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As (minhas) melhores imagens da Coreia do Norte

Pouco antes de embarcar para a Coreia do Norte, perguntei aos meus queridos seguidores no Twitter: espaço para 4112 fotos […]

por Gabe Britto outros artigos do autor
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Pouco antes de embarcar para a Coreia do Norte, perguntei aos meus queridos seguidores no Twitter: espaço para 4112 fotos é suficiente?

As respostas foram unânimes: não.

Sorte minha que o pessoal é exagerado, porque não confiei em nenhuma loja chinesa e resolvi não comprar mais cartões de memória em Pequim (a minha única parada antes de Pyongyang).

Cheguei na capital norte-coreana com medo de não ter espaço para tudo e comecei a viagem apagando as imagens que achava que não tinham ficado legais.

Porém, logo no primeiro dia, percebi que eu tinha espaço suficiente para a aventura toda, sim. E o motivo para isso era simples: eu queria ver a Coreia do Norte ao vivo, diante de mim, não através do visor da câmera. Eu não ficaria o tempo todo clicando tudo.

O resultado foi que voltei com 1739 fotos tiradas, uma média de 289 por dia, e selecionei pouco mais de 120, que ilustram esse post.

As regras para fotografar na Coreia do Norte são um tema recorrente nas perguntas que recebo desde que retornei. Vou tentar esclarecer o máximo possível aqui, numa espécie de FAQ improvisado. Se você tiver alguma outra questão relativa ao assunto, fique à vontade para usar a caixa de mensagens. Assim que der, eu responderei o que souber.

Vamos lá.

1) É possível fotografar tudo?

Não.

Mas ao contrário do que o mundo pensa, os lugares onde eu fui explicitamente orientado a não fazer fotos foram apenas aqueles considerados militarmente estratégicos, como a estrada até a Zona Desmilitarizada, algumas áreas dentro da mesma Zona, o aeroporto e as estações de trem. Mesmo nesses lugares sempre dá para perguntar se é possível fotografar, porque às vezes é. Se não for, dá para fazer fotos escondido, clicando sem olhar no visor ou sem apontar a câmera para alguém.

Em todos os outros lugares, você é livre para fotografar o que quiser, usando sempre o bom senso e a educação que você usaria em qualquer lugar do mundo – e que sei que não preciso explicar mais.

2) O guia fica cuidando o que os turistas fotografam?

Não.

Em lugares turísticos, você pode caminhar livremente – e fotografar livremente também. O guia não vai ficar atrás de você. Ele vai ficar de olho, mas de longe, para não perder seu grupo de vista.

Durante meus dias norte-coreanos, só vi meu guia puxar a orelha de uma única turista, uma única vez, porque ela estava fotografando pessoas de forma desrespeitosa em um momento solene em frente a uma imagem do Grande Líder.

3) Eles verificam e apagam fotos na fronteira?

Sim e não.

Se você sair do país de trem, sim, suas fotos vão ser vistas por guardas que vão pedir para você apagar as imagens que eles considerarem ofensivas ao Grande Líder, que mostrarem áreas militares ou pobreza. Mas você pode roubar um pouquinho no jogo, arranjando formas de atrapalhar essa revista. Seja criativo. Eu, por exemplo, me preparei para o momento colocando uma bateria quase sem carga. A ideia era que ela acabasse no momento em que o guarda começasse a ver as imagens. No fim das contas, tive sorte e não fui revistado – provavelmente porque o trem estava com duas horas de atraso.

Já se você sair de avião, não. E essa é a primeira grande dica que você recebe desse blog: no aeroporto, as câmeras não são revistadas. Com saída por via aérea, é só fotografar e ser feliz.

(Em compensação, você não vai viver a emoção de andar de trem entre a Coreia do Norte e a China, coisa que enfeita qualquer currículo de viajante.)

4) O que é uma foto “ofensiva ao Grande Líder”?

Imagens que mostrem Kim Il-sung (e também Kim Jong-il) apenas em parte. E talvez coincidências tipo essa aqui embaixo.

5) É verdade que não pode entrar com lentes maiores que 150 mm?

Talvez isso esteja escrito nas regras que os guardas norte-coreanos decoram durante seus cursos de formação. Mas, na prática, eles nem olham para a sua lente. Vi pessoas com lentes bem maiores do que as minhas fotografando normalmente.

6) É verdade que não pode entrar com tripé?

A mesma resposta acima. Vi turistas com tripés também.

7) Existe alguma proibição em relação a tipos de câmeras fotográficas?

Quase não.

Você só deve se preocupar se a sua câmera tiver as letrinhas “GPS” em tamanho grande e destacadas. E mesmo assim você ainda pode raspar, cobrir, pintar por cima, passar solvente, enfim, fazer o que for para que as letrinhas não apareçam. Conseguindo isso, tudo fica bem, já que os guardas não vão ligar o equipamento para verificar se existe GPS ou não.

8) É possível fotografar o Arirang livremente?

O espetáculo, sim. O público, não. E você não pode filmar o show inteiro também. Existem fiscais que ficam de olho, procurando quem não desliga a câmera.

9) Mais alguma dica de ouro relacionada a fotografia?

Sim.

– Prepare-se para fotografar em ambientes com muito pouca luz. Com exceção dos hoteis, quase todos os lugares fechados na Coreia do Norte (e isso inclui o metrô) têm lâmpadas fracas e em quantidade pequena. Você vai precisar colocar o ISO lá em cima ou usar um tripé na maior parte do tempo.

– Se o seu objetivo principal é fotografar, vá em um tour privado. Com um guia só para você, é possível ficar mais tempo nos lugares para trabalhar com calma, montar tripé, esperar a luz ideal, essas coisas. Também é possível parar em locais que você achar interessantes nas estradas, esperar pela blue hour nos pontos turísticos principais e até dar algumas voltas à noite, para registrar a vida noturna.

Em um grupo, tudo isso fica prejudicado, já que o guia não pode satisfazer as vontades de todos.

Tudo muito bonito, mas vamos ao que interessa: as fotos que eu selecionei. São essas que você viu até agora e mais as que estão aqui embaixo.

Todas as imagens estão sob licença Creative Commons BY-NC-SA 3.0. Isso significa que você pode compartilhar e modificar as imagens livremente, desde que coloque o meu nome, não faça uso comercial e distribua qualquer conteúdo criado com elas sob a mesma licença.

Se quiser comprar algumas das fotos, é só me escrever. E se quiser ver tudo em imagens maiores, em breve colocarei lá no meu Flickr.

*****

O Ilyushin 62 da Air Koryo.

O aeroporto de Pyongyang (que é muito mais escuro do que nessa foto).

Meninas ensaiando para o “mass dance” previsto para o dia 9 de setembro (o feriado da independência deles).

O pessoal durante o “mass dance”.

O “mass dance” normalmente acontece em datas especiais. São dezenas de jovens norte-coreanos dançando passos ensaiados em praças da cidade (nesse caso, a praça era a que fica em frente ao monumento à fundação do Partido dos Trabalhadores). Se você for para lá, tente encaixar um evento desses. É bonito de ver e os estrangeiros podem dançar junto e aprender os passos, que são bem simples e fáceis.

O Arco do Triunfo.

A Torre da Ideologia Juche, vista do hotel em uma manhã.

O meu quarto no Koryo Hotel, em Pyongyang.

Uma obra que acontecia ao lado do Koryo Hotel.

Pyongyang à noite, vista da janela do meu quarto.

Pyongyang de manhã, vista da janela do meu quarto.

Pyongyang vista do topo da Torre da Ideologia Juche.

O Grande Líder visto de longe.

O Grande e o Querido Líder vistos de perto.

Crianças indo para a escola.

A Torre da Ideologia Juche vista do outro lado do rio Taedong.

As fotos do Grande e do Querido Líder na Praça Kim Il-sung.

O Cemitério dos Mártires Revolucionários.

Domingão de sol no parque, em Pyongyang.

Domingão de sol no rio Taedong.

O onipresente.

A vida com propaganda comunista por todos os lados.

Uma moça que nos apresentou uma fazenda de sei lá o quê. Visitas a fazendas e fábricas são uma constante nos passeios pela Coreia do Norte.

A suposta casa de um trabalhador de uma fazenda. Claramente falsa e preparada para receber turistas.

Que menina linda.

Ele tentou, mas não conseguiu ficar lindo como a menina. Ficou apenas bonito.

No metrô de Pyongyang.

Meninas esperando o trem agachadas e em fila.

Loja dentro de uma estação de trem.

Reparou na luminosidade no rosto de Kim Il-sung?

Um prédio visto do alto da Torre da Ideologia Juche.

Simetria, algo sempre presente nos grandes monumentos e prédios de Pyongyang.

A Torre da Ideologia Juche em um fim de tarde.

Fotos de um passeio a pé às margens do rio Taedong.

Transporte público gratuito e de qualidade.

A Dupla Dinâmica de olho nos equipamentos na Grande Sala Popular de Estudos, em Pyongyang.

Crianças apresentando suas habilidades musicais, artísticas e circenses em um dos chamados “pálacios das crianças”, em Pyongyang.

Fotos na Zona Desmilitarizada (onde era permitido fotografar).

Ao fundo, soldados sul-coreanos posando para foto com alguns soldados que haviam acabado de cruzar a fronteira (legalmente, claro. Se tivesse sido ilegalmente, teria voado bala para todos os lados). Importante: a linha no chão demarca a divisão dos países.

Soldado norte-coreano que pegou carona no nosso ônibus e estava louco para pegar a americaninha também.

O Grande Líder em Kaesong.

Vagão norte-coreano no trem de volta para Pequim.

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Para finalizar, algumas informações para os técnicos.

– Minha câmera é uma Canon 7D e minhas lentes são uma Canon EF-S 10-22mm f/3.5-4.5 USM AF e uma Canon 24-105mm f/4L IS EF USM AF.

– Em algumas imagens, usei um filtro compulsório: o vidro do ônibus do meu tour. Nas outras, nada foi usado.

– Photoshop? Óbvio que sim. Usei para cortar as imagens do jeito que queria, mexi no contraste e diminuí a saturação, para ficar com esse clima anos 80 que combina com a Coreia do Norte.

Combinou, não?

(Sentiu falta de imagens do Arirang? Com razão: essas eu vou publicar apenas no post dedicado a ele. Aguarde.)

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Gabriel Quer Viajar foi para a Coreia do Norte com o apoio exclusivo da Koryo Tours.

 

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