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Madain Saleh, a Petra proibida

Sabe Petra, na Jordânia? É claro que você sabe. Petra é um dos lugares mais incríveis do mundo, uma linda […]

por Gabe Britto outros artigos do autor
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Sabe Petra, na Jordânia?

É claro que você sabe. Petra é um dos lugares mais incríveis do mundo, uma linda cidade escavada nas montanhas de um deserto há mais de 2000 anos. Merece toda a fama que tem e muito mais.

SammySix (CC BY 2.0)

O que você talvez não saiba é que Petra tem uma irmã “proibida”, construída pelo mesmo povo, mais ou menos 450 km ao sul.

Seu nome é Madain Saleh e é ela que aparece na foto acima.

Escrevi “proibida” entre aspas porque Madain Saleh não é totalmente inacessível, mas é bastante complicado chegar até ela. Bastante mesmo.

O motivo é o país onde ela está. Os tais 450 km que separam a cidade e Petra atravessam a fronteira da pacífica Jordânia e entram na Arábia Saudita, uma das nações mais fechadas do mundo no quesito turismo.

SammySix (CC BY 2.0)

Para você ter uma ideia, o país só começou a emitir vistos para visitantes não-muçulmanos há poucos anos, apenas para grupos com no mínimo 4 pessoas e com muitas restrições para mulheres, e encerrou totalmente essas emissões em 2010, sem dar muitas explicações.

Hoje, a única forma de entrar lá é com visto de negócios ou de trabalho. E para os sortudos que conseguem passar pela imigração saudita nessas condições, os guias de viagem que pesquisei são unânimes: Madain Saleh é o lugar a ser visitado.

Orly Arcelao (CC BY-NC-ND 2.0)
Orly Arcelao (CC BY-NC-ND 2.0)

Os culpados de tanta ênfase turística são os criadores dessa relíquia maravilhosa, os nabateus.

Esse povo, que existiu entre os anos 700 antes de Cristo até o primeiro século depois, dominou a região por um longo tempo e ficou bem famoso pelos conhecimentos arquitetônicos, entre outras coisas.

Madain Saleh, cujo nome significa “Cidades de Saleh”, foi construída ao redor de 200 a.C e chegou a ser a segunda maior cidade do império deles, atrás apenas da capital Petra.

SammySix (CC BY 2.0)
SammySix (CC BY 2.0)

Hoje suas ruínas ocupam uma área de 15 km2 e são consideradas o maior e mais bem preservado sítio arqueológico nabateu ao sul da sua irmã mais famosa, o que garantiu a ela o título de Patrimônio da Humanidade, da Unesco.

SammySix (CC BY 2.0)
Orly Arcelao (CC BY-NC-ND 2.0)
SammySix (CC BY 2.0)

Dizem que os detalhes arquitetônicos não são tão ricos quanto os de Petra, mas a vantagem de Madain Saleh, que é chamada em árabe de Al-Hijr, “Lugar Rochoso”, é a quantidade de turistas que vai estar lá com você: enquanto Petra recebeu 630 mil visitantes em 2011, Madain Saleh recebeu apenas 40 mil no mesmo ano, a maioria formada por sauditas.

Orly Arcelao (CC BY-NC-ND 2.0)
SammySix (CC BY 2.0)

O motivo de ter tão poucos visitantes na maior relíquia histórica de um país com 26 milhões de habitantes também é a rigidez religiosa do governo local. Não faz muito tempo que os governantes se renderam à curiosidade da população e liberaram as visitas a locais históricos pré-islâmicos.

A maior prova dessa vontade de esconder o passado é o próprio título de Patrimônio da Humanidade de Madain Saleh: ele foi o primeiro do país e só foi conquistado há míseros 5 anos, em 2008.

 

Orly Arcelao (CC BY-NC-ND 2.0)

Aparentemente, o governo saudita está correndo atrás do prejuízo, ainda que aos poucos.

Apesar de ainda ser necessário pedir autorização para visitar, Madain Saleh é o grande destaque dos sites oficiais de turismo do país. Tem até um ótimo tour virtual pela cidade, que serve de estímulo os visitantes sauditas e de consolo para nós que ainda não podemos ver tudo isso ao vivo.

Veja onde se hospedar na Arábia Saudita, se você for ver Madain Saleh

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