Devo dizer que esse foi o ponto mais “complicado” da viagem, mas não é coisa de outro mundo não. Pode ficar tranquilo.

De início, vale dizer que a principal cidade porta de entrada do Parque é São Raimundo Nonato, uma cidade pequena, mas razoavelmente estruturada, com vários bancos, hotéis, restaurantes, farmácias, supermercados e postos de gasolina, então não há como passar aperreios. Não pense que se trata de um local inóspito, ao contrário, considerei a cidade muito bem servida, levando em conta que ela está no interior do sertão piauiense.

As duas principais rotas para se chegar até São Raimundo Nonato, por via terrestre, são partindo de Teresina, capital do Piauí, ou de Petrolina, em Pernambuco, cidades que possuem aeroportos com voos frequentes. Esta última opção foi a que nós escolhemos, mesmo porque partimos de Maceió/AL e fizemos todo o percurso de carro (mais de mil quilômetros ao todo em cada percurso!).

Ofertas de aluguel de carro no Brasil

Segundo o próprio site da FUMDHAM, a rota a partir de Teresina/PI segue pela BR-316, continuando pela BR-343 até Floriano, girando à direita para a BR-230, para depois seguir pela PI-140 e continuar na BR-324 até São Raimundo Nonato.

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Já o mesmo site indica, a partir de Petrolina/PE, ir pela BR-235 até Remanso/BA, continuando pela BR-324 até São Raimundo Nonato. Porém, após Remanso, há cerca de 100 km de estradas de barro.  CUIDADO! Estávamos certos de pegar essa rota, mas por muita sorte e uma certa cautela, descobrimos que a estrada depois de Remanso/BA estava completamente destruída por um rompimento de uma barreira, em razão das chuvas da semana anterior, estando intransitável.

Verifique as condições das estradas

Como soubemos disso? Eu liguei para todos os postos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que me informaram das condições de todas as estradas federais – que estavam boas – e me deram telefones dos Batalhões de Trânsito da Bahia, ocasião em que falei com um policial que me recomendou não seguir por Remanso.

Então seguimos por um caminho mais longo, embora transitável. Dessa forma, por orientação do funcionário da pousada onde ficaríamos em São Raimundo Nonato, a partir de Petrolina pegamos a BR 407 até Afrânio/PE, e, depois da cidade, viramos à esquerda no Posto Fiscal Pipocas, pegando uma rodovia estadual piauiense (PI-459), passando por Queimada Nova/PI, até São João do Piauí. De lá é só seguir pela BR-020 até São Raimundo Nonato.

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Muita ATENÇÃO para a entrada à esquerda em Pipocas, pois ela fica bem escondidinha, mas não tem erro. Entre umas casinhas existentes no posto fiscal está lá a estrada, logo à esquerda. Já adianto que a PI-459 será a pior estrada do percurso, mas não é tão ruim não. Quando fomos, havia chovido bastante e muitos buracos estavam dando o ar da graça, mas encontramos alguns funcionários tapando com asfalto. É uma estradinha cheia de curva, então mesmo sem buracos, é bom ter cuidado.

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De avião

São Raimundo Nonato também conta com um pequeno aeroporto (SRN), mas com pouquíssimos voos comerciais. A única empresa que opera voos por lá é a Piquiatuba, apenas saindo de Teresina/PI, com escala em Picos/PI, nas segundas e quintas-feiras. Para os mais afortunados, o aeroporto também recebe voos fretados e aeronaves particulares.

Para quem vem de locais mais distantes, chegar a São Raimundo vai exigir do visitante, provavelmente, um voo até Teresina/PI ou Petrolina/PE. Petrolina é a melhor opção por ser mais perto, mas, dependendo do preço, pode ser viável viajar até Teresina e de lá seguir de carro alugado, pois as condições de estrada são um pouco melhores.

As empresas Avianca, Azul e Gol mantêm voos regulares até Petrolina, havendo voo diretos a partir de Recife e Salvador.

Qual é a melhor época para visitar a Serra da Capivara?

Estamos falando do alto sertão piauiense, então o clima será quente e seco praticamente o ano todo. Há apenas duas estações bem definidas: inverno chuvoso e verão seco. É bem verdade que o inverno não deixa o local frio, apenas ameno.

O “inverno” é de dezembro a maio, sendo os demais meses de estiagem. Coloquei entre aspas, pois, às vezes, não chove praticamente nada nos meses em que era para chover. Como típico sertanejo, posso afirmar que, infelizmente, o sonhado “inverno” é bastante raro.

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Quando fui em fevereiro de 2016, a região estava chuvosa, muito embora não peguei chuva durante minha estadia, mas pude contemplar a caatinga verde. O ruim é que as estradas do parque ficam um tanto prejudicadas quando chove e há risco de se escorregar nas pedras, mas nada que um calçado antiderrapante não resolva.

Qual é a melhor maneira de circular pela parque da Serra da Capivara?

De carro, sem dúvidas. Mesmo que você chegue de avião a Teresina ou a Petrolina, é altamente recomendado alugar um automóvel. Isso porque nenhuma das entradas do parque fica perto o suficiente para que seja possível ir a pé a partir dos centros das cidades do entorno. Também não há transporte público. Até mesmo para quem fica hospedado no albergue ou no camping, embora ganhe um pouco na distância, o percurso até os centros de visitantes é considerável e tomará muito tempo e energia para ser vencido a pé. Além do mais, a distância também permanece para as demais entradas dos parques na visita aos demais circuitos.

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É possível contratar um taxista para os percursos, o que infelizmente não sairá barato, mas não deve ser nada absurdo. Ou seja, se o grupo não tiver ninguém que dirija ou que não queira dirigir, usar táxi não tornará a viagem inviável economicamente.

Guias e ingressos na Serra da Capivara

Só se entra no parque com guia credenciado pela FUMDHAM. Os guias cobram R$ 150,00 a diária para até 8 pessoas (valor geralmente negociável se forem mais dias contratados). O parque abre todos os dias das 6 às 18 horas, o que facilita e muito a programação. Também não é preciso reservar ou comprar com antecedência os ingressos (R$ 15,00 para brasileiros e R$ 30,00 para estrangeiros), pois na prática não existe limite de visitantes por dia.

Há trilhas e circuitos muito acessíveis, inclusive adaptados para quem possui dificuldades de locomoção. Porém há trilhas de difícil acesso, indicados apenas para quem tem bom condicionamento físico, mas não é nada de outro mundo. Para vocês terem uma ideia, eu tenho 29 anos e, na época da viagem, exercitava-me regularmente com caminhadas e corridas leves, e fiz tudo de boa; já minha esposa, sedentária, reclamou um bocadinho, mas também encarou tudo.

Combine previamente com o guia o roteiro a ser escolhido, isto é, o que se pretende ver e a dificuldade dos percursos que o visitante quer fazer. Determinadas trilhas exigem escaladas e subidas em escadas metálicas encravadas nas rochas. O ideal é um grupo de até 4 pessoas com o mesmo nível de condicionamento, a fim de conhecer um maior número de atrativos num dia, sem os atrasos naturais comuns a um grupo grande e sem ficar tão caro por pessoa.

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Os hotéis têm os contatos de guias e taxistas e site do ICMBio mantém uma lista de guias credenciados . Nós contratamos o guia Mário Filho (telefone: (89) 99430-2800 e 98129-1038). Mário, além de conhecer todos os circuitos como a palma da sua mão, sabe tudo de arte rupestre, pois trabalhou muito em escavações e na conservação das pinturas. Também tem um conhecimento muito grande de plantas e árvores. Além disso, é um dos poucos condutores que conhece a Serra das Confusões. Mário sabe aproveitar bem os horários do visitante e seu único defeiro é falar um pouquinho alto 😛 Recomendo contratá-lo.

De todo modo, existem outros guias famosos, como Waltércio, Wilk Amorim, Eliete, Giordanno. Aliás, todos eles falam muito bem um do outro e nenhum guia se intitula melhor que o seu colega. Isso é muito bom, pois existe muita parceria entre eles.

Voltando ao passeio, há circuitos que são só acessíveis com veículos com tração nas quatro rodas. Ouvi dizer que há guias que possuem carro 4×4 e fazem as visitas incluindo o transporte, mas claro que sai mais caro que o normal, mas mais vantajoso dependendo do que se quer conhecer.

Todos os circuitos que fiz não precisei de carro com essa força, mas se o visitante quiser passar mais dias num roteiro pela Serra da Capivara, o carro 4×4 é necessário.

O que levar na mala?

Leve roupas leves e frescas, como se você fosse fazer uma caminhada num dia ensolarado. Invista também em chapéu, camiseta UV e calçado apropriado para trilha (botas de trekking). É imprescindível levar uma pequena mochila nas caminhadas para levar água (1 a 2 litros por pessoa), protetor solar, repelente e lanches diversos.

A depender do roteiro escolhido, não há como almoçar, sendo necessário levar algo reforçado para comer, sem que pese muito na mochila, como frutas secas, grãos, barra de cereal, sanduíches, etc.

Não menos importante do que as coisas materiais, é levar consigo a consciência da preservação ambiental e do respeito ao meio ambiente e ao nosso patrimônio histórico único, então transcrevo as seguintes recomendações do site do ICMBio:

  • Siga as regras de todos os parques: não dê comida aos animais; não toque nas pinturas; mantenha-se nas trilhas e passarelas; não colete flores, plantas, pedras ou outro qualquer material natural do parque; leve sacolinha para colocar seu lixo ou o deposite nos locais disponíveis para tal; não faça muito barulho; não pratique depredações, como rabiscar sobre rochas e cascas de árvores.
  • Divirta-se, aprenda, conheça, tire fotografias, leve boas recordações, deixe apenas pegadas.

O que fazer na Serra da Capivara?

Ora, visitar o parque! E como eu já disse, conhecer sua natureza, o relevo privilegiado, a caatinga em todas as suas formas, e a fauna local (aves, lagartos, mocós, macacos, cotias, veados, onças etc). E o mais importante: as figuras pré-históricas que são inúmeras. Além disso, São Raimundo Nonato conta com um museu bem legal, o Museu do Homem Americano, que também vale a visita. Por fim, a oficina de cerâmica é uma boa pedida para conhecer e adquirir algumas peças.

Fiz o seguinte roteiro, que detalharei a seguir de forma minuciosa:

  • 1° dia: Desfiladeiro da Capivara
  • 2° dia: Serra Branca e Baixão das Andorinhas
  • 3° dia: fui conhecer a Serra das Confusões, que fica a 100 km de distância no município de Caracol/PI
  • 4° dia: Trilha Interpretativa Hombu
  • 5° dia: Circuito da Pedra Furada
  • 6° dia: Vistas panorâmicas da Serra Vermelha, Museu do Homem Americano e Fábrica de Cerâmica.

Lembrando que não conheci tudo dos circuitos, apenas as atrações mais importantes de cada um deles. É praticamente impossível percorrer todos os sítios de cada circuito.

Aí vai mais uma dica: antes de você chegar ao hotel, se ainda estiver claro, veja o mirante com vista para a cidade de Coronel José Dias, na BR-020. Será um leve aperitivo do que o espera nos próximos dias.

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1º dia: Desfiladeiro da Capivara e Sítio do Meio

Certamente você irá conhecer o circuito do Desfiladeiro da Capivara com seu guia. Bastante acessível de carro (entrada pela BR-020) e com sítios arqueológicos de fácil acesso a pé, a maioria deles contíguos à estrada de terra do circuito que pode ser transitada de carro sem nenhum problema.

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A guarita de entrada dispõe de banheiros, telefone, lojinha de artesanato e vende água e refrigerante.

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Seguindo pela estradinha, os sítios que se pode visitar são: Toca do Pajaú, Toca da Entrada do Pajaú, Toca Inferno e Toca do Barro. Dentre esses, destaco a Toca da Entrada do Pajaú que tem a forma natural de cúpula de igreja e que conservou as pinturas ao longo dos milênios, pois o bloco arenítico protege os grafismos do sol e da chuva, mantendo a nitidez de pinturas de inacreditáveis 12 mil anos, umas das mais antigas do parque!

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As pinturas retratam cenas do dia-a-dia e rituais religiosos. Vejam só a riqueza desse painel. A maior pintura é a do cervídeo apontado na seta.

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Nesse sítio, vê-se retratada uma cena curiosa, possivelmente de técnica de caça pré-histórica usando uma rede.

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Ali também foram identificados restos de fogueiras, apesar de mais recentes, em torno de 7 mil anos (Só isso! :P). Nesse período, o clima da região era tropical úmido e passava um caudaloso rio em frente à toca. Possivelmente era o local de descanso do homem americano entre as colheitas e caçadas. Nos descansos, eles aproveitavam para, sem imaginar, nos presentear com sua arte rupestre.

O próximo local, a Toca Inferno, não contém pinturas, mas sim um desfiladeiro belíssimo, apesar de frio, úmido e escuro em plena caatinga e à luz do dia.

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Vistos os sítios acima, é hora de seguir por uma trilha até diversos outros sítios, exigindo uma boa caminhada, podendo-se conhecer os seguintes: Toca da Entrada do Baixão da Vaca, Toca do Deitado, Tocas do Fundo do Baixão da Vaca I, II e III, Toca dos Veadinhos Azuis (mais difícil de todas para acessar), Toca da Saída, Toca do Neguinho Só, dentre outros. Primeiro chega-se à Toca de Cima do Fundo do Baixão da Vaca I, com figuras variadas de seres humanos, animais e grafismos puros.

De frente a esse sítio, a incrível vista do vale, caminho para a Toca dos Veadinhos Azuis.

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Já na Toca dos Veadinhos Azuis, o curioso é, na verdade, que os veados adquiriram a cor azul naturalmente com o passar dos anos, uma raridade arqueológica. Entretanto, o nosso guia Mário disse que a cor era… cinza! Bem, o olho é meu e eu enxergo como eu quiser hehehe e eu vi a cor azul.

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Mas e quanto a você? Qual é a cor dos veados? Melhor ir até lá e ter a sua opinião, não acha? Atenção que a chegada até aqui é a mais difícil do percurso, mas, como eu já disse, não é nada de outro mundo, até porque uma visão dessas compensa 😀

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Depois dessa vista “horrível”, o ponto seguinte a se dirigir é a Toca da Entrada do Baixão da Vaca, um sítio enorme com centenas de pinturas. Nela há uma curiosa cena de parto envolvendo uma grávida e três pessoas (seta branca).

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Note que em várias figuras, o masculino é retratado com o pênis em evidência, e, como na grávida, o feminino é retratado com a vagina em forma de círculo ou semicírculo. Nessa toca há importante representação gráfica com várias pessoas, distanciadas entre si, o que indica que os grupamentos humanos que pintaram as figuram tinham regras peculiares de perspectiva.

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Aí depois de ver tanta figura, surge a pergunta. Eles desenhavam isso com o quê? As tintas normalmente são vermelhas e à base de ocre (óxido de ferro) muito comum na região, mas há tintas amareladas. O nosso guia explicou que esses compostos para durarem tanto continham um fixador, que acredita-se que eram feitos à base de clara de ovo. As figuras, sobretudo as mais delicadas, possivelmente foram pintadas utilizando-se fibras, pelos ou espinhas de vegetais.

Acabamos não visitando alguns outros sítios por não serem tão atrativos e porque iríamos perder tempo em outros lugares ou circuitos mais legais. Então, saindo do desfiladeiro, almoçamos e partimos para o Circuito Sítio do Meio.

Estacionamos o carro e partimos mata a dentro para esse importante e lindo local. Andamos pelo sítio Pedro Rodrigues, ainda sem ver nenhuma pintura, mas com uma visão maravilhosa. Nesse sítio se vê muita caatinga arbórea, relativamente rara (a mais comum é a caatinga arbustiva).

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Chegando perto da “cuesta”, fizemos a típica “escalaminhada” nas rochas, ponto mais difícil da trilha, mas o guia sabe direitinho onde devemos pisar.

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Entre essas rochas e esse bloco arenítico que nos faz sombra à direita, fica um pequeno vale com caatinga arbórea onde fica o Boqueirão do Pedro Rodrigues, um pequeno sítio arqueológico. Daqui a pouco chegaremos lá, mas antes é hora de dar meia volta e curtir essa paisagem.

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Olha só esse grandioso bloco arenítico e a caatinga arbórea adjacente! As árvores justamente existem nesse vale porque elas “têm de crescer” para as folhas alcançarem o sol lá em cima.

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Seguindo a trilha, vamos em direção à vista panorâmica para a pedra furada.

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Olhem só a vista! A pedra furada, a primeira foto desse relato, bem ao longe. Mas calma! O Circuito da Pedra Furada será em outro dia 🙂

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Voltando ao sítio do meio pelo vale, encontramos, como já adiantei, o Boqueirão do Pedro Rodrigues, onde se vêem figuras variadas.

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Depois, andamos para uma das estrelas do local: a Toca do Sítio do Meio que se formou sob o abrigo da rocha, onde antigamente passava um rio contendo painéis riquíssimos de pinturas e onde foram encontradas preciosidades da arqueologia mundial.

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Escavações realizadas encontraram amostra de carvões, restos de fogueiras, com datações entre 12.440 a 14.300 anos antes do presente (AP). Também foram encontraras restos de ocre (tinta vermelha), pedras lascadas e ossos de animais caçados, além de um colar, em exposição no Museu do Homem Americano.

Também foi encontrada uma machadinha de pedra polida, a mais antiga do continente americano, datada de 9.200 anos AP; além de cerâmica, também a mais antiga de toda a América, datada de 8.960 anos AP.

As pinturas não ficam para trás, trazendo datações que superam os 12 mil anos, chegando a quase, e incríveis, 14 mil anos. A mais famosa é uma contendo cervídeos e figuras humanas formando diversos conjuntos que fazem parte de uma mesma cena.

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Vejam também que curioso: uma figura de um caranguejo, espécie que já habitou a região em períodos mais antigos, quando o clima era tropical úmido. Incrível imaginar que no, hoje, semiárido nordestino já existiram crustáceos.

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Isso, mesmo! Já não disse que ali passava um rio? Aliás, a região era cheia de rios como o que passava no Desfiladeiro da Capivara. Há 12 mil anos aproximadamente, a região recebia chuvas abundantes e rios caudalosos, o que foi mudando sensivelmente ao longo desses milhares de anos.

Possivelmente, foi por conta dessa mudança climática para o seco semiárido que as pinturas foram preservadas. Foi justamente nesse período, de 12 a 6 mil anos AP que uma determinada temática e técnica de realização de pintura predominou, com características próprias que retratam também essa mudança climática. Falo da Tradição Nordeste.

Como assim tradição? As tradições são definidas pelas classes de grafismos representados e pela relativa proporção que estas classes guardam entre si. Dentro das tradições pode-se às vezes distinguir-se subtradições, segundo critérios ligados às diferenças na representação gráfica de um mesmo tema e à distribuição geográfica. A unidade de base, o estilo, é definida pela técnica de manufatura e pela apresentação gráfica.

A Tradição Nordeste, que predomina na Serra da Capivara, é a mais antiga de todas, e definida pela presença de grafismos reconhecíveis e de grafismos puros que não podem ser identificados. As figuras reconhecíveis representam ações e acontecimentos com seres humanos ou animais. Há também plantas e objetos, porém raros nessa tradição.

Todas as pinturas vistas até agora são da tradição nordeste, tanto do Desfiladeiro da Capivara, como do Sítio do Meio. Entretanto, nesses sítios existem algumas incursões, feitas por povos mais recentes, evidenciando a Tradição Agreste, que apresenta figuras com dimensões maiores, mais reconhecíveis e isoladas. Nessa tradição, é mais comum retratar os seres humanos, sendo mais raro os animais, não havendo objetos ou plantas. Ela não é comum na Serra da Capivara aparecendo isoladamente junto à Tradição Nordeste.

A Tradição Agreste traz cenas narrativas, dificilmente retratando caçadas. Nela as pinturas não são aprimoradas, sendo preenchidas sem um cuidadoso acabamento, muitas vezes com sinal de escorrimento. As figuras são basicamente estáticas, sem dar a ideia de movimento. Essa tradição predominou de 9 a 2 mil anos AP. Ou seja, as duas tradições tiveram períodos coincidentes.

Na Tradição Nordeste é possível identificar dois estilos diversos: o mais antigo, estilo Serra da Capivara; e o mais recente, estilo Serra Branca. As figuras vistas até agora são todas desse estilo, ou seja, bem antigas.

Voltando ao Circuito do Sítio do Meio, outros sítios de interesse são: Toca do Paredão do Pau d’Arco, Toca da Escadinha do Baixão do Meio e Toca do Caldeirão do Sítio do Meio. Próximo a esse último, além de pinturas, há um bloco de pedra caído e apoiado entre as rochas.

Já estava escurecendo. O passeio do dia terminou e infelizmente tínhamos de voltar à cidade.

2º dia: Serra Branca e Baixão das Andorinhas

O circuito da Serra Branca dista 33 km do centro de São Raimundo Nonato, mas a guarita é bem acessível a partir da estrada. O circuito como um todo também é bem acessível de carro, não sendo necessário andar muito a pé, como no Sítio do Meio.

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Fica naquele esquema: estaciona o carro, conhece, entra no carro e vai conhecer outro sítio. Alguns sítios, entretanto, somente são acessíveis por carros 4×4 (as placas avisam), mas podem ser conhecidos também a pé. Confesso que gostei muito desse sítio com muitas pinturas, lindas formações rochosas e muita caatinga.

Primeira parada foi na Toca da Igrejinha, que apenas possui um vestígio arqueológico – uma figura de cervídeo bastante apagada –, mas possui vários “tabuleiros” gravados nas rochas.

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São vestígios históricos, possivelmente feito pelos colonizadores, antes mesmo da ocupação do local pelos maniçobeiros que faziam tocas embaixo dessas rochas, convivendo com a arte rupestre antes mesmo de sua descoberta pela comunidade científica.

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Os maniçobeiros ocuparam a região para desenvolver a extração de látex da maniçoba para a fabricação de borracha. Vários vestígios históricos foram deixados por eles, inclusive o nome “igrejinha” dado ao sítio ocorreu porque várias romarias da cidade se dirigiam até lá.

Depois fomos para a Toca do Vento, que, pelo seu ângulo, recebe bastantes rajadas de vento, daí o nome. Foi um sítio castigado pelos incêndios e pela ocupação de uma família de maniçobeiros, que queimavam querosene em lamparina, arruinando as pinturas.

Segundo informações, indicava-se a presença de um lago no local há mais ou menos 8.500 anos, além de cachoeiras e muita água, que soterraram várias pinturas. Apesar de tudo isso, várias pinturas resistiram, com detalhe para um painel com um conjunto de capivaras no verdadeiro estilo Serra Branca.

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O estilo Serra Branca foi um aperfeiçoamento do estilo Serra da Capivara, que é mais recente (de 9 a 6 mil anos) retratando humanos e animais parcialmente preenchidos (não totalmente pintados). Nesse estilo, as figuras humanas muitas vezes apresentam ornamentações (vestes, colares e cocais). As figuram, em geral, tinham tamanho reduzido e ângulo arredondado, muitas vezes humanos zoomorfos, outras vezes em forma de planta ou totalmente redondos.

É comum no estilo Serra Branca a temática da violência, o que sugere que, nesse período mais recente que o predominante no estilo Serra da Capivara, houve um considerável aumento demográfico e a coabitação entre diversas tribos, o que gerou nítidas desavenças e vários conflitos. As formas retangulares também predominam, embora não abandonadas as formas arredondadas.

Os próximos sítios em que é possível ir a pé a partir de Igrejinha são as Tocas do Mulungu I, II, III e IV, com algumas figuras muitas pouco nítidas, predominando grafismos puros e antropomorfos em tamanho reduzido.

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Em seguida, pegamos o carro e fomos até um dos melhores sítios do circuito, a Toca do Pinga do Boi, um abrigo num paredão de 50 metros cheio de pinturas, com destaque para um homem mascarado segurando um veado galheiro, representação raríssima na região.

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Outras figuras sugerem uma cena de caça misturada com sexo. Note o órgão sexual masculino que às vezes se confunde com a sua perna e o órgão sexual feminino, identificado com um círculo.

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Nesse sítio há várias intrusões sobrepostas. Notem a diferença de tonalidade entre a ema e o veado galheiro. Tudo indica que a ema foi inscrita mais recentemente no painel.

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Por fim, olhem essa cena de macacos pregos com filhotes nas costas. Pelo escorrimento e a diferença da tonalidade, parece se tratar de outra tradição, a Agreste, bem mais recente, possivelmente não mais antiga que 4 mil anos.

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Esse sítio foi bastante restaurado. Havia fragmentos nas escavações que foram colados de volta na parede e seu painel é riquíssimo! Não à toa que em frente a esse sítio há mesas e bancos embaixo de várias árvores, ideal para fazer um piquenique e contemplar as figuras ao longe.

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Nesse dia levamos sanduíches que, junto às frutas secas e às barras de cereal, foram o nosso “almoço-lanche” para não termos que sair do circuito para almoçar, de modo a aproveitar bem o tempo.

Seguindo pela direita desse circuito, chega-se às Tocas do Alto do Pinga do Boi I, II, III e IV e à Toca da Rancharia da Escada. De lá se tem uma bela vista da caatinga e das formações rochosas da região.

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Aquela rocha em forma de hambúrguer abriga outro sítio, a Toca do Giordanno. Nos sítios acima, predominam cervídeos e pequenos antropomorfos. Ressalto figuras humanas redondas que são comuns no estilo Serra Branca (a foto é da Toca do Alto do Pinga do Boi IV).

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Descendo de volta à Toca do Pinga do Boi, na direção contrária, vamos até a Toca do Giordanno. No caminho se passa pelas Tocas do Candú I e II e Toca do Mário (em homenagem ao nosso guia; isso mesmo!) onde, entre outros grafismos, existe uma figura de um lindo cervídeo com bordas amarelas e preenchimento avermelhado.

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Da Toca do Giordanno, outra vista belíssima da região. Ao longe, as Tocas do Alto do Pinga do Boi.

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Em seguida voltamos até a Toca do Pinga do Boi novamente para pegar o carro e seguir pelo circuito para conhecer outros sítios. A próxima parada foi na Toca do Sobradinho I. A subida é um tanto íngreme, mas compensa pelas figuras interessantíssimas que existem lá. Há uma cena de sexo bem nítida, ao lado de cervídeos correndo e figuras humanas:

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Outra cena é de uma caça a um cervídeo usando uma lança. Repare nas figuras retangulares dos cervídeos e a ausência de preenchimento completo utilizando-se texturas e traços, no verdadeiro estilo Serra Branca.

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Na sequência, fomos até a Toca do Caldeirão da Vaca I, um sítio fantástico à beira da estrada. Dentre inúmeras figuras, destaco um homem ornamentado (notar o pênis ao lado). Esse é um painel fantástico e nele há cervídeos, capivaras e humanos, destacando-se duas cenas de rituais religiosos envolvendo vários humanos com uma árvore.

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Próximo sítio: Toca do João Arsena. Ao lado da estrada, ele possui blocos caídos ostentando um paredão riquíssimo de figuras humanas e animais, com cenas de luta e dança, além de grafismos puros.

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Em frente a esse sítio, temos a Toca do Veado, um abrigo de 20 metros de altura, onde predominam três figuras enormes de veados. O maior de 1,90 metros de comprimento junto ao de 1 metro e, mais acima, outro de 1,60 metros (esse último bem apagadinho, uma pena). Essas figuras ficam protegidas do sol por uma cobertura e o sítio dispõe de uma passarela para enxergarmos as pinturas bem de perto.

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Lá ainda há figuras humanas e, seguindo pela passarela, existe um abrigo com blocos caídos e com pinturas que resistiram à queda, além de outras no teto bastante nítidas.

Dentro do carro novamente, fomos para a Toca da Extrema II, um importante sítio onde foram retirados blocos caídos expondo gravuras que hoje estão no Museu do Homem Americano. Nesse local também foi encontrada uma flauta de madeira que pode chegar a ter mais de 1.400 anos. Nesse sítio encontramos a famosa cena da árvore, dentre inúmeras outras figuras que ornamentam o teto.

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Último sítio visitado em Serra Branca: Toca do Caboclo de Serra Branca. Ela é um bloco arenítico que sofreu bastante erosão, formando um arco, com bela vista do planalto.

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Nesse sítio há figuras humanas de frente e de perfil, principalmente na temática da luta, apresentando as cores vermelha e amarela.

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Infelizmente acabaram os sítios visitados em Serra Branca. Logo saindo do sítio acima, fomos conhecer o Olho D’Água de Serra Branca, onde abastecemos nossas garrafinhas e conhecemos a antiga morada do maniçobeiro João Sabino – a Toca do João Sabino, sítio histórico.

Outros sítios interessantes em Serra Branca que eu não conheci: Toca do Caboclinho, Toca do Pica-Pau, onde encontraram o quartzo hialino exposto no Museu do Homem Americano, Toca Nova do Inharé, Toca do Conflito, de difícil acesso e que guarda uma famosa cena de guerra, Toca da Pedra Solta de Serra Branca e Toca do Pau Dóia.

Outros sítios de menor interesse: Toca do José Ferreira, Toca do Pinhãozinho, Toca do Grafismo, Toca da Onça, Toca da Torre e Toca da Passagem.

Pôr do sol chegando, saímos de Serra Branca, pegamos a rodovia no sentido de São Raimundo Nonato e fomos até o Baixão das Andorinhas, no circuito da Serra Vermelha. É no Baixão das Andorinhas que acontece o famoso voo rasante das andorinhas.

Chegamos a tempo de fazer um passeio pelo baixão, seguindo por uma trilha da razoável dificuldade e compensada por um local de um visual incrível.

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Voltando ao local para visualizar o pouso das andorinhas, nota-se que ele está inclusive adaptado a quem possui dificuldade de locomoção. Lá há também uma escadaria, pois recentemente foi descoberto um sítio logo abaixo com algumas pinturas rupestres.

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Subindo as escadas de volta, era hora de sentar, relaxar e esperar as andorinhas chegarem. Elas vêm aos poucos. Algumas em bando. Elas mergulham em tamanha velocidade para voltar ao seu abrigo nas cavernas existentes no baixão que dá para ouvir o mergulho no ar.

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Enfim terminou o segundo dia. Era hora de voltar ao hotel, tomar um banho, jantar e descansar para o dia seguinte.

Situação atual na Serra da Capivara

O Viaje na Viagem tem acompanhado de perto a situação da Serra da Capivara, caso você queira se manter informado sobre o assunto, não deixe de conferir as notícias publicadas por lá.

Obrigada pelo relato, Thiago! Esperamos animados pela segunda parte da sua aventura 😉

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    2 Comentários
  1. Adorei o roteiro, principalmente porque é perto daqui (do RN rs)! Me surpreendi com a riqueza do lugar e confesso que o Piauí nunca esteve na lista de lugares a visitar… até agora! Esse lugar daria uma bela etnografia!

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