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Amigos de uma só viagem

Um dia, aquela pessoa aparece na sua frente. Pode ser no início ou no meio das férias, tanto no hotel […]

por Gabe Britto outros artigos do autor
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Um dia, aquela pessoa aparece na sua frente. Pode ser no início ou no meio das férias, tanto no hotel quanto no aeroporto. Vocês ainda não se conhecem, mas ela está esperando por você, para viver a aventura ao seu lado.

Essa pessoa é o seu guia.

whl.travel (CC BY-NC-SA 2.0)

Seja em um city tour estilo turistão ou em uma jornada particular, aquela pessoa vai fazer parte da sua viagem. E se ela for simpática e atenciosa, o que fazer quando a aventura acabar? O que fazer com a saudade que os guias deixam?

Sempre penso nisso quando me despeço deles. Confesso que nunca sei como agir. Fico constrangido e triste ao mesmo tempo, porque sei que, apesar dos sorrisos e dos desejos de boa sorte serem sinceros, aquele “See you next time!” é pura formalidade e ambos temos consciência de que nunca mais nos veremos.

Anotamos e-mails, mas o diálogo na volta para casa raramente passa de “Oi, cheguei bem ao Brasil. Adorei o seu país. Obrigado por tudo!” e “Que bom! Venha sempre que quiser!”. Até já troquei outras mensagens com alguns mas não duraram muito.

A distância, o pouco tempo de relação (apesar da simpatia mútua), as dificuldades de comunicação (muitos guias não se dão tão bem com o inglês), as diferenças culturais e muitas vezes até as econômicas e sociais fazem esse contato se perder na rotina. Depois daquele alô formal pela internet, não há mais assunto em comum a ser tratado.

Parece frio, mas a saída para mim é (tentar) encarar tudo como uma relação profissional. Eu estou pagando, ele está trabalhando. Amanhã ele vai guiar outras pessoas e provavelmente nem vai se lembrar de mim. Não preciso me sentir tão mal, afinal.

Assim, lá se vai uma pessoa com quem você compartilhou momentos bons e até inesquecíveis. Alguém que conversou com você por horas, ensinou palavras na língua local e fez você praticar seus conhecimentos de inglês, francês, espanhol ou seja lá o que vocês falaram. Dependendo da duração da convivência, trocou até informações mais íntimas, familiares, pensamentos políticos, religiosos, futebolísticos e tudo que é assunto tratado em uma conversa onde todos os participantes têm curiosidades a satisfazer. Alguém que participou da sua viagem. Mas não vai participar de nenhuma outra.

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