Uma alma meio brasileira, meio europeia no coração da Serra da Mantiqueira.
Tenho uma teoria sobre hotéis: os melhores são aqueles que te desarmam antes mesmo de você abrir a mala. Foi o que aconteceu durante minhas duas visitas ao Ort Hotel, em Campos do Jordão.
Cheguei com a Anie, enquanto ainda éramos namoradas, um pouco antes do frio pesado subir a Serra da Mantiqueira e voltamos para comemorar nosso primeiro ano de casadas. O hotel nos recebeu com a mesma gentileza: como se soubesse quem éramos e o que precisávamos. Esse tipo de detalhe significa muito.

ORT HOTEL
Abaixo compartilho detalhes sobre esse belo hotel em Campos do Jordão. Mas já adianto: é um lugar que faz a gente querer ficar.

Arquitetura e identidade visual
O prédio principal do Ort foi erguido em 1943, em estilo bávaro, quando Campos do Jordão ainda apostava suas fichas num futuro turístico que levaria décadas para se consolidar. Naquela época, a cidade mais alta do estado de São Paulo já atraía quem buscava o frescor serrano e queria fugir do calor das grandes cidades.
A madeira que contrasta com o jardim, as janelas com molduras escuras e o charme da decoração que insiste em brincar com o vintage e o aconchegante, não são apenas uma questão de nostalgia. É uma proposta arquitetônica que o hotel manteve após a revitalização completa feita entre 2020 e 2021, quando a propriedade passou por sua maior transformação.
A estrutura original foi preservada; o interior ganhou uma leitura contemporânea que convive muito bem com sua herança que me remete aos hotéis que conheci nos Alpes franceses, como o L’Arboisie de Megève.
O que salta aos olhos em cada espaço é o cuidado com a coerência visual. Do lobby às áreas externas, passando pelos corredores e salas de estar, tudo conversa entre si. Madeira, pedra, obras de arte e referências às paisagens de destinos frios formam uma linguagem que o hotel sustenta sem esforço aparente.

Infraestrutura
O hotel guarda 60 acomodações divididas entre apartamentos e chalés privativos, além de uma infraestrutura que daria conta de uma semana inteira sem que você precisasse sair do portão.
O catálogo é longo: piscinas cobertas e externas, academia completa, quadras poliesportivas, sala de cinema com 20 lugares e serviço de garçom, lareira coletiva, salão de jogos com mesa de sinuca, mesa de carteado, air-hockey, pebolim… e a lista não para por aí.
Um observatório para noites estreladas chamado Stern Observatorium, fazendinha com animais, dois vinhedos com mudas trazidas da Itália, mirante com trilha própria, fogos de chão para noites com vinho e fondue e uma loja com produtos artesanais da Casa Ort ainda fazem parte desse pacote.
Quando o frio aperta e o céu de Campos fica cheio de estrelas, reunir todo mundo em volta da fogueira com uma taça de vinho e petiscos é o tipo de cena que não precisa de filtro do Instagram para parecer perfeita.

Suítes e Berg Haus
As acomodações são divididas em categorias que atendem a perfis diferentes. Há desde os quartos da categoria Premier, mais compactos, até as suítes com varanda, com jardim ou com vista direta para a natureza da propriedade. Todas têm amenities selecionadas, pisos aquecidos nos banheiros e aquela cama que, como toda boa cama de hotel de montanha, parece conspirar contra qualquer plano de acordar cedo (mas nem pense em perder o café da manhá do ORT).


O destaque da hospedagem também são os Berg Haus, os chalés privativos da propriedade. O menor começa em 110 m² e o maior chega a 175 m², com capacidade para receber até 8 pessoas. Eles têm sala de estar, varanda com vista para as araucárias, lareira, piso aquecido no banheiro e alguns oferecem cozinha equipada com opção de receber um chef à domicílio.
Para quem viaja com pets, o hotel oferece a categoria Premier Varanda Pet. Para famílias maiores, os apartamentos de 2 e 3 dormitórios chegam a 76 m² e resolvem a logística sem sacrificar o conforto. Reserve o hotel em Campos do Jordão.

Bem-estar: Pureté SPA e wellness
O Pureté SPA oferece uma estrutura própria com quatro salas de tratamento atendidas por fisioterapeutas e massoterapeutas especializadas, com menu que vai de massagem relaxante com pedras quentes a terapias recreativas para crianças. Antes de entrar nas salas, uma jacuzzi é um convite perfeito para o relaxamento.
O espaço Natur é exclusivo para adultos, pensado para quem quer contemplação ao ar livre: uma piscina aquecida revestida de pedras, convés de madeira coberto com lounge, rodeado pela vegetação da Mantiqueira.



Além do SPA, o programa de wellness inclui aulas de ioga nos jardins, pilates, sauna seca e úmida com visão para a piscina coberta, espaço de hidroginástica para até dez pessoas.
O O.lab é uma oficina de cosméticos naturais com ingredientes botânicos da própria Mantiqueira. Lá também é possível fazer oficina de velas e essa é mais uma das atividades diferentes propostas pelos concierges da propriedade.

Atividades e programação
Uma das razões pelas quais o ORT funciona como destino completo é a amplitude da programação oferecida. Não é preciso sair para se divertir, mas se a vontade for de aventura, o hotel cobre esse ponto também.
Arvorismo com tirolesa é uma atração que faz sucesso entre os hóspedes mais jovens e também com os adultos que fingem que estão indo apenas acompanhar as crianças. O percurso passa por cima da fazendinha, onde coelhos, patos, porquinhos da Índia e outros animais circulam livremente.
O hotel também empresta bicicletas para os hóspedes que querem pedalar pelos arredores e oferece passeios guiados por trilhas, como a Pedra do Baú.
Mais tranquilo, o mirante interno da propriedade é destino para café da manhã ao ar livre ou para terminar uma caminhada com vistas para o vale. Os dois vinhedos, ainda jovens, já permitem piqueniques nas bordas dos canteiros.
Embora seja difícil querer sair do hotel e deixar de aproveitar as atividades que ele oferece, se você deseja conhecer um pouco mais de Campos do Jordão, recomendo um tour privativo passando pelos principais pontos da cidade.

Gastronomia
O ORT tem quatro opções gastronômicas, cada uma com identidade própria, e duas delas já ultrapassaram os limites do hotel para se tornar referência na cidade.
O Küche é o restaurante principal. Sob o comando do chef Edmar Mendonça, o cardápio celebra a Europa Ocidental com forte influência austríaca, alemã e suíça, sem ignorar o que a Mantiqueira tem de melhor. Spätzle, schnitzel e raclette com queijo produzido na própria serra dividem o menu à la carte com cortes de carne, peixes e ingredientes regionais. O restaurante abre para visitantes que não se hospedam no hotel, fazendo dele um dos endereços mais procurados da cidade.



O café da manhã merece uma menção separada. Ovos, pães artesanais, queijos serranos, bolos, geleias, frutas da estação. É o tipo de café da manhã que inviabiliza qualquer compromisso para antes das 10h.

A Ôpa é a pizzaria do hotel e disputa com o Küche o título de favorita dos hóspedes. Pizza de fermentação natural, forno a lenha, ingredientes selecionados. Faça uma reserva antecipada se quiser aproveitar uma noite por lá.
O Eins é o espaço de alta gastronomia, com menu degustação sazonal e o que o hotel chama de cozinha show: a preparação dos pratos acontece diante dos hóspedes, também comandada pelo chef Mendonça. Funciona em datas específicas e reserva prévia é obrigatória.
Se possível, tente reservar esse jantar com a harmonização de vinhos feita pelo simpático sommelier da casa, o Felipe, e solicite para sentar no balcão. Ver o chef e sua assistente montando esse menu é como ver a São Paulo Companhia de Dança apresentando O Quebra Nozes.

O Arte de Fogo é o churrasco de sábado, com técnica ancestral e cortes preparados no ritmo da montanha. Disponível de maio ao fim de agosto e em datas especiais.
O Musik Bar, com poucos lugares e adega climatizada, recebe shows ao vivo em datas selecionadas. Seu design mistura referências de montanha e europeias, como o resto do hotel, criando um clima ideal para o fim da noite.

Localização
O ORT fica na Rua Engenheiro Gustavo Kaiser, 165, no bairro Vila Natal, a cerca de 170 km de São Paulo. Fica a uns 15 minutos de carro do centrinho agitado de Campos do Jordão, o que é uma vantagem considerável nos meses de alta temporada, quando as ruas da cidade ficam saturadas. Na sua propriedade, a calmaria e o silêncio são uma presença constante (um alívio para mim, que estou estranhando o ruído constante de morar no centro de São Paulo).
O microclima da região de Campos do Jordão garante temperaturas amenas durante todo o ano. No inverno, que vai de junho a agosto, as noites podem passar dos negativos. É a época de maior movimento, mas o ORT funciona 365 dias.
O hotel oferece estacionamento gratuito com serviço de manobrista para os hóspedes. Para quem vai de transporte público, a rodoviária de Campos do Jordão fica na Abernéssia, a cerca de 6 km (aproximadamente 12 a 15 minutos de táxi ou aplicativo até o bairro Vila Natal).

Quem está por trás desse conceito
O hotel que abriu suas portas originalmente em 1943 atendia pelo nome de Orotour. Em 2020, foi adquirido pelo empresário Fábio Berg, que conduziu uma revitalização completa da propriedade. A área passou de sua metragem original para os atuais 40 mil m². O estilo arquitetônico foi preservado, o conceito de wellness, gastronomia e hospitalidade de alto padrão foi construído do zero.
Hoje, o ORT faz parte de um grupo maior, a Ort Hotéis e Experiências, que tem um segundo projeto em desenvolvimento no litoral norte de São Paulo: o Ozean, à beira-mar, numa reserva florestal de 70 mil m², com expectativa de abertura ainda em 2026 (já estou curiosa para conhecer, ainda mais depois do pequeno spoiler que o chef Mendonça compartilhou sobre o novo menu).



ORT Hotel é para…

Para casais que querem uma escapada especial e para famílias que buscam tempo de qualidade juntos (o hotel também tem uma brinquedoteca e espaço para recreação infantil).
E para quem quer se hospedar num lugar que seja LGBT-friendly de verdade, não só no discurso. A Anie e eu não somos tipos que passam invisíveis e em nenhum dos dois momentos que estivemos no ORT sentimos qualquer desconforto. O sorriso da equipe foi o mesmo na primeira visita e na segunda. (Isso importa e muito! Mais do que você pode imaginar). Sempre fomos recebidas com gentileza por toda a equipe.
O hotel é para quem aprecia arquitetura, para os apaixonados por gastronomia, para quem não consegue organizar uma viagem sem movimento, mas também precisa de silêncio. E é, definitivamente, para quem não resiste a uma lareira, a um bom queijo serrano e a um céu que, nas noites limpas de Campos, parece ter sido colocado ali de propósito.
Natalie e Anie se hospedaram no Ort Hotel a convite do hotel. Veja também outros hotéis já resenhados pela Natalie.
