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A Cochinchina é logo ali

Talvez tenha sido por lendas, talvez por acontecimentos reais, não sei. Os motivos variam, mas o certo é que, ao […]

por Gabe Britto outros artigos do autor
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Talvez tenha sido por lendas, talvez por acontecimentos reais, não sei. Os motivos variam, mas o certo é que, ao longo da história da humanidade, alguns lugares do planeta viraram ícones de fim de mundo, inóspitos, distantes, inatingíveis para meros mortais.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

É o caso de cidades como Timbuctu, Marrakesh e Bagdá, por exemplo. E também é o caso de uma região inteira para onde muitas pessoas mandam seus desafetos (pelo menos com palavras) sem nem saber que existiu de verdade: a Cochinchina.

Esse lugar existiu com esse nome entre 1516 e 1947, mas muito mais para nós, ocidentais. Para os habitantes dele e também para seus vizinhos, ele teve vários outros nomes, em várias línguas, que mudaram ao longo dos anos.

A Cochinchina ficava onde hoje é o sul do Vietnã. Ela ganhou esse nome dos portugueses que chegaram por lá em 1516 e descobriram que todo o lugar era chamado localmente de Kuchi, uma palavra de origem malaia.

Arte original: Bearsmalaysia (CC BY-SA 3.0)

Como já existia um outro lugar chamado Kochi, na Índia, e como esse outro lugar já estava sob domínio lusitano e seu nome já havia sido aportuguesado para Cochin, nossos bravos descobridores decidiram batizar a nova região de Cochin-China, porque ela ficava próxima da China e para deixar claro que não se travata da Cochin da Índia.

Tudo ficou assim por mais de 400 anos. A Cochinchina mudou de donos, teve bandeiras superlegais (veja abaixo), virou Cochinchine sob domínio francês e, em 1947, acabou se tornando parte do Vietnã do Sul. Mais tarde, depois de perder a guerra junto com os americanos, se uniu ao Vietnã do Norte e formou o único Vietnã que conhecemos hoje, mas isso já é outra história.

Hoje, a antiga Cochinchina nem é tão longe assim, considerando a nossa realidade viajante. Para pisar nas terras dela, basta pegar um mísero avião até Ho Chi Minh City, a maior cidade do Vietnã, ainda conhecida pelo velha e classuda alcunha de Saigon.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)
Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)
Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)
Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)
Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)
Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

Saigon é uma cidade enorme, suja, poluída, barulhenta e quente como o Sol, mas é totalmente indicada para quem estiver em busca de lembranças da Guerra do Vietnã, porque é o melhor lugar do país para comprar itens relacionados ao conflito.

Ao contrário dela, a outra grande atração da antiga Cochinchina é bem menos bélica e muito mais bucólica e verde: o Delta do Mekong, onde o rio mais importante do Sudeste Asiático deságua no mar.

É a região que mais produz arroz no Vietnã (ou seja: é importantíssima para os vietnamitas) e onde se vive como naquelas imagens típicas do país, com canoas navegando para cima e para baixo, lotadas de chapéus cônicos.

Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)
Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)
Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 2.0)

A Cochinchina existe, é fácil de chegar e tem atrações que podem ser interessantes (pelo menos por um tempo).

Pense bem quando desejar que algum desafeto seu vá para lá.

• Leia também: Meu guia para Camboja, Vietnã e Laos, com informações práticas para você ir para lá.

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