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A origem de sunitas e xiitas

Alguns acontecimentos recentes no Oriente Médio (acontecimentos tristes, só para variar) trouxeram de volta à superfície das notícias mundiais a […]

por Gabe Britto outros artigos do autor
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Alguns acontecimentos recentes no Oriente Médio (acontecimentos tristes, só para variar) trouxeram de volta à superfície das notícias mundiais a diferença entre muçulmanos xiitas e sunitas. No meio de tudo isso, me meto a besta e venho aqui tentar explicar para você como surgiram os dois principais ramos do islamismo.

scottgunn (CC BY-NC 2.0)

Como de praxe, é uma explicação leve, sem entrar em detalhes. É só para você compreender a situação do mesmo jeito que eu: mais ou menos.

Para isso, voltemos para o início dos anos 600 d.C, onde hoje fica a Arábia Saudita.

Maomé, um homem nascido na cidade de Meca, é o líder político e religioso dos árabes e espalha para o seu povo as palavras que ele diz ter recebido do anjo Gabriel pessoalmente, anos antes. Os árabes estão unificados e fortes e expandem seu império pelas regiões próximas, conquistando territórios e impondo a religião pregada por Maomé.

Então, no ano 632, Maomé morre. E agora? Quem é o sucessor dele na liderança religiosa da população?

Por motivos diversos, uma parte dos fiéis acredita que este papel é de um homem chamado Abu Bakr, seguidor, amigo de infância e sogro de Maomé.

Também por motivos diversos, outra parte dos fiéis acredita que o verdadeiro sucessor é Ali bin Abi Taleb, seguidor, primo e genro de Maomé.

Os seguidores de Abu Bakr passam se autodenominar “sunitas”, uma palavra derivada da “sonnat”, que significa algo como “tradicionais”.

Ao mesmo tempo, os que acreditam que Ali é o verdadeiro novo líder passam a se chamar “Shi’at-Ali” (“Seguidores de Ali”, em árabe) de onde nasce o nosso nome “xiita”.

Pronto, nasceram as duas principais divisões do islamismo.

Ali e Abu Bakr, os dois líderes da divisão

Hoje, os sunitas são quase 90% do total de 1,6 bilhão de muçulmanos no mundo inteiro. Os outros quase 10% são xiitas, com a maioria vivendo no Irã. Ambos seguem o Alcorão, mas com interpretações e “santos” diferentes.

Essas diferenças já causaram muitas guerras, iniciadas pelos fiéis menos tolerantes de ambos os lados e por líderes em busca de poder ou se defendendo de ameaças – o que explica bastante da paranoia iraniana por segurança em fronteiras e aeroportos, já que o país é o principal alvo dos radicais sunitas. Mas são aceitas pela maioria dos muçulmanos, que não têm nada de intolerantes e sabem que o mundo é feito de pensamentos diversos.

Nos resta torcer para que essa maioria consiga vencer sempre. Principalmente em momentos como o que estamos vivendo agora.

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