Era nosso último dia pelo Valle Sagrado. Nosso trem partiria a noite de Ollantaytambo para Aguas Calientes e a nossa ansiedade já era visível. Ainda bem que a programação do dia nos reservava ótimas surpresas e muita história interessante pela frente 😀

Valle Sagrado - Montanhas nevadas

Terceiro dia no Valle Sagrado

Esse dia foi, sem dúvida, o dia das estradas mais bonitas, das paisagens que não imaginávamos que poderiam cruzar nossos caminhos. Picos nevados, pastores de ovelhas, estradas de terra, vilarejos praticamente esquecidos no tempo passaram por nós.

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Onde ficar em Cusco e Machu Picchu?

Valle Sagrado - pastoreio em estradas de terra

Chinchero

Primeira parada do dia: Chinchero. Uma pequena aldeia Inca devastada pelos espanhóis e famosa por suas ruínas históricas.

Valle Sagrado - Chinchero

Aqui, a altitude também manda lembranças. E eu achando que Tambomachay era o lugar mais alto que visitaríamos nessa viagem…

Valle Sagrado - Chinchero - detalhe no alto das casas

Em Chinchero já é possível avistar os picos nevados de Salcantay e as distantes cadeias montanhosas de Vilcabamba e Urubamba que formam um belo cenário para a região.

Valle Sagrado - Chinchero - montanha nevada

Ao domingos, acontece a feira de alimentos em Chinchero e, até hoje, muitas das transações são feitas a base de trocas. Ao término da feira, os moradores caminham até a igrejinha para ouvir a missa que ainda é feita em Quechua, dialeto oficial dos Incas.

Valle Sagrado - Chinchero - cruz em frente à igreja

Valle Sagrado - Chinchero - mercadinhoValle Sagrado - Chinchero - mercadinho, nosso guia, Ingrid e Natalie

Lá visitamos basicamente a Igreja da Virgem da Natividade de Chinchero, uma igreja colonial feita em adobe e construída sobre fundações incas, e a Praça Central onde alguns moradores tentam vender artesanatos para os turistas que por ali passam.

Valle Sagrado - Chinchero - corta-grama para quê? :P

Moray

A próxima parada estratégica era em Moray, praticamente dentro de um capítulo de qualquer série do History Channel.

Valle Sagrado - Moray

O que aquelas famosas terraças em formato circular representavam para os Incas?

As teorias são as mais diversas possíveis, incluíndo uma que diz que Moray era um grande anfiteatro. A teoria mais viável é que a região representava um tipo de estação de desenvolvimento de agricultura, uma espécie de laboratório agrícola. Lá os Incas testavam sementes, colheitas e o solo. Dizem até que cada nível de Moray possuía seu próprio microclima, com diferenças de mais de 1 grau de temperatura entre elas.

Valle Sagrado - Moray e montanhas ao fundo

Os Incas também consideravam Moray o umbigo do mundo. Até hoje muitos turistas, que procuram a região por motivos místicos, vão a Moray fazer homenagens à Pacha Mama (mãe natureza), levando folhas de coca e batatas.

Atente-se para o detalhe: excursões rápidas em grandes ônibus não costumam descer até o centro de Moray. Eles passam poucos minutos observando a região no mirante e já partem para o próximo destino 🙁 Somente grupos pequenos costumam descer até o centro. Garanto que isso faz toda a diferença na compreensão sobre como funcionava Moray (e no teste da sua capacidade física a 3800m de altitude) ;P

Valle Sagrado - Moray - umbigo do mundo

Salineras de Maras

Quando eu pensava em regiões cobertas de sal, logo me vinham à mente o deserto do Uyuni na Bolívia ou no Pamukkale na Turquia. Eu realmente desconhecia as Salineras de Maras.

Valle Sagrado - Salineras de Maras

Ao chegar lá, fomos surpreendidos por um grande terraço na encosta da montanha coberta por sal e barro.

Valle Sagrado - Salineras de Maras - poças de secagem de sal

As Salineras de Maras são formadas por 4 mil “poças” de sal cristalizado originário de uma fonte de água subterrânea a muitos quilômetros dali.

Valle Sagrado - Salineras de Maras - rio ao longe

Cada poça produz cerca de 300 quilos de sal por mês e cada família de Maras é responsável pela manutenção e extração de 40 poças.

Valle Sagrado - Salineras de Maras - montanhas

Se você tiver a oportunidade, coloque o dedo na água que vai até as poças e veja o que ela faz com eles :mrgreen:

Valle Sagrado - Salineras de Maras - Fred e seu chapeuzinho

Ollantaytambo

A última etapa do nosso dia foi Ollantaytambo, apelidada carinhosamente por Ollanta. A cidade representava o fim da nossa visita ao Valle Sagrado e a despedida do nosso guia que nos acompanhou ao longo desses três intensos dias respondendo prontamente a cada pergunta pentelha que fizemos, a cada teoria da conspiração e a cada lamento sobre política na América Latina 😛

Valle Sagrado - Ollantaytambo - montanha em frente às ruínas

Ollanta é uma das regiões mais visitadas no Valle Sagrado pelos turistas que seguem caminho rumo a Machu Picchu. Se você quer visitar as ruínas com mais calma, sem trombar com muitas excursões, a dica é dormir uma noite na cidade e visitar as ruínas logo pela manhã antes dos grupos chegarem.

Valle Sagrado - Ollantaytambo - ruínas

O complexo de ruínas de Ollantaytambo é grande e você encontrará diversas características da cultura Inca: grandes sistemas de irrigação, um templo de coroação e uma grande área para adoração e observação astronômica.

Valle Sagrado - Ollantaytambo - mais ruínas

Ollanta, encerrou com chave de ouro mais essa etapa da viagem que era um grande sonho para nós. Era hora de seguir para a estação de trem e partir para Aguas Calientes.

Valle Sagrado - Ollantaytambo - portões na base

Apesar de todo o cansaço, eu mal consegui dormir aquela noite 😛

Veja também os outros posts que vão lhe ajudar a organizar seus dias pelo Valle Sagrado:

Visitando o Valle Sagrado dos Incas: tirando todas as dúvidas

Valle Sagrado: Qorikancha, Tipón, Pikillacta e Andahuaylillas

Valle Sagrado: Sacsayhuamán, Qenqo, Tambomachay e Pisac

Clique aqui para conferir todas as nossas dicas e roteiros do Peru \o/

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    132 Comentários
  1. Olá, gostaria de saber se esse tour por Chinchero, Maras e Moray vocês fizeram com agência de turismo ou por conta própria? Pois assim como vocês também quero ficar em Ollataytambo e não voltar para Cusco. Vocês tem alguma dica? Obrigada.

  2. Oi gente, tudo bem? Amei o site e ele está me ajudando muito (MUITO mesmo) a programar uma viagem minha com meus pais pra visitar o Peru e Machu Picchu.
    Fiquei com algumas dúvidas:
    1) Como vocês fizeram com as malas quando foram de Ollantaytambo-Aguas Calientes-Machu PIcchu – Cusco? Deixaram no hotel em Cusco, foram para o Valle Sagrado e levaram apenas uma muda de roupa para o dia seguinte em Machu Picchu? Fico com muito medo em deixar as malas no Locker do Hotel (e meus pais com certeza vão surtar hahaha). O que vocês recomendam? (Favor levar em consideração senhores de idade surtados! hahaha)
    2) Meus pais tem quase 60 anos e meu irmão é bem bem bem sedentário. Queria que eles curtissem o máximo a experiência sem que a mesma se torne desagradável pelo excesso de esforço físico ou por algum efeito da altitude. Pensei então em um dia Sacsayhuamán / Pisac e um dia Moray, Salinas de Mara e Ollantaytambo. Honestamente falando, esses lugares requerem muito esforço físico? Seria melhor reduzir ainda mais? Será que fico apenas com Sacsayhuamán/Pisac e corto o outro dia?
    Muito obrigada mesmo pela ajuda!
    Beijos!

    • Oi, Laís

      Você já respondeu sua própria dúvida: deixamos as malas no hotel em Cusco, seguimos para o Valle Sagrado apenas com uma mochila e uma muda de roupa para o dia seguinte em Machu Picchu. Deixe a mala com cadeado no hotel e depois retornei para mais uma noite na cidade. Eles estão bem acostumados a guardarem as malas dos hóspedes que vão para Águas Calientes. Combine com os pais para eles levarem apenas o essencial e não levarem objetos muito caros e de grande valor emocional. Eletrônicos, dinheiro e documento levem sempre com vocês.

      Pensando no quadro da sua companhia, achei a divisão do roteiro bem pertinente e cuidadosa. Vocês vão com grupo ou contrataram um guia só para acompanhar a família? Se for a segunda opção, sempre dá pra pedir para ele ir mais devagar e com calma.

      No primeiro dia em Cusco, tentem não fazer nada para o corpo ir se aclimatando e peguem leve no álcool, tá? 😉

  3. Oi Natalie! Antes de tudo, parabéns! O sundaycooks é um dos meus preferidos. Sempre consulto antes de qualquer viagem.
    Também estava com a mesma dúvida da Laís acima sobre onde deixar as malas. Quando você diz deixar as malas com cadeado no hotel significa fazer check out, e o hotel guardar as malas, por cortesia, de um dia para o outro? Ou seja, deixando as malas lá de manhã cedo e só pegando no dia seguinte à noite, chegando de MP? Ou significa manter a diária ativa em Cusco, trancar tudo no quarto do hotel, e só voltar no dia seguinte, continuando a estadia, ou seja sem ter feito check out?
    Eu também estou indo num grupo que por causa da idade não gosta de grandes “lerês” por sítios históricos O DIA INTEIRO. O pessoal adora passear, mas também de ter uma parte do dia livre para curtir o hotel, piscina, passear sem pressa e … comer bem… isso principalmente hehehe.
    Então, será que é possível fracionar esses lugares do Vale Sagrado de forma que não se passe o dia inteiro correndo de um lugar pro outro? Porque, pelo que tenho observado nos posts, as pessoas saem cedinho do hotel e retornam cansados já praticamente anoitecendo. Se fizer isso com o meu grupo eu vou apanhar literalmente! hehehe
    Então, estou pensando em fazer duas bases: Cusco e Urubamba , de forma que possamos conhecer um lado e depois o outro do vale sem precisar passar o dia inteiro correndo. Inclusive, vi que há hotéis em Urubamba que tem sua própria estação de trem que leva a Águas Calientes, o que facilitaria muito, sair de manhã, visitar MP e voltar no fim da tarde para o hotel.
    A viagem terminaria com mais alguns dias em Lima. Estou estimando algo entre 15 até 20 dias no total, entre Cusco – Urubamba- Lima. Slow travel total e conforto em primeiro lugar. Será que é possível, ou não dá pra fugir do corre corre mesmo?

    • Oi Wander. Obrigado pelos elogios 🙂

      Os hotéis de Cusco estão acostumados a guardarem as malas dos hóspedes de um dia pro outro, sem a necessidade de pagar uma diária a mais. Foi assim que fizemos lá e em Arequipa também.

      Sobre os passeios, os mais longos são Ollantaytambo, Maras, Qoriqancha, Sacsayhuaman e Pisac. Os outros você consegue colocar mais de um numa manhã ou numa tarde. Esses são sítios maiores, então possivelmente você ficará um período por conta deles. É possível fazer mais rápido se o pessoal preferir e juntar um outro passeio com um desses que seja mais próximo.

      Machu Picchu é um passeio de dia inteiro, mesmo que fiquem pouco tempo lá em cima, já que de trem são +- 3h indo e 3 voltando.

      Urubamba tem alguns bons hotéis que eles vão adorar 🙂

  4. Olá, obrigada pelo relato!!!
    vou fazer o que vocês fizeram ir até metade do caminho com o tour e depois pegar o trem para machu pichu.
    Minha duvida é sobre o horário do trem.
    tem uma opção as 15:30 e outra so as 19h.
    queria ver a paisagem de dia mas tenho medo de ficar mto corrido.
    Qual horário vcs me recomendam?

    obrigada
    Renata

    • Oi Renata. Eu acho mais legal fazer mais coisa no valle sagrado que ver a paisagem do trem. Sem contar que vc pode ver a paisagem na volta se quiser 😉

  5. Olá a todos,

    Esse site tem sido fundamental no planejamento da minha viagem a Cusco! Porém, tem algo ainda me afligindo. Segundo o roteiro que o guia que contatei passou, eu e meu grupo teremos somente 1h30min em Ollanta. Temo não ser tempo suficiente para conhecer de forma adequada a região. O que acham?

    • Oi Carlos. 1h30 para as ruínas de Ollanta é razoável. Claro que dá pra ficar mais tempo lá, andar pela cidade e tal, mas eu não deixaria outros lugares de fora só pra passear por Ollanta mais tempo não 🙂

  6. Parabéns! O Blog é demais e tem me ajudado muito no montagem do meu roteiro pelo Peru.
    Tenho uma dúvida: vocês têm alguma informação sobre passeios de 1 dia até a Rainbow Mountain sem ter que caminhar 15km? Gostaria muito de conhecer, mas não creio que teria preparo físico para caminhar tanto.

    • Oi, Alessandra. Tudo bem?

      A Rainbow Mountain começou a despertar mais o interesse do viajante brasileiro depois na nossa última passagem pelo país em 2015. Por isso, não temos informações muito precisas sobre esse passeio, mas ao que tudo indica é um trekking mais puxado para quem não está acostumado como eu 😉

      As informações que eu consegui são as seguintes:
      Você pode fazer uma trilha de até 5 dias, dormindo em abrigos pré-determinados ou ainda conhecer a região num bate e volta super cansativo saindo de Cusco.

      Encontrei um relato em inglês de um mochileiro que fez a trilha e indica uma agência local que organiza esse tipo de trekking:

      http://theendlessadventures.blogspot.com.br/2015/10/a-walk-into-unknown-searching-for.html
      http://www.flashpackerconnect.com/#!rainbowmountaindaytrek/es0ly

      Todas elas envolvem muitas horas de caminhada :/

      Boa sorte na sua pesquisa e por favor nos conte como foi! 😀

  7. Essa agência é dos estados unidos. Há agências locais em Cusco como Ayni Peru que têm 2 a 6 passeios de um dia para o Montanha do arco-íris. A duração depende de quanto do circuito de Ausangate você woulld liek para ver. Nós fizemos a 2 dias 1 noite trek: http://www.ayni-peru.com/rainbow-mountain-peru-vinicunca-yauricunca/ mas eu gostaria que tivéssemos tido tempo para o 6 dia caminhando. Tudo era lindo eo guia foi ótimo!

  8. oi, td bem?

    Queria saber se para visitar as salinas, moray e Chinchero tem que pagar entradas ou só o gasto com o guia/transporte? obrigada

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