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Planetóvski Rússia: Iacútia (Sakha)

No imaginário popular, morar na Sibéria é como morar em um freezer. Na vida real dos habitantes da República da […]

por Gabe Britto outros artigos do autor
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No imaginário popular, morar na Sibéria é como morar em um freezer.

Na vida real dos habitantes da República da Iacútia (também chamada de República Sakha), morar na Sibéria deve ser como morar em um saco de gelo que está dentro de um freezer colocado dentro de um caminhão frigorífico afundado em um lago congelado.

Ou algo pior.

Tenho essa sensação por um motivo bem simples: os iacutos detêm o recorde de temperatura mais baixa de todo o hemisfério norte, com 68ºC negativos. Em escala mundial, essa friaca só perde para os 83ºC negativos já registrados na Antártida.

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Quarenta por cento de todo o território iacuto fica ao norte do Círculo Polar Ártico. Como a república é gigantesca (é a “maior subdivisão de um país no mundo”, com área um pouco menor do que a Índia e 3 fusos horários) isso corresponde a quase uma Amazônia debaixo do gelo, com direito a litoral congelado 9 meses por ano.

O resultado, claro, é que as médias de temperaturas são jogadas lá para baixo: entre -28ªC e -47ªC, no inverno, e entre +2ºC e +19ºC, no verão.

Na capital Yakutsk, onde a média anual é de 21ºC negativos, o clima é um desafio bem maior do que a gente imagina.

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Todos os anos, o governo se desdobra para manter 200 mil habitantes vivos em invernos onde a sensação térmica pode beirar os -90ºC. E a coisa não melhora no verão.

 

Veja onde se hospedar (e ficar quentinho) em Yakutsk

 

Com máximas bem acima dos +30ºC, Yakutsk vê o seu chão literalmente derreter em julho, já que toda a cidade está em cima de permafrost (em português tosco: um terreno feito de gelo). Essa situação requer cuidados extremos com construções que vivem cheias de rachaduras e ameaçam cair nas cabeças das 200 mil pessoas que sobreviveram ao inverno.

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Mas, no fim das contas, o pessoal vai vivendo, aproveitando os poucos períodos de clima decente e paisagens coloridas e até fazendo festas, como o estranho Festival do Pólo do Frio.

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De qualquer maneira, é inevitável perguntar: com tanto perrengue, por que diabos essa gente foi morar nesse lugar?

Os motivos que levaram os primeiros moradores, de origem turcomana, a se estabelecerem ali no século 13, eu realmente não sei. Mas as razões dos atuais são bem claras: eles estão lá porque existe muito mais do que gelo naquele chão.

Nessa república imensa estão reservas igualmente imensas de ouro, diamantes, petróleo, gás, prata e outras coisinhas que fazem brilhar os olhos de qualquer um.

lyap (CC BY-NC 2.0)

Segundo uma lenda local, durante a criação, Deus estava distribuindo as riquezas minerais pelo mundo e teve suas mãos congeladas pelo frio quando chegou na Iacútia, derrubando tudo ali mesmo.

Agora resta aos russos catar o que Deus deixou cair. Mas com cuidado (e luvas) para não terem as suas mãos congeladas também.

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