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O que deve mudar no turismo no Irã com o fim das sanções

Às vezes as pessoas dizem que sou um expert em Irã, mas eu nego imediatamente. Eu sou no máximo um […]

por Gabe Britto outros artigos do autor
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Às vezes as pessoas dizem que sou um expert em Irã, mas eu nego imediatamente. Eu sou no máximo um apaixonado pelo país e tenho um conhecimento acima da média geral. Mas não sou expert, não. Gostaria de ser, mas não sou.

I love Tehran

Feita esta ressalva, escrevo aqui o que eu acredito que tende a mudar no turismo por lá, agora que as sanções contra o país foram levantadas. Escrevo baseado no que leio por aí, no que ouvi e vivi por terras persas e no que meus amigos locais me contaram ou contam. Talvez eu tenha esquecido de algo.

O fim da viagem obrigatoriamente feita só com dinheiro vivo

Vai levar um tempinho ainda (como aconteceu/acontece com Mianmar, por exemplo), mas logo você vai poder pagar várias coisas no Irã com o seu cartão de crédito internacional. E com o passar dos dias, dos meses e dos anos, vai chegar o momento em que praticamente tudo vai poder ser pago desta forma. Aquela viagem com um bolo de dólares em cash vai virar coisa do passado.

A nota de 10.000
A nota de 10.000, de rial iraniano. Foto: shiva1o8 (CC BY-NC-ND 2.0)

 

Viagens aéreas internas mais seguras

As sanções impediam que o Irã tivesse acesso normal a peças de aviões, o que obrigava as companhias aéreas locais a improvisar e a usar aviões tão velhos como a Revolução. Com a queda das sanções, tudo isso muda e a aviação local deve ficar bem mais segura. Aliás, segundo a agência de notícias Reuters, os iranianos já estão negociando 114 Airbus novinhos em folha.

Iran Air Office Esfahan

 

Viagens de carro mais seguras

A indústria automotiva do Irã é forte e tem muitos carros genuinamente iranianos. Mas segundo um amigo de lá, a maioria é extremamente insegura e não oferece nenhuma proteção aos ocupantes em caso de acidente. O fim das sanções deve dar acesso a equipamentos de melhor qualidade, melhorando esta parte da sua viagem.

Ciro, o Compacto. Foto: Gabriel Prehn Britto (CC BY-NC-SA 4.0)
Ciro, o Compacto. Meu carro por lá em 2013

 O fim das dúvidas com o seguro-saúde

Um mundaréu de gente me pergunta sobre qual seguro-saúde contratar para ir o Irã. Minha resposta é sempre: não sei, pergunte para a seguradora se ela cobre o Irã. Com o fim das sanções e a volta dos iranianos para o mundo do comércio, o país deve se tornar apenas mais um no rol de lugares cobertos por todas as melhores empresas do ramo. Não haverá mais dúvidas.

Melhoria nos hotéis

A hotelaria iraniana parou nos anos 80. Ou, com muita boa vontade, nos anos 90. O fim das sanções deve levar redes gringas de volta ao Irã, colocando o sarrafo da qualidade lá em cima. Talvez seja o fim dos chinelões Rider nos banheiros até de hotéis 5 estrelas (quem foi sabe do que eu falo). Ou talvez os chinelões sigam lá, já que são uma tradição local, vá saber.

Mais facilidade para fazer reservas de hotéis

Quem teve que reservar o seu próprio hotel no Irã sabe o drama que é. Sem as sanções e com o país de volta ao sistema financeiro internacional, tudo deve ficar mais fácil. Se bobear, em breve você vai estar reservando o seu hotel iraniano no Booking.

Pátio interno do Manouchehri House
Pátio interno do Manouchehri House

 

Mais facilidade para contratar qualquer serviço turístico no país

A lógica é a mesma dos hotéis: com o Irã de volta ao jogo do comércio, você não vai mais precisar fazer depósitos em contas em Dubai para garantir seu passeio, seu guia, seu carro alugado, sua passagem aérea interna ou o que for. Logo você vai fazer isso com cartão de crédito ou até pelo PayPal.

Mais DIFICULDADE para reservar hotéis e contratar qualquer serviço turístico no país

Opa! Como assim? Isso é o oposto do que foi dito agorinha mesmo!

Sim, é oposto. Mas aqui eu não me refiro às dificuldades técnicas. Me refiro à disponibilidade mesmo.

O turismo no Irã, que já vinha crescendo, deve ir nas nuvens com o fim das sanções. E como o país não teve tempo de se preparar para isso, vai ficar bem mais difícil conseguir vaga em qualquer lugar, desde hotéis até passeios. Prepare-se para penar nesse sentido.

O fim da taxa de cartão de crédito para compras locais

Mesmo com as sanções, alguns lugares com produtos de maior interesse de turistas (lojas de tapete, por exemplo) davam um jeitinho e conseguiam oferecer a possibilidade de pagamentos com cartão de crédito. Mas era uma função enorme: o pagamento ia para uma conta em Dubai, havia desconfianças das operadoras que barravam muitas compras e os lojistas ainda cobravam uma taxa bem salgada por causa de todo o perrengue. Sem as sanções e com as maquinhinhas de cartão ligadas ao mundo, essa chatice deve acabar.

Vistos mais fáceis (ou menos complicados)

Os iranianos querem mais turistas, já vinham facilitando as coisas com a opção de visto retirado na chegada no aeroporto e já li que estão se mexendo para melhorar ainda mais. O fim das sanções tende a agilizar as mudanças.

Requerimento de visto Irã

  

Possibilidade de beber Coca-Cola

Estou zoando. A Coca-Cola já tem fábrica no Irã há muitos anos. Sabia?

Zamzam
Tem Coca-Cola, mas ZamZam-Cola, muito mais legal

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O que NÃO DEVE mudar ainda

Essas coisas eu escrevo apenas para que você não pense que tudo-tudo-tudo vai ser diferente. Não deve ser, não.

A obrigatoriedade dos véus e das roupas compridas para as mulheres

Isso é assunto religioso e político, não tem nada a ver com o fim das sanções. É claro que a abertura pode fazer com que mude, mas ainda vai levar muito tempo. Muito.

Mulheres em Teerã
Mulheres em Teerã

 

Censura na internet

É basicamente o mesmo caso da obrigatoriedade do véu e das roupas compridas para mulheres: é assunto político, não tem relação com o fim das sanções. Quem decide isso é o governo.

***

O que eu espero que NUNCA MUDE

A hospitalidade e a honestidade iraniana.

Que Alá proteja esse patrimônio maravilhoso dos iranianos e que a invasão de visitantes não faça com que eles percam essas características.

É só o que eu desejo neste momento de muita felicidade por eles.

Clique aqui para entender porque eu digo isso.

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