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Muito prazer, Ferdowsi

Provavelmente você nunca ouviu nada sobre o poeta persa Ferdowsi. Eu também nunca havia visto mais barbudo, até que comecei […]

por Gabe Britto outros artigos do autor
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Provavelmente você nunca ouviu nada sobre o poeta persa Ferdowsi.

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Eu também nunca havia visto mais barbudo, até que comecei a planejar minha viagem para o Irã, em 2011.

Agora é a sua vez de conhecer esse senhor.

Vamos começar com uma pequena explicação.

A Pérsia sempre foi uma região cobiçada por conquistadores e acabou invadida trocentas vezes ao longo dos seus milênios, o que fez os persas quase perderem sua história, cultura e língua em diversos momentos.

Nesses períodos instáveis, os grandes guardiães da identidade do povo foram os escritores e os poetas. E é exatamente por isso que eles são figuras idolatradas pelos iranianos até hoje. Dizem até que os poemas são tão consultados pelo povo quanto o Corão.

Entre todos estes herois das palavras, nenhum é mais querido, amado e recitado pelos iranianos de todas as classes sociais quanto Abolqasem Ferdowsi (também escrito Ferdousi, Firdausi, Firdavsi e Firdowsï).

O sujeito viveu 85 anos entre os séculos 10 e 11. E dedicou 35 deles a escrever o épico persa Shahnameh – O Livro dos Reis.

Shahnameh (que é comparado à Ilíada de Homero) conta a história dos persas desde os primeiros reis e termina na conquista árabe, que impôs o islamismo como religião.

O personagem mais famoso do livro é o cavaleiro Rostam, que já ganhou versões atualizadas bem mais pop. Segundo o tradutor do Shahnameh para o inglês, ele é a personificação mítica dos próprios persas.

Hoje, mil anos depois de Ferdowsi, ainda acontecem leituras publicas e conjuntas do Shahnameh nas ruas, nas residências e nas casas de chá iranianas (que são decoradas com ilustrações das histórias do livro), acompanhadas de música e comida.

Ferdowsi é considerado o grande salvador da língua e da história persa e seu mausoléu, que fica na cidade de Tus, onde nasceu, é visitadíssimo pelos iranianos.

Yahya Natanzi (CC BY-NC-SA 2.0)
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Em 2011, comprei um exemplar do Shahnameh. São 900 páginas de poemas traduzidos do farsi para o inglês e eu provavelmente nunca vou ler nem a metade dele. Mesmo assim, ele já ganhou espaço nobre na minha biblioteca de viagem.

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