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O Corpo

Onqotô? Meu primeiro contato com o “Corpo” foi durante minhas aulas de jazz meio contemporâneas. Minha professora contava histórias sobre […]

por Natalie Soares outros artigos do autor
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Onqotô?

Grupo Corpo Brasil

Meu primeiro contato com o “Corpo” foi durante minhas aulas de jazz meio contemporâneas. Minha professora contava histórias sobre uma companhia de dança incrível e eu as ouvia atentamente. Às vezes ela nos levava as músicas e tentava nos fazer entender as possibilidades de contagem de cada composição. Era um mundo muito distante da realidade de uma academia que só se apresentava no ginásio de esportes da cidade pois era o único lugar que a prefeitura deixava.

Um dia ela me convidou para assistir a um novo espetáculo do grupo em SP (Santagustin). Aceitei na mesma hora. Ao chegar no teatro tudo parecia tão mágico e encantador (estrelinhas nos sobrevoavam – no melhor estilo Disney de ser). Quando as luzes se apagaram eu senti um friozinho na barriga como se eu mesma estivesse atrás daquela coxia prestes a entrar no palco. Quando o espetáculo acabou eu queria chorar. Era uma emoção que tomava conta de mim. Eu era pura luz. Ontem ao assistir ao novo espetáculo me senti aquela mesma garotinha bobamente emocionada.

Enquanto esperava o espetáculo começar, lembrei como foi difícil fazer uma aula no curso de férias do Grupo Corpo… foi difícil porque eu sou tímida e uma fã atrapalhada, meio sem razão. Lembro como se fosse hoje o momento que o taxista parou em frente a escola. Fiquei ali olhando aquele prédio vermelho sem coragem de entrar e me apresentar. “Deixa de ser boba menina, você saiu de Valinhos e foi até Belo Horizonte e agora não tem coragem de entrar?”. Eu me questionava. Questionava todas aquelas borboletas que me rondavam.

Respirei fundo e me apresentei na secretaria e logo me indicaram o local da aula. Quando subi aquela escadinha e entrei no auditório onde tudo acontece, aí sim entrei em choque. Tremia como uma adolescente em frente ao seu grande ídolo. Coração acelerado. Não conseguia me conter de felicidade e emoção. Mas uma timidez tomou conta de mim e eu mal conseguia me apresentar. Fiz a aula e assisti as aulas seguintes. Era tudo meio lírico demais pra minha realidade. Eu estava no meu próprio paraíso. O mais próximo do meu Olimpo, onde eu jamais sonhara em chegar.

Ontem eu fiz uma promessa: volto no próximo curso com mais coragem para me apresentar. 🙂

Tentei listar algumas razões para você também admirar o trabalho do Grupo Corpo

1) Eles reinventaram a dança contemporânea com o seu próprio estilo.
2) Os melhores profissionais técnicos e artísticos trabalham nessa companhia.
3) As músicas, muitas vezes, são compostas especialmente para o grupo.
4) São espetáculos inquietos, que transmitem uma mensagem e falam com o público.
5) A qualidade técnica é impecável.
6) É um meio de reflexão.
7) São os quadris mais bem trabalhados e soltos da dança.
8 ) Porque são brasileiros e representam a riqueza cultural desse país.
9) É pura essência. Elixir da vida.

Assistindo ao documentário feito para celebrar os 30 anos do Grupo, eles entrevistaram Elba Baff – diretora do Jacob’s Pillow Dance Festival que disse:

“A estética criada pelo Grupo Corpo é realmente brilhante, totalmente única e nenhuma outra companhia no mundo faz o que eles fazem. Eles me lembram um pouco um tempo passado, talvez, de grandes colaborações. Havia Balanchine, Stravinski, Picasso, Corteou, entre outros de eras na dança e mais do que na dança, quando as artes visuais, música e coreografia colaboravam entre si numa maneira muito próxima. E o Corpo me lembra disso, porque eles têm essa maravilhosa preocupação com o todo.
É um bonito tipo de energia. Eu acredito que há uma maneira dos bailarinos se moverem que é completamente diferente do que eu posso ver em Paris, New York, Viena e Zimbábue. Grupo Corpo é Grupo Corpo. Você teria que se forçar para encontrar alguma similaridade. Eu não os compararia a ninguém. Eles são únicos.”

De fato, eles são únicos. Imã – o novo espetáculo – é de uma beleza puramente encantadora. É alegre, colorido e vivo. Não queria que acabasse mais. E se a maior recompensa para todo artista é o aplauso, o Corpo sempre contará com o meu.

Aplausos.

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