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País rico, país pobre

Certa vez um amigo me contou que adorou o Marrocos, mas que a chegada dele por lá foi um pouco […]

por Gabe Britto outros artigos do autor
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Certa vez um amigo me contou que adorou o Marrocos, mas que a chegada dele por lá foi um pouco traumática. Quando ele me disse que as férias foram divididas entre a Europa e o país africano, matei a charada e perguntei: “Você fez primeiro a Europa e depois o Marrocos, certo?”

Certíssimo. Ele fez o contrário do que acabei aprendendo nessa curta vida de viajante. Uma lição que virou uma regrinha para mim:

“Sempre que a viagem incluir um país rico e um país pobre, o país rico deve ficar no final do roteiro.”

Passar um tempo em um lugar organizado, limpo, onde um pé na faixa de segurança significa carros parando, nos deixa muito mal acostumados. Rapidamente começamos a amar toda aquela civilidade e desejamos ficar ali o resto da vida. Quem não fica pensando “Ah! Como eu queria que fosse assim no Brasil!”, enquanto caminha por cidades europeias? É impossível resistir.

davedillonphoto (CC BY-NC-ND 2.0)

Mas uma hora você tem que seguir a vida. E se o seu roteiro mandar você para um país pobre, onde geralmente os serviços são precários e a bagunça é grande, o trauma da chegada tende a ser inevitável.

Tomando como exemplo a viagem deste amigo, o Marrocos é lindíssimo, tem paisagens inesquecíveis, povo simpaticíssimo, querido e alegre e merece ser visitado por todos os viajantes do mundo. Mas é bagunçado, tem trânsito caótico, é sujo e os vendedores são o cúmulo da chatice. Encarar isso depois de um período na Europa pode arruinar as suas férias.

Claro que depois de 1 ou 2 dias você se acostuma e passa a curtir toda aquela zorra. Mas essa curtição demora mais para chegar – algo que não aconteceria se você tivesse feito o contrário e ido para lá antes da Europa. Quem quer perder dias nas férias receoso com o que existe além da porta do hotel?

joiseyshowaa (CC BY-SA 2.0)

Além do fator “trauma de chegada”, existe o fator “férias são feitas para descansar”, que pode ser ainda mais importante. Explico também.

Os períodos nestes lugares menos desenvolvidos costumam consumir muito mais as suas energias. Você tende a se cansar mais tentando entender mapas, línguas, cardápios e se estressa com o frequente trânsito caótico e as buzinas.

Por mais que você esteja apaixonado pelo destino, sua paciência vai acabar em alguma hora e tudo que você mais vai querer nessa vida serão alguns dias de descanso em um lugar civilizado.

Esse desejo só vai ser atendido se você tiver deixado o país rico para o final. Se não tiver feito isso, você vai ter que descansar em casa mesmo.

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